Jacob K. Javits Convention Center em New York City, Abril, 2020. New York National Guard. (U.S. Air National Guard foto por Major Patrick Cordova)
A cidade sempre foi um palco de transformações. Mudam-se os direcionamentos, os fluxos, as formas como as pessoas se apropriam dos espaços, alteram-se os desejos, surgem novas demandas, novos lugares. Tal abundância, ao mesmo tempo em que permite um caráter inovador e mutável à cidade, tende também a exigir da arquitetura uma flexibilidade programática e estrutural. No último ano, especialmente, pudemos acompanhar – em vertiginosa velocidade – grandes mudanças nas cidades e nos seus espaços. A pandemia trouxe consigo novos paradigmas, desestruturando repentinamente ordens há muito estabelecidas. As casas viraram escritórios, os escritórios viraram desertos, hotéis deram lugares a leitos médicos e estádios se transformaram em hospitais. A arquitetura, em meio a tudo isso, teve de mostrar sua flexibilidade abrigando usos que antes eram inimagináveis. Uma adaptabilidade que parece ser cada vez mais a chave para a criação de espaços coerentes com o modo (e a velocidade) como vivemos.
Por necessidade, edifícios mudam de uso ao longo do tempo. Igrejas passam a ser bibliotecas, armazéns abandonados são transformados em centros culturais. Embora muito tenha sido escrito sobre o assunto, desde o conceito de open building de N. John Habraken nos anos 70, há, hoje, um interessante debate global sobre isso em curso. É necessário ter tantos metros quadrados dedicados a escritórios quando, com a pandemia, percebemos que muito do trabalho pode ser feito remotamente?
O relatório de 2021 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) deixou muitos de nós questionando se o mundo pode de fato manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C, o limite que os cientistas consideram seguro para evitar os impactos mais perigosos das mudanças climáticas. Uma nova pesquisa do WRI e da Climate Analytics mostra que os países do G20, que respondem por cerca de 75% das emissões globais de gases de efeito estufa, podem conduzir o mundo em direção a essa meta – se aumentarem consideravelmente sua ambição.
https://www.archdaily.com.br/pt/969689/acao-climatica-ambiciosa-dos-paises-do-g20-pode-limitar-o-aquecimento-global-a-17-degrees-cJamal Srouji, Taryn Fransen e David Waskow
Um dos teóricos mais importantes do século XX, o educador brasileiro Paulo Freire faria 100 anos em 19 de setembro de 2021, não fosse seu falecimento em 1997. Um mês depois, o Brasil comemora o Dia dos Professores no dia 15 de outubro, ao mesmo tempo em que a educação pública enfrenta cortes massivos no orçamento federal, dando continuidade a um antigo processo de sucateamento do ensino brasileiro. Dentro desse contexto, Freire se tornou um dos teóricos mais lidos e citados no mundo na área das humanas. Apesar do reconhecimento mundial, sua teoria ainda não foi totalmente incorporada à bibliografia da arquitetura e urbanismo. Propomos aqui uma breve reflexão sobre como as práticas da arquitetura podem visitar a teoria de Paulo Freire.
O planejamento urbano e a maneira como o espaço construído afeta a vida cotidiana de seus habitantes são dois elementos que não podem ser considerados separadamente ao analisar a qualidade de vida em uma determinada cidade. Estratégias de planejamento urbano incluem a construção de moradias acessíveis, instalações e serviços públicos, sistemas de mobilidade, áreas verdes etc. Ainda assim, gerir uma cidade não é tarefa fácil, e muitos dos motivos pelos quais as cidades de hoje estão se tornando cada vez mais caras, densas e desiguais, têm a ver com regras de zoneamento desatualizadas e pouco flexíveis, as quais, consequentemente, não facilitam em nada o acesso à moradia digna e o direito à cidade de forma equitativa a todos os seus habitantes.
Localizado na Av. Leandro N. Alem, 852, na Cidade Autônoma de Buenos Aires, o Mercado de los Carruajes abrigava a “Cochera Garaje Presidencial” e funcionava como local de guarda e manutenção de carruagens. Com o passar do tempo, o edifício passou a ser utilizado para a frota de veículos da Presidência da Nação. Após uma série de intervenções e ampliações, desde 2017 o edifício de patrimônio histórico começou seu processo de reconversão, encontrando-se atualmente finalizado e em fase de acabamentos. Uma proposta de mercado gourmet com boxes de alimentação, venda de produtos, lojas comerciais e um terraço para eventos ainda aguarda ansiosamente sua inauguração, que foi adiada devido à pandemia.
A responsabilidade perante o uso e consumo de recursos naturais e os impactos da construção civil tem sido uma pauta constante nas discussões do campo da arquitetura e do urbanismo. Se no passado as ideias de “tábulas rasas”, demolições em massa e novas construções eram aceitas e incentivadas, hoje em dia parece haver uma transformação no cenário, no qual se faz necessária a discussão sobre reutilização, reuso adaptativo e reformas, partindo e utilizando daquilo que é existente. Neste texto propomos um olhar atento à como grandes arquitetos interagem com construções pré-existentes em seus projetos, a partir da análise de alguns casos.
Cortesía de Ministerio de las Culturas, las Artes y el Patrimonio
O projeto de reconversão das ruínas dos antigos galpões da Estação Ferroviária de Chillán, liderado pelos arquitetos Cristóbal Tirado e Alberto Moletto, foi escolhido pelo júri como a proposta vencedora do concurso de anteprojetos de arquitetura convocado pela Diretoria de Arquitetura do Ministério de Obras Públicas, sob encomenda do Ministério das Culturas, das Artes e do Patrimônio. A convocatória, que tinha como objetivo reabilitar essa infraestrutura e transformá-la em um espaço para a cultura e as artes, resultou na definição do programa e da fisionomia geral do futuro Museu Regional de Ñuble. Além de contribuir para a consolidação da identidade do patrimônio regional, o projeto busca colaborar tanto para a regeneração urbana da cidade de Chillán quanto do setor e do futuro Parque Intercomunal Ultraestación, cujas infraestruturas industriais fazem parte do legado arquitetônico da modernidade. A Secretaria de Estado destacou na proposta vencedora a sua capacidade de “dar vida a este espaço emblemático para a cidade e, ao mesmo tempo, iniciar aqui um novo marco urbano para Chillán”.
Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo buscava um recomeço e a população dos Estados Unidos, o lugar certo para viver o sonho americano. Passando por um amplo processo de desenvolvimento e crescimento populacional, porém com um estoque habitacional insuficiente, soluções rápidas e eficientes tiveram que ser inventadas da noite para o dia para poder suprir a paulatina demanda por moradia. Neste sentido, o surgimento de novas técnicas de construção e a popularização de materiais de construção industriais e pré-fabricados pareciam abrir caminho para um novo futuro mais digno e equitativo para todos.
https://www.archdaily.com.br/pt/969639/a-evolucao-da-planta-residencial-nos-eua-o-periodo-pos-guerraAgustina Coulleri, Hana Abdel & Clara Ott
Concurso como Prática: A Presença da Arquitetura Paranaense é o título do documentário que integra uma exposição homônima em cartaz no Museu Oscar Niemeyer (MON) até o dia 12 de dezembro. Disponível no YouTube, o longa metragem produzido e dirigido pelos arquitetos Isabela Maria Fiori e Luiz Gustavo Singeski, em coautoria com Felipe Santos Gomes, expõe um amplo panorama da participação e premiações de equipes do Paraná em concursos de arquitetura.
Criado na paisagem costeira e ondulada do condado de Dorset, no oeste da Inglaterra, Fred Rigby encontrou na natureza a inspiração que moldaria sua assinatura projetual. Seu trabalho se caracteriza por formas orgânicas, simbolismos naturais e materiais táteis, estabelecendo uma forte conexão com o meio ambiente nos espaços internos. Em resposta às demandas do trabalho remoto decorrentes da pandemia, a fabricante nórdica de mobiliário de alto padrão MENU colaborou com Rigby no desenvolvimento de uma nova linha de móveis para escritório. O objetivo da coleção é trazer o calor, a suavidade e a naturalidade característicos de suas criações para atenuar as ansiedades do cotidiano contemporâneo.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130586/mesa-sem-arestas-marca-de-mobiliario-nordico-menu-x-o-designer-de-interiores-fred-rigby韩爽 - HAN Shuang
Na Architects, not Architecture, acreditamos ser seguro dizer que quase todas as pessoas que estudaram arquitetura nos últimos 50 anos já se depararam com o Salk Institute, projetado pelo arquiteto Louis Kahn. Embora isso nem sempre se reflita em suas obras, nossos/as palestrantes compartilharam histórias pessoais sobre como essa joia modernista, construída em 1963, desempenhou um papel em suas vidas. E, como acabamos de iniciar nossa segunda Virtual World Tour em 13 de outubro de 2021, pensamos em compartilhar algumas dessas histórias de eventos anteriores.
https://www.archdaily.com.br/pt/1131130/como-o-instituto-salk-de-louis-kahn-influenciou-uma-geracao-de-arquitetos-asAbhinav Thakar / Architects, not Architecture
Hoje, a arquitetura se tornou — ou está se tornando — mais flexível e individualista, para acomodar os diversos estilos de vida, e necessidades espaciais das pessoas. Com esta adaptação, a tipologia residencial mudou, e as salas de estar correm perigo. Muitos insistem na necessidade de ter um espaço dedicado ao relaxamento e ao lazer, enquanto outros afirmam ser simplesmente um desperdício de espaço e dinheiro. Este debate levantou uma questão importante: ainda precisamos de salas de estar? Neste enfoque, veremos como as salas de estar evoluíram ao longo dos anos, e como os arquitetos readaptaram e integraram o conceito de "espaço de encontro" na arquitetura residencial contemporânea.
A cidade de Puebla – localizada no planalto central do México –, é conhecida sobretudo pelo traçado de suas ruas e por sua arquitetura predominantemente barroca. Declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1987, a cidade abriga uma dinâmica cultural de amplo espectro centrada na preservação do patrimônio edificado e em sua apreciação à distância, como se fosse uma obra de arte em um museu. Dessa forma, em nossos trajetos cotidianos, percebemos a monumentalidade de suas fachadas, enquanto passa despercebido, na maioria das vezes, que por trás dos grandes portões de madeira esconde-se o que chamamos de “o coração da casa poblana”.
As maquetes são úteis para arquitetos/as em diversas etapas, desde as fases iniciais do projeto até a divulgação de um edifício após sua conclusão. No entanto, o que há nas maquetes que as torna uma ferramenta tão importante e poderosa? E de que maneira diferentes escritórios de arquitetura as incorporam em seus processos de projeto singulares? Este vídeo explora essas questões analisando três escritórios: Morphosis, MVRDV e Herzog & de Meuron. Frequentemente, as empresas contam com oficinas de maquetes e equipes dedicadas a essa produção, responsáveis por tudo, desde as primeiras decisões de projeto até apresentações cruciais para clientes e, inclusive, o marketing do edifício. Ouvimos os profissionais que trabalham nessas oficinas e analisamos como os três escritórios estudados abordam as maquetes de forma única.
Dona Dalva, com sua casa na Vila Matilde, definitivamente ajudou a colocar o quarteto formado pelos arquitetos Danilo Terra, Pedro Tuma, Fernanda Sakano e Juliana Terra, no roteiro arquitetônico nacional e internacional. Com soluções simples e inteligentes, o projeto em questão acumulou seis prêmios, entre nacionais e internacionais, fazendo com que os paulistas do Terra e Tuma conquistassem espaço nas mídias apresentando um modelo de boa arquitetura acessível para classes sociais menos favorecidas. Entretanto, apesar da grande repercussão, os trabalhos do escritório nunca se restringiram a apenas um tipo de cliente e de solução, o que pode ser visto no vasto portfólio construído ao longo dos seus quase 15 anos de jornada.
A crise climática está levando profissionais da arquitetura a incorporar a energia solar como parte integrante do projeto, desde o início do processo de desenvolvimento. Isso tem impulsionado as empresas a desenvolver novos produtos que vão além dos painéis fotovoltaicos convencionais, instalados sobre telhados ou estruturas de suporte adicionais.
Sob o tema 'The Greater Number', a Dutch Design Week (DDW) está de volta às ruas de Eindhoven, na Holanda. Para a edição deste ano, que ficará aberta ao público entre os dias 14 e 24 de outubro, o maior evento de design do Norte da Europa nos convida a refletir sobre a noção de menos consumo, menos produção e menos desperdício. Ciente do enorme desafio que isso significa, a Semana Holandesa de Design procura incentivar e promover o desenvolvimento do design sustentável.
Buscando encorajar os consumidores e fabricantes a repensarem seus comportamentos, a Dutch Design Week organizou uma série de palestras, debates e exposições, das quais o ArchDaily selecionou 8 intervenções relevantes que se aproximam do campo da arquitetura. Destacando as principais ideias para um futuro mais sustentável no design e na arquitetura, esta lista nos mostra a profunda preocupação da Dutch Design Week para com o futuro das cidades, ao mesmo tempo em que procura refletir sobre as contribuições de distintas iniciativas ao redor do mundo.
Ao projetar um espaço arquitetônico, é necessário pensar em como satisfazer as necessidades de cada uma das pessoas que o utilizam, buscando alcançar um nível adequado de conforto e uma experiência agradável. Auditorórios, cinemas e teatros são espaços que envolvem grandes públicos; por isso, deve-se prestar atenção especial a fatores como a isóptica, a acústica e a acessibilidade, para que, ao presenciar um evento, todas as pessoas sejam capazes de receber a mesma informação.
Após mais de uma década selecionando a melhor arquitetura, no ArchDaily sabemos que ninguém constrói de forma isolada. Dar forma ao nosso ambiente construído exige colaborações estreitas e parcerias entre arquitetos/as, designers e centenas de outros/as profissionais comprometidos/as com cada projeto. Por isso, é hora de reconhecer e destacar os/as melhores colaboradores/as responsáveis por viabilizar a melhor arquitetura, ao mesmo tempo em que continuamos a compartilhar conhecimento valioso relacionado às diferentes disciplinas de nossa comunidade.
O ArchDaily Professionals é uma iniciativa voltada a todos/as os/as colaboradores/as envolvidos/as no processo de arquitetura e construção que participaram e foram creditados/as nos projetos selecionados por nossa curadoria.
Na Metropolis esta semana, a autora Annie Howard explora a Bienal de Arquitetura de Chicago, aberta ao público no dia 17 de setembro com a apresentação de 15 intervenções site-specific. Ao argumentar que "uma visita aos Silos Damen e a celebração do Wall of Respect revelam uma bienal que se esforça para alcançar um engajamento de longo prazo com a cidade que chama de lar", a editora questiona quanto trabalho ainda é necessário para tornar a cidade plenamente utilizável por seus habitantes.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130852/entendendo-a-cidade-disponivel-na-bienal-de-arquitetura-de-chicagoAnnie Howard
Reformar um espaço para fins gastronômicos pode ser um dos desafios mais interessantes para um/a arquiteto/a, devido à liberdade projetual que costuma caracterizar esses projetos. Isso nos permite brincar com revestimentos, iluminação e mobiliário para criar espaços únicos que sejam atraentes e funcionais, tanto para a equipe do restaurante quanto para os clientes.
Mergulhamos em nossa biblioteca de projetos para selecionar 5 restaurantes que aproveitaram o processo de reforma e suas complexidades para criar espaços singulares, apresentados pela ICEX e Interiors from Spain.
Com o tema “The Greater Number” (O Número Maior), a Dutch Design Week (DDW) aconteceu de forma presencial entre os dias 16 e 24 de outubro de 2021 em Eindhoven, nos Países Baixos. O maior evento de design do norte da Europa retornou com o propósito de promover conceitos como menor consumo, menor produção e menos desperdício. Diante da consciência de que isso nem sempre é viável, exige-se também mais sustentabilidade e valor do design.
Em um esforço para transformar o comportamento de consumo e de produção, a Dutch Design Week organizou palestras, debates e exposições, das quais o ArchDaily selecionou oito intervenções relacionadas à arquitetura para destacar. Esta lista evidencia ideias que podem moldar um futuro positivo, concentrando-se principalmente nas cidades do amanhã, além de abordar conceitos como adaptação à realidade, vida conectada, experiências interativas e o design social.
Em busca de composições que fujam do óbvio, voltar os olhos para soluções tradicionais e as traduzir de forma contemporânea tem sido um processo visível em diversos projetos. Nesse sentido, os pisos de pedras rústicas - Arenito, Pedras Goiás, São Tomé, etc - têm ganhado cada vez mais destaque nas arquiteturas residenciais. Se antes eram voltados apenas para a área externa, como o uso do "lajão", agora também estão presentes em espaços fechados, tornando-se um elemento que rompe com a rigidez de traçados retilíneos e, em alguns casos, colabora com a meta de diversas arquiteturas: a conexão interior-exterior.