Simples na forma, mas complexa em sua essência, “O que é arquitetura?” continua sendo uma questão existencial para muitos/as estudantes de arquitetura e jovens profissionais. Na tentativa de definir esse questionamento em constante mutação e expor as diferentes visões existentes, a série de entrevistas: WIA – What is architecture? faz quatro perguntas diretas a grandes nomes do projeto e do pensamento arquitetônico mundial. Com o objetivo de revelar suas opiniões sobre o que é a arquitetura e o que ela pode realizar, estes curtas em vídeo trazem respostas para as seguintes perguntas: “O que é arquitetura? O que a arquitetura pode fazer? Qual é o seu posicionamento arquitetônico? e Qual é o seu método de projeto?”.
O ArchDaily firmou uma parceria com o WIA para publicar, semanalmente, quatro dessas conversas, convidando você também a aceitar o desafio e responder a essas perguntas. Este primeiro artigo compartilha reflexões sobre o pensamento e a personalidade de Peter Cook, Anna Heringer, Moon Hoon e Greg Lynn.
Há duas principais razões para que janelas de embarcações sejam redondas. São mais fáceis de selar e, principalmente, mais resistentes à pressão elevada que a água exerce sobre elas. Isso porque os cantos vivos são locais onde, naturalmente, as tensões se concentram, enfraquecendo a estrutura como um todo. Também é por esse motivo que as janelas dos aviões são pequenas e arredondadas; as elevadas pressões são distribuídas nas formas curvas, reduzindo a probabilidade de rachaduras ou quebras.
Na arquitetura, as aberturas circulares são bastante antigas. Um Oculus, janela circular, é uma característica da arquitetura clássica desde o século XVI. Também conhecidas pela expressão francesa oeil de boeuf, (olho de boi), as aberturas circulares ou semi-circulares são formadas a partir da construção dos arcos de alvenaria, que permitem a criação de aberturas e a conformação de vãos apenas através do travamento das peças. Com o tempo e a incorporação de novas tecnologias e conhecimentos construtivos, criar aberturas retangulares em edificações comuns tornou-se mais simples, racional e barato do que redondas. Mas ainda assim, elas continuam figurando em uma infinidade de projetos.
O The Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pela arquiteta Marina Bourderonnet e pelo arquiteto David Lee, o programa recebe diferentes profissionais do campo criativo em conversas espontâneas que abrem espaço para reflexões aprofundadas e debates pessoais.
Uma grande variedade de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros apresentam dicas para profissionais de design, resenhas de edifícios e outros projetos, ou explorações informais sobre o cotidiano e o design. The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina conversam com Alessio Grancini, engenheiro de protótipos na Magic Leap e ex-diretor de XR na Morphosis, para discutir como a realidade virtual (VR) pode ser utilizada em escritórios de arquitetura. No episódio, o trio aborda desde terminologias básicas, softwares e fluxos de trabalho até custos, curvas de aprendizado e o uso da VR no processo de projeto e em apresentações para clientes. Eles também debatem os prós e contras de diferentes headsets, controles, tipos de renderização, as implicações sociais da tecnologia e como Alessio fez a transição da arquitetura para a área de tecnologia. Aproveite!
https://www.archdaily.com.br/pt/1130792/alessio-grancini-sobre-como-a-realidade-virtual-pode-ser-usada-em-escritorios-de-arquiteturaThe Second Studio Podcast
Os edifícios-garagem representam um desafio estético até mesmo para as mentes mais criativas do design. Sua escala monumental e aparência monótona são exigências funcionais, o que torna difícil torná-los visualmente interessantes em vez de simplesmente opressores. Revestir um edifício-garagem com um material singular pode conferir interesse visual e textura, estabelecendo uma conexão mais humana. Contudo, essa escolha muitas vezes gera preocupações quanto à garantia de iluminação e ventilação natural no interior do edifício.
A escala define a experiência espacial. De um único cômodo ou espaço a masterplans inteiros e desenhos urbanos, transitar entre diferentes escalas mostra como designers aproximam ou afastam seu olhar. Trabalhando em diversos programas e contextos pelo mundo, arquitetos e arquitetas exploram o potencial da escala para moldar a experiência humana. No caso de projetos não construídos, essas propostas combinam conceitos de estrutura, materialidade e forma para redefinir tipologias e o futuro dos ambientes urbanos.
A seleção desta semana de Melhores Projetos Não Construídos foca em diversas escalas de edificação. Provenientes de uma variedade de escritórios e contextos locais, os projetos representam propostas enviadas pela comunidade do ArchDaily. Eles apresentam abordagens distintas para projetar em diferentes escalas, desde a dimensão de um único cômodo até um arranha-céu. A seleção inclui desde um museu de transporte de toras em Oslo e um centro de saúde no Havaí até um laboratório em Shenzhen e um arranha-céu na Costa Rica.
A infraestrutura verde é uma abordagem que tem como eixo estratégico o planejamento territorial e a sustentabilidade ambiental — além disso, é uma das principais respostas que comunidades, municípios e governos em cidades de todo o mundo estão adotando para enfrentar a crise climática, melhorar a saúde pública, diminuir a segregação social e proteger a biodiversidade. Na prática, corresponde a um sistema interconectado de espaços verdes diversos que sustentam uma variedade de funções e benefícios.
Quantas vezes você mudou as coisas de lugar dentro de casa no ano passado? Quer fosse uma mudança temporária ou definitiva, uma parede repintada, uma luminária nova ou aquele quadro que estava esperando para ser pendurado a séculos. No momento em que muitos de nós fomos forçados (ou convidados) a retroceder para dentro do espaço doméstico, passando a trabalhar desde casa, ficou cada vez mais difícil evitar aquelas pequenas mudanças que a tanto tempo se faziam necessárias. Não foi apenas a drástica mudança em nossas rotinas que nos causaram problemas, na verdade, o espaço no qual vivemos e trabalhamos desempenha um importante papel em como nos sentimos ou nos relacionamos uns com os outros. Portanto, para aqueles que se perguntaram por que algumas pessoas pareciam muito mais tranquilas e serenas durante o início da pandemia, pode ser porque a grama do seu jardim era mais verde que a nossa.
Bridge House / BIO-architects. Image Cortesia de Ivan Ovchinnikov
Metaforicamente, construir pontes equivale a criar novas oportunidades, conexões e caminhos. As primeiras pontes possivelmente tenham surgido de forma natural com a queda de troncos sobre rios ou depressões naturais, e os humanos têm construído estruturas rudimentares para ultrapassar obstáculos desde a pré-história. Os avanços tecnológicos permitiram erigir pontes que são ao mesmo tempo impressionantes e esculturais, desempenhando função chave nas conectividades. Geralmente necessitando vencer grandes vãos, com poucas possibilidades de apoios, estruturá-las não é uma tarefa tão simples. Mas quando, mais que uma ligação entre dois pontos, a ponte é também uma edificação com um programa complexo? Como estas podem ser estruturadas?
Chicago, Estados Unidos. Created by @overview. Source imagery: @nearmap
Com poucos espaços disponíveis no solo e metros quadrados cada vez mais caros, o sentido de crescimento nos grandes centros urbanos passa a ser, frequentemente, o vertical. Em grandes metrópoles, a imagem dos edifícios em altura e a imagem associada à cidade são, muitas vezes, quase indissociáveis, e assim os skylines passam a adquirir uma certa iconicidade que nos remetem imediatamente aos locais em que estão inseridos.
Todos que já construíram alguma coisa; uma maquete, uma casa de passarinho ou um pequeno mobiliário, têm a clara noção da quantidade de coisas que podem sair errado durante o processo. Um parafuso que é impossível de apertar até o fim, uma tábua de madeira empenada, uma desatenção ou um erro de cálculo que podem frustrar os planos de uma hora para outra. Quando transportamos isso para uma escala de uma edificação, com inúmeros processos e diferentes pessoas envolvidas, sabemos o quão complexo uma obra pode se tornar e quantas coisas podem sair do controle, demorando mais tempo e demandando mais recursos para finalizar. E ao falarmos de uma edificação que precisa flutuar, ser completamente autossuficiente e, depois de cumprir sua vida útil, poder ser completamente reutilizada. Você conseguiria imaginar os desafios técnicos de construir algo assim?
Em 1979, Rosalind Krauss publica o clássico artigo A escultura no campo ampliado na revista October, no qual identifica um certo esgarçamento das fronteiras no campo da escultura, “evidenciando como o significado de um termo cultural pode ser ampliado a ponto de incluir quase tudo” [1]. A crítica, particularmente destinada a uma produção artística produzida entre os anos 1960 e 1970, foi utilizada como base 26 anos depois, em 2005, para a publicação de O campo ampliado da arquitetura, de Anthony Vidler.
Você pode se surpreender, mas os dias de compras nas lojas físicas estão longe de acabar - na verdade, eles estão em fase de revitalização, para criar um modelo totalmente novo de experiência e design, de forma a atrair novamente os consumidores para as lojas. A ascensão do e-commerce e a pausa causada pela pandemia COVID-19 serviram como um catalisador perfeito para a criação de um novo modelo de experiência, através de recursos projetuais exclusivos, avanços tecnológicos e customização, que revitalizarão as lojas físicas no futuro.
Na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2016, o curador Alejandro Aravena decidiu reutilizar 100 toneladas de materiais descartados pela Bienal de Arte passada para montar a ambiência de salas das exposições. Mais do que proporcionar uma sobrevida a 10.000 m² de gesso acartonado e 14 km de estruturas metálicas, a iniciativa tinha o intuito de conferir valor, através do desenho, a algo que seria descartado como resíduo. E, principalmente, trazer à luz outra constatação: Como arquitetos, geralmente nos restringimos a pensar nos nossos edifícios durante o projeto, a construção e, quando muito, em como suas partes irão resistir ao tempo. Dificilmente pensamos do que serão deles quando demolidos, no fim de sua vida útil, e isso é algo que, urgentemente, deve entrar no debate.
Fevereiro de 2021 foi um mês histórico para a exploração de Marte. Embora as aproximações ao planeta já estejam em curso há mais de 50 anos — com a primeira espaçonave entrando em órbita em 1971 e o primeiro rover pousando na superfície em 1997 —, esta é a primeira vez que três sondas de diferentes países (China, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos) chegam ao planeta no mesmo mês. Ainda que cada expedição tenha seus próprios objetivos, elas ampliarão as informações disponíveis até o momento sobre o planeta por meio de análises profundas do solo, coleta de amostras e estudos diversos. Além de lançar luz sobre aspectos ainda desconhecidos da história de Marte, estas missões pretendem gerar um avanço substancial que permita, em pouco tempo, enviar naves tripuladas à superfície do planeta — um plano que Elon Musk projeta para 2022.
SPACE10 e EFFEKT Architects. Imagem Cortesia de Space 10- The Ideal City
O mundo está em constante mudança e nossas cidades estão em constante evolução para se adaptar a ele. À medida que nos encontramos imersos em desafios, os especialistas se veem reexaminando as abordagens que a humanidade fez até agora, a fim de estabelecer novas ideias para um amanhã melhor.
"As cidades estão no centro do problema e, portanto, também no centro da solução." O Space 10, um laboratório de pesquisa e design focado nas pessoas e no planeta, acaba de lançar sua última publicação, The Ideal City, em colaboração com a gestalten. Reunindo conhecimentos de todo o mundo, o livro repensa as cidades, investigando como criar espaços que apoiem o bem-estar dos moradores e contribuam para um mundo melhor. Coletando projetos e opiniões de especialistas, ele destaca 5 pilares principais que ajudam a moldar o futuro das cidades.
A geometria é uma linguagem e um portal que permite a transmissão de significados entre o mundo físico e o universo dos desenhos, da abstração e do idioma. Como podemos deixar uma marca nos edifícios que projetamos e construímos através desse portal? Arquitetos/as e teóricos/as como Vitrúvio (Vitruvius), Alberti e Le Corbusier consideravam a geometria a chave para compreender e projetar a arquitetura. Essa perspectiva ainda se aplica hoje? As ferramentas utilizadas por arquitetos/as mudaram; terá mudado também a sua relação com a geometria? Neste vídeo, exploramos por que a geometria é tão importante para a arquitetura, bem como diferentes maneiras de utilizar e representar seus princípios.
Boston City Hall. Imagem Cortesia de Reed Hilderbrand
Certamente têm razão aqueles que dizem que as tendências aparecem tão rapidamente quanto subitamente desaparecem—na moda, na música, na arte e, especialmente, na arquitetura. O brutalismo tornou-se um estilo bastante popular ao longo da primeira metade do século XX, atingindo seu auge na década de 1970 para então cair no esquecimento, à medida que as tendências apontavam para edifícios de linhas puras, formas simples e atemporais. Mas hoje, praticamente meio século depois, o amor pelas superfícies brutas e rugosas do concreto aparente parecem estar ressurgindo com toda força.
“As mudanças estimulam a inovação e por isso, devemos repensar e transformar sempre os nossos espaços de trabalho”, disse Nicole Senior, diretora dos escritórios do Tinder. Mudança, inovação e engajamento no ambiente de trabalho foram alguns dos tópicos abordados em um recente Think Tank que foi ao ar no último dia 17 de dezembro, apresentado pelo Rapt Studio e intitulado “Observando o passado e pensando no futuro: lições para serem aprendidas em 2021”.
Plantas arquitetônicas exigem treinamento para serem lidas, compreendidas e produzidas. Dominar seus códigos abre caminho para a ferramenta mais poderosa de que os/as arquitetos/as dispõem para imaginar e construir novos edifícios. Não se trata apenas de aprender as complexas operações formais e geométricas para produzir esses tipos de desenho, mas também de interrogar as marcas que eles deixam nos edifícios que projetamos. Neste vídeo, o professor de arquitetura e designer, Stewart Hicks, fala sobre os fundamentos das plantas arquitetônicas: de onde vieram, como são feitas e utilizadas, e quais são suas principais capacidades de representação. Utilizando um modelo tridimensional de uma casa simples, ele percorre as etapas de sua transformação em uma projeção em planta, ao mesmo tempo em que discute as implicações de cada etapa e apresenta precedentes que revelam suas sutis implicações.
Talvez as abelhas sejam os insetos que mais despertam fascínio e curiosidade. Com exceção da Antártica, elas são encontradas em todos os continentes, em todos os habitats que contêm plantas com flores polinizadas por insetos. Representações de humanos coletando mel de abelhas selvagens datam de 15.000 anos atrás e, inclusive, potes de mel foram encontrados nas tumbas de faraós do Egito como Tutancâmon. Ainda que geralmente tenhamos uma ideia fixa sobre a aparência das abelhas dos desenhos animados, existem milhares de espécies pelo mundo, com diferentes tamanhos, cores e comportamentos. Há, inclusive, diversos exemplos de abelhas solitárias, muitas sem ferrão e até algumas espécies que sobrevivem saqueando outras colônias mais fracas. Mas algo que tem impressionado pesquisadores é a organização de suas colmeias, que são verdadeiras cidades altamente populosas, com uma eficiência a dar inveja a qualquer planejador urbano.
Existe um grau surpreendente de complexidade, ordem e beleza no mundo natural. Ainda assim, e especialmente no reino dos seres vivos, nada é mais complexo do que o estritamente necessário para sustentar sua existência. Cada aspecto do sistema atende a um propósito. Caso contrário, o componente desnecessário eventualmente deixa de existir nas gerações futuras. Mesmo com essas restrições de eficiência de recursos e energia, encontramos beleza e harmonia ilimitadas no mundo natural. Contraste essa “medida exata de complexidade” da natureza com a forma como muitos/as arquitetos/as projetam edifícios hoje. Enquanto a natureza é apenas tão complexa quanto precisa ser, arquitetos/as e designers adicionam uma complexidade excessiva e supérflua a seus edifícios e paisagens quando nada disso se justifica.
A Gehl acaba de publicar o seu ‘Masterplan Framework with ecology at its heart’, um interessante estudo de caso desenvolvido em Huechuraba, região central do Chile. A equipe composta por David Sim, Esben Neander Kristensen, Alexander Spitzer e Tamara Kalantajevska chama a atenção para a vocação ecológica do plano diretor estratégico desenvolvido em parceira com a empreiteira chilena Tanica.
Não tem como ser um urbanista ou se interessar pelas questões das cidades e ainda não ter ouvido — muito — sobre o movimento “Cidades Inteligentes” (“Smart Cities”). A ideia é que não há nada nas cidades que o uso de dados (especialmente “big data”) ou de tecnologia não resolva. O resultado tem sido uma série de afirmações sobre como é possível solucionar problemas tão desafiadores como habitação, tráfego e desigualdade simplesmente criando modelos mais elaborados com base em big data ou implantando novas formas de tecnologia.
TECLA, Habitat impresso em 3D por WASP e Mario Cucinella Architects. Imagem cortesia de WASP
Este projeto é a mais recente colaboração entre a empresa italiana de impressão 3D Mario Cucinella Architects (MC A) e a WASP. Trata-se da primeira vez que as duas equipes utilizam um material natural e reciclável — a terra crua (solo não processado) — para uma construção impressa em 3D. O domo resultante, batizado de TECLA, está localizado em Massa Lombarda, na província de Ravenna, Itália. A estrutura foi construída a partir do funcionamento simultâneo de várias impressoras 3D ao longo de 200 horas.