Embora costumemos associar, em nosso imaginário, sua presença a áreas de lazer de parques, jardins ou escolas, o balanço ou a rede — termo que varia conforme a região geográfica — é um elemento que pode funcionar como mobiliário complementar em projetos de arquitetura com programas bastante variados, como bares, restaurantes, residências e até mesmo escritórios e coworkings. Estes elementos trazem movimento e conferem dinamismo, criando espaços interativos que permitem uma apropriação lúdica e incomum da arquitetura, possibilitando não apenas o brincar, mas também o lazer e o descanso. Por meio de elementos que suportam esforços de tração — como cabos, correntes, cordas ou barras sólidas — e ancorados em tetos, paredes, vigas ou estruturas especialmente posicionadas para não sobrecarregar as construções, os balanços e redes podem ressignificar completamente um espaço interno ou semicoberto, proporcionando um estímulo para o brincar, mas também viabilizando o relaxamento e momentos de reflexão individual.
Assim como escolas, restaurantes, centros comerciais e outros locais de aglomeração de pessoas, os museus ao redor do mundo tiveram que fechar as portas com a chegada da Covid-19. Hoje, algumas cidades, onde as taxas de contágio diminuíram significativamente, estão se preparando para a reabertura das atividades consideradas não essenciais. Como parte deste grupo, os museus, que durante o período de isolamento buscaram novas formas de se conectar com o público à distância, devem agora se adaptar a uma nova forma de receber os visitantes.
Tiffany Brown com estudantes. Imagem Cortesia de Tiffany Brown, 400 Forward
Pioneira em justiça, equidade, diversidade e inclusão na profissão da arquitetura, Tiffany Brown é a fundadora do 400 Forward, uma iniciativa que busca, inspira e orienta a próxima geração de mulheres arquitetas. Nomeado à luz do licenciamento da 400ª arquiteta afro-americana em 2017, o programa visa familiarizar as meninas com a arquitetura, fornecendo-lhes ferramentas para lidar com questões de injustiça social.
Impulsionando a presença de mulheres afro-americanas na profissão da arquitetura – atualmente menos de 0,3% nos EUA – 400 Forward também oferece bolsas e material de estudo para exames de licenciamento em arquitetura para mulheres afro-americanas. Para saber mais sobre a iniciativa, o ArchDaily teve a oportunidade de conversar com a fundadora Tiffany Brown sobre o programa, a diversidade no campo e o empoderamento das arquitetas e estudantes.
Antes mesmo da nova presidente do IPHAN ser nomeada em maio de 2020, em conversa na Escola da Cidade no dia 05 de junho de 2019, na disciplina Seminário de Cultura e Realidade Contemporânea, então coordenada pelo professor José Guilherme Pereira Leite, os professores convidados Silvana Rubino e Alfredo Manevy falaram sobre diversas problemáticas e contradições que norteiam a política cultural no Brasil partindo da extinção do Ministério da Cultura (MinC) e discutindo o rebatimento disso principalmente no campo da arquitetura e do urbanismo.
O bambu é um material construtivo utilizado desde a antiguidade em diferentes edificações que demonstraram sua superioridade em relação a materiais totalmente inovadores, como o plástico e o aço, devido a uma infinidade de benefícios, sem esquecer o incomparável fator estético que o consagrou como uma das maiores tendências arquitetônicas do momento.
Um dos elementos arquitetônicos que mais fortemente promove a relação do interior com o exterior é a varanda. Difícil é precisar sua origem, sendo vista em exemplos de arquitetura vernacular no oriente, no mundo árabe, na Europa e, com grande expressividade, no Brasil.
Até onde os registros escritos alcançam, o que se sabe é que a “pré-história” é um período que vai de 35.000 à 3.000 anos a.C. no Oriente Médio e 2.000 a.C. na Europa Ocidental. Pelo que é possível observar, os construtores da antiguidade tinham uma profunda compreensão das necessidades humanas e como lidar com as condições ambientais através da arquitetura em sua forma mais primitiva. Nos primórdios, famílias e tribos viviam em cabanas construídas a base de ossos e peles de animais. Milhares de anos de passaram até que o homem passasse a construir estruturas mais robustas utilizando pedras e tijolos de barro, assumindo formas prismáticas e dotadas de aberturas para iluminação e ventilação natural.
Ao longo dos próximos meses, publicaremos aqui no ArchDaily uma série de pequenos artigos sobre a história da arquitetura e como ela evoluiu até assumir a forma como à conhecemos hoje. Nesta semana, regressamos a um dos períodos mais importantes e influentes da história da humanidade: a Grécia antiga; mais especificamente os períodos egeu, arcaico, clássico e helenístico.
Ao longo dos últimos 14 anos, o ArchDaily vem oferecendo conteúdo de qualidade para todas e todos. Nossos curadores são encarregados de selecionar os melhores projetos – de escritórios renomados a estúdios emergentes – para fazerem parte da maior biblioteca de arquitetura do mundo, enquanto nossos editores fazem a cobertura dos principais desafios e ideias mais inovadoras que estão redefinindo as cidades.
“Da janela vê-se o Corcovado, o redentor, que lindo”. A letra de Tom Jobim, eternizada pela voz e pelo violão suave de João Gilberto, foi uma das músicas que apresentou ao mundo a ideia de um Rio de Janeiro paradisíaco e um Brasil promissor, cada vez mais urbano e com uma capital moderna sendo construída do zero. Quase 60 anos depois, Paulo Mendes da Rocha cita casualmente essa canção em uma entrevista e aponta que para ele, nessa cena, o elemento mais importante é a janela, e não o Corcovado ou o Cristo Redentor. Isso porque é ela que enquadra a vista e direciona o nosso olhar ao que importa. É uma frase que passa quase despercebida, mas que carrega enorme significado poético e artístico sobre o ofício da arquitetura.
Como alternativas à produção de materiais na construção civil, caracterizada por altos gastos energéticos e altos índices de poluentes lançados na atmosfera, a reciclagem e o reuso de materiais e estruturas têm se tornado cada vez mais comuns na arquitetura. A principal diferença entre esses métodos é que, enquanto o primeiro emprega certo gasto energético no tratamento do material antes do seu reaproveitamento, o segundo não requer esse processo, reutilizando-o na forma em que foi descartado.
Amateur Architecture Studio, Ningbo History Museum, 2008. . Imagem Cortesia de Louisiana
Ao longo dos dois últimos séculos, a China passou por um vertiginoso processo de expansão demográfica e urbana, resultando na completa descaracterização de sua paisagem histórica, onde inúmeras pequenas cidades e vilarejos acabaram sendo varridos do mapa, substituídos por novas infra-estruturas urbanas e edifícios cada vez mais altos. À medida que a antiga paisagem chinesa vai desaparecendo sob o novo tecido urbano da China do século XXI, importantes elementos da cultura cívica e social também estão sendo esquecidos e negligenciados. Wang Shu, o primeiro arquiteto chinês a ser galardoado com o Prêmio Pritzker, tem lidado com esta delicada situação cotidianamente desde o início de sua carreira, desenvolvendo uma arquitetura que busca construir pontes entre o passado e o presente. Utilizando materiais reciclados e recuperados de antigas estruturas abandonadas ou destruídas, Wang Shu está resignificando a arquitetura tradicional chinesa no contexto de um país em rápido e incansável processo de desenvolvimento e expansão urbana. A seguir, discutiremos algumas das principais obras construídas por Wang Shu, como o Museu de arte contemporânea (2005) e o Museu Histórico de Ningbo (2008), e o Campus da Nova Academia de Arte de Hangzhou (2004).
Ancestralmente, os elementos naturais costumavam ser as únicas matérias-primas com as quais as populações originárias materializavam seus refúgios temporários ou moradias permanentes. Atualmente, a consciência ambiental e o interesse por métodos de construção ecológicos têm dado lugar a práticas mais sustentáveis que buscam adaptar esses procedimentos às exigências contemporâneas. Dessa forma, ao incorporar materiais biodegradáveis e de baixo impacto ambiental em seus projetos, fundindo-os com recursos modernos para potencializar suas vantagens físicas, arquitetos e arquitetas têm conseguido resgatar as têcnicas ancestrais de suas regiões, trilhando um caminho rumo à bioconstrução.
Sobretudo quando falamos de edificações públicas, é imprescindível que os espaços sejam pensados de forma que permitam o acesso de todos os indivíduos com autonomia, independente de suas dificuldades motoras. Entretanto, na hora de projetar, sabemos que “adequar” o projeto às normas pode se tornar uma enorme dor de cabeça, ainda mais quando cada centímetro importa para darmos conta do programa de necessidades pretendido.
Para normatizar essa questão, a NBR 9050, de 2015, estabelece critérios e parâmetros técnicos a serem observados em projeto, construção, instalação e adaptação de edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos às condições de acessibilidade.
A pegada de carbono (carbon footprint) pode ser definida como a quantificação, normalmente em quilogramas (kg) ou toneladas (t), das emissões (e remoções) de diferentes gases de efeito estufa (GEE) no ciclo de vida de um produto, processo ou serviço. Existem diversos GEE, sendo que os mais importantes em termos de contribuição para o aquecimento global e mudanças climáticas são: dióxido de carbono (CO2), (CH4) e Óxido Nitroso (N2O).
Monumento às Bandeiras, em São Paulo, pichado em 2016. Foto de Rovena Rosa / Agência Brasil / Fotos públicas
A arquiteta Ayesha Luciano não sabe muito sobre seus antepassados. Assim como outros descendentes de populações afro-brasileiras e indígenas, a história de sua família foi apagada durante o processo de colonização do Brasil. É o que a filósofa Sueli Carneiro chama de epistemicídio: o aniquilamento das saberes e memórias em países de passado escravista.
Mas os perpetradores deste genocídio têm suas figuras lapidadas em pedra, ocupando lugar central em espaços públicos do país. É o caso da estátua totêmica do bandeirante Borba Gato, na capital de São Paulo, ou de Joaquim Pereira Marinho, traficante de pessoas escravizadas cuja estátua está no centro de Salvador (BA). A arquiteta comenta:
O que acontece quando a cidade repleta de sensores adquire a capacidade de ver — quase como se tivesse olhos? Durante a Bienal de Urbanismo\Arquitetura de Shenzhen (UABB) de 2019, intitulada "Urban Interactions" (Interações Urbanas), o ArchDaily colabora com a curadoria da seção "Eyes of the City" (Olhos da Cidade) da Bienal para estimular um debate sobre como as novas tecnologias — e a Inteligência Artificial em particular — podem impactar a arquitetura e a vida urbana. Aqui você encontra todas as informações sobre a seção “Eyes of the City”, que tem curadoria de Carlo Ratti, do Politecnico di Torino e da SCUT — incluindo exposições, eventos e desenhos técnicos dos projetos.
Há alguns anos, um tema central no debate europeu vem catalisando a atenção de economistas, sociólogos/as, tecnólogos/as, formuladores/as de políticas públicas e sindicalistas: a Indústria 4.0. Estabelecido na Alemanha em 2012 e discutido inicialmente sob uma perspectiva quase exclusivamente tecnológica, o tema tomou conta da agenda política das principais economias europeias, estimulando políticas industriais e apoio estatal, mas também provocando debates acalorados sobre o futuro do trabalho e sobre a nova relação entre fábrica e sociedade.
Reabilitar um edifício não é tarefa simples. Além de exigir sensibilidade aguçada para identificar e reconhecer o valor histórico das pré-existências – e, assim, decidir o que perduará no tempo e o que será substituído por elementos novos, coerentes com o programa atual –, trata-se também de uma estratégia que extrapola os limites do desenho e entra em temas como sustentabilidade e economia de meios. Afinal, estamos falando de reciclar uma estrutura, ou partes dela, e isso tem consequências tanto formais quanto ambientais.
Avançar significa também olhar para trás. Cumprir a missão de criar banheiros seguros e inclusivos que satisfaçam as necessidades de uma gama diversa de pessoas de diferentes idades, gêneros, religiões e capacidades requer uma perspectiva ampla. Para compreender como chegamos ao “impasse” em que nos encontramos hoje em relação ao debate sobre o projeto desses espaços, devemos considerar que os banheiros foram e são projetados dentro de um contexto social e histórico particular.
Concluindo a série de artigos sobre o estudo da habitação social na América Latina, Nikos A. Salingaros, David Brain, Andrés M. Duany, Michael W. Mehaffy e Ernesto Philibert-Petit apresentam uma reflexão sobre os altos preços da terra, grandes esquemas e desestabilização nacional. Confira, a seguir.
https://www.archdaily.com.br/pt/943131/realidades-incomodas-da-habitacao-social-na-america-latinaNikos A. Salingaros, David Brain, Andrés M. Duany, Michael W. Mehaffy & Ernesto Philibert-Petit
The Midnight Charette é um podcast sem censura sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelos designers de arquitetura David Lee e Marina Bourderonnet, o programa recebe uma variedade de profissionais criativos para conversas espontâneas que dão espaço a reflexões profundas e debates pessoais. Uma ampla gama de temas é abordada com honestidade e humor: enquanto alguns episódios trazem dicas úteis para designers, outros consistem em análises de projetos, entrevistas ou explorações sobre a vida cotidiana e o design. O Midnight Charette também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina recebem Anne Fougeron, arquiteta premiada e fundadora do escritório Fougeron Architecture, para debater sua produção, densidade urbana, a criação de bons espaços urbanos por meio da arquitetura, a presença feminina e a igualdade de gênero na profissão, processos de projeto, parcerias com outros escritórios e muito mais! Este episódio faz parte de uma série produzida com o apoio do SF Urban Program, do Departamento de Arquitetura da Cal Poly. Aproveite!
https://www.archdaily.com.br/pt/1126343/anne-fougeron-sobre-a-criacao-de-bons-espacos-urbanos-e-ser-uma-mulher-arquitetaThe Second Studio Podcast
O manifesto futurista, assinado em 1909 pelo poeta Filippo Tommaso Marinetti, seria o pontapé inicial para formalizar os ideais e assentar as bases de um movimento vanguardista que atrairia a escritores, músicos, artistas e arquitetos (dentre os quais se encontrava, por exemplo, Antonio Sant'Elia). Após a publicação do manifesto, o futurismo se consolida como uma corrente de ruptura e abre o caminho para que outras vanguardas artísticas entrem na cena no alvorecer do século XX.
Embora este movimento experimentasse um declínio considerável no período pós-guerra, ele seria notavelmente reinventado no contexto da Era Espacial, onde a expectativa da conquista do espaço, a fé na tecnologia, o esplendor industrial, a cultura incipiente do automóvel, o florescimento econômico e cultural e o fascínio por novos materiais, permitiriam um novo panorama onde diferentes gerações de arquitetos reinterpretariam a estética futurista durante várias décadas (principalmente as décadas de 60 e 70). A vanguarda, a engenharia e a arte se combinariam e, potencializadas pelos avanços tecnológicos, dariam origem a uma arquitetura com um ar de ficção científica.
Componentes estruturais podem ser grandes protagonistas em projetos de arquitetura, e contribuem para estabelecer a compreensão de como se organizam e distribuem os esforços intrínsecos às construções. Os tirantes são um exemplo recorrente dessa possibilidade de tomada de cena: eles subvertem a lógica da sustentação por apoios e conformam conjuntos estáveis a partir da tração, criando um sentido, ao mesmo tempo, de força e leveza nas obras.
Este tipo de elemento está presente em diversos tipos de escala de edificação, desde os cabos de aço das grandes e imponentes pontes pênseis, até os tensores de coberturas residenciais. Selecionamos um conjunto de casas brasileiras que se valem desse delicado e potente componente estrutural de formas diversas, que servem enquanto demonstração da versatilidade de seus possíveis usos.