Os espaços internos de museus, por meio de exposições, constroem narrativas que atribuem lógica e sentido (em outros contextos talvez não existentes) aos objetos expostos. Isto é, os recursos utilizados em uma mostra são capazes de conferir significados à medida em que são estabelecidas as conexões não só entre as peças expostas, mas também entre o projeto expográfico e a obra de arte.
Danny Forster, do programa Build it Bigger, explica como o NexoTek — com o V-Ray para SketchUp e o Chaos Cloud — o ajudou a projetar e apresentar o hotel modular mais alto do mundo.
Atualmente em construção na cidade de Nova York, o AC Hotel New York NoMad, da Marriott, está prestes a fazer história como o hotel modular mais alto do mundo. O edifício de 26 pavimentos e 168 quartos foi pré-fabricado e montado na Polônia antes de cruzar o Atlântico rumo a Nova York, onde as equipes de obra conseguirão montar um andar inteiro em menos de uma semana.
A menos que você viva em uma bolha de notícias ou de redes sociais, é pouco provável que não tenha visto os efeitos devastadores que as secas e os incêndios florestais na Austrália, agravados pelas mudanças climáticas, causaram ao continente. Uma das imagens que continua gravada na minha memória é a daquele garoto que, de máscara no rosto, pilota o barco da família enquanto fogem de um grande incêndio florestal — com chamas e fumaça envolvendo toda a cena em um brilho apocalíptico de tom vermelho-alaranjado.
A perda de vidas (humanas e de animais silvestres), a destruição de propriedades, infraestrutura e habitats, os impactos negativos na qualidade do ar, na biodiversidade e no acesso à água, além dos refugiados decorrentes desse cenário, trarão consequências de longo prazo para a economia e o bem-estar geral da Austrália. Pior ainda, esses impactos negativos têm sido, e continuarão sendo, distribuídos de forma desigual entre as populações do continente. Sem surpresa, a tensão resultante disso, que já afeta indivíduos e instituições sociais, enfraqueceu a coesão comunitária por meio de ações antissociais, como o roubo de água.
O recente sucesso de Parasita, premiado filme do cineasta coreano Bong Joon Ho, trouxe para o foco da crítica de cinema a relevância da arquitetura e dos espaços interiores. Como poucos filmes conseguem fazer, a obra-prima de Ho borrou os limites entre os dois campos disciplinares a ponto de podermos afirmar, sem exageros, que a arquitetura não está lá apenas como cenário, mas assume papel de protagonista em muitas cenas.
Ao longo dos últimos três meses, o COVID-19 se espalhou rapidamente pelos quatro cantos do mundo, ultrapassando a marca de 114 países com casos confirmados até a última quarta-feira dia 11 de Março de 2020, tirando a vida de quase 5.000 pessoas até o momento, números que tendem a aumentar exponencialmente ao longo das próximas semanas.
Mas, se pudéssemos deixar de lado por um momento a gravidade desta situação, a pandemia de coronavírus – de maneira pouco ortodoxa – está nos fazendo refletir sobre o futuro das relações de trabalho no mundo. Milhões de pessoas estão sendo forçadas à trabalhar de casa, juntando-se a um já não pequeno número de pessoas que o fazem por escolha ou comodidade. A pergunta que queremos levantar é: seria este o início do fim do tradicional edifício de escritórios?
Conjunto habitacional do MCMV em Juazeiro do Norte, Ceará. Via Caos Planejado
Um dos problemas estruturais da sociedade brasileira é o crescimento excessivo da mancha urbana das cidades, comumente denominado de “espraiamento”, que resulta em uma ocupação urbana de baixa densidade. Essa ocupação dispersa dificulta a provisão de serviços públicos e compromete a qualidade de vida dos moradores, pois não gera demanda suficiente para o transporte de massa e induz à adoção do automóvel particular como modo de deslocamento. Para reverter esse quadro, a política urbana procura aumentar a densidade da cidade existente, seja construindo edificações novas nos lotes ociosos, seja recuperando edificações degradadas nas áreas centrais. No entanto, tal como atualmente concebida, a política habitacional favorece o espraiamento urbano.
O levantamento de edifícios é uma das etapas fundamentais no início de qualquer projeto de arquitetura. Embora essa tarefa seja hoje frequentemente terceirizada para especialistas em projetos de maior escala — sobretudo no atual contexto do BIM —, intervenções menores, como reformas e ampliações residenciais, ainda demandam que o/a próprio/a arquiteto/a realize o levantamento. Pensando nisso, preparamos uma lista de considerações e dicas específicas para a medição de espaços internos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126781/dicas-para-medicao-e-levantamento-de-espacos-internosNiall Patrick Walsh
Cortesia de Königsberger Vannucchi Arquitetos Associados
Neste artigo, compartilho o processo de análise e decisão que conduzimos na Königsberger Vannucchi Arquitetura ao iniciarmos nossa transformação BIM em 2017. Foram seis estudos de investimento, realizados entre os anos de 2013 e 2017, até o dia em que finalmente o plano virou uma iniciativa. Era setembro de 2017 e acabávamos de começar aquele que seria o mais importante, transformador e arriscado investimento do ciclo estratégico KV2020: adotar o BIM como padrão do escritório, em 100% dos projetos, ao longo de 100% do ciclo de vida dos projetos.
Uma de nossas responsabilidades como arquitetos e arquitetas é entender como implementar em nossos projetos estratégias que considerem as pessoas que habitam os espaços, nosso consumo de recursos naturais e a viabilidade econômica desses empreendimentos. Tudo isso pode ser alcançado por meio de três objetivos principais: reduzir nossa pegada de carbono, criar ambientes de trabalho saudáveis e projetar edifícios eficientes e lucrativos.
Embora a construção em pedra seja uma técnica construtiva ancestral, o potencial expressivo, as texturas, a eficiência e a durabilidade deste material impulsionaram seu uso contínuo ao longo do tempo. A robustez, a rusticidade, a integridade e a ampla gama de texturas e variações que possibilita fizeram com que muitos/as arquitetos/as valorizassem os elementos pétreos, incorporando-os como recursos construtivos em seus projetos.
“Não é sua responsabilidade concluir a obra [de aperfeiçoar o mundo], mas você também não é livre para desistir dela.” —Rabino Tarfon
Em um voo recente, um senhor sentado ao meu lado notou, em voz alta, que eu estava lendo um livro sobre arquitetura. Atrevendo-me a engajar em uma conversa com mais de duas horas de voo pela frente, confessei que não apenas lia sobre o assunto, mas também praticava a arquitetura. Sua pergunta seguinte, com o tom sincero de um recém-estreante avô, foi se os/as arquitetos/as estavam “resolvendo a crise habitacional”.
O The Midnight Charette é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pela dupla de designers de arquitetura David Lee e Marina Bourderonnet, o programa recebe diversos profissionais de criação para conversas espontâneas, que abrem espaço para reflexões profundas e debates pessoais. Uma ampla gama de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios trazem dicas úteis para profissionais de design, enquanto outros apresentam análises de projetos, entrevistas ou explorações sobre o cotidiano e o design. O The Midnight Charette também está disponível no iTunes, Spotify, e YouTube.
Nesta semana, David e Marina recebem Dwayne Oyler — arquiteto, professor na SCI-Arc e cofundador da Oyler Wu Collaborative — para discutir os prós e contras dos processos de produção física e digital, a construção de triciclos, a evolução de seu escritório, a transposição do trabalho conceitual para edifícios reais, soldagem, ferramentas elétricas, a importância de ser seletivo na escolha dos projetos e muito mais!
https://www.archdaily.com.br/pt/1127058/dwayne-oyler-sobre-o-fazer-digital-e-fisicoThe Second Studio Podcast
Famosa por seu plano urbano e edifícios cívicos, Chandigarh representa um fragmento icônico da arquitetura modernista. Este centro econômico e administrativo foi concebido para mostrar ao mundo o progresso da recém-independente Índia dos anos 50.
Fachada da Villa Müller mostrando as janelas em diferentes alturas: consequência das diferenças internas de nível e pé-direito. Imagem de euphrosyne_3.14. Via Instagram
Entre 1928 e 1930, na cidade de Praga, capital da então Tchecoslováquia, Adolf Loos, com colaboração de Karel Lhota, projetou uma de suas mais influentes obras: a Villa Müller. A casa se tornou não só um marco na trajetória de Loos e na história da arquitetura, mas também um símbolo da expressão do Raumplan, caracterizado por Loos como uma sequência de espaços que, em diferentes níveis e variados pés-direitos, se relacionam e interagem uns com os outros.
A arquitetura tem um impacto no contexto na qual se implanta. No entanto, a experiência dos usuários se dão nos espaços internos. Grandes expoentes como Rogelio Salmona e Antonio Gaudí pensavam suas obras em todos os espectros da escala arquitetônica, para que até os mais finos detalhes de acabamento fossem parte da experiência.
É quase impossível imaginar nossas vidas sem o gás, apesar de raramente pensarmos nele (a não ser quando ele acaba durante o preparo de um bolo ou quando sentimos aquele cheiro que deixa todos preocupados). A conveniência de acender o fogão, aquecer a água para o banho ou deixar a casa quente no inverno é algo que já foi incorporado em grande parte dos cotidianos. No entanto, como toda energia, instalações com baixo desempenho ou manutenção deficiente podem causar vazamentos e incidentes, com o risco de afetar os ocupantes do espaço. Apesar da onipresença e da grande responsabilidade envolvida, quando falamos sobre o assunto, arquitetos tendem a relegar o trabalho para consultores e especialistas. Mas alguns cuidados podem ser tomados para que não haja surpresas desagradáveis no detalhamento do projeto ou durante a obra.
A seleção com curadoria desta semana de projetos enviados por nossos/as leitores/as foca em alguns dos componentes essenciais de nossas cidades contemporâneas.
Apresentando o melhor da arquitetura ainda não construída, o artigo destaca projetos de reutilização adaptativa que transformaram armazéns e fábricas abandonadas, o desenho urbano de uma rua em Luxemburgo, um plano diretor regenerativo em Seul e uma habitação familiar emergencial para abrigar temporariamente pessoas em situação de vulnerabilidade. Além disso, a seleção destaca uma biblioteca na Coreia do Sul e a extensão de um museu em Helsinque, uma vez que o aspecto cultural é parte integrante do nosso ambiente urbano.
Este artigo faz parte de uma colaboração com o site coolhuntermx, foi originalmente publicado em 2 de fevereiro de 2020 com o título "Un parque moderno para Guadalajara" e escrito por David Lozano Díaz.
Em 1971, o arquiteto Fernando González Gortázar, aos 29 anos, recebeu a encomenda de construir o Parque González Gallo. O projeto tinha dois objetivos: homenagear o falecido ex-governador José de Jesús González Gallo e oferecer um novo espaço público de grande escala para os novos bairros do leste de Guadalajara.
Robótica e automação estão presentes em qualquer previsão de como viveremos no futuro. Entre arquitetos e designers, essa tendência cruza uma variedade de escalas, de cidades inteligentes a cozinhas inteligentes. Conforme destacamos em nosso artigo "Tendências que influenciarão a arquitetura em 2019", os últimos anos viram um fortalecimento na forma como os espaços interiores estão sendo transformados pelas tecnologias, com pesquisas em domótica subindo 450% em doze meses.
No apogeu do Império Romano, seu território se estendia a mais de cinco milhões de quilômetros quadrados, entre Europa, Ásia e África. Roma exercia poder sobre uma população de mais de 70 milhões de pessoas, o que correspondia a 21% da população mundial na época. De fato, como já mostramos em outro artigo, todos os caminhos levavam à cidade de Roma, grande sede do império e o patrimônio material e imaterial deixado pelo império é incomensurável, sendo que até hoje pesquisadores buscam entender todo o seu impacto no mundo atual. Desde o início de sua expansão no século VI a.C. até sua queda no ano de 476 d.C., o legado deixado pelos romanos abrange áreas como o direito, as artes plásticas, o latim que originou diversos idiomas, o sistema de governo e, muito importante, a arquitetura.
Vista aérea do centro de São Paulo. Foto de Sergio Souza, via Unsplash
Por que ficar na cidade?
A resposta dessa pergunta é óbvia para muitos dos moradores dos grandes centros: “é difícil achar emprego numa cidade menor, fora que lá nem cinema tem, são poucas as opções de restaurantes, e as escolas não são lá essas coisas.”
Se pensarmos em uma cidade como um organismo vivo, o que podemos aprender da natureza sobre como gerenciar um sistema tão complexo? Podemos aplicar ideias da biologia para construir cidades melhores e mais sustentáveis? E se sim - quais poderiam ser essas ideias?
O emocionante campo do bio-urbanismo tenta responder a essas perguntas explorando a interseção entre as cidades e o mundo natural ao nosso redor.
Assim como paredes e lajes, os móveis podem delimitar e definir um espaço. No entanto, ao contrário dos elementos construtivos, que fazem a distinção de ambientes de forma mais permanente, o mobiliário pode estabelecer limites entre um espaço e outro de maneira facilmente adaptável.
Climate Care – A Curriculum for Urban Practice foi um programa público de 10 dias com curadoria de Gilly Karjevsky e Rosario Talevi para a Floating University em Berlim. O Climate Care explorou correlações entre meio ambiente, práticas urbanas e educação, abordando de maneira afirmativa não apenas os desafios climáticos no âmbito ambiental, mas também colocando sob a lupa os complexos climas sociais, políticos e econômicos que nos cercam hoje.