O ensino de arquitetura ainda vive, em grande parte, em meados do século XX, período no qual o modelo de ateliê se mostra, ao mesmo tempo, maravilhoso, limitado e plenamente ativo. Oferecem-se aos estudantes duas pedagogias distintas: ou uma formação em belas artes ou a aplicação de um regime de escola técnica glorificada voltado à formação de tecnocratas. A Inteligência Artificial (IA) pode vir a eliminar a arquitetura como carreira para quem não domina aquilo que apenas os seres humanos conseguem fazer: sintetizar, canalizar, inventar e criar de forma artesanal. Para além da imitação. Por sua nova natureza, a arquitetura pode estar se tornando desumana.
As universidades são territórios caracterizados pela relação intrínseca entre as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Como entidades pluridisciplinares responsáveis pelo cultivo e divulgação do conhecimento, as diferentes instituições que constituem uma universidade não só traduzem espacialmente (de forma direta ou indireta) os princípios relacionados à promoção do ensino, pesquisa e extensão, mas também são palco das múltiplas dinâmicas e atividades que fazem parte do espaço universitário.
Ao passo que nem todos os plásticos são reciclados, mesmo aqueles que exibem o sinal de reciclagem, o problema global causado por estes resíduos continua muito longe de ser resolvido. A reciclagem, geralmente determinada por fatores como demanda, legislação e economia, consome cerca de 20% da produção anual de plásticos, deixando uma grande quantidade não resolvida, destinada a durar para sempre em nosso ambiente. Além disso, ao competir com materiais recém-produzidos, os plásticos reciclados precisam atender aos padrões de qualidade e valor, bem como ser submetidos a uma transformação sustentável, eficiente e economicamente viável.
A ROGP ou Rejects of Glass & Plastics Technology é uma abordagem inovadora que redireciona tipos de plástico rotulados como materiais não recicláveis devido à sua complexidade técnica ou problemas relacionados à economia.
A Comissão Temporária de Equidade de Gênero do CAU/BR divulgou em 31 de julho, durante a 103ª Plenária Ordinária, o 1º Diagnóstico de “Gênero na Arquitetura e Urbanismo”. Realizado on-line, de julho de 2019 a fevereiro de 2020, o levantamento foi respondido por 987 profissionais, sendo 767 mulheres e 208 homens, com uma margem de erro de 3,11%, para mais ou para menos.
Um dos elementos de maior potencial escultórico da arquitetura é a circulação vertical – sejam rampas ou escadas. E apesar de serem frequentemente desenhadas a partir de uma abordagem puramente funcionalista, em alguns momentos tornam-se a peça fundamental do espaço.
Hoje, dia 08 de agosto, é comemorado o Dia Mundial do Pedestre. A data ficou reconhecida pela foto icônica dos Beatles atravessando a Abbey Road, em 1969. Estamos em 2020, mais de cinquenta anos se passaram e ainda encontramos muitas dificuldades em ser pedestre nas cidades: quantas vezes você enfrentou o desafio de atravessar a rua? Ou de ter que caminhar por calçadas estreitas e mal iluminadas?
Agora, mais do que nunca, a arquitetura precisa de inovação. A pandemia nos fez repensar fundamentalmente o funcionamento de nossas cidades, espaços públicos, prédios e casas. Enquanto isso, os recentes protestos do Black Lives Matter e a justiça racial nos questionam sobre cumplicidade da arquitetura em questões socioeconômicas mais amplas. Esses desafios são prementes, e não podemos mais adiar as mudanças na arquitetura.
Em 2013, o filme “Ela”, onde o protagonista se apaixona por uma assistente virtual, tentava representar um futuro não tão distante de uma realidade relativamente distópica. Apesar da cidade representada ser, provavelmente, uma Los Angeles futurista, as filmagens foram feitas em Xangai. Depois de visitar a cidade, acredito que foi uma decisão acertada, dada a atmosfera constante que leva a essa temática. Lembro de me encontrar sobre uma gigantesca passarela de pedestres circular sobre a rotatória Mingzhu, que liga importantes avenidas no coração de Pudong, o atual centro de negócios de Xangai. À minha frente vejo a bizarra Oriental Pearl Tower, torre de TV com 467 metros de altura construída por uma estatal chinesa em 1994. Quando olho para trás e para cima e vejo a Shanghai Tower, segundo maior edifício do planeta com impressionantes 632 metros de altura, o impacto é ainda maior. Esta é a imagem de Xangai para o mundo, a vitrine de uma nova China, quebrando paradigmas e atingindo os céus.
Tornar a reciclagem de materiais uma prática comum na arquitetura exige uma estratégia de cima para baixo que transforme as diretrizes e os fluxos de trabalho do setor, estabelecendo um arcabouço regulatório adequado para essa transição. Apesar disso, iniciativas individuais têm provocado mudanças significativas na indústria, estimulando uma reavariação da relação entre o ambiente construído e os resíduos. Este artigo apresenta algumas propostas pioneiras para a universalização do reúso de materiais.
Além de se vestirem como agentes funerários, usarem óculos redondos de aro preto e dirigirem carros suecos, o traço mais marcante dos/as arquitetos/as modernos/as é sua honestidade estética — o que é perigoso. A sinceridade deixa pouco espaço para a imaginação.
Oaxaca é um dos trinta estados do México, conhecido por sua rica cultura que permitiu moldar um território que enaltece suas raízes. Localizado na região sudeste do país, é um dos territórios voltados para o Oceano Pacífico e é conhecido por seus povos indígenas, onde predominam as culturas zapoteca e mixteca. Além disso, Oaxaca abriga uma vibrante vida pública, onde as ruas, calçadões e praças servem de cenário para diversas atividades de caráter político, religioso e popular, o que tem despertado a atenção de diferentes projetos e pesquisas que buscam visibilizar essa efervescência.
Os complexos aquáticos são definidos por atividades. Contendo espaços destinados a exercícios físicos e atividades de lazer, eles são projetados para acolher diferentes escalas de movimento. Em sua essência, eles se concentram em piscinas, estruturas que exploram ideias de luz e espaço ao longo de milênios, desde o "Grande Banho" do Paquistão, em Mohenjo-Daro e antigas estruturas gregas, até complexos de natação contemporâneos.
Construção dentro do Ekôa Park, em Morretes, no Paraná. A obra do Sem Muros Arquitetura Integrada se baseia nos conhecimentos tradicionais e na permacultura. Foto: Tomaz Lotufo
O estigma de arquitetura rudimentar somado aos ideais de tecnologia enquanto high tech relegam os saberes construtivos indígenas a um imaginário pré-histórico. Esse padrão, o qual aponta para uma direção inequívoca do progresso, revela a chamada colonialidade do saber, conceito do sociólogo peruano Aníbal Quijano que escancara o lado oculto da modernidade: produzir hierarquias entre povos, o que mantém a América Latina, em especial seus povos originários, como subalterna. Em outras palavras, tendemos a pensar que o conhecimento que representa o futuro é produzido em outras terras, localizadas no Norte Global.
Uma torneira é uma válvula mecânica que serve para regular (liberar ou bloquear) o fluxo de um fluido (geralmente água) vindo de um encanamento. Ainda que abrir uma torneira seja algo quase banal hoje, geralmente não pensamos em todo o conhecimento e a tecnologia necessária para que possamos ter água, a qualquer momento, com um simples movimento das mãos. Mas entre a captação, tratamento e a distribuição até sua cozinha ou banheiro, a água percorre um caminho complexo.
Apesar do reconhecimento pela UNESCO de locais específicos do patrimônio mundial, alguns estão em constante perigo de desaparecer devido a fenômenos naturais como terremotos, e fenômenos humanos como a urbanização. Por definição, estes marcos são relevantes na história da humanidade e têm características que refletem os valores mais humanos de várias civilizações. No entanto, muitos deles não foram experienciados pessoalmente por uma grande parte da população.
Wood Innovation Design Centre / Michael Green Architecture. Image
O concreto, um material de construção por excelência, nos ofereceu durante décadas a possibilidade de moldar nossas cidades de maneira rápida e eficaz, expandindo-se rapidamente em periferias urbanas ou atingindo alturas antes impensáveis pela humanidade. Atualmente, novas tecnologias de madeira estão começando a oferecer oportunidades semelhantes - e até mesmo superiores - às oferecidas pelo concreto, incluindo a madeira laminada cruzada (também chamada de Cross Laminated Timber ou CLT).
A fim de aprofundar em suas propriedades e benefícios, conversamos com Jorge Calderón, Designer Industrial da Pontifícia Universidade Católica de Valparaíso e Gerente da CRULAMM, que revela algumas das oportunidades promissoras que a CLT poderia oferecer à arquitetura no futuro.
Há 8 anos começava esta aventura chamada ArchDaily México, com a mesma missão do ArchDaily global: continuar oferecendo inspiração, conhecimento e ferramentas a arquitetos e arquitetas, mas sob um olhar local, compreendendo o valor que os talentos nacionais tinham a oferecer ao mundo.
A cruel pedagogia do vírus – A pandemia tem um trágico poder de revelação. Ela coloca à mostra uma série de paradoxos que não estavam claramente delineados, ou que eram subestimados. Tem, nesse sentido, uma dimensão educativa, como todo momento de crise. Sem dúvida, com tantas mortes, muitas delas evitáveis, trata-se de uma "cruel pedagogia do vírus", na expressão do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos. Em meio ao sofrimento, são diversos os debates e propostas que têm se multiplicado, na forma de "lives", textos e reportagens, abaixo-assinados, pesquisas, agendas de ação, cartilhas, denúncias, redes de solidariedade e mesmo de autogoverno nas periferias em semi-abandono. Neles, se avalia em especial a tragédia brasileira, que combina diversas crises associadas a problemas estruturais (como a desigualdade e o racismo), acrescentando-se agora uma crescente crise da razão, ou do mero bom senso, formando um quadro macabro de regressão social, ódio, obscurantismo e genocídio.
https://www.archdaily.com.br/pt/944738/arquiteturas-da-distancia-o-que-a-pandemia-pode-revelar-sobre-o-ensino-de-arquitetura-e-urbanismoMariana Wilderom e Pedro Fiori Arantes
Ao longo da história da arquitetura, instalações efêmeras e pavilhões temporários têm se mostrado estruturas tão importantes quanto edifícios concebidos sem uma data de validade precisa. Estruturas leves, provisórias, recicláveis e fugazes, os pavilhões se tornaram uma importante ferramenta para se falar de arquitetura, extraordinários exemplos que materializam — ainda que por um pequeno intervalo de tempo — o espírito do seu tempo. Transcendendo a sua própria transitoriedade, algumas destas estruturas foram trazidas de volta à vida devido ao seu inestimável valor arquitetônico, como é o caso do famoso Pavilhão Barcelona concebido por Ludwig Mies van der Rohe e Lilly Reich durante a Exposição Internacional de Barcelona em 1929. Entretanto, a maioria destes protótipos permanecem apenas em sua imagens e fotografias, plantas e na experiência do espaço que felizmente, é tão arraigada à arquitetura quanto a sua própria materialidade concreta.
Pranchas desenvolvidas pelas equipes lideradas por Bernard Tshumi (esquerda) e Rem Koolhaas (direita) para o concurso internacional do Parc de la Villette em Paris, de 1982-83. Cortesia de Bernard Tschumi Architects e OMA
Participar de concursos de arquitetura pode ser uma boa chance para alavancar um escritório, ou sair um pouco da rotina desenvolvendo ideias que geralmente não passariam pelo crivo de um cliente. Mas, para chamar a atenção dos membros do júri, entre centenas de trabalho, a graficação do projeto desempenha um papel chave. Além de ideias pertinentes aos questionamentos e debates incumbidos é imprescindível uma prancha organizada como síntese do processo. Na tentativa de reunir as ideias de maneira gráfica, uma série de dúvidas surge quanto à maneira de apresentação e como a mesma ajudará na transmissão das ideias contidas no projeto de forma clara para o júri.
Plantas, cortes, elevações, colagens, renderizações, diagramas, textos, elementos gráficos. As dimensões das pranchas não parecem comportar tantas informações. Pensando nisso, reunimos uma série de dicas essenciais ao desenvolvimento de suas pranchas em concursos de arquitetura. Confira a seguir:
Embora a divulgação e a regulamentação sobre como reduzir, reutilizar e reciclar no dia a dia os resíduos sólidos urbanos (RSU) tenham ganhado força, o mesmo ainda não se aplica aos resíduos de construção e demolição (RCD). Estes são gerados principalmente no desenvolvimento de novos projetos, na reabilitação, reparação e reforma de obras existentes, bem como nos processos de preparação de terrenos e de demolição, seja na escala de uma casa ou de uma cidade. Estamos falando tanto da perda de um grande volume de concreto, tijolos, aço e produtos, quanto da possibilidade de resgatar antigas relíquias.
Queremos oferecer aos nossos leitores e leitoras a possibilidade de expressar abertamente suas opiniões e experiências sobre a reciclagem desses resíduos. Se tivéssemos consciência do impacto ambiental gerado pela extração, produção e comercialização de materiais — para que depois eles acabem no lixo —, a forma como projetamos mudaria? Nossas práticas mudariam?