Imagem: Prefeitura de São Paulo. Cortesia de Caops Planejado
Fugindo da lógica que orientou o desenho da maioria dos municípios no século 20, tirar a prioridade dos carros no desenvolvimento das localidades e diminuir a área destinada a eles nas ruas não piora os congestionamentos. Pelo contrário, ao reorganizar o espaço das ruas deixando menos faixas para os automóveis, ocorre uma mudança na forma como as pessoas se deslocam, com a migração para outros meios de locomoção mais sustentáveis, como caminhar, pedalar ou utilizar o transporte público, reduzindo a circulação de veículos privados significativamente.
https://www.archdaily.com.br/pt/975944/por-que-fechar-ruas-para-automoveis-nao-aumenta-o-transitoSomos Cidade
Estabelecidos pelos Planos Diretores, os índices urbanísticos configuram um conjunto de normas que regulam a dimensão das edificações em relação ao terreno onde serão construídas. Essas determinações variam de acordo com a zona na qual o terreno se encontra e se dividem em três preceitos principais: Taxa de Ocupação, Coeficiente de Aproveitamento e Taxa de Permeabilidade. Saiba o que significa e como calcular cada um deles, a seguir.
https://www.archdaily.com.br/pt/976095/o-que-e-taxa-de-ocupacao-coeficiente-de-aproveitamento-e-taxa-de-permeabilidadeEquipe ArchDaily Brasil
Qual é o estilo deste edifício? Esta é uma pergunta inicial comum que as pessoas fazem para saber mais sobre uma edificação. Para arquitetos e arquitetas, contudo, esse parece um ponto de partida inadequado, e a pergunta inicial pode soar ingênua e trivial. Essa disparidade de atenção dada ao estilo de uma edificação gera um impasse entre o público geral — que deseja compreender o ambiente construído — e os profissionais da arquitetura, ávidos por compartilhar as nuances de sua disciplina.
Com seus objetivos quantificáveis e desempenho mensurável, a sustentabilidade muitas vezes se apresenta como um desafio tecnológico. Sua linguagem primária é aquela dos dados, equipamentos, sistemas projetados, muitas vezes traduzidos em uma camada hipertecnológica escondida dentro de um design que apoia normas estéticas pré-existentes. Como a arquitetura é a imagem de uma sociedade em um momento do tempo, como o foco em sustentabilidade se traduz em linguagem, legitimando ainda mais as iniciativas para estabelecer uma relação de equidade com o meio ambiente? A arquitetura serve como uma expressão de atitudes, e já que a sustentabilidade se tornou um valor fundamental, é válido olhar se ela produziu ou não uma transformação estética.
Este ano, durante a Semana de Arte, realizada na segunda semana de fevereiro na Cidade do México, foi possível vivenciar uma efervescência de eventos culturais que atraíram um grande público, o que também se refletiu nas redes sociais. Prova disso foi o público expressivo presente antes mesmo da abertura da Zona Maco, assim como no Salón Acme, onde grupos guiados de colecionadores ou potenciais compradores lotavam as salas. Para nossa surpresa, após quase dois anos de quarentena, a agenda se mostrou repleta de novos projetos que já planejam uma segunda edição. Nesta ocasião, compartilhamos uma seleção de eventos que tivemos a oportunidade de visitar e que continuarão abertos durante o resto de fevereiro e março. Continue lendo para conferir a lista completa.
Como parte da agenda cultural da Semana da Arte e como resultado da crise da pandemia, um novo espaço abriu suas portas na Cidade do México para reimaginar a situação atual e repensar nossa relação com o espaço público e com o Bosque de Chapultepec. A partir das raízes da mudança gerada por essa crise, surgiu a oportunidade de recuperar e ressignificar o emblemático edifício conhecido como "Restaurante Lago" – inaugurado em 24 de outubro de 1964 e projetado pelo arquiteto Alfonso Ramírez Ponce – para lhe dar um novo propósito que incluísse "transformar o privado em público, o exclusivo em inclusivo, o social em cultural. Desvelar as camadas da história e trazer o presente de volta à origem, para redescobrir um ícone da arquitetura moderna dos anos sessenta."
A habitação acessível tornou-se um problema global cada vez mais urgente. Seja no aluguel ou na casa própria, a inacessibilidade à moradia tem aumentado continuamente. Dados do Censo dos EUA ilustram um declínio acentuado na aquisição da casa própria nas últimas décadas. Embora os millennials fossem a geração mais populosa em 2019, a taxa de propriedade imobiliária entre eles era de apenas 47,9%. Em contrapartida, a taxa da Geração X era de 69%, vindo logo atrás da geração silenciosa, com 77,8%. Essa tendência de declínio geracional no acesso à casa própria se reflete em outras partes do mundo, como no Reino Unido, onde as taxas caíram continuamente de 71% em 2003 para 64% em 2018. Grande parte de especialistas aponta a falta de acessibilidade financeira como o principal motivo para essa queda.
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As luminárias pendentes modulares da Archilume incluem a esférica Aura que, configurada em grupo, cria um ponto focal marcante. Imagem cortesia de Archilume
Para arquitetos/as e designers de interiores, a iluminação ajuda a demarcar áreas de um espaço interno, ainda que de forma sutil, por meio do elemento intangível da luz. Como uma alternativa compacta a divisórias e paredes, ela pode subdividir informalmente ambientes integrados em zonas dedicadas a diferentes usos — como a área de um bar no lobby de um hotel, por exemplo, ou o setor da cozinha em uma sala de estar integrada.
A iluminação modular, em particular, atrai designers que buscam delimitar diferentes zonas, por ser altamente flexível. Como pode ser expandida com a adição de novos componentes ou reduzida pela remoção de alguns deles, ela permite que os ambientes sejam facilmente reconfigurados para atender a necessidades em constante mudança.
Cortesia de A Broken House, documentário do The New Yorker dirigido por Jimmy Goldblum
A Broken House é um documentário dirigido por Jimmy Goldblum que conta a história de Mohamad Hafez. Hafez é um sírio que viajou para os Estados Unidos com um visto de entrada única para estudar arquitetura, mas viu-se impossibilitado de retornar ao seu lar. Diante de seu destino, ele canalizou a saudade em sua expressão artística, passando a criar esculturas em miniatura de sua terra natal para recriar "a Damasco de suas memórias".
"Se você não pode voltar para casa, por que não constrói uma?". Ao contar as histórias das pessoas que ali viviam, o projeto arquitetônico assume uma dimensão política após o início da Guerra Civil Síria, retratando a extensão da destruição sofrida pela cidade, humanizando a população refugiada e compartilhando suas vivências.
A pioneira feminista negra Gloria Jean Watkins – mais conhecida por seu pseudônimo em minúsculas bell hooks – faleceu recentemente aos 69 anos. Ela deixa para trás inúmeras ideias que servem de base para a crítica moderna de raça, classe e gênero.
Por conta de sua morte, um antigo texto publicado por bell em 1998 foi divulgado em um blog que ela costumava escrever ocasaionalmente chamado Lion´s Roar. O texto intitulado “Design: A Happening Life” é tão atual que nem parece que foi escrito há 25 anos atrás.
Este artigo de Hugo Mondragón López e Bárbara Rozas Reinecke foi publicado originalmente com o título "Contra el Olvido: La voz de Montserrat Palmer y el discurso de la arquitectura contemporánea en Chile" na edição nº 23 da revista Dearq em 1º de julho de 2018 (DOI: https://doi.org/10.18389/dearq23.2018.02).
Arquiteta, professora, pesquisadora, editora. Montserrat Palmer Trías foi uma voz de autoridade na cena arquitetônica e cultural do Chile entre o fim do século XX e o início do século XXI. A partir da direção editorial da revista ARQ, ela conseguiu moldar os debates disciplinares, ao mesmo tempo em que inseria no cenário internacional um grupo de arquitetos e arquitetas do Chile cuja notoriedade se forjou nas páginas da publicação. Embora tenha alimentado o mito de uma mulher que atuava em um registro baseado na intuição, é impossível ignorar sua rigorosa atividade como pesquisadora. Paradoxalmente, uma década após deixar a direção da revista, sua figura e sua contribuição para a arquitetura chilena da pós-ditadura correm o risco de cair no esquecimento. Este artigo é uma tentativa de evitar que isso aconteça.
A seguir, apresentamos o texto como parte de uma colaboração conjunta para contribuir com a difusão de pesquisas, análises e opiniões que la comunidade acadêmica nacional e internacional elabora sobre a arquitetura, as questões urbanas e áreas afins.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134510/contra-o-esquecimento-montserrat-palmer-e-o-discurso-da-arquitetura-contemporanea-no-chileHugo Mondragón López y Bárbara Rozas Reinecke
Mobiliário interno nos escritórios da Coromandel | Andreu World. Imagem cortesia de Andreu World
Contar com um espaço físico de trabalho traz inúmeros benefícios intrínsecos, como reunir as equipes em um ambiente colaborativo e oferecer às empresas a oportunidade de consolidar sua cultura e identidade. No entanto, com a ascensão do trabalho híbrido e remoto no início da pandemia, muitos se questionaram se isso significaria o fim do escritório físico. Hoje, decorridos dois anos, a tendência se mostra evidente: em vez de serem completamente substituídos pelo modelo remoto, os escritórios físicos foram adaptados por muitas empresas para atender às novas necessidades de seus colaboradores e colaboradoras. A opção tem sido por espaços integrados, confortáveis e flexíveis que estimulam a criatividade, a colaboração e a produtividade.
A seleção com curadoria desta semana de Melhores Projetos Não Construídos destaca propostas enviadas por escritórios consagrados. De centros comerciais à beira-rio a torres de uso misto, este artigo explora programas comerciais e residenciais desenvolvidos por escritórios globais de arquitetura que estão em fase conceitual, venceram concursos de projeto ou já se encontram em fase de execução.
Apresentando desde uma ponte de pedestres desenvolvida pelo Grimshaw Architects na França até um arranha-céu no distrito financeiro apelidado de "Farol do Século XXI" pelo escritório Ronald Lu & Partners, este compilado explora como escritórios consolidados projetaram edifícios que atendem às necessidades espaciais e ambientais de seus usuários e suas respectivas funções. A seleção também traz propostas de SOM, IMPLMNT, Gensler e Aedas, entre outras equipes de arquitetura de destaque.
Durante a revolução industrial e seus consequentes avanços tecnológicos, como o uso do aço em construções e a evolução de massas com agregados, Joseph Monier executou cubas e tubos com armações de aço e preenchidas com concreto em 1849. Essa foi entendida como a primeira experiência em concreto armado da construção civil. Dali em diante essa tecnologia evoluiria para o que conhecemos hoje: um dos sistemas estruturais mais utilizados do mundo, considerado por muito tempo sinônimo de progresso e grande responsável pela transformação das paisagens urbanas. Mas afinal, o que é e como funciona o concreto armado?
O Urbanismo de Interiores descreve espaços internos tão amplos que se comportam como verdadeiras cidades. Esse tipo de construção pode se desenvolver tanto a partir de um crescimento ad hoc ao longo do tempo quanto como um conjunto de volumes planejado e projetado de maneira coesa. Cada abordagem apresenta oportunidades e desafios próprios no que diz respeito à eficiência e à integridade arquitetônica. Este vídeo explora ambas as vertentes, utilizando como exemplos o Pedway de Chicago e o hotel Hyatt Regency, projetado por John Portman próximo ao aeroporto de O'Hare. Stewart Hicks visita esses locais, discute as implicações de trazer o urbanismo para os ambientes internos e compara as qualidades espaciais de cada um — o urbanismo contingente e cru do Pedway em contraste com a perfeição impecável do lobby e do centro de convenções do hotel.
Quer eles cresçam ou não para serem arquitetos, as habilidades básicas que impulsionam o design e a arquitetura podem ter enormes benefícios para nossos filhos. A maneira como as crianças crescem para pensar, se comportar, resolver problemas e criar pode ser aprimorada incomensuravelmente, ensinando-as desde tenra idade a pensar como arquitetos.
Figura 1. Itinerários da vida cotidiana. Fonte própria, elaboração das autoras.. Image via VAD
A proximidade, entendida como uma qualidade urbana que facilita a gestão e o desenvolvimento das diferentes atividades da vida cotidiana, tem sido, há décadas, uma reivindicação do urbanismo feminista e com perspectiva de gênero. Nos anos 1970, acadêmicas de diferentes disciplinas começaram a analisar o vínculo entre a configuração e o uso dos espaços e as relações e papéis de gênero. Desde então, desenvolveu-se uma crítica consistente à configuração androcêntrica da cidade, ao mesmo tempo que se elaboraram propostas e critérios para repensar os espaços a partir de uma perspectiva de gênero.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135175/as-precursoras-da-proximidade-genealogia-feminista-da-cidade-de-15-minutosCol·lectiu Punt 6
Rocinha, Rio de Janeiro. Imagem: Alexandre Macieira/Riotur
O futuro do planejamento urbano pode estar na segunda maior cidade do Brasil: o Rio de Janeiro. Mas não é ao longo da brilhante orla de Ipanema, negligenciada por abrigar alguns dos imóveis mais caros da América Latina. Tampouco está no Centro, reformado para as Olimpíadas de 2016 e agora foco de um grande plano de revitalização urbana. Para vislumbrar o futuro das cidades, deve-se passar pela Lagoa Rodrigo de Freitas até chegar ao bairro do Jardim Botânico e depois olhar para os morros, onde o imenso bairro da Rocinha está perigosamente empoleirado nas encostas.
O efeito sonoro de vidro se quebrando é, há muito tempo, um recurso clássico em esquetes de comédia. Sempre que um objeto leve de cena voa para fora da tela ou do palco, ele inevitavelmente estraçalha uma vidraça um instante depois. Hoje em dia, isso ainda é divertido, embora absurdamente inofensivo, mas, em pouco tempo, a ideia de uma bola de futebol chutada por uma criança quebrando a janela de um vizinho causará apenas estranhamento e ceticismo.
O Canadá não tem escassez de edifícios tipo flatiron, com exemplos históricos espalhados pelas províncias, de Toronto e Vancouver a Lacombe, em Alberta, e além. O país também goza do status de polo da construção em madeira engenheirada, com Quebec servindo como uma espécie de epicentro desse movimento. No entanto, essas duas frentes — a tipologia dos edifícios flatiron e o uso de madeira engenheirada — nunca haviam sido combinadas antes.
via Bass Photo Co Collection, Indiana Historical Society. Imagem do Edifício Indiana Bell em processo de rotação.
Em novembro de 1930, no estado de Indiana, nos Estados Unidos, consolidou-se um grande feito da engenharia moderna: uma equipe de engenharia e construção moveu um edifício de telefonia de 11.000 toneladas (22 milhões de libras) sem interromper suas operações ou suspender os serviços essenciais para as 600 pessoas que trabalhavam em seu interior.
As temporadas de verão no hemisfério sul, principalmente na região entre os trópicos e a linha do Equador são marcadas por alta umidade, fortes chuvas e alta temperatura. Junto das tempestades de verão, o Brasil também lida com uma série de eventos violentos como enchentes, desbarrancamentos e rupturas de barragens. Ao longo dos anos, tem sido cada vez mais comum a concentração desses eventos durante os meses de novembro a março e seu acontecimento está diretamente relacionado às chuvas de verão, mas também às atividades econômicas em curso no Brasil.
A "Casa dos Milagres", localizada na floresta úmida na periferia de Xalapa, Veracruz e projetada pelo arquiteto mexicano Danilo Veras Godoy, é um espaço concebido com formas orgânicas, terra, aberturas com formas inesperadas e vidro em mosaico em diferentes tonalidades. Foi projetada para atender às necessidades de Rosalinda Ulloa, uma mãe solteira que ali viveria com seus dois filhos pequenos. Foi construído por etapas, que começaram a partir de 1995 e foi concluído em 2002, com algumas mudanças feitas até 2006.