A intervenção humana sobre a paisagem natural é em si, algo contraditório. Se por um lado a arquitetura nos permite um acesso imersivo ao ambiente natural, por outro, edificar sobre a paisagens sensíveis significa despojá-la de sua própria essência. Portanto, ao considerarmos a arquitetura como um artifício que normatiza a presença humana na paisagem natural, o ato de construir implica também estarmos conscientes das múltiplas escalas envolvidas e, acima de tudo, de que a arquitetura—especialmente nestes contextos—é a nossa principal ferramenta para estabelecer os limites entre o acesso à paisagem e a preservação do meio ambiente. Explorando uma variedade de diferentes abordagens e estratégias formais de projeto, apresentaremos à seguir uma série de importantes lições apreendidas através de experiências concretas realizadas por distintos arquitetos e escritórios de arquitetura, experimentos que nos ensinam outras formas de abordar as relações entre a arquitetura e a paisagem.
Crianças brincando no alagamento do Rio Pinheiros – próximo a região do Ceagesp – Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo – zona oeste da cidade. Foto: Eduardo Anizelli para a Folhapress. Alterado pelo autor
A cidade de São Paulo como uma das maiores e mais populosas cidades do mundo acumulou ao longo dos anos uma profusão de relações entre o seu território e as pessoas que nele habitam. Ao semear e alimentar interesses, São Paulo tornou-se em pouco tempo um grande centro e ganhou relevância frente ao cenário nacional. Contudo, a metrópole apresenta cada vez mais um distanciamento entre suas camadas sociais, sem contar com o caos frequentemente estabelecido na cidade, seja por meio do trânsito ou dos habituais trasbordamentos, resultado do mau planejamento urbano, que atende aos interesses de poucos em detrimento a saúde da cidade.
Alguns celebram os fracassos do "Make It Right", o projeto apadrinhado por Brad Pitt em Nova Orleans. Após o furacão Katrina devastar Nova Orleans em 2005, nomes consagrados da arquitetura como Frank Gehry, David Adjaye e Thom Mayne criaram projetos para a fundação instituída por Pitt. O/A arquiteto/a local John C. Williams foi contratado/a para transformar os desenhos dessas estrelas da arquitetura em edifícios, com a diretriz de utilizar os melhores materiais sustentáveis disponíveis.
A orientação e dimensionamento dos vazios são algumas das principais variáveis a serem levadas em conta na proposição de elementos vazados nas fachadas de edifícios. O estudo das condições locais é fundamental para o bom desempenho deste tipo de solução, particularmente bem-vinda em países que costumam ter temperaturas elevadas, como a Índia. Ainda que sua variedade climática dificulte as generalizações, as temperaturas podem atingir acima 40 graus no verão na maior parte do país, o que exige estratégias arquitetônicas específicas para amenizar a sensação de calor e umidade no interior das edificações.
Programas de culinária nunca foram tão populares no mundo. Sejam eles de receitas, reality shows ou documentários, o escritor Michael Pollan aponta que não é incomum passarmos mais tempo assistindo do que preparando nossa própria comida. Isso é um fenômeno bastante curioso, já que nos resta apenas imaginar os cheiros e gostos do outro lado da tela, como os apresentadores gostam de nos lembrar frequentemente. Ao mesmo tempo, quando assistimos algo sobre a Idade Média, rios poluídos ou desastres nucleares, ficamos aliviados de ainda não existir uma tecnologia para transmitir os cheiros. De fato, ao tratarmos de odores (e mais especificamente os maus), sabemos o quão desagradável é estar em um espaço que não cheira bem. Mais especificamente em edificações, quais são as principais fontes e de que forma isso pode afetar nossa saúde e bem-estar?
São frequentes os relatos de acidentes em banheiros, por geralmente serem locais apertados e, muitas vezes, escorregadios. Ainda que ninguém esteja imune a um escorregão após o banho, são os idosos que sofrem mais com as quedas, ocasionando ferimentos graves, sequelas e limitações funcionais. Com a redução natural dos reflexos e da massa muscular, quanto mais alta a faixa etária mais propensos a quedas nos tornamos.
Para proporcionar condições de vida mais confortáveis com o passar dos anos, o ambiente deve se adaptar às novas capacidades físicas de seus ocupantes. Tornar os banheiros mais seguros é fundamental para diminuir os riscos de acidentes ou reduzir o tempo de resposta no caso de uma queda. Apresentamos abaixo alguns pontos para se levar em conta ao desenhar banheiros para pessoas com idades avançadas:
Casa rural Landaburu Borda / Jordi Hidalgo Tané. Imagem
Há obras que exaltam os grandes egos de quem pratica esta profissão, e há arquiteturas que propõem o oposto. Práticas cujas obras harmonizam — de maneira quase poética — os elementos arquitetônicos construídos em relação ao entorno natural onde se inserem. Há também as obras que se adaptam à ordem morfológica da natureza, resultando em uma linguagem orgânica e gerando, assim, espacialidades internas extremamente peculiares e únicas.
Habitantes das grandes cidades, tendemos a ser arrastados para um estilo de vida acelerado. Rodeados de edifícios e infraestruturas de grande porte, podemos facilmente perder de vista os espaços fundamentais que nos conectam ao nosso bairro e nos proporcionam raros momentos de tranquilidade e lazer. A apropriação do meio ambiente que habitamos torna-se uma circunstância incomum.
Em cidades onde os espaços públicos são frequentemente esquecidos ou mal utilizados, a necessidade de estruturas adequadas à escala humana é fundamental. Para promover a participação cívica, recreação, socialização e tornar a cidade mais habitável e agradável para seus cidadãos, um recurso barato e rápido tem sido a criação de pavilhões ou instalações – microarquiteturas que oferecem a possibilidade de uma rápida fuga do cotidiano urbano.
Favela da Rocinha, Rio de Janeiro. Foto de: AHLN, via VisualHunt.com / CC BY
No próximo sábado, dia 31 de outubro, comemora-se o Dia Mundial das Cidades, uma data estipulada pela Organização das Nações Unidas desde 2015, e que faz parte da iniciativa anual intitulada “outubro urbano”. Essa comemoração tem como objetivo promover o interesse da comunidade internacional na urbanização global, aumentar a cooperação entre países para debater o enfrentamento dos desafios da urbanização e contribuir para o desenvolvimento urbano sustentável ao redor do mundo.
Porém, quando se fala em cidade, apesar do vocábulo significar uma genérica “aglomeração de pessoas situadas em uma área geográfica delimitada”, na prática sabemos que cada um desses agrupamentos é fruto de fatores muito singulares em termos de desenvolvimento e cultura. Nesse sentido, decidimos aproveitar a comemoração mundial do dia das cidades e fazer um recorte específico na nossa realidade, trazendo à tona os desafios enfrentados pelas cidades latino-americanas nos dias de hoje.
The Midnight Charette é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e cotidiano. Apresentado pela dupla de designers de arquitetura David Lee e Marina Bourderonnet, o programa recebe diversos profissionais criativos em conversas espontâneas que dão espaço a reflexões profundas e debates pessoais. Uma vasta gama de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios trazem dicas úteis para designers, enquanto outros apresentam análises de projetos, entrevistas ou investigações sobre o dia a dia e o design. O The Midnight Charette também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina discutem dicas e táticas para criar uma apresentação de projeto. A dupla aborda os diferentes cenários para os quais se preparar, os três componentes mais importantes de qualquer apresentação de projeto, como incorporar pesquisas e dados, o equilíbrio entre beleza e clareza, dicas para quando você estiver com dificuldades para deixar a apresentação visualmente atraente, estratégias de processo, armadilhas a evitar e muito mais. Aproveite!
https://www.archdaily.com.br/pt/1126114/the-midnight-charette-sobre-como-criar-uma-apresentacao-de-arquiteturaThe Second Studio Podcast
Surface Ex-Tension by Jonathan Craig, Luis Arjona, Marco Nieto & Philip Elmore. Image Courtesy of Arch Out Loud
Desde sua inauguração no final dos anos 1990, o famoso relógio digital instalado na Union Square de Nova Iorque informava ao mundo com precisão a hora exata, sem nunca ter falhado por nem mesmo um único segundo. Entretanto, recentemente o monumental painel digital da maior cidade dos Estados Unidos parou—mas não por acaso. Isso porque o imenso relógio foi transformado em uma espécie de “Relógio Climático” (ou seria “Cronômetro Climático”) exibindo não mais a hora exata do dia mas uma contagem regressiva do tempo que ainda nos resta—segundo alguns especialistas—para tomarmos decisões em larga escala que possam reverter o processo de aquecimento global. Os dados publicados no relatório especial do IPCC sobre o aquecimento global são de fato alarmantes. Segundo o estudo, nos resta pouco mais de sete anos para que as atuais mudanças climáticas alcancem um ponto de irreversibilidade.
Considerada um dos materiais de construção mais nobres — e também uma das favoritas de muitos profissionais da arquitetura em todo o mundo —, a madeira oferece valor estético, estrutural e prático das maneiras mais versáteis. Por meio de diferentes técnicas, como o trabalho artesanal ou a pré-fabricação, a construção em madeira permanece relevante não apenas historicamente, mas também na vanguarda da arquitetura e do design (graças a novas tecnologias que expandiram suas possibilidades).
De pavilhões temporários a residências unifamiliares e edifícios institucionais de grande porte em múltiplos pavimentos, a madeira tem demonstrado seu valor no mesmo patamar de outros materiais estruturais, como o aço, o tijolo ou até mesmo o concreto. Esse protagonismo é especialmente evidente nos Estados Unidos, onde arquitetos e arquitetas de renome utilizam novas técnicas para aprimorar as soluções que o material pode oferecer. Além disso, novas regulamentações estão permitindo que esses(as) profissionais explorem ainda mais a diversidade e as possibilidades da construção em madeira.
Com o apoio do ThinkWood, reunimos 100 exemplos das melhores estruturas de madeira nos Estados Unidos.
Mapeamento do degelo do permafrost, desertificação e principais regiões de tufões. Imagem cortesia de Samarskaya & Partners
Este artigo foi publicado originalmente no Common Edge sob o título "Considering Climate Migration".
Na última semana, vi pelo menos dois grandesartigos na grande imprensa sobre migração climática, à medida que mais pessoas parecem cogitar o destino de sua próxima mudança — algo entre a Dakota do Norte e qualquer outro lugar com a palavra "norte" no nome. Geralmente, isso se dá em uma simplificação reducionista de toda a gama de transformações que ocorrem ao nosso redor.
As empenas são conhecidas como as paredes laterais de um edifício, normalmente previstas para ladear uma construção vizinha. Mesmo em edifícios com recuos laterais mais generosos, que permitem aberturas para portas e janelas, as empenas podem ser mantidas como grandes superfícies contínuas, criando uma fachada cega na edificação.
Nesse sentido, as empenas em concreto aparente, que se valem da textura do material sem a necessidade de revestimentos, podem ser empregadas como elementos estéticos na composição plástica do edifício. Como parte da série Casas Brasileiras, apresentamos a seguir 10 residências com empenas de concreto:
A busca por segurança na arquitetura está ligada, entre outros aspectos, à criação de interiores resguardados que nos permitam realizar as atividades diárias com conforto e sem imprevistos. No entanto, os desafios envolvidos na proteção de pessoas e propriedades mudaram drasticamente nos últimos anos. Hoje, procuramos sentir-nos seguros onde quer que estejamos e, numa arquitetura cada vez mais aberta e transparente, o material da sua envolvente torna-se cada vez mais relevante, principalmente nas suas zonas envidraçadas.
Que parâmetros devemos considerar ao escolher um vidro de segurança? Conversamos com os técnicos da Cristales Dialum, que desenvolveram soluções com diversos níveis de resistência para vidros simples e duplos.
O Halloween é uma festividade centrada no espaço e no ritual. Com origem provável nos festivais celtas de colheita, a data está atrelada a rituais como o "gostosuras ou travessuras", bem como à história e a narrativas espaciais. A celebração exalta cenários, personagens e eventos imaginados. Em celebrações semelhantes, como o Dia dos Mortos no México, as pessoas se reúnem em locais inusitados; cemitérios tornam-se o pano de fundo para piqueniques e comemorações. Nesses locais, as famílias oferecem flores e alimentos aos parentes falecidos, celebrando a história e a vida de seus entes queridos.
IE School of Architecture and Design anuncia a 7ª edição do Prêmio IE Architecture+ para jovens arquitetos/as e designers, buscando atrair talentos de destaque de todo o mundo para ingressar em um dos programas de mestrado da instituição no próximo ano letivo. Se você acredita que negócios e design são mais fortes juntos, formou-se entre 2010 e 2020 e esteve entre os 25% melhores alunos/as de sua turma, você está qualificado/a a concorrer ao Prêmio IE Architecture+.
Os escritórios Rojkind Arquitectos e AmasA Estudio divulgaram um novo projeto em uma área denominada de “Três Cerritos” no Valle de Guadalupe, na famosa rota do vinho na região de Francisco Zarco em Enseada, Baixa Califórnia, norte do México. O projeto surge de uma compreensão do valor histórica da natureza como refúgio e santuário, promovendo a criação de um novo conceito de hospitalidade que promova a reaproximação entre seres humanas e o meio ambiente.
https://www.archdaily.com.br/pt/950256/rojkind-arquitectos-e-amasa-estudio-apresentam-projeto-ummara-no-norte-do-mexicoArchDaily Team
Críticas aos modelos mais comuns de Habitação de Interesse Social (HIS) no Brasil são bastante frequentes. E, com efeito, geralmente são fundamentadas, haja vista a precariedade arquitetônica e urbanística da maioria dos conjuntos construídos – sobretudo aqueles erguidos em zonas afastadas das centralidades urbanas que negam aos moradores seu direito à cidade.
Há, entretanto, bons exemplos. Projetos construídos a partir de premissas de acesso à infraestrutura urbana, conectividade com o entorno imediato, eficiência construtiva, conforto ambiental e salubridade nos interiores das unidades habitacionais. A seguir, reunimos seis exemplos de HIS – projetados por Biselli Katchborian Arquitetos, Jirau Arquitetura, MMBB Arquitetos, H+F Arquitetos, Boldarini Arquitetura e Urbanismo e Vigliecca & Associados – que apresentam soluções interessantes para um programa tão complexo e delicado.
No início do mês de outubro foi inaugurado na Cidade do México um novo espaço sob o nome de Design House no Público Coworking, que expõe uma série de intervenções integrando disciplinas como design, arquitetura e design de interiores. Ao longo de dez anos, o evento tem apresentado, em diferentes imóveis, as propostas de vanguarda de mais de cem escritórios participantes, em colaboração com os showrooms integrantes da Rota do Design, que disponibilizam aos escritórios as peças e os acessórios que compõem as diversas propostas.
A recente polêmica em torno do projeto de lei para autorizar a privatização e posterior edificação de uma porcentagem de terras ribeirinhas recuperadas na orla do Rio da Prata (Buenos Aires, Argentina) nos convida a nos envolvermos nos problemas metropolitanos de infraestrutura e ordenamento territorial e a refletir sobre o papel da sociedade nos processos de planejamento urbano, reabrindo os debates em torno das transformações de nossa orla.
Como parte dos esforços conjuntos da equipe do Design Week, realizados anualmente na Cidade do México, no dia 9 de outubro foi inaugurada a exposição "Inédito" na galeria Espacio CDMX Arquitectura y Diseño. A mostra integra a sexta edição consecutiva desta convocatória aberta, cujo objetivo é apoiar, difundir e promover projetos de design utilitário nas seguintes categorias: impacto social, impacto ambiental, inovação, função, estética, conceito, experiência do/a usuário/a, materiais e processos. A exposição divide-se em três categorias — profissional, estudantes e digital — nas quais, longe de competir, abre-se um panorama de oportunidades para o bom design nos mercados nacional e internacional, com viabilidade comercial e de produção.
Museu Liangzhu 2008 / David Chipperfield Architects. Imagem cortesia de Vanke
O desenvolvimento urbano na China tem sido um tema controverso, marcado por megacidades e infinitos condomínios fechados — resquícios das antigas unidades comunitárias de trabalho e moradia do país, conhecidas como "danwei". Nos últimos anos, contudo, esse paradigma vem sendo amplamente transformado por incorporadoras em busca de conceitos de moradia mais inovadores, baseados na criação de comunidades inclusivas ancoradas por edifícios públicos e culturais voltados para a coletividade. Um dos primeiros experimentos nesse sentido, o Liangzhu New Town, desenvolvido pela Vanke, tornou-se uma referência na criação de comunidades diversas.
Capela e Cemitério de Zovik. Imagem cortesia de Nenad Fabijanić
10 projetos, 10 funções. Com uma infinidade de programas diferentes, a seleção com curadoria desta semana de Melhores Projetos Não Construídos destaca abordagens conceituais diversas e inovadoras. Enviada por nossos leitores e leitoras, esta variedade de propostas abrange fins esportivos, religiosos, culturais, educacionais e sociais.
Reunindo projetos de várias partes do mundo, esta seleção apresenta um templo budista em Bangkok, na Tailândia, um centro de experiências em forma de anel e catalisador de ecoturismo na Letônia, um cemitério na Bósnia e Herzegovina e o maior parque de esportes radicais da Rússia. Além disso, espaços corporativos não convencionais ganham destaque com um centro de inovação para startups no Vietnã, uma sede em Shenzhen e o novo edifício da prefeitura de Tirana.