Não é incomum ver conjuntos habitacionais que integram espaços comerciais no térreo. No entanto, o desafio de mediar as esferas pública e privada em uma escala menor, sobretudo com a ascensão do *home office*, tem forçado arquitetos e arquitetas a explorar todos os aspectos da estrutura — desde a topografia em que se insere até a orientação da luz e dos ventos, passando pelo desenho e pela organização do espaço doméstico. Este foco em interiores explora diferentes soluções projetuais que mostram como profissionais de arquitetura e design de interiores transformaram seus projetos de simples moradias em tipologias de uso misto, levando em consideração privacidade, flexibilidade, funcionalidade e requisitos espaciais predefinidos.
Tempos difíceis unem as pessoas. Nos últimos anos, vimos como o trabalho coletivo pode ser uma força motriz para ajudar as pessoas afetadas por desastres naturais ou causados pela ação humana. Após uma catástrofe ou deslocamento forçado, um ambiente físico seguro costuma ser essencial. Diante disso, a coordenação de esforços torna-se um fator crucial para prestar assistência em momentos de necessidade.
Arquitetos e arquitetas, como especialistas em abrigos, desempenham um papel fundamental na criação de ambientes seguros e adequados, sejam habitações individuais, edifícios públicos, escolas ou acampamentos temporários de emergência. No entanto, como afirma o arquiteto Diébédo Francis Kéré: "Quando você não tem nada e quer convencer a sua comunidade a acreditar em uma ideia, pode acontecer de todos começarem a trabalhar com você, mas é preciso continuar lutando para convencê-los".
Steven Holl costuma ser visto lendo poesia e pintando aquarelas em uma pequena cabana com vista para flores de lótus na beira de um lago em Rhinebeck, Nova York. A cabana fica em uma reserva de 28 acres que Holl comprou em 2014 e que hoje abriga seu escritório permanente, além do ‘T’ Space, uma organização artística sem fins lucrativos que oferece exposições criativas, instalações ambientais e residências de arquitetura. Contornando várias árvores de grande porte e conectando-se por meio de uma passagem a outra cabana existente de 1959, o Arquivo de Arquitetura e Biblioteca de Pesquisa da Fundação Steven Myron Holl, construído in 2019, é a mais recente edificação a ser cuidadosamente inserida na exuberante paisagem.
A escritora Eva Hagberg e eu nos conhecemos há muito tempo. Há bastante tempo, em um ano do qual não me lembro, eu lhe passei uma de suas primeiras pautas para uma revista. Literalmente, dezenas de outras pautas se seguiram. Foi, portanto, com certa expectativa e um pouco de surpresa que recebi seu novo livro When Eero Met His Match: Aline Louchheim Saarinen and the Making of an Architect (Princeton University Press), um texto híbrido intrigante, parte biografia de Aline e Eero, parte memórias das experiências de Hagberg como redatora de design e assessora de imprensa. (Sou brevemente mencionado no livro.) A tese principal do livro é que Aline Saarinen inventou, em grande medida, o papel de assessora de imprensa de arquitetura. Recentemente, fui até o Brooklyn Navy Yard para conversar com Eva, grávida de muitos meses, sobre o que a motivou a escrever seu novo livro, sua estrutura dupla e a ética jornalística de Aline Saarinen.
Áustria – Projetado por Büro Wagner – Fabricado por Bau- und Möbelschreinerei Leutenbauer / Fotografia de Florian Holzherr . Imagem
Este ano trouxe mais uma rodada de projetos impressionantes inscritos no FritsJurgens Best Pivot Doors 2022, reunindo uma quantidade surpreendente de portas pivotantes de alto padrão — abrangendo portas internas e externas, divisórias móveis, passagens ocultas e muito mais. Após um período de deliberação, o júri tomou sua decisão: confira a seguir os vencedores do FritsJurgens Best Pivot Doors de 2022.
Nottingham City Hub. Imagem cortesia de Ares Landscape Architects Ltd.
A transição evidente do CAD 2D na arquitetura da paisagem deve-se, em parte, a pressões externas, como a exigência do Reino Unido pela estrutura do BIM Nível 2 em projetos de contratação pública. Mesmo onde não há obrigatoriedade do BIM, existe uma pressão inerente para entregar arquivos nesse formato ao trabalhar com consultorias que já amadureceram seus fluxos de trabalho com a metodologia.
Com o objetivo de impulsionar a transição sustentável de recursos na indústria da construção, a ETH Zurich, em colaboração com a FenX AG, está utilizando a impressão 3D de espuma (F3DP) para fabricar fôrmas de geometria complexa destinadas à produção de elementos especiais de concreto.
Impulsionado em grande parte pela migração rural para as cidades e pelo crescimento populacional geral, 68% das pessoas em todo o mundo viverão em áreas urbanas até 2050. Com isso, grande parte da população se beneficiará de um maior acesso a serviços básicos, da proximidade com o transporte público e de melhores oportunidades de educação e emprego. No entanto, a busca por uma vida urbana também leva ao isolamento do ambiente externo — seja uma floresta, um campo ou as montanhas —, o que pode impactar negativamente nossa saúde física e mental. Há muito se comprovou que a exposição à natureza reduz os níveis de estresse, melhora o humor, estimula a produtividade e, acima de tudo, potencializa o bem-estar. Portanto, considerando que costumamos passar cerca de 93% do nosso tempo em espaços fechados (e que a pandemia ampliou essa estatística), hoje, mais do que nunca, buscamos uma conexão com o exterior e todos os seus benefícios inerentes. Assim, os/as arquitetos/as enfrentam o importante desafio de trazer a natureza para o interior, que é justamente onde o design biofílico entra em cena.
Ao toque de um botão, toda a fachada envidraçada afunda magicamente no solo, integrando o interior ao exterior. Esse é o efeito da janela descendente da air-lux, que atua não apenas como uma fachada de vidro, mas como um elemento de destaque durante todo o ano, conectando os ambientes interno e externo. Tanto é assim que a janela descendente foi premiada com o German Design Award 2020 na categoria "Excellent Product Design - Building and Elements".
"Domingos Libro" é apresentado por Carmelo, do Enorme Studio, e se aprofunda em publicações de arquitetura esquecidas, livros e revistas de arquitetura das décadas de 1960, 1970 e 1980, revelando as histórias mais fascinantes por trás delas.
A imensidão da China resulta em uma grande diversidade de costumes e condições climáticas. Cada região possui seus próprios materiais, métodos construtivos e medidas de adaptação climática. As características regionais da arquitetura chinesa são, em geral, preservadas nas edificações rurais. No entanto, não se pode desconsiderar como a tecnologia contemporânea pode melhorar consideravelmente as condições de vida e de uso dessas construções rurais. Qual é a melhor maneira de equilibrar as tecnologias tradicionais ou inerentes a esses locais com as novas? De que forma a arquitetura rural poderia inspirar o desenvolvimento de símbolos culturais na arquitetura chinesa?
O vencedor do Prêmio Pritzker de Arquitetura de 2022, Diébédo Francis Kéré, apresentou as excelentes soluções desenvolvidas em Burkina Faso. Kéré preconiza a construção de edifícios confortáveis a preços acessíveis, com o objetivo de proporcionar bem-estar a quem os utiliza e inspirar essas pessoas a sonharem com uma vida melhor. O orgulho pela cultura local é fortalecido pelo uso de materiais regionais e técnicas tradicionais. Assim, as obras de Kéré em outros países exibem emblemas culturais de Burkina Faso, que resultam de sua própria bagagem cultural.
A exposição Constant Future: A Century of the Regional Plan, em cartaz em outubro no Vanderbilt Hall, no Grand Central Terminal, é uma exibição sucinta, mas fascinante, de sonhos cívicos extraídos do imaginário da Regional Plan Association (RPA), uma organização independente sem fins lucrativos que realiza pesquisas sobre meio ambiente, uso da terra e boa governança com o intuito de promover ideias que melhorem a saúde econômica, a resiliência ambiental e a qualidade de vida na região metropolitana de Nova York. A ocasião celebra o centenário da instituição, e a mostra testemunha seu papel fundamental no desenvolvimento da região triestatal. Embora nem todas as suas propostas tenham sido acertadas, a cidade tem uma dívida de gratidão com a visão de longo prazo do grupo.
A oportunidade de reimaginar um terreno de 1,8 hectare (4,5 acres) em uma grande cidade norte-americana, contendo tanto edifícios históricos a serem preservados quanto lotes destinados ao desenvolvimento, é rara. Para a equipe por trás do 5M, um projeto em um ponto de articulação no centro de San Francisco, essa perspectiva trouxe um potencial empolgante de engajamento com todos os aspectos de desenvolvimento comunitário e placemaking. Concluído pelo SITELAB, KPF e diversos outros escritórios, o 5M revela uma área central transformada e de uso misto após um processo de uma década.
As escadas podem parecer uma parte imutável do DNA de um edifício. Seja em uma construção do zero ou em uma reforma, pode ser difícil conceber a alteração do ângulo, da direção ou mesmo do posicionamento dos degraus; por isso, escolher o modelo correto é fundamental. Apresentamos a seguir dez maneiras diferentes de viabilizar o projeto de interiores dos seus sonhos.
The Second Studio (anteriormente The Midnight Charette) é um podcast explícito sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pela arquiteta Marina Bourderonnet e pelo arquiteto David Lee, o programa traz diferentes profissionais da área de criação em conversas sem roteiro que permitem reflexões profundas e discussões pessoais.
Uma variedade de temas é abordada com honestidade e bom humor: alguns episódios são entrevistas, enquanto outros trazem dicas para colegas designers, análises de edifícios e outros projetos, ou explorações descontraídas sobre a vida cotidiana e o design. The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, Marina e David recebem Jason Somers, presidente e fundador da Crest Real Estate, para discutir o papel do/a despachante técnico/a de projetos, quando e por que contratar esse/a profissional, como ele/a pode ajudar na obtenção de alvarás de construção, os benefícios de elaborar análises de viabilidade de desenvolvimento imobiliário no início de um projeto, entre outros assuntos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134751/the-second-studio-podcast-entrevista-com-jason-somersThe Second Studio Podcast
No contexto cultural do consumismo global predominante, tudo em nossas vidas está sendo consumido. Sendo o meio físico do ato de consumo, a arquitetura comercial é, sem dúvida, uma engrenagem fundamental nessa sociedade. Os espaços "instagramáveis" — que representam a cultura pop, o espetáculo e a espetacularização do olhar — são um dos reflexos desse consumismo na arquitetura. Contudo, ao analisar a história da arquitetura, é preciso admitir que o avanço do consumismo também impulsionou, em grande medida, o desenvolvimento da própria disciplina. O aporte massivo de capital e o interesse dos incorporadores imobiliários abriram, de certo modo, novos caminhos para que os/as arquitetos/as pudessem materializar suas aspirações projetuais em edifícios comerciais.
Seja no meio urbano ou rural, a "arquitetura de consumo" enquanto espaço público costuma ser o elemento mais marcante e o principal ponto de encontro das pessoas. Diante do desafio de criar espaços comerciais confortáveis e convidativos, este artigo apresenta uma seleção dos melhores projetos de "arquitetura de consumo" de 2021, com o objetivo de oferecer inspiração para futuros projetos.
Houve algum momento em que os/as arquitetos/as se sentiram devidamente valorizados/as? Provavelmente não. Certamente não desde que a profissão se tornou dependente dos negócios da América, cujo negócio principal são os negócios em si. Com o crescimento econômico como diretriz primordial do país ao longo do século XX, os/as arquitetos/as — como membros da indústria da construção — desempenharam seu papel. Como? Projetando edifícios de todos os tipos que fossem mais leves, baratos e rápidos de erguer. Os valores dos/as arquitetos/as podiam ser sociais, artísticos e até cósmicos, mas seu valor para a sociedade tem sido primordialmente econômico.
Domenig foi um dos arquitetos mais radicais da Áustria e uma grande influência para muitos dos principais nomes da arquitetura, mas permanece amplamente desconhecido. Uma nova exposição pretende mudar isso.
O Pavilhão Turba Tol Hol-Hol Tol é um projeto coletivo liderado pela curadora Camila Marambio que propõe um caminho experimental para a conservação e a visibilização das turfeiras, um tipo de área úmida considerado o ecossistema natural mais eficiente no acúmulo de carbono na atmosfera e, no entanto, um dos menos pesquisados.
Apresentado pelo Ministério das Culturas, das Artes e do Patrimônio e pelo Ministério das Relações Exteriores do Governo do Chile na 59ª Exposição Internacional de Arte - La Biennale di Venezia, com inauguração oficial neste 23 de abril, o projeto foi fruto de um trabalho colaborativo entre arte, ciência e saberes tradicionais, promovendo a pesquisa e a transição ecológica a partir das humanidades ambientais. Para isso, reuniu-se uma equipe multidisciplinar diversa: o artista sonoro Ariel Bustamante, a historiadora da arte Carla Macchiavello, a cineasta Dominga Sotomayor e o arquiteto Alfredo Thiermann.
Apesar de seu acervo deslumbrante de obras-primas, a National Gallery de Londres tem sido assombrada por uma série de intervenções arquitetônicas equivocadas ao longo de seus dois séculos de existência. Apenas uma vez sua liderança tomou uma decisão de fato inspirada e visionária: em meados da década de 1980, a galeria realizou um concurso, vencido pelo escritório Venturi, Rauch and Scott Brown (VRSB), da Filadélfia, para projetar um edifício voltado a coleções especiais.
O anexo foi construído de 1988 a 1991, viabilizado por fundos doados pela família Sainsbury como um presente para a nação, e foi imediatamente aclamado como um dos edifícios mais refinados de seu gênero erguidos no século XX. Desde então, permaneceu querido pelos londrinos e cumpriu exemplarmente o papel de expansão do pouco expressivo edifício clássico de William Wilkins. Especialistas na obra de Robert Venturi, John Rauch e Denise Scott Brown consideram-no uma de suas obras-primas. Pelo visto, a National Gallery tem uma opinião diferente.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134651/em-londres-uma-obra-prima-de-venturi-e-scott-brown-esta-ameacadaMark Alan Hewitt
Em nossa condição de seres humanos, não podemos viver sem histórias. Precisamos delas para preencher as lacunas que existem em nossa realidade, para viver em nossa imaginação esses milhares de vidas diferentes das nossas e, em alguns casos, impossíveis.
Poderíamos classificar como “boa arquitetura” aquela que tem uma ou várias histórias para nos contar? Aquela que é uma história por si só? Uma pergunta tão subjetiva como essa certamente gera diferentes respostas, mas uma resposta possível é “sim”. E um exemplo disso é o projeto do Túmulo Brion, uma das principais obras-primas do arquiteto veneziano Carlo Scarpa.
Enfrentar as mudanças climáticas é um dos principais desafios contemporâneos. Seu grande impacto sobre a biodiversidade e a disponibilidade de recursos naturais exige a criação de estratégias sustentáveis para reduzir seu impacto no meio ambiente.
O setor da construção civil é atualmente responsável por cerca de 40% das emissões de CO2. Nesse contexto, surge o Projeto CEELA como uma contribuição para a mitigação das mudanças climáticas, a geração de empregos e a redução de problemas sociais relacionados à urbanização. Ao desenvolver edifícios-modelo na Colômbia, no Equador, no México e no Peru, a iniciativa propõe contribuir para o avanço da eficiência energética na América Latina. Para fomentar a difusão do tema, o ArchDaily acompanhou o Curso de Liderança para Edificações Sustentáveis na América Latina, organizado pela Pontifícia Universidade Javeriana, na Colômbia, para dialogar com a organização, participantes e especialistas no assunto.
UN-Habitat acaba de lançar o seu Relatório Mundial sobre as Cidades anual durante a décima primeira sessão do Fórum Urbano Mundial, que ocorreu em Katowice, Polônia, de 27 a 30 de junho de 2022. Sob o título “Envisaging the Future of Cities” (Vislumbrando o Futuro das Cidades), a edição de 2022 destaca percepções sobre o futuro do ambiente urbano com base em “tendências, desafios e oportunidades existentes, bem como condições disruptivas, incluindo as valiosas lições da pandemia de COVID-19”. O documento busca, de fato, apresentar caminhos para que as cidades se preparem para desafios futuros e enfrentem as questões atuais.
Diante da previsão de que a população global em áreas urbanas passará de 56% em 2021 para 68% em 2050 — principalmente na África e no Oriente Médio —, a transformação de nossas cidades com vistas a um futuro melhor deve ser um interesse global. Diante da necessidade urgente de “soluções inovadoras para que as áreas urbanas respondam a essa tripla crise de COVID, clima e conflito”, conforme declarado pela Subsecretária-Geral da ONU e Diretora Executiva do ONU-Habitat, Maimunah Mohd Sharif, o Relatório Mundial das Cidades de 2022 clama por um maior compromisso por parte dos governos nacionais, regionais e locais, além de incentivar a adoção contínua de tecnologias inovadoras e conceitos de vida urbana.
O efeito sonoro de vidro se quebrando é, há muito tempo, um recurso clássico em esquetes de comédia. Sempre que um objeto leve de cena voa para fora da tela ou do palco, ele inevitavelmente estraçalha uma vidraça um instante depois. Hoje em dia, isso ainda é divertido, embora absurdamente inofensivo, mas, em pouco tempo, a ideia de uma bola de futebol chutada por uma criança quebrando a janela de um vizinho causará apenas estranhamento e ceticismo.