Desde o momento em que o primeiro edifício inteiramente de vidro foi proposto por Mies van der Rohe, profissionais da arquitetura têm buscado a fachada perfeita. Um sistema de fachada bem projetado costuma ser a diferença entre uma impressão de projeto medíocre e uma espetacular. Restrições de orçamento, estética e desempenho exigem um equilíbrio cuidadoso. Embora cada projeto seja único, o desenvolvimento de uma estrutura de tomada de decisão simplifica consideravelmente o processo.
Em 1977, um artigo do The New York Times escrito por Carter B. Horsley proclamava “o auge dos glamorosos tijolos de vidro”: antes um material “de segunda categoria”, os tijolos de vidro começavam a ganhar aceitação entre arquitetos em projetos residenciais e de restaurantes por sua translucidez, privacidade, interesse visual e senso de ordem. Após o uso breve, mas generalizado, de tijolos de vidro, muitos agora associam o material a estilos arquitetônicos desatualizados dos anos 80, uma estética que poucos parecem interessados em reviver. No entanto, arquitetos contemporâneos pioneiros começaram a usar esse material exclusivo de maneiras novas e distintamente modernas, seja para banheiros elegantes e minimalistas, bares e restaurantes industriais, janelas residenciais vintage ou até fachadas urbanas experimentais. Como Horsley afirmou, parece que os tijolos de vidro glamourosos estão no auge - de novo.
https://www.archdaily.com.br/pt/941893/os-tijolos-de-vidro-estao-voltando-novamente-a-arquiteturaLilly Cao
Em diversos momentos da história, a escala humana e a aproximação dos edifícios à dimensão sensível e vinculada ao corpo foram valores perseguidos pelos arquitetos e objeto de reflexão dentro da produção teórica do campo. Embora seja uma virtude que um espaço possa ser apreendido em uma relação direta entre pessoa e construção, existem situações, e mais do que isso, algumas escalas de projeto, que só podem ser percebidas a partir de um olhar mais distanciado.
Havana é um deleite para aqueles que romantizam a idéia de uma cidade que parece ter parado no tempo. O tecido urbano da capital cubana ostenta orgulhosamente as marcas de sua história, desde a sua fundação pelos espanhóis, a influência da arquitetura mourisca e posteriormente, soviética. Mas além deste imaginário kitsch que permeia este pequeno país insular no meio do Caribe, caracterizado por uma arquitetura colorida e veículos majoritariamente dos anos 50, o que fica evidente quando se visita Cuba por primeira vez, é a privação que o país experimentou ao longo de sua história.
A relevância da Grande Área da Baía (Greater Bay Area) no cenário geopolítico internacional cresce de forma constante. Apoiando-se em projeções e observações de Li Shiqiao, Rem Koolhaas e Manuel Castells como bases principais para sua interpretação desse processo, Thomas Chung investiga a futura configuração que o projeto do presidente Xi Jinping delineará, envolvendo nove áreas urbanas do Delta do Rio das Pérolas e as duas Regiões Administrativas Especiais de Hong Kong e Macau. Com o objetivo de traçar um panorama de futuros possíveis, o autor recupera criticamente as diversas inflexões políticas que afetaram o Delta do Rio das Pérolas desde a Política de Portas Abertas na década de 1980 até a consolidação de seu papel contemporâneo em escala global.
Para a Bienal de Urbanismo\Arquitetura de Shenzhen (UABB) de 2019, intitulada "Interações Urbanas" (21 de dezembro de 2019 a 8 de março de 2020), o ArchDaily está trabalhando em colaboração com a curadoria da seção "Eyes of the City" para estimular o debate sobre como as novas tecnologias podem impactar a arquitetura e a vida urbana. A contribuição a seguir faz parte de uma série de ensaios científicos selecionados por meio da chamada de trabalhos "Eyes of the City", lançada em preparação para as exposições: pesquisadores/as internacionais foram convidados/as a enviar suas reflexões em resposta ao manifesto da curadoria de Carlo Ratti Associati, Politecnico di Torino e SCUT, que você pode ler aqui.
O que torna a Dinamarca um modelo e quais são os ingredientes do cobiçado estilo de vida dinamarquês? A nova exposição Hello Denmark, apresentada pelo Centro de Arquitetura Dinamarquês (DAC) em Copenhague, mostra as condições que contribuem para a alta qualidade de vida do país nórdico. Essa exploração do cotidiano cria uma maneira nova e única de compreender a arquitetura e o design.
Em um mundo dominado por imagens, nosso modo de fazer e consumir arquitetura está se tornando cada dia mais dependente do visual. Deste modo, ferramentas de representação estão passando a desempenhar um papel cada vez mais decisivo na forma como concebemos e desenvolvemos nossos projetos. Em muitos casos, escritórios de arquitetura se vem compelidos à buscar ajuda, voltando-se à experientes estúdios de modelagem e renderização 3D para poder retratar mais fidedignamente seus conceitos e ideias.
A partir dos primeiros experimentos realizados pelo francês Joseph Niépce em 1793, e de seu primeiro teste de maior sucesso em 1826, a fotografia tornou-se objeto de exploração e recurso de registro de momentos vividos e lugares do mundo. Dentro do amplo espectro da produção fotográfica ao longo da história, em vários casos a arquitetura desempenhou papel protagonista nos registros, seja pela perspectiva da fotografia enquanto arte, documento ou, como foi muitas vezes, instrumento de construção de cultural.
Com grande autonomia enquanto prática e debate particular dentro desse tema, a fotografia de arquitetura tem a capacidade de reiterar uma série de aspectos expressivos das obras retratadas, tensionar a relação das mesmas com seus entornos, propor leituras específicas ou genéricas dos edifícios, entre outras possibilidades de investigação.
A questão do déficit habitacional assola praticamente todos os países. Segundo um estudo da McKinsey Global Institute, 330 milhões de famílias urbanas em todo o mundo carecem de uma moradia decente ou os custos da moradia são tão pesados que elas precisam renunciar a outras necessidades básicas, incluindo alimentação, assistência médica e educação para os filhos. Segundo a WRI (World Resources Institute), estima-se que 1,6 bilhão de pessoas carecerão de habitação adequada até o ano de 2025.
Resolver esse problema é, compreensivelmente, complexo. Ter uma boa moradia significa muito mais do que simplesmente ter um teto sobre a cabeça. Uma boa moradia é essencial para a segurança física e financeira, a produtividade econômica e o bem-estar humano. Além do conforto adequado, é essencial que essas casas sejam integradas à cidade, empregos, infraestrutura e serviços urbanos. Para as pessoas que vivem na rua, essa questão é ainda mais delicada. Entre muitas outras necessidades, ter um lugar para estruturar uma vida é essencial para avançar e prosperar. Um projeto que enfrenta esse problema é o Emerald Village Eugene (EVE), uma comunidade de micro-habitações acessível com um modelo único de moradia estruturado para permitir que os moradores façam a transição das ruas.
Ao longo da história, pessoas de todas as origens com pouco em comum têm encontrado maneiras de se unir em parques de bairro e estádios lotados para deixar de lado essas diferenças em prol do amor ao esporte. O esporte e seus entusiastas são uma fonte de unidade global, e talvez existam poucos outros eventos no mundo capazes de gerar uma gama tão ampla de emoções quanto uma partida ao vivo.
Este artigo sobre habitação no México tem como objetivo compreender a cidade em que vivemos. A orientação dos/as especialistas foi crucial para entender um pouco de sua complexidade. Agradecimentos especiais a Josefina McGregor, Andrés Sañudo e Rosalba Loyde pelos conhecimentos compartilhados para a realização deste artigo.
Quando o confinamento chegou às nossas vidas no México, em março, devido à COVID-19, a hashtag #YoMeQuedoEnCasa nunca se tornara tão relevante. No entanto, com o passar dos dias, o lema foi substituído por #ParaQuedarseEnCasaHayQueTenerUna após alguns veículos de imprensa e coletivos cidadãos denunciarem a tentativa de despejo de um idoso de seu apartamento no Edifício Trevi em plena quarentena. Esses despejos vêm ocorrendo de maneira gradual, como o do repórter Carlos Acuña em agosto de 2019.
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Cena do Trailer de "Enter Through The Balcony". Imagem Cortesia de Minimal Movie
Aproveitando-se da falta de regulamentação e fiscalização no país, muitos ucranianos desenvolveram formas criativas —e não menos ilegais— para lidar com o problema da falta de espaço em seus apartamentos, estruturas majoritariamente construídas em tempos de união soviética. Este é o plano de fundo do curta metragem Enter Through The Balcony, um documentário dirigido pelo diretor ucraniano Roman Blazhan que explora um dos principais fenômenos da arquitetura ucraniana nos dias de hoje, apresentando um panorama completo do atual contexto econômico, social e cultural da Ucrânia pós-soviética.
Além de revelar uma postura singular em relação ao espaço privado versus espaço público, a forma com que os ucranianos se apropriam destes espaços improvisados denuncia também os antagonismos de um projeto universalizante e a liberdade individual e de expressão, uma contrariedade que ainda hoje permeia a vida de muitas pessoas que habitam em estruturas similares em países do antigo bloco soviético.
Como remanescentes da Era Industrial, os gasômetros de Londres são uma presença fascinante na paisagem urbana, a qual se encontra à beira do desaparecimento. O ensaio fotográfico Ruin or Rust retrata essas estruturas singulares como pano de fundo da vida cotidiana, capturando sua relação com o contexto urbano. Fruto de um trabalho de dois anos, este projeto pessoal de Francesco Russo, profissional de fotografia baseado em Londres, enquadra o diálogo entre esses elementos da paisagem urbana e a vida que transcorre ao seu redor, investigando seu papel na sociedade contemporânea e no tecido urbano.
A forma de organizar um espaço reflete os princípios de uma cultura. Para entender a arquitetura japonesa, é necessário olhar para sua cultura, compreender seus princípios e explorar seus significados considerando as noções do visível e invisível.
Sede da North Design Union. Imagem cortesia de SPIM Studio
Destacando propostas apresentadas em concursos internacionais, a seleção desta semana de Melhores Projetos Não Construídos reúne diferentes funções, diversas abordagens conceituais e ideias inovadoras. Enviados por nossos leitores e leitoras, estes projetos incluem um pavilhão premiado no Vietnã, uma proposta de ponte em balanço em Nova York e um centro botânico sustentável na Polônia, entre outros de várias partes do mundo.
Diante do grande volume de propostas vindas da China, compilamos nesta seleção o projeto de um hospital infantil e edifício educacional, além de um centro nacional de ciências que abrange edifícios de pesquisa, laboratórios, espaços de exposição, áreas comerciais e instalações públicas. Além disso, pela primeira vez, destaca-se um projeto virtual que celebra a comunidade LGBTQ com uma estrutura que abriga um sistema labiríntico e em camadas de banhos, duchas e piscinas.
"O que é mais difícil em arquitetura é construir um edifício no deserto. É terrível, não há referências", comentou uma vez Álvaro Siza. Embora pareça contraditório, a existência de condicionantes complexas em um contexto de projeto costuma ser o ponto de partida para o raciocínio de desenho em arquitetura. Pensar em como lidar com a presença de declividades intensas, preexistências significativas ou massas vegetais endêmicas pode parecer, a princípio, um impedimento para o livre fluxo criativo, mas em muitos casos é justamente esse confrontamento que torna os projetos únicos e estabelece o vínculo deles com os lugares onde estão implantados.
Alexis Christodoulou, out of office reply, 2017, obras de arte renderizadas em 3D. Cortesia do artista.
As redes sociais estão transformando o planejamento urbano, facilitando a transição de uma compreensão funcional do design para uma abordagem formal e comercial. Por trás da aparência amigável de espaços concebidos como cenários para conteúdos de mídias sociais, sistemas complexos de vigilância estão sendo testados e desenvolvidos. O ambiente construído transforma-se em uma atração, povoado não por cidadãos e cidadãs, mas sim por usuários e usuárias que sentem a necessidade de autodocumentar suas vidas. O espaço público desaparece sob a falta de agência e de uso coletivo, tornando-se um palco no qual os corpos se movem de acordo com regras e coreografias predefinidas.
Historicamente, sempre houve praticamente uma única maneira de unir pessoas de todas as esferas da vida: o esporte. Em parques comunitários ou estádios, as pessoas deixam de lado suas divergências para desfrutar, juntas, de suas modalidades favoritas. O esporte — assim como seus fãs — é um vetor de união global; talvez nenhum outro evento no mundo seja capaz de gerar uma oscilação emocional tão ampla quanto uma transmissão ao vivo.
Profundamente enraizada em uma paisagem natural exuberante e diversa, a arquitetura tcheca pode ser caracterizada por sua busca incessante em construir novas relações entre o espaço construído e não construído. Habitando o coração do continente europeu, a República Tcheca é um país de vasta e rica história, carregando um legado enorme que chega até os tempos em que era conhecida como o Reino da Boêmia. Atualmente, arquitetos e designers tchecos buscam inspiração nesta paisagem montanhosa permeada por florestas e pontuada por lagos e cidades históricas, construído uma arquitetura intimamente conectada com a sua paisagem.
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"Ya no estoy aquí" dirigida por Fernando Frías. Image Cortesía de Netflix
Dirigido pelo mexicano Fernando Frías e vencedor do Prêmio Internacional de Cinema de Morelia, “Ya no estoy aquí” é um longa-metragem amplamente debatido sob diferentes perspectivas, uma vez que evidencia valores e problemáticas específicas de um território que, no entanto, transcendem fronteiras ao revelar o lado mais humano e global do mundo em que vivemos.
As Exposições Internacionais têm sua origem no século XIX, quando em Londres (1851), sob o título de Grande Exposição dos Trabalhos da Indústria de Todas as Nações, reuniu-se um conjunto de produtos manufaturados de diversas nações em um esforço de servir de vitrine para os avanços da técnica e, mais tarde, da indústria, em um momento de conjunção e compartilhamento das iniciativas das várias partes do mundo.
Após cinco anos de nossa primeira aproximação à recôndita subestrutura do viaduto nº 2 no Parque Albarregas, na cidade de Mérida – Venezuela, e mais de dez anos desde sua reapropriação impulsionada por uma crescente comunidade de skatistas e artistas urbanos, com o passar do tempo, o núcleo cultural resiste como um espaço endógeno no ritmo de sua própria efervescência.