O tema da mobilidade é inescapável quando se discute política urbana — ainda mais em ano eleitoral. Transporte coletivo, pedágio urbano, metrô, faixas exclusivas para ônibus e até o que fazer com os patinetes elétricos tomam conta do debate. Poucos prestam atenção, no entanto, para uma das políticas municipais mais relevantes para mobilidade urbana: o estacionamento público.
Combinando diagnóstico analítico com recomendações propositivas, o estudo “A Cidade Estacionada” direcionou sua lupa sobre a gestão do meio-fio na cidade de São Paulo. Ao analisar as discrepâncias entre os preços de estacionamentos públicos e privados, bem como ao comparar os valores com a evolução das tarifas de transportes coletivos, “A Cidade Estacionada” trouxe à luz as externalidades negativas — sociais e ambientais — de políticas públicas que privilegiam o transporte motorizado individual.
https://www.archdaily.com.br/pt/949437/desestacionando-a-cidade-precisamos-rever-os-estacionamentos-publicosJoão Melhado e Paulo Speroni
Hospital de campanha montado em IFEMA. Cortesia de Comunidad de Madrid
Assim como nós, as palavras têm uma história. Cura vem do latim e está ligada ao ato de cuidar. Esse mesmo radical dá origem à palavra curador, aquele que é responsável por um acervo ou instituição, por exemplo. Já cuidado, no sentido médico, talvez tenha sido descrito pela primeira vez por Celsus: In hoc casu medici cura esse debet, ut morbum mutet (Neste caso o cuidado médico é indicado para mudar o curso da doença) [1]. Hoje, quando pensamos em cura, parece que falamos de um ato isolado dentro de um tratamento qualquer. A cura da gripe. A cura do câncer. A cura do novo coronavírus. Uma linha de chegada que extingue um percurso. Porém é importante pensar na cura como um processo que depende de múltiplos fatores.
Prevista originalmente para ocorrer entre agosto e novembro de 2020, a 17ª Bienal de Arquitetura de Veneza foi adiada, como todos os outros eventos deste ano, e será realizada de 22 de maio a 21 de novembro de 2021. Questionando "como viveremos juntos?", a inquietação do curador Hashim Sarkis convida os arquitetos “a imaginar espaços em que podemos viver juntos generosamente”. De tremenda relevância, o tema da Bienal é, de fato, foco de interesse do cenário global.
Após conversar com Sarkis há mais de um ano, o ArchDaily teve a chance de abrir o debate mais uma vez e reexaminar a questão da Bienal de Arquitetura. Em uma entrevista dividida em duas partes, o arquiteto aborda o tema, a Bienal, a situação atual e o futuro.
Você já pensou em andar a pé? Essa é a pergunta que o GUIAPÉ SP – um guia apresentado aqui por meio de ensaio – faz ao leitor. Desde a capa, ele propõe andar pela cidade de São Paulo e faz isso por meio de um percurso que passa estrategicamente por lugares nos quais o mais interessante é chegar a pé, para que se veja os detalhes que nem sempre são vistos, as pessoas, a vida urbana. Esse guia não foi feito para visitar pontos turísticos e sim para levar seu leitor a um passeio. Nele, o percurso e as calçadas não são apenas os elementos que conduzem aos lugares deste guia, eles são parte da viagem.
"As tecnologias indígenas não estão perdidas nem esquecidas, apenas escondidas pela sombra do progresso nos lugares mais remotos da Terra". Em seu livro Lo-TEK: Desenho Indígena Radical, Julia Watson propõe revalorizar as técnicas de construção, produção, cultivo e extração realizadas por várias populações remotas que, geração após geração, conseguiram manter vivas práticas culturais ancestrais integradas com a natureza, com um baixo custo ambiental e execução simples. Enquanto as sociedades modernas tentavam conquistar a Natureza em nome do progresso, estas culturas indígenas trabalhavam em colaboração com ela, compreendendo os ecossistemas e os ciclos das espécies para articular sua arquitetura em uma simbiose integrada e interconectada.
Em seu vídeo mais recente, o fotógrafo Laurian Ghinitoiu e o cineasta Arata Mori levam os espectadores em um passeio virtual pelo Centro de Convenções e Exposições MEETT, o novo parque de exposições de grande escala de Toulouse, projetado pelo OMA. O filme constrói uma narrativa sobre este projeto que transita nos limites entre arquitetura, infraestrutura, masterplan e espaço público.
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Nuevo Ministerio de Desarrollo Humano y Hábitat - El después del Elefante Blanco. Image Cortesía de Secretaría de Desarrollo Urbano / Gobierno de la Ciudad Autónoma de Buenos Aires
Nem todas as obras arquitetônicas são um sucesso. Existe um termo temido, reservado apenas para os projetos mais inúteis: "Elefantes Brancos".
Yuval Noah Harari aponta que, por volta de 300 mil anos atrás, os Homo erectus, os neandertais e os antepassados do Homo sapiens já utilizavam o fogo diariamente. Segundo o autor do best-seller internacional “Sapiens”, o fogo abriu a primeira brecha significativa entre o homem e outros animais. “Ao domesticar o fogo, os humanos ganharam controle de uma força obediente e potencialmente ilimitada.” Alguns estudiosos, inclusive, acreditam que há relação direta entre o advento do hábito de cozinhar os alimentos (possível por conta da domesticação do fogo), ao encurtamento do trato intestinal e o crescimento do cérebro humano, que permitiu que os seres humanos se desenvolvessem e criado tudo o que temos.
Extensão do Museu Cascade Cafesjian e Sala de Concertos. Imagem cortesia de TarberAK Architectural Studio
Focada na diversidade, esta seleção curada de Melhores Projetos Não Construídos apresenta uma variedade de funções. Enviados por nossos leitores e leitoras, os projetos variam em escala, programa, partido e representação. Vindas de diversas partes do mundo, muitas dessas propostas estão em andamento, enquanto outras ainda se encontram em fase de conceito.
Apresentando ideias inovadoras e fora do comum, esta compilação inclui uma fazenda flutuante nos Países Baixos, piscinas naturais na Coreia do Sul, um resort na Hungria e a extensão em cascata de um museu na Armênia. Mesmo programas mais comuns, como um hotel no Vietnã, uma biblioteca em formato de loop infinito na China, um edifício de uso misto no Irã, a sede da Yandex na Rússia e um campus na Alemanha, trazem abordagens inventivas e imagens instigantes.
Hoje, as renderizações fotorrealistas são o padrão. Sua produção é rápida, barata e esperada pelos clientes. Mas será que essas imagens estão realmente cumprindo seu propósito original? Quem está na vanguarda das novas técnicas de design 3D argumenta que, como setor, nos limitamos a transmitir informações, quando o que deveríamos realmente oferecer é emoção. Agora que as condições de atuação se nivelaram em termos de capacidade tecnológica e hiper-realismo, qual é o próximo passo? Ao introduzir uma camada emocional e criar um senso de lugar, as renderizações podem agregar ainda mais valor a um projeto, escritório, cliente e comunidade.
Parque Manancial de Águas Pluviais / Turenscape. Imagem cortesia de Turenscape.
Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015 e fazem parte de uma agenda mundial que visa a implementação de políticas públicas para guiar a humanidade até 2030, rumo a um futuro sustentável.
Segundo a própria organização, eles são um apelo global para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima, garantindo que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. São abordadas, portanto, diferentes temáticas como saúde, educação, igualdade de gênero, redução das desigualdades, padrões sustentáveis de produção e de consumo, proteção e uso sustentável dos oceanos e dos ecossistemas terrestres, crescimento econômico inclusivo, entre outras.
Embora haja uma certa indefinição teórica quanto aos limites e ao alcance do termo "brutalista", existem certas constantes sobre seus parâmetros estéticos que nos permitem estabelecer uma linha de análise relativamente concreta. Nestes termos, os edifícios pertencentes ao brutalismo - um estilo do Movimento Moderno que atravessou seu boom entre os anos 1950 e 70 - são caracterizados por sua verdade construtiva - mostrando e evidenciando o material que compõe a arquitetura, assim como sua lógica construtiva e estrutural - a geometria de suas formas e a rugosidade das superfícies. O concreto armado aparece como o material principal de escolha e tanto as texturas geradas pelas formas de madeira bruta, quanto as incorreções do concreto não são mais cobertas com reboco ou tinta, mas exibidas deliberadamente como escolha de evidenciar os processos de construção.
Projeto de tese de Justine Poulin (M.Arch 1 '20), vencedora do Prêmio Gehry
O SCI-Arc se reuniu para apresentar seu mundialmente renomado Graduate Thesis Weekend, marcando o ápice dos currículos dos programas de pós-graduação de 2020. Com transmissões ao vivo ininterruptas das bancas finais, sessões de comentários no SPIN Room ao longo de toda a programação, além de debates e feedbacks ricos e instigantes de uma ampla variedade de especialistas no campo da arquitetura, os e as estudantes concluintes dos programas M.Arch 1 e M.Arch 2 deste ano subiram ao palco virtual via Twitch e YouTube Live para apresentar seus projetos finais de tese.
As mudanças climáticas podem ser consideradas uma das maiores ameaças atuais à sobrevivência da humanidade, sendo resultado do aquecimento global que é causado pelo aumento das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), em que o dióxido de carbono (CO2) é o principal deles. No mundo, as edificações foram responsáveis por cerca de 40% emissão de CO2, considerando emissões diretas, indiretas e incorporadas (no ciclo de vida dos produtos de construção) para o ano de 2018 (UNEP, 2019). Ao mesmo tempo, como é um setor que consome e ainda consumirá grande quantidade de materiais para superar o grande déficit habitacional existente, em muitos países, pode ser visto como um setor chave, servindo como uma oportunidade para ajudar o enfrentamento às mudanças climáticas. Para isso, um dos principais caminhos é o incentivo para o uso de biomateriais.
O escritório internacional de arquitetura Kohn Pedersen Fox (KPF) vem se esforçando para aumentar a eficiência nas tarefas e possibilitar uma maior exploração criativa aplicando as tecnologias mais recentes. Com nove filiais ao redor do mundo e projetos baseados na Europa, nos EUA e na China, a empresa adota uma abordagem globalizada no processo de projeto, estimulando a colaboração. Não é incomum, por exemplo, um único projeto envolver integrantes de equipes de Londres, Nova York e Cingapura, que se reúnem virtualmente no que Cobus Bothma, Diretor de Pesquisa Aplicada, batizou de "décima filial".
Segundo os registros escritos, a “pré-história” remonta ao período entre 35.000 a.C. e 3.000 a.C. no Oriente Médio (e 2.000 a.C. na Europa Ocidental). Os antigos construtores e construtoras tinham uma profunda compreensão das respostas humanas às condições ambientais e às necessidades físicas. Inicialmente, famílias e tribos viviam juntas em cabanas cobertas de peles e estruturas de ossos. Milhares de anos depois, os assentamentos humanos evoluíram para muralhas fortificadas de tijolos de adobe que cercavam volumes retangulares com aberturas pontuais para ventilação e iluminação solar.
Nos próximos meses, publicaremos pequenos artigos sobre a história da arquitetura e como ela evoluiu para estabelecer os fundamentos da arquitetura que conhecemos hoje. Nesta semana, exploramos as características arquitetônicas da antiga Índia e do Sudeste Asiático.
Um parque renaturalizado. Ilustração de Sarah Welch. Imagem cortesia de SWA Group
À medida que a pandemia se estende, a população estadunidense tem adotado parques e ruas residenciais como espaços seguros. Este não será um fenômeno passageiro — bicicletas foram consertadas, tênis de corrida foram comprados e filhotes de cachorro, adotados. As pessoas estão se acostumando a passar o tempo ao ar livre para se exercitar, conviver com a família, desfrutar da natureza — e passear com o filhote em crescimento.
Este ano, a Organização das Nações Unidas para o Turismo (OMT) procurou abordar o turismo como uma forma de criar empregos e oportunidades nas áreas rurais sob a bandeira do Turismo e Desenvolvimento Rural.
A arquitetura de base rural e suas edificações tradicionais desempenham um papel importante para o patrimônio local. Elas também podem oferecer empregos e perspectivas mais além das grandes cidades, especialmente para as pequenas comunidades, geralmente em desvantagem econômica.
Temos visto uma maior atenção com a utilização da madeira na construção civil de alguns anos para cá. Com todas as preocupações em relação à sustentabilidade e a pegada de carbono nas edificações, novos métodos construtivos têm sido desenvolvidos junto a possibilidades inovadoras no uso deste material. De fato, a madeira pode ser considerada um material renovável, desde que a exploração seja sustentável, e se tomado alguns cuidados no seu manejo, permitindo que as florestas se regenerem naturalmente. Mas é a versatilidade da madeira é o que a torna tão onipresente nas edificações. De tábuas, vigas, assoalhos, até a telhas e isolantes térmicos e acústicos, a madeira pode estar presente em diversas etapas da obra e com distintos graus de processamento e acabamento.
Fungos estão por toda parte. No ar, na água, no nosso organismo, nas árvores, no forro do banheiro, embaixo da terra. Podem assumir a forma de cogumelos (comestíveis, medicinais, alucinógenos ou muito venenosos), ou outras mais simples, como mofos e bolores. Podem desencadear doenças, mas também produzir remédios antibióticos, como a penicilina, ou ajudar a fermentar queijos e pães incríveis. E se eu te dissesse que eles também podem ser o futuro das embalagens e dos materiais de construção?
Para além da relação com a sustentabilidade que a madeira pode oferecer quando bem manejada, suas características espaciais são muitas vezes relacionadas à sensação de aconchego que ela pode proporcionar. Entre tantos outros fatores positivos, um desenho de marcenaria bem executado pode trazer versatilidade e uma identidade única para o projeto de interiores.
Portas pivotantes não são portas ordinárias. No passado, costumavam ser um incômodo para instalar e, quando no lugar, muitas vezes não funcionava bem. Atualmente, empresas como a FritsJurgens incorporaram tecnologias que melhoram as ferragens dessas portas, com instalação fácil e permitindo versatilidade e criatividade no design. Mas de que forma uma porta pivotante pode melhorar o seu design de interiores?
"Timber Hearth" Building System / Space Popular. Cortesia de Space Popular
As plantas e cortes humanizados podem ser entendidos como uma espécie de tradução da linguagem técnica construtiva para uma linguagem mais acessível àqueles não familiarizados ao desenho arquitetônico. Isto é, são responsáveis por levar a escala do homem para o projeto, não apenas por meio da figura humana, mas também pela presença de móveis, texturas e demais aspectos da arquitetura que a humanizam e tornam sua representação mais intuitiva.
A arquitetura define o cenário e fornece a estrutura, mas o design de interiores e o mobiliário exercem forte influência sobre a atmosfera e o clima de um espaço. À medida que as tendências de design de interiores evoluem, essa transformação costuma se expressar na escolha do mobiliário que preenche o ambiente. Os móveis revelam muito sobre nossas prioridades e personalidades, bem como sobre a atmosfera que desejamos transmitir.