Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno de Pequim 2022 começaram oficialmente em 4 de fevereiro de 2022. Esta edição dos Jogos de Inverno adotou uma abordagem ousada ao adicionar duas zonas de neve em Zhangjiakou e Yanqing à zona de gelo em Pequim, criando um sistema inédito de três zonas.
O Instituto de Pesquisa e Design Arquitetônico da Universidade de Tsinghua (THAD) liderou o planejamento e o projeto arquitetônico geral de todas as instalações na Zona de Zhangjiakou e da Arena Shougang na Zona de Pequim. O planejamento e o projeto das instalações da Zona de Yanqing foram elaborados pelo China Architectural Design & Research Group (CADG). Arquitetos e arquitetas chineses assumiram o protagonismo da criação, pautando-se pelo princípio do desenvolvimento sustentável e integrando de forma estreita as metodologias de planejamento urbano e projeto arquitetônico ao longo do ciclo de construção de aproximadamente seis anos. A equipe propôs a estrutura de projeto de "intervenção espacial em escala integral" baseada no "Plano Geral, Plano Regulatório, Desenho Urbano, Projeto de Arquitetura e Projeto de Sistemas de Equipamentos", consolidando a prática chinesa para uma Olimpíada de Inverno sustentável.
Market Street East (1960-62), Philadelphia Civic Center (1956-57).. Imagem cortesia de Lars Muller Books, The Architectural Archives at the University of Pennsylvania, Sue Ann Kahn, e do Museum of Modern Art.
Em uma era de e-books e publicações prioritariamente digitais, Louis Kahn: The Importance of a Drawing (Lars Müller Publishers) é um resgate audacioso: um livro suntuoso de mais de 500 páginas, um objeto perfeitamente condizente com seu tema, cujos edifícios possuíam um peso, tanto literal quanto figurativo, que constituía parte de seu poder e apelo. Concebido e editado por Michael Merrill, o livro constitui tanto um exame profundo do processo criativo de Kahn — narrado por meio do desenho à mão — quanto um retrato revelador do homem por trás dessas obras e ilustrações. Merrill é arquiteto e educador, atuando atualmente como diretor de pesquisa no Institute for Building Typology no Karlsruhe Institute of Technology, na Alemanha. Também é autor de dois livros anteriores sobre o mestre da arquitetura, Louis Kahn: Drawing to Find Out e Louis Kahn: On the Thoughtful Making of Spaces.
Ao longo dos anos, o desenho de interiores evoluiu de acordo com as necessidades que surgem, mas sobretudo de acordo com as experiências que procuramos provocar no usuário. Nos últimos dois anos, testemunhamos uma mudança radical e um interesse especial pelo assunto, pois a pandemia nos obrigou a prestar atenção redobrada à configuração dos lugares que frequentamos. Isso teve como consequência o surgimento de projetos muito mais integrais, que atendem ao bem-estar do usuário combinando cores, experiências sensoriais, tecnologia e elementos naturais que promovem a saúde.
A elaboração de um projeto arquitetônico é um processo complexo que envolve diferentes escalas, desde a estrutura até pequenos refinamentos, como escolha de revestimentos, cores de pintura, rodapés, metais, louças e, claro, luminárias.
Para além das questões de potência e tonalidade das lâmpadas, o próprio design das luminárias também é essencial no processo de projeto, podendo contribuir com a valorização dos espaços e o conforto dos habitantes.
"Sou arquiteto... e agora o que eu faço?", deve ser uma das perguntas mais frequentes de qualquer recém-formado em arquitetura. Muitos, ao longo dos anos, encontrarão empregos em diferentes indústrias que não envolvem necessariamente trabalhar em um escritório projetando e construindo edifícios.
Kinetic Cities, cortesia de RMA Architects. Imagem cortesia de RMA Architects
Rahul Mehrotra é um urbanista, educador e sócio-fundador do escritório Rahul Mehrotra Architects (RMA Architects), com sedes em Mumbai e Boston. Por toda a Índia, Mehrotra projetou trabalhos que variam de planos diretores a casas de veraneio, fábricas, instituições sociais e edifícios de escritórios. Ao longo de décadas, sua atuação no ativismo urbano culminou na fundação da Architecture Foundation do escritório, que se concentra em criar uma “consciência sobre a arquitetura na Índia” por meio de pesquisas, publicações, exposições e um diálogo público inclusivo em torno da ética e dos valores arquitetônicos.
Ainda que a inteligência artificial esteja mostrando o potencial para realizar sucessivas iterações com bons resultados, projetar o layout dos espaços toma grandes porções do tempo de um projetista. A organização dos elementos presentes em um espaço determina os fluxos, os pontos de vista e determinará em grande parte como este será usado. Mas a ideia de engessar o uso do ambiente pode não funcionar para todos os casos. Por conta de restrições de espaço ou usos suplementares que um cômodo pode ter, alguns arquitetos têm desenvolvido layouts dinâmicos que comportam mais de uma possibilidade de uso. Seja através de elementos divisores ou de módulos especiais, estes projetos permitem que o espaço mude radicalmente através de um movimento.
Este artigo de Miguel Paredes Maldonado foi publicado originalmente com o título "Casa, ciudad, territorio: Una investigación colectiva sobre las transformaciones del habitar urbano contemporáneo" na edição nº 31 da revista Dearq em 1º de setembro de 2021 (DOI: https://doi.org/10.18389/dearq31.2021.02).
O artigo explora as relações interescalares estabelecidas recentemente entre o domínio doméstico da habitação e os âmbitos coletivos da cidade e do território, sob a ótica do desenvolvimento de novos “comuns urbanos”. Essa exploração se formaliza como uma investigação coletiva, baseada na participação em concursos de arquitetura e elaborada no contexto docente da Universidade de Edimburgo (Reino Unido) entre setembro e dezembro de 2020. Seus resultados destacam o pronunciado substrato infraestrutural do habitar urbano contemporâneo e identificam os principais processos de transferência entre os domínios do doméstico e do coletivo em uma série de cenários de habitação urbana.
A seguir, apresentamos o texto como parte de uma colaboração conjunta para contribuir com a difusão de pesquisas, análises e opiniões elaboradas pela comunidade acadêmica nacional e internacional sobre arquitetura, cidade e áreas afins.
Latrinas medievais. Image Cortesia de Geopizza, usada sob os termos de "fair use"
Os banheiros que usualmente temos em nossas casas são heranças da colonização europeia pelo mundo. Sua forma atual, porém, tem origem de milênios atrás e não seria possível sem os investimentos e a evolução do saneamento básico.
A saúde de uma população está diretamente relacionada ao ambiente físico que ela habita, assim como foi colocado por Hipócrates em seu texto “Ares, águas e lugares”, escrito durante o século V a.C.. Nele, o pensador grego conhecido como o ‘pai da medicina’, afirma que para se investigar corretamente a saúde e a causa das doenças é necessário observar e compreender o ambiente habitado a partir das estações do ano, dos ventos, das águas, da sua posição geográfica, da terra e da paisagem e também dos hábitos das pessoas que ali habitam. Cada civilização desenvolveu uma forma de lidar com o que hoje entendemos por saneamento, a depender de seu tempo e também de seu contexto geográfico, cultural, político e econômico.
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Cortesia A Broken House, Documentário da The New Yorker dirigido por Jimmy Goldblum
“A Broken House” é um documentário dirigido por Jimmy Goldblum que retrata a história de Mohamad Hafez, um cidadão sírio que se mudou para os Estados Unidos em um visto de entrada única para estudar arquitetura e não pôde mais voltar para seu país natal. Enfrentando seu destino, canalizou a saudade de casa em seu trabalho artístico e começou a produzir esculturas em miniatuira de sua terra, construindo a "Damasco de suas memórias".
“Se você não pode voltar para casa, porque você não cria sua casa". Ao contar a história das pessoas que lá habitam, o projeto arquitetônico ganha uma dimensão política após o início da guerra civil síria, retratando a extensão da destruição sofrida pela cidade, humanizando os refugiados e compartilhando suas histórias.
O Servidor Local é um ponto de conexão, um fórum onde o diálogo acontece; é, em essência, um refúgio de ideias, diversidade e intercâmbios. Como plataforma, impulsiona projetos culturais, de arte e design que protagonizem discursos com impacto na sociedade, que busquem beneficiar o entorno mais próximo e possam se propagar ao longo do caminho do público visitante.
"Sou arquiteto/a... e agora, o que eu faço?" deve ser uma das perguntas mais frequentes de qualquer pessoa recém-graduada com o diploma de arquitetura em mãos. Com o passar dos anos, muitas dessas pessoas encontrarão trabalho em diferentes indústrias que não envolvem necessariamente trabalhar em um escritório projetando e construindo edifícios.
Diagrama de como funciona o processo Cloud Kitchen. Imagem via Kilowa Designs
Em um dia frio de inverno, se você deseja uma pizza, panquecas ou um suculento cheeseburger, é fácil recorrer a um aplicativo em seu telefone para rapidamente fazer um pedido e recebê-lo na sua porta. Mas você já se perguntou como os restaurantes acompanham as demandas dos clientes, aqueles que retiram para viagem ou fazem pedidos por meio de aplicativos de entrega, a solução pode estar na nova tendência em expansão das Ghost Kitchens, especialmente nos últimos dois anos da pandemia COVID-19.
A quarta temporada do podcast Causa Comum, uma coprodução entre a Fundación Lepe e a Fundación Aldea para o festival OH! Stgo, realizado em meados de janeiro em Santiago do Chile, aborda o passado, o presente e o futuro da capital, bem como o papel que seus/suas habitantes nela ocupam, priorizando o bem comum e a forma colaborativa de fazer, habitar e imaginar o lar compartilhado.
Sob a direção e coordenação de Francisca Cordero, Soledad Díaz de la Fuente, Magdalena Novoa e Trinidad Piriz, ao longo de seis capítulos são analisados histórias, comunidades, monumentos e espaços públicos que habitamos diariamente, sob novas perspectivas, apresentando temas que vão desde as múltiplas identidades de uma praça, a liderança feminina nos projetos de habitação e a construção da memória na cidade, até os cerros isla (morros-ilha) como oportunidades socioambientais, o habitar urbano mapuche e o edifício do GAM como expoente da arquitetura e da mudança social.
O coletivo artístico de trajetória internacional _marina_morón (formado pelo Doutor em História Jesús Marina e pela Doutora Arquiteta Elena Morón) inaugurou seu último trabalho no Pabellón de Mixtos de La Ciudadela, na cidade de Pamplona. A mostra é patrocinada pelo Colégio de Arquitetos Vasco-Navarro e pela Prefeitura de Pamplona, e permanecerá aberta ao público até 15 de março de 2022.
No início da carreira, muitos arquitetos e arquitetas se veem em situações descritas por alguns como "patinar e não sair do lugar", pois suas expectativas não correspondem à realidade que encontram e isso só piora com o passar do tempo. Motivados pelo "ganho de experiência", os jovens profissionais se submetem a longas jornadas de trabalho, inclusive nos finais de semana, com baixos salários e muita exigência física e mental, o que muitas vezes resulta em um esgotamento do indivíduo (burnout). Por conta dessas condições de trabalho, o prestígio da profissão desaparece. Tendo isso em mente, como esses profissionais podem lutar pelos seus direitos trabalhistas após décadas de exploração? E o que está sendo feito para garantir esses direitos?
Pensar em pontos de foco, biomas, espaços de descanso, criar ritmo junto da arquitetura, como facilitar a manutenção e fruição dos espaços, são apenas alguns dos desafios de um projeto paisagístico. Hoje, mais do que servir como um elemento de composição espacial, a relação entre o paisagismo e o espaço construído é cada vez mais valorizada ao passo que compreendemos como a presença da natureza é benéfica para a saúde e conforto humano e de outras espécies. Assim, pensar e projetar a paisagem se tornou um exercício cada vez mais complexo e valorizado.
CHINAS CHINAS é um projeto de pesquisa realizado por FLORA. Consiste em um percurso pela cidade de Buenos Aires, Argentina, a partir da análise tipológica de supermercados chineses. Tem o objetivo de reconhecer e explorar os modos de apropriação e as microescalas domésticas que neles ocorrem, evidenciando que a arquitetura da cidade é moldada a partir das banalidades cotidianas. É assim que a arquitetura ganha sentido quando as condições de vida são dadas pelas próprias pessoas. Habitar (para além do funcional) tem a ver com isso.
Wade caminha pelas ruas de Ohio, cidade onde se passa o filme. Fonte: DubaiWeek (2018), sob termos de "fair use"
O cinema é uma ótima ferramenta para estimular discussões e reflexões sobre o espaço que vivemos, dialogando profundamente com a arquitetura e o urbanismo através de cenários e locações. Os filmes podem abordar questões atuais sobre esses campos de estudo e introduzi-los nas suas narrativas, abrindo caminhos para novos debates.
O longa de 2018, Jogador Nº 1, dirigido por Steven Spielberg, nos traz uma série de questões sobre urbanismo, relações sociais, cidades contemporâneas, conflitos ambientais e também como as novas tecnologias podem interferir na relação do indivíduo com os espaços públicos. Ao longo do texto, serão apresentadas discussões sobre como esses fatores se fazem presentes no nosso convívio e nos novos conceitos de cidade.
Não há nada de novo em viver comunitariamente. A história mostra as moradias se aglutinam devido tanto pelas necessidades em comum quanto para a concentração de recursos. Hoje, devido ao crescimento populacional, ao adensamento urbano e preços dos imóveis, arquitetos e urbanistas têm procurado achar alternativas para habitações compartilhadas, também chamadas de co-living. Esses novos modos de morar exploram uma variedade de formas e configurações espaciais coerentes com o que se espera do futuro.
Colaboração robótica. Imagem cortesia de ETH Zurich
Os espaços digitais e a tecnologia de fabricação tornaram-se mais proeminentes do que nunca no cenário atual de nossa sociedade pós-pandemia, tornando-se cada vez mais acessíveis e permitindo processos rápidos e espontâneos de iteração e evolução. Essas tecnologias resultaram na capacidade de produzir em massa componentes de construção não padronizados e altamente diferenciados na mesma instalação de sua contraparte padronizada, transformando a maneira como os edifícios e seus respectivos componentes são concebidos, projetados e representados, bem como fabricados, montados e produzidos.
A beleza da fabricação digital está em sua capacidade de mesclar aspectos da produção em massa e artesanal a ponto de os custos praticamente desaparecerem. A capacidade da tecnologia de fabricar de maneira tão simples e quase contínua levanta questões sobre seu potencial de alterar significativamente nossa percepção atual da arquitetura, gerando o seguinte questionamento: a influência da produção em massa na arquitetura resultou na perda de intencionalidade no projeto?
A Nike adquiriu recentemente o RTFKT, um estúdio de design fundado em janeiro de 2020, conhecido por seus sneakers e colecionáveis "prontos para o metaverso". Aquisições de terrenos no metaverso estão fazendo manchetes com seus preços multimilionários. Também vimos a adoção de artes NFT pelo mainstream neste ano, e estima-se que as vendas devam disparar para 17,7 bilhões de dólares até o final de 2021.
Por baixo da hype e do frenesi, podemos observar uma mudança fundamental que desbloqueia uma nova economia criativa. Ela oferece aos criadores acesso direto ao mercado, constrói relações contínuas com os fãs, e une desconhecidos em comunidades auto-governadas. Neste artigo, vamos discutir porque todo designer 3D e arquiteto deveria abraçar o movimento Web 3.0 para adotar uma nova lógica de mercado e se beneficiar da economia de criadores do metaverso.
Pensar um espaço limitado como um apartamento pode ser um verdadeiro desafio. Criar novas plantas e projetos sobre o que já foi imaginado por outra pessoa é um exercício que exige um olhar apurado e respeito à estrutura existente. Somado a isso, vem a necessidade de trazer caráter ao espaço a partir do design de interiores sem esquecer da funcionalidade espacial, para que a qualidade de vida de seus habitantes seja a melhor.
A preservação da biodiversidade passou a estar presente em todas descrições de projetos com preocupação ambiental. O crescente interesse na sustentabilidade, inspirado nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, faz com que haja a necessidade de uma compreensão mais profunda do que significa biodiversidade em ambientes urbanos e como a arquitetura e o desenho urbano podem contribuir ativamente para isso. As cidades passaram a ter um papel crucial na manutenção da biodiversidade, dado o aumento da extinção de espécies e a continua expansão urbana. A seguir, mostramos como o ambiente construído pode criar habitats para várias espécies.