Entre senhora e arquiteta, Lina Bo Bardi aparece nas páginas da revista O Cruzeiro, tanto nas colunas femininas por seu risoto à milanesa, como nas matérias sobre cultura como a arquiteta do MASP (Museu de Arte Moderna de São Paulo). Publicada semanalmente pelos Diários Associados de Assis Chateaubriand, O Cruzeiro dispunha de notoriedade e circulação no âmbito nacional e, apesar de direcionada para donas de casa das classes mais altas, apresentava um conteúdo bem amplo, abrangendo matérias de moda, cultura, cinema, política, além de “secções (sic) de aconselhamento feminino”.
A arquiteta Mariam Kamara - fundadora do escritório Atelier Masōmī, sediado em Niamey, no Níger - é contrária à pedagogia do design como a que é amplamente praticada hoje. Para Kamara, moderno não é sinônimo de formas europeias, arquitetura não é apenas para os ocidentais, e o chamado cânone dos grandes edifícios na verdade ignora a maior parte do mundo construído. O escritório de rápido crescimento da arquiteta sediada no Níger influenciou uma série de palestras que ela deu recentemente no MIT, na Columbia University GSAPP, no African Futures Institute em Gana e em Harvard GSD.
Assim como hospitais e consultórios médicos, clínicas odontológicas são locais que costumam trazer ansiedade e angústia aos pacientes, reações que podem ser intensificadas em um ambiente pouco amigável e acolhedor. Ambientes brancos e neutros podem trazer consigo a noção de assepsia e higiene, requisitos essenciais para a arquitetura hospitalar. Porém, a falta de elementos mais acolhedores, como o uso de cores e materiais mais quentes, também pode ser responsável por causar certo distanciamento entre os profissionais e os pacientes, além de reforçar os estereótipos atribuídos às clínicas odontológicas.
Um dos grandes teóricos da arquitetura, cidade e natureza faleceu recentemente, dia 17 de março de 2022, aos 85 anos. Nascido em Viena em 4 de outubro de 1936, Christopher Alexander viveu uma longa vida de contribuições e singularidades, com proposições visionárias sobre cidades e, ao mesmo tempo, subversivas ao mainstream da prática arquitetural.
https://www.archdaily.com.br/pt/981171/christopher-alexander-o-legado-de-um-urbanista-visionarioVinicius M. Netto
Agora que os efeitos das mudanças climáticas já são visíveis e indiscutíveis, os consumidores estão mais conscientes do que nunca. De fato, como sugere um estudo das Nações Unidas 2021, 85% revelam que a sustentabilidade desempenha um papel fundamental ao tomar suas decisões de compra, motivando empresas e fabricantes a responderem de acordo. Isso explica a crescente demanda por veículos elétricos e produtos feitos de materiais renováveis ou recicláveis. No entanto, a arquitetura - e especialmente a moradia tradicional - parece estar vários passos atrás em comparação com outras indústrias. Embora existam inúmeros esforços para avançar em direção a um ambiente mais verde, a maneira como a maioria dos edifícios é feita hoje continua desatualizada, criando enormes quantidades de desperdício e contribuindo significativamente para a pegada global de carbono.
A gentrificação é o processo onde os imóveis se tornam mais desejados e, portanto, mais caros. Os preços crescentes afastam os moradores mais antigos, substituindo-os por de renda mais alta. Isso não deve ser confundido com a remoção forçada de cidadãos por meio de desapropriações ou remoções forçadas. Expulsar moradores por decreto oficial é um problema diferente.
https://www.archdaily.com.br/pt/981523/filtragem-a-gentrificacao-ao-contrarioAnthony Ling e Jeff Andrade-Fong
Ela é uma forma arquitetônica onipresente. Uma tipologia que atravessa séculos e fronteiras, um marco em todas as culturas. A tenda. Na sua forma mais simples – é um abrigo, um material colocado sobre uma armação de madeira. É uma linguagem arquitetônica que está intrinsecamente ligada à vida nômade. Yurts, por exemplo, funciona como uma moradia facilmente portátil para os povos cazaque e quirguiz. Ao mesmo tempo, as tendas provaram ser um precedente estilístico popular para os arquitetos, sendo as estruturas leves do arquiteto alemão Frei Paul Otto um exemplo disso. A tenda é uma linguagem arquitetônica complicada – que atravessa a linha entre o temporário e o permanente, e que também funciona como um símbolo de riqueza e um símbolo de escassez.
"La Curutchet habitada" é o título de um livro de próxima publicação que registra uma pesquisa desenvolvida pelo Departamento de Arquitetura de Interiores e Mobiliário do Instituto de Projeto da FADU-Udelar, Uruguai, da qual compartilhamos uma breve prévia publicada originalmente na revista Summa+ 189 em dezembro de 2021.
Criar uma vitrine é mais do que expor produtos, assim como pensar uma loja vai além de um mostruário. Ambos encargos reforçam o conceito de uma coleção, atraem clientes e aprimoram a imagem de uma marca. Não à toa, muitos arquitetos trabalham na área de Visual Merchandising junto de designers gráficos e de interiores, lojistas e estilistas, para conceber uma experiência espacial que gera uma narrativa única e traga um maior engajamento da clientela na loja.
É fato conhecido que a indústria da construção civil está entre os maiores produtores de CO2. Embora muito progresso tenha sido feito em tecnologia e em processos de projeto e construção, ainda há um longo caminho a percorrer para minimizar ou quase zerar as emissões de carbono no desenvolvimento de ambientes construídos.
Quinta Monroy / ELEMENTAL. Image Courtesy of ELEMENTAL
No Novo México, os canais de irrigação que estão em operação contínua há três séculos abastecem e nutrem as terras úmidas do sudoeste americano. Esses canais são conhecidos como Acequias – sistemas de água gerenciados comunitariamente construídos com base na tradição democrática. Os membros da comunidade são proprietários dos direitos sobre a água, que elegem uma equipe de três pessoas para supervisionar os canais. No Cairo e em Barcelona, a Praça Tahrir e a Plaza de Catalunya atuaram como locais importantes para expressar insatisfação política. Os protestos na Praça Tahrir em 2011, por exemplo, resultaram na queda de um governo de quase 30 anos.
É possível rastrear as origens do brutalismo no Reino Unido da década de 1950, durante o período pós-guerra. Contudo, não existem registros claros de seus limites ou marcos teóricos iniciais. Apesar disso, há um amplo consenso de que a corrente buscou sustentar a sinceridade construtiva como valor principal e de que teve, na execução da Unidade de Habitação de Marselha (1952) de Le Corbusier, um ponto de inflexão para sua difusão global (Casado, 2019). Para autores como Banham (1966) ou Collins (1977), a sinceridade construtiva nos edifícios brutalistas refere-se não apenas a critérios materiais ou técnicos, mas também morais, políticos ou éticos. Essas variáveis, em nações como o Peru, foram fundamentais e edificaram uma estética ao mesmo tempo que se tentava, a partir e por meio da arquitetura, construir uma ideia de país. Este ensaio busca ser uma aproximação a essas ideias e experiências.
Como descreve Antoine Picon em Architecture and the Virtual Towards a new Materiality?: "Um projeto arquitetônico é de fato um objeto virtual. É tanto mais virtual que antecipa não uma única construção, mas toda uma gama delas [...] Ao passo que o arquiteto costumava manipular formas estáticas, agora ele pode brincar com fluxos geométricos. As deformações topológicas de superfícies e volumes adquirem um tipo de evidência que os meios tradicionais de representação não permitiam.”
Tulum é uma região localizada no sudeste do México, dentro dos limites geográficos do estado de Quintana Roo, especificamente na costa do mar do Caribe, e faz parte da Riviera Maya. Historicamente, Tulum era uma cidade muralhada, de onde provém seu nome, que em maia significa "muralha", denominação que surgiu quando ela já se encontrava em ruínas.
Seres humanos geralmente se sentem física e emocionalmente confortáveis em determinados tipos de espaços públicos. Há aqueles que preferem ler um livro na varanda de um café, outros preferem estar sentados em um sofá aconchegante no salão de beleza ou aguardando o trem na estação. Fato é que alguns espaços, ainda que longe de casa, tendem a incitar uma sensação muito parecida com aquela que experimentamos no aconchego do nosso lar.
Através da psicologia ambiental aplicada à arquitetura, os fatores espaciais que contribuem para a sensação de conforto passaram a ser mais tangíveis, e agora, arquitetos e designers podem contar com a ajuda de especialistas para desenvolver projetos e espaços mais confortáveis e agradáveis.
Uma das mudanças mais importantes na cultura de trabalho contemporânea tem sido a adoção do trabalho remoto. Além disso, mesmo após mais de dois anos desde o início da pandemia, essa continua sendo a realidade de muitos profissionais. Embora alguns pensassem que isso poderia significar o fim do escritório físico, muitas empresas optaram por um modelo intermediário: um funcionamento híbrido e flexível para recuperar a colaboração presencial sem deixar de lado os benefícios do home office. No entanto, o retorno aos escritórios no contexto da pandemia levantou uma série de questões, entre elas, como garantir um ambiente de trabalho seguro e saudável?
The Senate Building, Coruscant . Image via Star Wars, Revenge of the Sith / George Lucas
Descrever visualizações arquitetônicas do futuro não é uma tarefa fácil, por isso faz muito sentido que os designers usem aspectos de nossa arquitetura existente como base para estes mundos fictícios. Apesar dos avanços recentes em termos de tecnologias de animação e CGI, ainda há uso substancial da arquitetura existente para fornecer elementos estruturais palpáveis ao filme.
Em termos de reciclagem de estética arquitetônica, elementos do passado e do futuro são frequentemente integrados para criar um estilo hibridizado, uma amálgama de temas retrô, distópicos, modernistas e futuristas. Desde o ressurgimento de antigas pirâmides e templos, até panoramas que lembram a cidade de Nova York, o visual varia de acordo com as diferentes noções de como será nosso futuro.
No design de interiores – e em muitas outras disciplinas de design – é muito mais fácil ser insustentável. Comprar ou desenvolver soluções personalizadas para um espaço geralmente exige menos tempo e pesquisa do que a aquisição de materiais de segunda mão e de uma preocupação com o fluxo de resíduos e a economia circular.
Mas a indústria da construção civil e da decoração não pode mais se dar ao luxo de ignorar os impactos ambientais causados por suas atividades.
"A cidade é conflito, assim como a sociedade é conflito, mas que conflitos são moldados e expressos em cada cidade fala de como é cada uma delas", diz a antropóloga urbana María Cristina Cravino quando se refere ao direito à cidade na América Latina. Em um contexto crescente de cidades com processos de gentrificação, onde os altos preços dos terrenos e da habitação expulsam os moradores de baixa renda, o novo bairro Maestranza Ukamau oferece um exemplo interessante que tem muito a dizer sobre possíveis caminhos de acesso à moradia pública em Santiago do Chile.
O projeto, localizado nos terrenos da antiga Maestranza de Ferrocarriles San Eugenio, no centro, entre as ruas Santiago Watt e Exposición no bairro da Estación Central, não foi projetado apenas pelo arquiteto Fernando Castillo Velasco nos últimos anos de sua vida e continuado por seu filho Cristián Castillo junto com Elías Becerra e Pamela González, mas também pela comunidade de famílias organizada nas assembléias do Movimento Social e Popular Ukamau, onde deliberaram e discutiram passo a passo o projeto de suas casas. São quase 3 hectares de terra, 424 apartamentos.
Se uma pessoa é instigada a imaginar um cenário de completo relaxamento, é mais provável que a primeira imagem que vem à mente seja um lugar cercado pela natureza, algo próximo a uma floresta, montanhas, mar ou prado. Você dificilmente imaginará um escritório ou um shopping center como fonte de conforto e relaxamento. Mesmo assim, a maioria das pessoas passa quase 80-90% do tempo dentro de edificações, movendo-se entre suas casas e seus locais de trabalho.
Arquitetos e designers agora estão procurando soluções que ressoarão bem no futuro, voltando-se para a 'biofilia' como uma importante fonte de inspiração que promove o bem-estar, a saúde e o conforto emocional.
Um novo tipo de arquitetura que se distingue por características regionais únicas surgiu em meados da década de 1990, quando, na China, os arquitetos começaram a projetar independentemente dos institutos administrados pelo governo. Os principais arquitetos chineses desta época conseguiram coletivamente produzir um corpo de trabalho arquitetônico único quando muitos edifícios construídos ao redor do mundo não estavam mais enraizados em seu lugar e cultura.
Em China Dialogues, Vladimir Belogolovsky traça um panorama da arquitetura chinesa através das palavras de seus principais participantes, levantando o véu sobre uma prolífica nova geração de arquitetos, cada um compartilhando uma compreensão altamente intelectualizada e conceitual da profissão. Seguindo o curso de 21 entrevistas acompanhadas por mais de 120 fotografias e desenhos de projetos lindamente executados em todo o país desde o início dos anos 2000, o China Dialogues apresenta o processo de pensamento dos principais arquitetos do país, fornecendo uma visão de suas ideias e intenções invulgarmente reveladoras e sinceras.
Os jardins e plantas de interiores trazem diversos benefícios para a vida cotidiana. O projeto paisagístico de interior, também chamado de plantscaping, é muito mais que simplesmente alocar plantas nos espaços internos; envolve a localização estratégica de espécies vegetais dentro de uma obra, buscando potencializar e destacar certos aspectos do projeto arquitetônico.
“Ler para a vida” é o nome do pavilhão da Prefeitura de Bogotá projetado por Yemail Arquitectura para esta nova edição da Feira Internacional do Livro de Bogotá (FILBO). Com mais de 30 mil visitantes, o pavilhão gerou grande impacto ao propor uma narrativa que permitisse aos/às visitantes compreender a capital colombiana sob diferentes perspectivas, considerando a composição rural da cidade e, ao mesmo tempo, propondo um futuro com uma conexão mais orgânica, no qual coexistissem em um único espaço a diversidade do bairro, a água, o ar, a terra e todas as urbe que se encontram na leitura, na coletividade e na natureza.
Como parte de uma iniciativa da LIGA, um espaço independente fundado na Cidade do México em 2011, que promove a arquitetura contemporânea latino-americana por meio de exposições, publicações, eventos, palestras e oficinas, foi inaugurada, no dia 21 de abril, a mostra “Registro: Museo Tamayo”, que integra a iniciativa LIGA-ARCHIVOS. Nesta ocasião, apresentou-se uma releitura do edifício projetado pelo arquiteto Teodoro González de León e construído em 1981 na Primeira Seção do Bosque de Chapultepec.