Uma cidade é um espaço compartilhado onde cada indivíduo busca a realização de seus desejos e objetivos. As ruas, calçadas e espaços públicos permitem o encontro e o contato entre os diversos, fortalecendo o senso de comunidade. A mobilidade urbana tem papel fundamental no desenvolvimento social e econômico das cidades, especialmente na qualidade de vida dos cidadãos. Não se trata apenas de transporte, mas da forma pela qual as pessoas se deslocam na cidade, interferindo no tempo e energia utilizados pelos cidadãos e, também, na migração, na comunicação, na formação das redes sociais pessoais, nos fluxos de tráfego, na habitação, na saúde e na distribuição espacial dos mais diversos locais de interesse. Segundo Ole B. Jensen, “cidades e lugares contemporâneos são definidos pela mobilidade e por seus fluxos.”
O ECOM Rosario (Ente de Coordenação Metropolitana) é uma associação voluntária de municípios e comunas, um espaço institucional de planejamento, coordenação e promoção de políticas públicas de impacto regional organizado com base na associação estratégica de 26 localidades. Trata-se, essencialmente, de um órgão impulsionador da elaboração, do desenvolvimento e da execução de projetos em escala metropolitana, criado com a perspectiva de alicerçar um desenvolvimento territorial equilibrado e integrado da Área Metropolitana de Rosário (AMR), Argentina.
O skate é uma experiência urbana. Com espaços públicos interativos e superfícies táteis, as pistas de skate começaram lentamente a moldar a maneira como pensamos o desenho urbano. Além do limite dos parques, os skatistas observam a arquitetura do ambiente construído, e a transformam, por sua vez, repensando como nos reunimos, nos movemos e reimaginando o futuro da vida urbana.
A arquitetura é uma profissão das mais belas – há inegável romantismo em construir o lugar onde o ser humano habita. É, também, uma das mais antigas: se considerada como atividade que organiza o espaço, identificamos alguma espécie de pensamento arquitetônico desde, pelo menos, centenas de milhares de anos atrás. Sua beleza é, no entanto, parcialmente eclipsada por uma frustração generalizada no campo profissional no Brasil. Pouca consciência da importância à sociedade, dificuldade de fechar contratos, concorrência acirrada, poucas oportunidades em edificações públicas, empregos mal remunerados e disponibilidade de trabalhar sem honorários contribuem para a precarização da arquitetura e do urbanismo.
“ONDE SE ENCONTRA?” é o título da instalação produzida pelo Estúdio Mangava para o feverestival 2020 (Festival Internacional de Teatro de Campinas) e ficou exposta na segunda semana de fevereiro, cerca de um mês antes do entrarmos em quarentena. O desafio proposto pela organização do festival ao Estúdio foi o de representar através de uma instalação interativa a temática da edição, que trouxe a proposta de reafirmar seu presente, revisitar o passado e projetar o futuro: o que queremos construir a partir daqui? O que desejamos reinventar? Qual projeto de mundo estamos buscando? Quais são os nossos futuros desejáveis?
Se você caminhasse pelo Novinsky Boulevard, no centro de Moscou, cinco anos atrás em busca do edifício Narkomfin, daria de cara com um cenário desolador. O Narkomfin, o símbolo máximo da arquitetura construtivista projetado por Moisey Ginzburg e Ignaty Milinis em 1928, vinha se deteriorando lentamente após passar 45 anos abandonado. Tinta descascando, concreto esfarelando e janelas quebradas — sem mencionar as inúmeras e confusas alterações feitas no bloco residencial, incluindo um pavimento térreo completamente descaracterizado.
O estado de Guanajuato está localizado na região centro-norte do México, fazendo fronteira geográfica com os estados de Zacatecas, San Luis Potosí, Querétaro, Michoacán e Jalisco. Ele possui 30 607 km² de superfície e é uma das regiões mais populosas do país. Alguns de seus municípios mais importantes são León, Irapuato, Celaya, Salamanca e San Miguel de Allende, este último declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 2008, que se caracteriza por sua arquitetura barroca e espanhola. Além disso, nesta cidade está a Paróquia de San Miguel Arcángel, construída em pedra rosada típica da região.
O escritório nova-iorquino Diller Scofidio + Renfro (DS+R) chamou atenção mundial em 2002 com o Blur Building, para a Expo Suíça daquele ano. O volume era formado através de 35.000 bicos de alta pressão que expeliam a água do lago sobre o qual se localizava, criando uma enorme nuvem artificial. Sua forma, limites, cores e translucidez se alteravam com o sol e a força do vento e produziam uma experiência imersiva aos usuários, adentrando um volume completamente permeável. Dez anos depois, Carla Juaçaba e Bia Lessa projetaram o Humanidade2012 para a exposição Rio +20, em que diversos volumes programáticos foram dispostos em uma enorme estrutura de andaimes. Com mais vazios do que cheios, suas extremidades se desmaterializavam no céu e durante a noite os volumes pareciam flutuar. Segundo as arquitetas, “a própria movimentação das pessoas no edifício transformava os visitantes em objetos de exposição visto de longe.” Os dois projetos temporários, mesmo com diferenças de escala e contexto, se unem no êxito ao trabalhar com as noções de translucidez, leveza, dissolução de limites e o movimento.
O jargão de “ter construído metade da cidade” às vezes costuma ser um exagero quando falamos de profissionais da arquitetura que realizaram uma grande quantidade de obras. No caso de Julio de la Peña, a expressão não é nenhum absurdo — não apenas pela quantidade de projetos, mas pelo caráter emblemático que eles têm para Guadalajara.
Cooperativas de Vivienda Castalia yCuareim, anos 2016 – 4ª geração. Autora: Anaís Jorcin
Time 10 e as 3 pioneiras: Primeira Geração –O cooperativismo habitacional no Uruguai é hoje a modalidade de cooperativismo mais expressiva de todas, porém não é a única. Esse sistema transcende a questão da habitação e torna-se especialmente relevante na primeira metade do século XX: a empresa de transporte de ônibus de Montevidéu (CUTCSA) por exemplo, inicia seus trabalhos em 1937 como uma cooperativa. Em termos específicos, em 1989 foram registradas 843 cooperativas e, em 2017, este número sobe para 3.665 cooperativas em diversas áreas.
Estudos recentes apontam para a falta de crescimento na produtividade e na inovação no setor da construção civil. Ficando rapidamente para trás em relação a outros setores, essa estagnação costuma resultar em projetos que extrapolam o orçamento, o prazo (ou ambos). Parte dessa ineficiência poderia ser combatida com uma coordenação mais eficaz entre a equipe de arquitetura e os diversos consultores durante a fase de projeto. Atualmente, estima-se que 30% do tempo de um projeto seja dedicado a tarefas de coordenação dentro da equipe. Uma nova ferramenta de Projeto Integrado (Integrated Design) visa tornar a colaboração mais fluida, resultando em uma comunicação mais eficiente e, em última análise, em edifícios melhores.
Os seres humanos passam a maior parte de suas vidas no interior de uma edificação, seja para morar, trabalhar ou lazer. A COVID-19 evidenciou ainda mais esta questão durante o período de isolamento mostrando a necessidade de pensarmos projetos de edificações mais saudáveis e confortáveis.
Neste artigo são apresentadas algumas dicas para pensar projetos mais saudáveis, ressaltando a importância de ter um pensamento sistêmico que considere diferentes disciplinas, como a própria arquitetura, engenharia, ciência dos materiais, mecânica, fisiologia, psicologia, entre outros.
A experiência acadêmica em arquitetura deve preparar os futuros profissionais para as demandas urbanas, sociais e comunitárias às quais aplicarão seus conhecimentos. A Pontificia Universidad Javeriana, por meio de seu Programa de Experiências Internacionais (Pei), permite que estudantes coloquem em prática a teoria da habitação social.
Apresentamos aqui o Máquina Verde, um protótipo modular adaptável desenvolvido para a Ciénaga de la Virgen, na costa atlântica colombiana. A seguir, conheça o projeto em detalhes.
Em algumas das cidades mais densas do mundo, está se tornando um desafio cada vez maior encontrar um espaço confortável para morar - e o mesmo fato se aplica para sepultar. Estima-se que 55 milhões de pessoas morrem a cada ano e, para cada pessoa viva, há 15 vezes o número de mortos. No entanto, urbanistas e arquitetos estão mais interessados em lidar com os vivos do que se envolver com a morte. Como resultado, é criada uma tensão entre os dois mundos paralelos - e com o passar do tempo, mais questões estão sendo levantadas sobre como abordamos o espaço público de forma que ele seja projetado para que os vivos e os mortos possam coexistir.
Na Bienal de Veneza de 2014, o célebre curador Rem Koolhaas escolheu um caminho pouco usual. No lugar de explorar as grandes questões que assolam a profissão e a sociedade, o tema do evento, "Fundamentals" e sua exposição principal, "Elements of Architecture", examinou em detalhes todos os fundamentos dos edifícios, usados por qualquer arquiteto, em qualquer lugar, a qualquer hora. Segundo Koolhaas, “Arquitetura é uma profissão treinada para juntar as coisas, não para desmontá-las. Somente olhando os elementos da arquitetura sob um microscópio podemos reconhecer as preferências culturais, avanços tecnológicos, mudanças desencadeadas pela intensificação do intercâmbio global, adaptações climáticas, normas locais e, em algum lugar na mistura, as ideias do arquiteto que constituem a prática da arquitetura hoje.”
A tecnologia utilizada no reconhecimento facial de smartphones ou em chaves digitais de automóveis tem o potencial de revolucionar a maneira como as pessoas acessam e se movimentam pelos edifícios. Muitos aspectos comuns dos sistemas de controle de acesso atuais parecem ultrapassados em comparação com os avanços tecnológicos em outras áreas de nossas vidas: teclados numéricos para senhas (PIN), crachás de segurança, cartões magnéticos e até mesmo fechaduras e chaves físicas. No entanto, já existem tecnologias capazes de tornar o acesso aos edifícios simultaneamente mais fluido e mais seguro.
Osaka, Japão. Imagem cortesia de Norihito Nakatani Seminar
O curta-metragem "The Capital of Columns", concebido por Norihito Nakatani, especialista em história da arquitetura japonesa, explora a singular cultura de moradia das nagayas no Japão. A nagaya é uma tipologia de habitação popular no início do período moderno japonês. O filme retrata um dos últimos quarteirões remanescentes de nagayas em Osaka, revelando em detalhes o pensamento de padronização intrínseco a essa forma de moradia, ao mesmo tempo em que registra a transição de elementos arquitetônicos em diferentes configurações espaciais.
No dia 20 de agosto teve início o processo de tombamento da maquete de Salvador, que se encontra em exposição na Associação Comercial da Bahia, na capital baiana [1]. A maquete, que estará aberta à visitação por meio de agendamento até 18 de setembro de 2020 [2], começou a ser idealizada no começo da década de 70 pelo arquiteto Assis Reis. Desde então, continua a ser atualizada por uma equipe de artesãos da Prefeitura Municipal de Salvador com o objetivo de representar as mudanças urbanas na cidade, mantendo, assim, a ideia original da sua criação.
Com o início do isolamento social, no início de 2020, publicamos diversos artigos com o objetivo de ajudar nossos leitores a aumentarem a produtividade e o conforto em seus home-offices. Após todo esse tempo nessa nova rotina, pesquisas apontam que mais de oitenta por cento dos profissionais desejam continuar trabalhando desde suas casas mesmo depois que a quarentena terminar. Além disso, boa parte das empresas também está satisfeita, mostrando uma alta tendência de empresas adotarem esta prática como definitiva pois a maioria observou que o trabalho remoto pode ser tão (ou mais) produtivo quanto o trabalho presencial.
No entanto, no que se refere às crianças e ao estudo em casa durante a pandemia, o resultado não foi tão positivo. Talvez a maior razão seja o fato de ser muito complicado fazer com que crianças se concentrem e se motivem por muito tempo diante das telas. A falta de interação física com outras crianças também é considerada prejudicial, por muitos estudos. Por isso, apesar da grande ansiedade pela volta por parte de alunos e de professores, enquanto as adaptações ideais, e seguras a todos não forem estabelecidas, a volta às escolas será adiada. Dessa forma, resolvemos compartilhar neste artigo estratégias eficientes que podem transformar os espaços de estudo em casa em aliados do aprendizado das crianças.
Com a mudança das necessidades e aspirações da sociedade, tipologias espaciais e programas arquitetônicos são constantemente questionados, e essa reavaliação cria premissas para a inovação. O que veremos a seguir é uma exploração, de como a arquitetura está metabolizando as mudanças fundamentais da sociedade em vários aspectos da vida cotidiana, desafiando os pressupostos existentes sobre os programas e o espaço.
A crise sanitária obrigou a reprogramar o Festival MEXTRÓPOLI de março para setembro. No entanto, meses depois, o cenário continua igualmente crítico. Na América Latina, e especificamente no México, o número de contágios continua aumentando e o panorama não apresenta uma solução próxima para o problema. Por essa razão, decidiu-se transferir, mais uma vez, as atividades presenciais do festival para março de 2021, esperando que, até lá, se viva um cenário mais seguro que permita desfrutar das atividades já programadas, além de outras que possam ser somadas até então.
Diante do complexo debate em curso sobre monumentos e a nossa relação com a história, devemos começar a pensar em um Memorial da COVID-19. Sim, eu sei que estamos no meio (ou seria ainda o início?) desta pandemia, mas a intensidade do momento atual pode, na verdade, nos ajudar a vislumbrar o que tal memorial poderia ser. Em vez de esperar por um momento de maior distanciamento da nossa catástrofe atual, deveríamos capturar as paixões que movem a sociedade neste exato momento.
O pilar "guarda-chuva" é um sistema de concreto armado projetado por Amancio Williams (Buenos Aires, 1913-1989) que, em virtude de sua forma, é capaz de suportar cargas extraordinárias e de se manter em equilíbrio de forma autônoma - ou seja, não precisa de outras peças para se sustentar além de sua própria coluna -, oferecendo, ainda, pouquíssima resistência ao vento. Os estudos a respeito deste projeto foram iniciados pelo arquiteto em 1939, momento a partir do qual realizou uma série de ensaios e construiu cerca de 50 maquetes. Esta estrutura para coberturas altas, também conhecida em espanhol como "paraguas" ou "sombrilla", pode ser considerada um exemplo de destaque em inovação moderna da época na Argentina, definida pela experimentação técnica e formal.
A gentrificação vem sendo um dos principais pontos de debate sobre o projeto que pretende transformar o Minhocão em um parque linear. Imagem: Felipe Rodrigues
Um dos temas mais presentes nas discussões atuais sobre a cidade é a gentrificação. Definido, de modo geral, como "quando alguém diferente de você muda-se para o seu bairro", o fenômeno urbano é muito mais complexo que isso e envolve questões de uso do solo, especulação imobiliária, espaços públicos e de lazer e planejamento territorial.