Há um futuro para as nossas cidades se não adotarmos um modo de vida sustentável? Há algum tempo, a sustentabilidade urbana vem sendo abordada mais sob a perspectiva das mudanças climáticas do que a partir de uma visão holística que incorpore a sociedade e a maneira como vivemos em comunidade.
Que novas formas de viver estamos experimentando com as diferentes transformações sociais, econômicas e ecológicas? Certamente precisamos colocar em pauta os diversos casos de referência que têm surgido em diferentes partes do mundo e compreender as últimas tendências sobre a maneira como vivenciamos nossas cidades.
Cortesía de Nómena y Cuatro Cero Cuatro Arquitectura
O poder da representação visual na arquitetura permite fomentar o debate e a reflexão sobre diversos temas de discussão. “Imaginários urbanos” é uma iniciativa coletiva da Nómena arquitectura e da Cuatro Cero Cuatro Arquitectura que, por meio de diversas imagens sugestivas, propõe conscientizar e impulsionar uma mudança no desenho das ruas de Lima.
Durante a última década, testemunhamos como a profissão tem se diversificado para atuar em diferentes frentes — seja por curiosidade, mas principalmente devido a fatores econômicos atrelados às crises financeiras e ambientais que nos assolaram nos últimos anos. Acredito que um dos grandes mitos cultivados nas faculdades de arquitetura seja pensar que, ao se formar, toda essa geração se dedicará a construir grandes edifícios. A realidade, porém, é bem diferente: ao longo dos anos, é muito comum que, de acordo com os interesses específicos de cada pessoa, as oportunidades se diversifiquem, integrando-as a outras áreas que compõem a arquitetura de forma integral.
O dia 3 de maio é uma festividade que tem como origem a Invenção da Santa Cruz, Cruz de Maio ou também Festa das Cruzes, que remonta ao rito romano para celebrar o culto à Cruz de Cristo. Essa comemoração evoluiu ao longo do tempo, sendo adotada em cidades do México, Chile, Espanha, Equador, El Salvador, Guatemala, Paraguai, Peru, Trinidad e Tobago, Argentina, Colômbia e Venezuela, onde parte da celebração consiste em decorar com flores, realizar procissões e danças.
Uma das características mais importantes das cidades é a sua inegável capacidade de reunir o talento criativo por meio da multiculturalidade e da transdisciplinaridade. Hoje em dia, torna-se cada vez mais importante gerar espaços e plataformas dentro desses ambientes urbanos que funcionem como laboratórios criativos para compartilhar e, sobretudo, refletir sobre o que está sendo produzido atualmente — não apenas no âmbito do design como um elemento descontextualizado, mas sim como um conceito integral que conjuga diversas disciplinas. Esse pensamento está latente em algumas das cidades mais influentes do mundo, como é o caso da Cidade do México, um dos territórios mais efervescentes e empolgantes da atualidade no que diz respeito ao design, à arquitetura e à gastronomia no cenário global. Na primavera deste ano, como parte de uma iniciativa do SPACE10 — laboratório de design e pesquisa independente da IKEA — para concentrar a energia, a diversidade e o talento criativo, de 26 de março a 9 de abril realizou-se um pop-up na Cidade do México. O evento reuniu cerca de 45 palestrantes em debates, oficinas e exposições que desencadearam diversas reflexões sobre o que constitui o bom design na atualidade. Ao longo de 14 dias dedicados a explorar o tema "Beyond Human-Centered Design" (Para além do design centrado no ser humano), diferentes agentes locais se reuniram para propor soluções criativas que colaborem para a construção de um futuro melhor para o planeta e para os seres humanos. A programação de eventos ocorreu no LOOT, um espaço de galeria localizado no bairro de Roma Norte que ofereceu um percurso estimulante. O local funcionou como uma vitrine temporária para exibir o trabalho de profissionais do design, da tecnologia, das artes, da arquitetura, da academia, do empreendedorismo e do ativismo em painéis diários e palestras magnas, integrados a um programa de exposições, oficinas e experiências gastronômicas imersivas. Dirigido por Kevin Curran, o espaço foi projetado em colaboração com o estúdio criativo multidisciplinar Niños Heroes. Para oferecer maior flexibilidade e fluidez espacial, foram fabricadas mesas curvas modulares inspiradas nos clássicos trilhos de trem de brinquedo de madeira, que desenham linhas práticas tanto para grandes oficinas quanto para jantares intimistas. Nessa plataforma colaborativa, explorou-se como o design e a tecnologia podem ser uma força poderosa para criar uma vida cotidiana melhor tanto para as pessoas quanto para o planeta. Paralelamente, foi apresentado o SPACE10 Radio, um programa de rádio de 10 episódios que reúne as conversas dos diferentes painéis realizados durante o evento, já disponíveis no site do SPACE10, no Apple Podcasts e no Spotify. Para mais informações, acesse SPACE10.
Trata-se de uma instalação móvel que adquire a capacidade de adaptação a fim de alcançar o parasitismo estrutural, fazendo-nos refletir sobre como ocupar os lugares inertes e ocultos que fazem parte das cidades.
O coletivo artístico de trajetória internacional _marina_morón (formado pelo Doutor em História Jesús Marina e pela Doutora Arquiteta Elena Morón) inaugurou seu último trabalho no Pabellón de Mixtos de La Ciudadela, na cidade de Pamplona. A mostra é patrocinada pelo Colégio de Arquitetos Vasco-Navarro e pela Prefeitura de Pamplona, e permanecerá aberta ao público até 15 de março de 2022.
Palacio de Puruchuco. Image Cortesía de Norma León Lescano
O Peru é um país que conta com um extenso, rico e transcendente patrimônio arqueológico. Lamentavelmente, o passar dos anos trouxe consigo uma acentuada deterioração. Os autores Norma León Lescano, Yann Barnet e Alvaro Racchumi expõem, por meio de seu artigo “Captura de datos 3D para virtualizar el patrimonio cultural”, o método que utilizaram para obter em três dimensões uma réplica do Palácio de Puruchuco. Desse modo, busca-se fornecer as informações necessárias que sirvam de guia para promover o processo de virtualização do maravilhoso patrimônio cultural, proporcionando maior alcance, valorização e conservação do mesmo.
As obras arquitetônicas de todo o mundo são a principal inspiração de Erika Moreno, criadora do HUAJJE, um projeto de ilustração digital. O projeto nasceu em 2019, um ano após Erika concluir sua graduação em arquitetura em Tijuana. “O projeto nasceu de forma acidental; o único objetivo de fazer esses desenhos era aprender a usar mais ferramentas do Photoshop, era um desafio pessoal”. Com o objetivo de documentar seu processo, ela decidiu abrir uma conta no Instagram, onde se formou uma comunidade bastante orgânica que compartilha e apoia seu trabalho. Isso a encorajou a superar seus medos e, inclusive, a ministrar oficinas sobre o tema em diferentes formatos.
Cada vez mais disciplinas se preocupam com o direito à moradia. Seja no campo da arquitetura, do direito, da economia, do urbanismo, da geografia ou da ciência política, diferentes pessoas buscam identificar os obstáculos para sua efetivação, sobretudo em ambientes urbanos cada vez mais hostis. No entanto, embora todos falemos sobre o direito à moradia, não estamos falando da mesma coisa.
A designer de interiores e artista mexicana, Olga Hanono, foi convidada a apresentar sua mais recente exposição, DREAMVILLE, na La Biennale di Venezia Modigliani Opera Vision, de 1º de maio a 31 de julho de 2022. A coleção é inspirada na capacidade humana de sonhar, refletindo sobre os objetos imaginários que poderiam existir em um espaço onírico, juntamente com a variedade de cores e formas encontradas em estrelas, planetas e galáxias distantes. Hanono criou peças de arte e mobiliário utilizando materiais luxuosos não convencionais.
Tanto arquitetos/as e designers quanto psicólogos/as e sociólogos/as reconhecem que a estética e sua filosofia subjacente têm o poder de mudar a forma como percebemos o mundo ao nosso redor. Portanto, uma compreensão mais profunda do que é belo tem, consequentemente, o grande poder de mudar as respostas das pessoas ao seu entorno. Explorar os diferentes significados da estética na arquitetura, desde 'a forma segue a função' até a nova estética do metaverso, pode nos ajudar a compreender as potencialidades de nossos ambientes físicos e virtuais no caminho rumo a um mundo melhor.
Muito já se escreveu sobre o assunto, desde 'Lo bello y lo justo en la arquitectura' de Alberto Pérez-Gómez até ‘El fracaso de lo bello’ de Pablo Caldera. No entanto, quisemos abrir o debate a leitores e leitoras para que compartilhassem suas visões sobre o que torna um edifício ou uma cidade belos.
Após ler e compilar cerca de 300 comentários recebidos, tanto de profissionais da construção civil quanto de estudantes e entusiastas da arquitetura, foi uma grande surpresa encontrar pontos em comum sobre a importância da beleza coletiva, fazendo referência tanto ao contexto urbano quanto ao natural.
De 11 de abril a 30 de junho, acontece o Young Architects Festival (Festival de Arquitetura Jovem) desenvolvido pela Constructo no Parque e Museu Ruinas de Huanchaca em Antofagasta, Chile. Um espaço onde o escritório siglo22 arquitectos realizou uma instalação arquitetônica imersiva, ativada por diferentes eventos, entre os quais estão um ciclo de palestras internacionais e uma exposição com acesso gratuito ao público.
Abordando temáticas que envolvem a memória, o esquecimento e o gênero, a artista plástica e muralista argentina Mariela Ajras leva sua arte às paredes de diversas cidades do mundo, como Barcelona, Valencia, Salamanca, Cidade do México, Bogotá, Montevidéu, Buenos Aires, entre tantas outras. Com formação em psicologia, ela já participou de diversos festivais de arte urbana, exposições, feiras e projetos de arte pública, sendo um dos maiores murais da Cidade de Buenos Aires aquele que desenvolveu para o projeto “Corredor de la Memoria”, em comemoração aos 25 anos do atentado à AMIA.
A seleção desta semana dos melhores projetos de Arquitetura Não Construída destaca propostas conceituais, propostas de concursos e projetos em diferentes fases de desenvolvimento enviados pela comunidade do ArchDaily. De uma vila feita de resíduos de cacau impressos em 3D para um fabricante de chocolate no Equador à transformação de um shopping center em Ontário em um bairro sustentável e voltado para pedestres, passando pela reforma e readequação de conjuntos habitacionais brutalistas em Londres, as propostas a seguir ilustram uma ampla gama de abordagens projetuais que moldam o ambiente construído.
A seleção de projetos não construídos desta semana destaca intervenções globais que abordam uma série de temas altamente relevantes, como construção circular, adoção de materiais sustentáveis, biodiversidade, requalificação urbana de infraestruturas obsoletas, reuso adaptativo e a reavaliação do patrimônio edificado existente.
Gibsons Elementary, Gibsons, BC. KMBR Architects Planners Inc. Crédito da foto: Ed White Photographics. Imagem cortesia de naturallywood.com
Como o design escolar influencia o processo de ensino e aprendizagem? Compreender as tendências e metodologias atuais de design educacional é fundamental para projetar espaços saudáveis para que estudantes desenvolvam suas capacidades sociais e acadêmicas.
Ao analisar a evolução do projeto de escolas ao longo do tempo, percebe-se que cada período apresenta seus próprios desafios e preferências. Hoje, o principal desafio no design escolar é criar espaços capazes de integrar ambientes de aprendizagem abertos que incorporem a diversidade de espaços de ensino, a interação social e a sustentabilidade.
O setor da arquitetura parece estar constantemente em busca de novos materiais e metodologias que incorporem melhor a sustentabilidade. Um material que resistiu ao teste do tempo, ao mesmo tempo em que encontrou espaço para a inovação, é a madeira. Nesse contexto, a Colúmbia Britânica (Canadá) se destaca como uma das maiores exportadoras mundiais de produtos de madeira e tem aplicado com sucesso uma série de estratégias para maximizar seu uso no design sustentável. Um exemplo notável, que será explorado neste artigo, é o uso da madeira em escolas.
A audição – um dos cinco sentidos do corpo humano – possibilita nossa interação com o som, um fator crucial para a comunicação diária e muito mais. É comum ouvirmos que um determinado lugar é barulhento, mas qual é exatamente a definição de barulho? Caracterizados por situações com sons indesejados que interferem nas atividades cotidianas, os ambientes ruidosos também têm o potencial de afetar negativamente o desenvolvimento da sociedade.
O som é medido em decibéis (dB), e o ser humano é capaz de suportar um nível médio máximo de ruído de 85 dB sem correr o risco de sofrer danos auditivos. Enquanto uma conversa costuma flutuar entre 60 e 70 dB, de acordo com a Federal Occupational Safety and Health Administration (Administração Federal de Segurança e Saúde Ocupacional dos EUA), profissionais em um canteiro de obras ficam expostos a uma média de 90 dB durante períodos de oito horas.
A Acoustical Surfaces, empresa especializada em controle de ruído, desenvolveu um guia de produtos para minimizar a transmissão de som, promovendo, assim, estilos de vida mais saudáveis.
A imensidão da China resulta em uma grande diversidade de costumes e condições climáticas. Cada região possui seus próprios materiais, métodos construtivos e medidas de adaptação climática. As características regionais da arquitetura chinesa são, em geral, preservadas nas edificações rurais. No entanto, não se pode desconsiderar como a tecnologia contemporânea pode melhorar consideravelmente as condições de vida e de uso dessas construções rurais. Qual é a melhor maneira de equilibrar as tecnologias tradicionais ou inerentes a esses locais com as novas? De que forma a arquitetura rural poderia inspirar o desenvolvimento de símbolos culturais na arquitetura chinesa?
O vencedor do Prêmio Pritzker de Arquitetura de 2022, Diébédo Francis Kéré, apresentou as excelentes soluções desenvolvidas em Burkina Faso. Kéré preconiza a construção de edifícios confortáveis a preços acessíveis, com o objetivo de proporcionar bem-estar a quem os utiliza e inspirar essas pessoas a sonharem com uma vida melhor. O orgulho pela cultura local é fortalecido pelo uso de materiais regionais e técnicas tradicionais. Assim, as obras de Kéré em outros países exibem emblemas culturais de Burkina Faso, que resultam de sua própria bagagem cultural.
A exposição Constant Future: A Century of the Regional Plan, em cartaz em outubro no Vanderbilt Hall, no Grand Central Terminal, é uma exibição sucinta, mas fascinante, de sonhos cívicos extraídos do imaginário da Regional Plan Association (RPA), uma organização independente sem fins lucrativos que realiza pesquisas sobre meio ambiente, uso da terra e boa governança com o intuito de promover ideias que melhorem a saúde econômica, a resiliência ambiental e a qualidade de vida na região metropolitana de Nova York. A ocasião celebra o centenário da instituição, e a mostra testemunha seu papel fundamental no desenvolvimento da região triestatal. Embora nem todas as suas propostas tenham sido acertadas, a cidade tem uma dívida de gratidão com a visão de longo prazo do grupo.
A oportunidade de reimaginar um terreno de 1,8 hectare (4,5 acres) em uma grande cidade norte-americana, contendo tanto edifícios históricos a serem preservados quanto lotes destinados ao desenvolvimento, é rara. Para a equipe por trás do 5M, um projeto em um ponto de articulação no centro de San Francisco, essa perspectiva trouxe um potencial empolgante de engajamento com todos os aspectos de desenvolvimento comunitário e placemaking. Concluído pelo SITELAB, KPF e diversos outros escritórios, o 5M revela uma área central transformada e de uso misto após um processo de uma década.
O arquiteto de Boston Brian Healy passou por diversas cidades no início de sua carreira antes de se estabelecer e construir na Nova Inglaterra. Ele manteve estúdios na Flórida, Califórnia e Nova York, até finalmente abrir seu escritório em Boston. Healy obteve seu bacharelado em arquitetura na Pennsylvania State University em 1978 e continuou seus estudos em Yale, onde teve contato com professores influentes como James Stirling, Vincent Scully, John Hejduk, Aldo Rossi e Cesar Pelli, entre outros.
Graduou-se com o título de mestre em arquitetura em 1981 e, em seguida, utilizou bolsas de viagem de Yale, do Van Allen Institute e da American Academy in Rome para viajar pelo mundo por um ano, explorando ruínas antigas na Irlanda, Itália, Grécia, Sudão, Egito, Índia, Nepal e Tailândia. Antes da viagem, havia trabalhado nos escritórios de Charles Moore e Cesar Pelli. Ao retornar, projetou e construiu residências na Flórida antes de colaborar com Richard Meier em Nova York. Em 1985, fundou o escritório Brian Healy Architects. Paralelamente, lecionou em mais de vinte universidades na América do Norte, incluindo Yale, Harvard, MIT e a University of Pennsylvania. Healy foi presidente da Boston Society of Architects em 2004 e, de 2011 a 2014, atuou como diretor de design na Perkins + Will.
O termo "alto desempenho" pode evocar diferentes imagens, que variam de um/a estudante brilhante a um/a violinista virtuoso/a ou a um/a funcionário/a dedicado/a. Por mais diversos que sejam, esses indivíduos de "alto desempenho" compartilham atributos comuns. Destacando-se dos demais, eles superam expectativas e geram valor agregado por meio de sua atuação. Entregam os melhores resultados possíveis dentro de suas limitações, garantindo a qualidade em todo o processo. Acima de tudo, mantêm a consistência em seus resultados e utilizam sua excelência para influenciar positivamente suas próprias vidas e as daqueles que os cercam.
Sem as amarras dos dogmas de escritórios estabelecidos, novos escritórios de arquitetura frequentemente desafiam as normas construtivas e redefinem os padrões de habitação. O Young European Architecture Festival (YEAH!) é um evento dedicado a destacar essas práticas novas e emergentes, trazendo suas contribuições para o ambiente construído ao centro das atenções. Muitas dessas abordagens desafiam e redefinem as tipologias da arquitetura residencial, baseando-se em conceitos como cooperativas habitacionais, empreendimentos de iniciativa comunitária e economia circular. Outras exploram identidades e recursos locais como forma de revigorar a profissão, criando obras de arquitetura respeitosas e regionalmente relevantes.