Em maio de 2016 abria-se a 15ª Bienal de Arquitetura de Veneza, talvez o evento mais importante e emblemático da arquitetura internacional desde a década de 1980, quando foi criada. Tal abertura trazia, entretanto, uma novidade: pela primeira vez o evento tinha como curador um latino americano – Alejandro Aravena. Esse destaque não seria isolado na carreira recente do arquiteto que fez parte da comissão julgadora do Prêmio Pritzker de 2010 a 2015 sendo laureado no ano de 2016. Desde logo é fundamental perceber que tal destaque não assume caráter de absoluta exceção e pode, de certo modo, ser entendido como a ponta de uma valoração e visibilidade que a arquitetura chilena contemporânea passa a receber a partir de finais da década de 90.
Este artigo foi originalmente publicado no Common Edge como "The Genius, Heart and Humility of Indian Architect B.V. Doshi"
Estou em uma movimentada cafeteria de subúrbio conversando com o pacato arquiteto indiano Jitendra Vaidya, com seu jeito sereno de avô. Quando comecei minha trajetória como estagiário/a de arquitetura no final dos anos 90, Jitendra era um dos projetistas técnicos mais experientes que eu conhecia. Sentindo-se igualmente à vontade para avaliar os méritos relativos de diferentes detalhes de rufos ou para discutir conceitos abstratos de projeto, Jitendra é um arquiteto universal, da velha guarda. Após mais de meio século em uma profissão famosa por prazos massacrantes, ele ainda mantém um brilho alegre no olhar ao falar sobre arquitetura. Assim, não surpreende que Jitendra esteja visivelmente animado hoje ao me falar sobre seu mestre, o homem que acaba de ser reconhecido como um dos maiores arquitetos vivos do mundo, B.V. Doshi.
Algumas arquitetas e arquitetos conseguem propor interações entre as diferentes escalas dos projetos, atuando em uma multiplicidade de campos que vão da cidade ao detalhe dos acabamentos, passando pela escala do edifício. Embora, em muitos casos, a seleção do mobiliário que vai complementar um projeto – isto é, os elementos que acabarão por interagir com a escala humana – costuma ser relegada a uma etapa pós-construção, seu desenho nem sempre é considerado um problema secundário.
Poucas cidades no mundo contam com uma cena cultural e patrimônio arquitetônico tão vibrantes como Montreal. Com a segunda maior cidade do país, a Cidade dos Santos—como tornou-se conhecida—se firmou como um dos principais centros de design e arquitetura do mundo todo, abrigando algumas das principais feiras e eventos internacionais dedicados à comunidade criativa. Demonstrando um profundo respeito à seu contexto natural, Montreal foi nomeada assim em homenagem a montanha de três picos que fica bem no coração da cidade: o Mount Royal. Montreal, que sempre esteve na vanguarda da arquitetura e do design, continua provando que é um dos mais importantes centros para o desenvolvimento da arquitetura contemporânea no mundo todo.
A cidade de Puebla – localizada no planalto central do México – é conhecida sobretudo pelo traçado de suas ruas e por sua arquitetura predominantemente barroca. Declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1987, a cidade abriga uma dinâmica cultural de amplo espectro que se centra na preservação do patrimônio edificado e em sua apreciação à distância, como se fosse uma obra em um museu. Dessa forma, em nossos trajetos cotidianos, notamos a monumentalidade de suas fachadas, sem perceber, na maioria das vezes, que por trás dos grandes portões de madeira se esconde o que chamamos de “o coração da casa poblana”.
Centro de Visitantes Flamingo em Abu Dhabi. Imagem cortesia de Mykhaylo Slyusar | SDAR
A arquitetura cultural é definida por valores compartilhados e de intercâmbio. Centra-se na humanidade, na vida cívica e na história de como as sociedades evoluem ao longo do tempo. Sejam museus, bibliotecas, centros de visitantes ou monumentos, esses espaços contam histórias sobre uma região, cultura e lugar. A seleção de curadoria desta semana da Melhor Arquitetura Não Construída foca em museus e projetos culturais projetados em contextos rurais e urbanos. Vindos de todas as partes do mundo, eles representam propostas enviadas por nossos leitores.
Ao contrapor uma diversidade de tipologias a uma variedade de cenários e contextos, estes projetos revelam diferentes maneiras de contar a história de uma cultura. Cada proposta apresenta taxonomias, abordagens formais e organizações espaciais diversas, de uma torre em Shenzhen a uma escola mediterrânea na Córsega e um centro de arte em Nova Gales do Sul, na Austrália.
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Exterior residencial, renderizado no Lumion 11
No que diz respeito a softwares de renderização arquitetônica, o Lumion transforma o processo de renderização em parte integrante do ofício do/a arquiteto/a; ele potencializa os fluxos de trabalho de projeto e renderização e inspira a criatividade. Com o lançamento do Lumion 11, materializar sua visão de projeto nunca foi tão simples. Utilizando o novo recurso de vista ortográfica, é possível reduzir o esforço necessário para criar plantas e cortes visualmente interessantes com seu toque autoral. Com as fases animadas, você pode demonstrar como as partes da edificação se conectam e interagem, coreografando um diálogo com o espectador.
Na introdução de seu famoso livro entitulado Cidades para Pessoas, o arquiteto dinamarquês Jan Gehl afirma claramente que a escala humana tem sido historicamente negligenciada pelos processos de planejamento urbano na maioria das grandes cidades ao redor do mundo. A medida que as novas tecnologias foram nos permitindo construir edifícios cada vez mais altos, maiores e mais complexos, deixamos de conceber espaços para as pessoas e passamos a desenvolvendo um novo tipo de arquitetura— uma arquitetura completamente alheia à nossa própria condição humana. Estratégias de planejamento urbano tomadas de cima para baixo desconsideram a necessidade de espaços adequados aos nossos sentidos, priorizando a velocidade, a funcionalidade e obviamente, a lucratividade.
Precisando a forma como experimentamos o espaço construído e consequentemente, como percebemos as relações estabelecidas entre o nosso corpo e o ambiente no qual estamos inserido, a noção de escala humana é fundamental para um espaço urbano que se pretende habitável. Neste artigo, falaremos sobre a transfiguração dos processos de planejamento urbano e quais podem ser as consequências imediatas desta mudança de direção em nossas vidas cotidianas. Paralelamente, o fotógrafo de arquitetura Kris Provoost—através de sua série fotográfica Eden of the Orient—nos convida a mergulhar ainda mais fundo neste universo “sem escala”.
O ArchDaily tem o orgulho de anunciar a seleção de Jovens Escritórios 2020. Esta primeira edição destaca escritórios e profissionais emergentes que mostram abordagens, propostas e soluções inovadoras para alguns dos maiores desafios da atualidade. Da crise climática a questões de raça e gênero; da evolução tecnológica à coesão social – estes desafios estão alterando o curso da arquitetura, posicionando a disciplina no contexto de uma nova sociedade e economia.
Escolhidos dentre mais de 350 inscritos de 72 países e 215 cidades de todas as regiões do globo, os escritórios e profissionais selecionados refletem as mudanças pelas quais a arquitetura tem passado nos últimos vinte anos, com o surgimento e consolidação de novas tecnologias, ferramentas, formatos, tópicos, escalas e abordagens interdisciplinares.
Hoje, mais do que nunca, os profissionais de arquitetura enfrentam altas expectativas em relação ao design, à funcionalidade e ao desempenho de um projeto. Um projeto arquitetônico cuidadoso leva em consideração as influências climáticas regionais, a origem dos materiais e, eventualmente, as tradições construtivas locais. Essas são estratégias para reduzir a pegada ecológica. Mas o que arquitetos e arquitetas fazem para potencializar ainda mais o desempenho de uma edificação? Esse é um aspecto instigante a ser explorado. Descobrir que, hoje, as tecnologias digitais estão integradas a edifícios em todas as partes do mundo é algo fascinante!
Presente na narrativa do Dilúvio no livro do Gênesis, Noé teria construído uma arca após um chamado de Deus, que decidiu inundar e destruir toda a vida na Terra por conta do mau comportamento da Humanidade. Apenas a família de Noé e um casal de cada espécie de animais poderia entrar na enorme embarcação e se salvar. Na bíblia, a arca é descrita com as medidas exatas de 300 côvados de comprimento por 50 de largura e 30 de altura. Esta era uma unidade utilizada na época, baseada no comprimento do antebraço, desde a ponta do dedo médio até o cotovelo. Um holandês que tem se dedicado a construir uma réplica da Arca de Noé, sem sucesso em encontrar um valor correspondente preciso no sistema métrico, utilizou as medidas do seu próprio corpo como o módulo. Modulação na arquitetura quer dizer adaptar o projeto a um módulo definido, geralmente uma medida base ou um material. Seja um metro, um tijolo, um azulejo ou um container, ela serve para facilitar o processo de projeto e torná-lo mais eficiente e sustentável.
Quando tive a oportunidade de visitar a cidade de Copenhague por primeira vez, alguns anos atrás, saí de lá deslumbrado e com um caso crônico de inveja urbana. (Eu pensei comigo mesmo: é como a melhor das cidades que eu sou capaz de imaginar, só que melhor). Por que não fazemos cidades como esta nos Estados Unidos? Esse é o tipo de pergunta que um arquiteto e urbanista norteamericano se faz enquanto passeia pelas encantadoras ruas às margens dos belos canais de Copenhague—ao mesmo tempo que tenta evitar de ser atropelados pela horda de ciclistas dinamarqueses que passa a toda velocidade ao seu lado o tempo todo.
Construção modular por Maisons Laprise, Quebec, Canadá. Imagem cortesia de QWEB
Métodos de construção consagrados e eficazes não são estáticos; pelo contrário, estão em constante evolução. Em Quebec, no Canadá, fabricantes de sistemas modulares e de light frame de madeira estão sempre superando os limites da inovação. Seu ofício agora se integra a sistemas construtivos em escalas audaciosas, impulsionado pela construção industrializada (offsite) em light frame de madeira.
Nos últimos anos, temos publicado muitos artigos sobre madeira. Desde abordar as tendências no seu uso, as possibilidades com madeira bruta, painéis, curvas, acabamentos, até suas inovações em estruturas de edifícios altos ou seu comportamento ao fogo, o assunto sempre gera bastante repercussão. Mais especificamente, as estruturas de Madeira Laminada Cruzada (CLT) têm despontado como altamente eficientes estruturalmente, além de apresentarem outros benefícios térmicos, sísmicos e mesmo sensoriais aos ocupantes, sendo apontado por especialistas como o concreto do futuro. Mas ao postarmos os artigos nas redes sociais, sempre nos deparamos com comentários dos nossos leitores preocupados sobre o impacto no corte das árvores para todos estes usos. Ao mesmo tempo que apostamos na madeira como um grande material de construção do futuro, nos indagamos: será que é possível continuar usando madeira e chamá-la de sustentável?
Alpinistas gozam de um estilo de arquitetura próprio. Entre estruturas industriais abandonadas, paredes verticais e arenas multifuncionais, a prática do bouldering se apropria de uma enorme variedade de diferentes espaços e materiais. Com a popularização da escalada como um esporte tanto indoor quanto outdoor, centros e instalações esportivas estão incluindo em seus projetos e espaços estruturas escaláveis para atender este crescente interesse pelo esporte. Seja como um esporte ou por divertimento, as academias de escalada podem assumir as mais diferentes formas, apropriando-se das mais variadas estruturas para criar ambientes criativos e inspiradores para os adeptos deste tipo de atividade física.
A seguir, você pode explorar as entrevistas realizadas com essas figuras de destaque da cena arquitetônica colombiana, várias das quais foram premiadas ou receberam menções na XXVII BICAU.
The Twelve Ideal Cities- 1971. Image via Fondazione MAXXI
Nos anos 1960, Cristiano Toraldo di Francia e Adolfo Natalini, então estudantes de arquitetura da Universidade de Florença, assumiram um posicionamento pungente e questionador em relação à disciplina da arquitetura, despertando uma onda revolucionária que viria a se espalhar rapidamente por toda a Europa. Inspirados em histórias de fantasia e ficção científica e buscando encontrar respostas para os principais problemas de sua época, a dupla que se autodenominava Superstudio, buscou continuamente reinventar o próprio significado do que é ser um arquiteto. Os projetos desenvolvidos pelos dois logo chamaram a atenção da comunidade internacional de arquitetos, uma abordagem que ficaria conhecida como “anti-arquitetura”, uma estratégia concebida para direcionar as atenções não para o conteúdo formal dos projetos em si, mas para o campo do debate político, elaborando críticas ferrenhas ao capitalismo e ao idealismo modernista. Em suas propostas, o Superstudio propunha edifícios e cidades onde os seres humanos parecem se desconectar do tempo, do lugar onde vivem e principalmente, das necessidades impostas por uma sociedade baseada em consumo de massa.
De acordo com a Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento de 2018, 25,8% da população nordestina não têm acesso à água e 72% dos nordestinos não têm acesso à rede de esgoto. “Agora me diz, como eu faço pra ter um banheiro em casa nessas condições?”. Essa era a pergunta que tirava o sono e a tranquilidade de Vera.
Vera mora na pequena comunidade de Riacho das Almas (PE) e sua história se assemelha a de milhares de famílias que vivem na zona rural do semiárido nordestino. Onde o acesso a água é escasso e o esgotamento sanitário é praticamente inexistente, o uso de banheiros tradicionais, com torneira, chuveiro e descarga d’água, é incomum na região. Por conta disso, famílias como a de Vera e tantas outras utilizam espaços improvisados ao ar livre para suas necessidades: o banheiro de aveloz.
A ventilação cruzada, o controle da radiação solar, a captação da água da chuva, a iluminação natural indireta, o tratamento e reúso de águas cinzas e o aproveitamento da energia solar por meio de painéis são algumas estratégias passivas que permitem obter um maior conforto térmico e ambiental com baixos custos energéticos. Esses princípios bioclimáticos, quando partem de uma compreensão correta das condições geográficas e climáticas do local, podem otimizar notavelmente o desempenho dos edifícios e fomentar o desenvolvimento de melhores espaços internos.
A história da habitação coletiva tem sido o tema de interesse do grupo de pesquisa PC3 - Pensamento Crítico e Cidade Contemporânea, da FAUUSP, coordenado pelos professores Leandro Medrano e Luiz Recamán. Através dos Cadernos de Habitação Coletiva – desenvolvidos a partir de um acordo de cooperação entre pesquisadores da FAUUSP e da ETSAM-UPM de Madri – o grupo explora os exemplares mais relevantes deste tipo de programa no Brasil.
Segundo a plataforma do grupo, "o objetivo principal dos Cadernos de Habitação Coletiva tem sido realizar uma base completa de dados organizada por décadas que inclui os edifícios de habitação coletiva brasileiros mais relevantes, tanto projetados quanto construídos." A seguir, reunimos oito experimentos de habitação coletiva construídos em São Paulo entre as décadas de 1930 e 1960, estudados em detalhes nos CHC e disponibilizados em artigos individuais aqui no ArchDaily.
Na medida em que as forças que moldam nosso ambiente construído mudam, envolvendo, nesta mudança, tecnologia, redes e sistemas complexos, profissionais da arquitetura precisam visualizar mais do que o espaço físico; precisam produzir narrativas sobre como operar melhor dentro dessa nova paisagem social. Nesse contexto, a arquitetura especulativa parece nunca ter sido tão crítica. Este artigo examina os meios que atualmente questionam as condições do ambiente construído e explora novas possibilidades arquitetônicas.
Antigo Matadouro da Vila Mariana. Arte/Cidade 1: A Cidade Sem Janelas. Fotógrafo: Nelson Kon
São Paulo teve sua estruturação urbana conforme o seu relevo. De maioria acidentado, foi nas áreas planas das várzeas dos rios e terraços fluviais que foram instaladas as ferrovias, onde podiam se desenvolver em um traçado mais adequado às suas limitações.
O trem, máquina de cortar cidades atravessando os obstáculos naturais da paisagem numa velocidade de sessenta quilômetros por hora, foi a invenção capaz de abreviar fronteiras. Esse instrumento de fazer conexões originado durante a Revolução Industrial, viabilizou o estabelecimento de uma cadeia produtiva entre as suas várias paradas, ao transportar as manufaturas das fábricas em suas toneladas de maquinário em locomoção.
Na Colômbia você pode desfrutar de uma grande variedade de contextos climáticos, que geram paisagens maravilhosas e ambientes naturais de desejo. A flora e a fauna são identificadas em função da região, altitude e umidade. Nos projetos residenciais colombianos, a natureza do contexto costuma ser uma inspiração constante, desde a incorporação da vegetação como elemento arquitetônico no interior até o enquadramento das paisagens próximas. Na hora de planejar a percepção espacial, seja de dentro ou de fora, a natureza é parte inegável das obras.