No restaurante Four Seasons de Nova York, projeto de Philip Johnson e Mies van der Rohe no icônico Seagram Building, uma piscina retangular assumia posição de protagonismo no espaço, destacada por quatro árvores plantadas em vasos em cada um dos vértices. O leve barulho que a água emitia tornou-se consagrado. Além de dotar o salão de personalidade, cumpria a função de absorver as conversas (muitas vezes sigilosas) entre as mesas. Bem como a maneira como a luz adentra um espaço, ou como serão apreendidas as paisagens do interior, o som é mais uma característica de um ambiente, algo geralmente preterido por parte dos arquitetos. Isso vai além de dotá-lo de uma acústica eficiente, mas criar uma atmosfera sonora a um espaço. O conceito de soundscape, ou paisagens sonoras, trata sobre isso.
Há alguns meses - em julho de 2021, um incêndio danificou parte considerável da estrutura do icônico Mercado de Kariakoo na cidade de Dar es Salaam. Projetado pelo arquiteto tanzaniano Beda Amuli e inaugurado em 1974, o Mercado de Kariakoo desempenhou por anos um papel fundamental como elemento de referência no tecido social e urbano da maior cidade da Tanzânia. Desde o fatídico incêndio de julho, muito se fala sobre o possível projeto de reforma do mercado, principalmente depois que começaram a circular as primeiras imagens do novo projeto, as quais revelam uma estrutura mais alta, com a adição de três novos pavimentos. A questão central é se a tipologia de “torre” seria realmente apropriada para este caso, considerando a natureza impopular de outros projetos de mercados “verticais” construídos em Dar es Salaam.
As novas gerações de arquitetos estão tendo que enfrentar inúmeros desafios, não apenas aqueles relacionados à sociedade contemporânea mas principalmente dentro do seu próprio campo profissional. Neste contexto, jovens arquitetos e escritórios emergentes de arquitetura estão redefinindo os limites da sua profissão a medida que buscam soluções para as principais questões do mundo hoje, como a sustentabilidade do ambiente construído, a acessibilidade das infra-estrutura e do espaço urbano e a equidade nas cidades. Isso significa dizer que o campo de atuação dos profissionais da arquitetura está passando por um intenso e acelerado processo de transformação, fazendo com que o papel do arquiteto na sociedade contemporânea pareça cada dia mais ambíguo. A seguir, enumeramos os muitos desafios enfrentados por estes jovens profissionais em seus escritórios, assim como de que forma eles estão percebendo estas mudanças em seu campo de atuação e o impacto destas no ambiente construído de nossas cidades.
Ao contrário da arquitetura clássica, caracterizada por um conjunto de divisões com funções e espaços muito definidos, o projeto arquitetônico contemporâneo busca integrar os espaços para atingir elevados graus de adaptabilidade e flexibilidade. Desse modo, os limites dos enclaves são borrados e surgem novas soluções que valem a pena ser analisadas. No caso dos dormitórios, os banheiros muitas vezes já não são uma pequena divisão adjacente e separada, mas espaços multifuncionais integrados e sutilmente ocultos. Assim como Mies van der Rohe, que agrupava os serviços em áreas estratégicas para criar pisos abertos, vamos rever alguns casos que adotaram a solução específica do banheiro escondido atrás da cama.
A arquitetura residencial é uma das categorias mais consultadas por nosso público leitor. Durante o ano de 2021, publicamos mais de 1.300 casas, apresentando projetos de diferentes regiões do mundo e oferecendo uma variedade de soluções, materiais, contextos, ambientes, escalas e tipologias. Trata-se de uma ampla fonte de conhecimento para quem busca soluções tanto para sua própria casa quanto para projetos profissionais.
O crescimento das cidades brasileiras sem o devido acompanhamento dos poderes públicos acarretou em uma série de problemas relacionados à falta de moradia digna na nossa sociedade. Desde a década de 1980, associações populares e acadêmicos se juntaram na luta para pressionar o poder público a desenvolver políticas habitacionais que pudessem, não somente construir novas habitações e novos bairros, mas também garantir outros direitos como educação e saúde. Hoje, 40 anos depois desse levante, observamos a ausência de políticas públicas habitacionais nas três escalas de governo que atuem frente à população mais vulnerável, ao mesmo tempo que percebemos a popularização das iniciativas de Assessorias Técnicas para Habitação de Interesse Social, conhecidas como ATHIS.
A arquitetura sustentável começa com projetos para ciclos de vida mais longos e reutilização. Procurando criar futuros mais inclusivos e viáveis, os arquitetos estão explorando a reutilização adaptativa como uma das melhores estratégias para enfrentar a crise climática e promover a justiça social. Reutilizar mantém viva a cultura de uma região, fazendo a ponte entre o antigo e o novo à medida que os projetos ultrapassam os limites do design circular e adaptável.
Cheio de conotações e nuances, o termo paisagem é um conceito complexo e amplo. Ao lidarmos com o material e o imaterial, entendemos que trata-se de uma construção mental que relaciona um ambiente físico a um contexto sócio-cultural específico. De 12 a 27 de novembro, Jordi Giner, Francisco Garrido e Alberto Moragrega apresentaram Al-luvió, uma proposta para Lluèrnia, a festa da luz e do fogo realizada todos os anos em Olot, que reinterpreta a forma como em geral entendemos a ideia de paisagem e as formas habituais de intervir sobre ela.
Este vídeo acompanha um dia de trabalho de Hiba Bhatty, arquiteta na Valerio Dewalt Train em Chicago. As atividades diárias de um/a arquiteto/a podem, por vezes, parecer misteriosas. Isso se deve, provavelmente, ao fato de que nenhum dia é realmente “típico”. O desenvolvimento de projetos passa por diversas etapas, cada uma com responsabilidades bastante distintas.
Pode-se dizer que um dos principais aspectos a serem levados em conta ao projetar uma piscina é a escolha da cor de seu revestimento. A luz, as sombras, a profundidade, o ambiente e os elementos que a envolvem são variáveis que afetam diretamente a tonalidade final da água. Os efeitos da iluminação artificial e/ou natural também são determinantes de sua estética final, portanto, se ela estiver em um espaço externo refletindo o céu, produzirá um efeito diferente do que se ficar em um espaço interno, onde o teto influenciará sua cor.
Em um ano marcado pelo distanciamento físico, as redes sociais ganharam uma presença ainda maior nas formas de nos relacionarmos e nos informarmos. Nossas contas no Instagram superaram seus números de alcance e aproximaram o público do melhor que publicamos em nosso site: projetos, artigos, entrevistas e notícias do mundo da arquitetura, inspirando novas ideias e ferramentas para um futuro melhor para as nossas cidades.
Encravada entre a França e a Espanha, Andorra é a sexta menor nação da Europa. Com uma área de menos de 500 quilômetros quadrados, o microestado sem saída para o mar está localizado no leste dos Pirineus, na Península Ibérica. Hoje, uma nova arquitetura surge entre as montanhas escarpadas de Andorra e os três vales estreitos que se unem para formar o rio Gran Valira.
À medida que os efeitos das mudanças climáticas se intensificam em todo o mundo, a indústria de Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC) se volta para as construções sustentáveis a fim de enfrentar a crise climática de maneira eficaz. Em 2020, os membros do American Institute of Architects (AIA) aprovaram por ampla maioria uma resolução que estabelece a responsabilidade ambiental como a principal prioridade da organização. Desde então, avanços consistentes foram feitos para desenvolver um Plano de Ação Climática, evoluir o Framework for Design Excellence e aumentar a participação no Compromisso 2030. O setor da construção civil é responsável por 36% do consumo de energia, 38% das emissões de carbono relacionadas à energia e 50% do consumo global de recursos. Espera-se que o impacto total dessas porcentagens dobre até 2060, agravando os efeitos negativos das mudanças climáticas no meio ambiente. O Relatório de 2021 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alerta para ondas de calor, secas e inundações cada vez mais extremas, além da superação de um limite crítico de temperatura em pouco mais de uma década. O mundo precisa agir rápido para evitar esses eventos catastróficos, e a descarbonização do ambiente construído é um passo fundamental nessa direção.
https://www.archdaily.com.br/pt/1131023/energia-net-zero-e-carbono-net-zero-estrategias-de-projeto-para-alcancar-metas-de-desempenhoSponsored Post
A arquitetura residencial é uma das categorias mais populares entre o nosso público leitor. Em 2021, publicamos mais de 3.800 projetos de casas em diferentes regiões do mundo, apresentando uma grande variedade de soluções, materiais, contextos, ambientes, escalas e tipologias. O conjunto serve como uma rica fonte de inspiração para quem busca referências para o próprio projeto residencial.
https://www.archdaily.com.br/pt/1131490/melhores-casas-de-2021Clara Ott
Na reimpressão desta semana, a equipe editorial da Metropolis selecionou uma variedade de livros de arquitetura e design recém-lançados ou que estão por vir, reunindo uma lista de leitura instigante para a temporada. Os títulos a seguir vão de monografias e investigações teóricas a obras de referência essenciais, de autoria de nomes como Michael Sorkin, Robert A.M. Stern ou Paul Dobraszczyk.
København (Copenhague), a capital da Dinamarca, está na vanguarda do pensamento de muitos/as arquitetos/as paisagistas e planejadores/as urbanos/as, tanto por suas iniciativas pioneiras em direção à sustentabilidade quanto por seus espaços públicos inovadores, cultura cicloviária, arquitetura e cenário gastronômico. Tendo passado um período significativo na cidade ao longo da última década, tive a oportunidade de começar a conhecer a fundo o lugar e seus habitantes. Um dos aspectos mais marcantes de Copenhague, perceptível mesmo durante minha estadia, é sua contínua trajetória de aprimoramento. Um esforço coletivo de pessoas trabalhando diligentemente há décadas para otimizar a cidade para a vida cotidiana de seus habitantes vem pavimentando o caminho para o que é possível realizar hoje.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130643/aprendendo-com-copenhague-foco-na-vida-cotidianaJohn Bela
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‘O-ring de precisão’ nos chuveiros de mão EcoSmart: se a pressão da água for alta, o tamanho da abertura diminui. Se for baixa, ela se expande. Imagem cortesia de Hansgrohe
A escassez de água afetará diretamente quase 20% da população humana até 2025, de acordo com diversos relatórios da ONU, além de influenciar indiretamente os demais habitantes do planeta, as economias e ecossistemas inteiros. Projetar sistemas eficazes de gestão hídrica é um processo fundamental que engloba o planejamento, o desenvolvimento e a gestão dos recursos hídricos — tanto em termos de quantidade quanto de qualidade — em todas as suas formas de uso. Esse processo envolve as instituições, a infraestrutura, os incentivos e os sistemas de informação que apoiam e orientam essa gestão.
Em novembro de 1930, em Indiana, Estados Unidos, uma das grandes façanhas da engenharia moderna foi realizada: uma equipe de arquitetos e engenheiros transportou uma central telefônica de 11.000 toneladas sem nunca suspender as operações e suprimentos básicos para os 600 funcionários que trabalhavam no interior.
Sem dúvida, a pandemia redefiniu todos os aspectos da vida cotidiana, desde a forma como as pessoas se relacionan entre si até seus padrões de habitabilidade e trabalho. Por essa razão, a arquitetura teve que se adaptar a novos paradigmas e modos de vida. Considerando que as viagens e o turismo ficaram paralisados por mais de um ano, uma das indústrias mais afetadas foi a de hotelaria, obrigando os hotéis a se reinventarem rapidamente diante de novas demandas. Desse modo, o foco está em oferecer espaços de descanso que permitam a desconexão e o relaxamento do/a usuário/a, buscando criar ambientes únicos, confortáveis e diferentes do lar — onde atualmente se costuma passar a maior parte do tempo.
Atualmente, os sistemas de drywall e gesso estão presentes em quase todas as obras de arquitetura. Esses sistemas permitem revestir edificações com produtos que combinam, entre outros atributos, facilidade de construção, segurança contra incêndios e possibilidade de reciclagem, tanto em estruturas históricas quanto em construções completamente novas. Desde 1998, a Saint-Gobain — uma das maiores distribuidoras desse tipo de sistema — premia os projetos que melhor os aplicam em suas soluções, dividindo-os em 6 categorias (Forros, Gesso, Placas de Gesso, Inovação e Sustentabilidade, Residencial e Não Residencial). Os projetos apresentados visam demonstrar como os/as arquitetos/as conseguiram unir engenhosamente os produtos da empresa a soluções inovadoras para superar os desafios impostos pelas obras ou seus contextos.
Em sua 12ª edição, o prêmio contou com participantes de 30 países diferentes, que apresentaram 74 projetos. Conheça os 14 premiados a seguir:
A histórica Casa dos Leões do Zoológico de Lincoln Park, em Chicago (Chicago’s Lincoln Park Zoo), há muito tempo é um marco do zoológico. O escritório global de arquitetura Goettsch Partners (GP) foi convidado a renovar e ampliar a estrutura original, com o objetivo de aumentar o espaço útil e criar novas experiências espaciais, preservando o edifício histórico. A Casa dos Leões abriga principalmente quatro leões africanos, além de lince-canadenses, pandas-vermelhos e leopardos-das-neves.
Surtos de doenças contagiosas podem exercer uma influência de longo prazo no desenho urbano – muitos moldaram de forma inegável a maneira como as cidades modernas são e operam. Parques, ruas largas e até mesmo os banheiros de nossas casas são um legado importante de surtos de cólera no passado. Hoje estão tão incorporados em nosso dia a dia que são considerados elementos básicos das cidades modernas. Ao longo de gerações, as cidades se recuperaram do choque inicial do contágio e reconstruíram a confiança das pessoas depois de períodos de incerteza.
https://www.archdaily.com.br/pt/972093/as-cidades-podem-prosperar-em-tempos-de-crise-3-perguntas-para-as-cidades-em-2022Anne Maassen e Rogier van den Berg