As mãos seguram o peso do corpo inteiro, sentindo em sua membrana fina a textura áspera da argamassa não rebocada. Mesmo com todo corpo estirado contra o muro ainda assim não era possível ver o que havia por trás dele. O suor, num misto de adrenalina e calor, escorria por entre as têmporas indicando a movimentação para um esforço final, um derradeiro impulso antes da queda iminente que, por alguns segundos, permitiu ultrapassar a última fiada. Abriu-se, então, o campo de visão para um mundo fragmentado, desconexo e estranhamente livre. Uma potência urbana que se deixava estrangular pelo alento da vegetação tropical enquanto era consumida pelo abandono em meio a cidade ativa e dinâmica.
Movimentos sindicais têm sido uma tendência entre os jovens com formação universitária nos EUA, segundo o New York Times. Eles buscam solidariedade e fortalecimento através da coletividade para alcançar mudanças desejadas em contrapartida à resistência que eles têm encontrado. Enquanto a Amazon e a Starbucks ganham as manchetes dos jornais quando o assunto é sindicalização, arquitetos mais jovens também estão se organizando. Isso é incentivado pelo The Architecture Lobby, um grupo que se inclina para o campo do socialismo democrático. O escritório SHoP, com sede em Manhattan, foi alvo recente de um grupo de funcionários que não obtiveram sucesso na sua proposta de sindicalização.
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Los augurios. Image Cortesía de Festival Model
Como realmente damos à população a capacidade de descobrir e entender o que está acontecendo ao redor de suas cidades? Esta é uma das principais perguntas levantadas por Eva Franch, diretora artística, ao lado de Beth Galí e José Luis de Vicente, do Model - Festival de Arquiteturas de Barcelona.
Como colocamos as coisas em pauta, no debate público, na esfera pública? Uma das respostas pode estar nas realidades aumentadas — tecnologias que permitem visualizar parte do mundo real com novas informações por meio de um dispositivo tecnológico. Para este evento de arquitetura, além das cinco instalações temporárias físicas espalhadas pela cidade, foram produzidas cinco instalações de realidade aumentada abordando os diferentes temas do evento: Entre-Gerações, Entre-Culturas, Entre-Espécies, Entre-Classes e Entre-Matérias.
Beijing Daxing International Airport / Zaha Hadid Architects. Image by @seven7panda
Na arquitetura e no urbanismo, os movimentos de aproximação e se afastamento de determinado objeto de estudo, seja na escala do edifício ou da cidade, são corriqueiros e permitem ora visualizar melhor os detalhes, ora ter uma visão mais ampla do todo – ambas essenciais para compreensão do objeto em questão. A mudança do ponto de vista possibilita percepções distintas de um mesmo local: ao nos deslocarmos do nível térreo, ou do observador, ao qual somos habituados a vivenciar no cotidiano, para o ponto de vista aéreo, podemos estabelecer relações que se aproximam das obtidas através plantas de situação, de localização e planos urbanísticos.
A arquitetura, com seus/suas profissionais, acadêmicos/as e teóricos/as, há muito tempo explora ideias utópicas na esperança de transformá-las em algo concreto em prol de um mundo melhor. Contudo, à medida que o mundo caminha para uma polarização ainda maior do que a atual, a prática da arquitetura viu-se obrigada a se adaptar aos sistemas vigentes do planeta, limitada por condicionantes em constante crescimento. Aos poucos, quem atua na área percebeu que a utopia não pode ser vista de fato como a solução ideal, necessitando ser readaptada ou fundida a outros conceitos para que realmente funcione. A mais recente monografia da DETAIL, BIG. Architecture and Construction Details / BIG. Architektur und Baudetails — uma relação entre as utopias imaginativas e não construídas do BIG e sua arquitetura construída e funcional —, explora 20 projetos desenvolvidos pelo escritório.
Centro comercial futurista. Imagem via Os Jetsons, 1962 / Hanna-Barbera Productions
O surgimento da energia nuclear, avanços dramáticos no desenvolvimento de foguetes e o desejo de ser o primeiro a colocar homens no espaço e na lua deram início a uma era conhecida como a "Era Espacial". Após o encerramento da Segunda Guerra Mundial, tanto os soviéticos quanto os aliados se encontraram em um estado de antagonismo, pois ambos começaram a lutar para avançar na exploração espacial antes do outro, uma corrida pelo espaço. A era daria lugar a rápidos avanços na tecnologia e grandes realizações, incluindo o pouso na Lua em 1969. A estética da Era Espacial mudou completamente a forma como os designers visualizavam o novo mundo e deixou uma marca dramática na arquitetura e nos interiores. Uma nova visão de futurismo e prosperidade.
Open BIM é uma sigla para Open Building Information Modeling e consiste em uma abordagem universal para o projeto, a execução e a operação colaborativa de edifícios baseada em padrões e fluxos de trabalho abertos. Trata-se de uma iniciativa da buildingSMART apoiada por muitos dos principais desenvolvedores de software da indústria da construção.
A abordagem define métodos para a descrição orientada a objetos de edifícios por meio de formatos de dados abertos que facilitam a entrega integrada de projetos. O Open BIM proporciona uma linguagem comum para o intercâmbio de informações em equipes multidisciplinares de projeto.
Para o advogado especialista em Direito Urbanístico e consultor legislativo do Senado Federal Victor Carvalho Pinto, mais importante que financiar obras municipais seria apoiar a modernização das administrações das cidades e estados, o chamado “desenvolvimento institucional”. Em entrevista exclusiva ao Geocracia, Carvalho Pinto, que é Coordenador do Núcleo Cidade e Regulação do Laboratório Arq.Futuro de Cidades do Insper, não se diz preocupado com o fim do Ministério das Cidades, já que o orçamento federal, a Caixa Econômica Federal e o BNDES destinam recursos a fundo perdido para muitas obras municipais.
https://www.archdaily.com.br/pt/982566/antes-de-obras-municipais-vem-informacao-cartografia-e-cadastro-imobiliarioCarlos Vieira e Victor Carvalho Pinto
PROJECT 普罗建筑 foi fundado em 2014 e é um coletivo de pesquisa e projeto reconhecido internacionalmente. Atualmente, a equipe conta com mais de dez profissionais, com estúdios em Pequim, Xangai e Shenzhen. Seus fundadores, Chang Ke e Li Wenhan, graduaram-se respectivamente pela Universidade de Tecnologia de Delft (TU Delft), nos Países Baíses, e pela Universidade de Artes Aplicadas de Viena, acumulando anos de experiência em grandes escritórios de arquitetura na Europa e na China, sendo ambos arquitetos registrados nos Países Baixos. Como especialistas nas áreas de renovação urbana e edifícios públicos, a filosofia central do escritório define a demanda como contexto, a resistência como força motriz e a inovação como questionamento estrutural. O PROJECT 普罗建筑 busca romper as fronteiras do design tradicional, transcendendo as limitações de escala e categoria, definindo cada encargo como um "PROJECT" (projeto) integrado. Ao focar nas condições específicas de viabilidade de cada projeto, o escritório propõe soluções estratégicas e explora novos programas e tipologias espaciais — em especial aquelas que emergem de iniciativas populares. Ao conectar o projeto à vida cotidiana, estimulando e organizando a vitalidade gerada por esses novos modelos, o escritório busca contribuir de forma ativa para o desenho espacial da vida urbana e rural contemporânea.
O PROJECT 普罗建筑 oferece serviços completos de consultoria e projeto, que abrangem desde o planejamento conceitual, arquitetura, paisagismo e interiores, até mobiliário, design de produto, sistemas de sinalização e consultoria de execução de obras. Longe de enxergar o design como uma intervenção isolada, o escritório utiliza o conceito de "PROJECT" para transformar cada projeto em um sistema contínuo de pesquisa focado na inovação criativa. O escritório dedica-se a explorar uma pesquisa e prática arquitetônica locais enraizadas no contexto sociopolítico da China contemporânea. Com uma metodologia baseada no estudo coletivo e no debate, toda a equipe de design participa ativamente das discussões e tomadas de decisão de cada projeto. O PROJECT 普罗建筑 funciona como uma inteligência coletiva, revelando novas possibilidades e mecanismos ideais a partir de múltiplas perspectivas. Unir a prática local ao caráter cívico e social define a direção atual do escritório. Ao conciliar projetos sob encomenda de pequena e média escala com concursos para edifícios públicos de grande escala urbana, a equipe busca consolidar um modelo viável para escritórios de arquitetura locais, equilibrando a atuação comercial e o rigor acadêmico. Este é, portanto, o momento ideal para receber novas mentes e abrirmos juntos novos caminhos.
Claramente, designers gráficos não são arquitetos, mas projetos colaborativos entre esses dois campos do saber que se interseccionam em seus detalhes, podem vir a funcionar bem.
A indústria criativa como um setor evoluiu e muitas pessoas agora estão em novos campos. Se você está colaborando, pode avançar rapidamente e já falamos disso aqui. A tendência é ser colaborativo, e muito diferente de 25 anos, quando você deveria ser um designer gráfico sozinho fazendo layout e gramaturas de papel ou um arquiteto isolado num escritório em seu autocad.
Arca de Convivencia / LEA Atelier + TAKK . Image Cortesía de Festival Model
"Arca de Convivência" é a instalação temporária que LEA Atelier e TAKK Architecture projetaram para o Festival Model — um evento que, durante dez dias de maio, tomou a cidade de Barcelona como campo de experimentação e debate. Trata-se de um artefato móvel situado na Ronda de Sant Antoni que abriga uma infinidade de árvores, plantas, arbustos e insetos, lembrando-nos da urgente necessidade de criar espaços públicos para reverter os efeitos do aquecimento global e estimular a biodiversidade.
Historicamente associadas à imagem de fábricas e edifícios industriais em geral, as instalações aparentes também têm sido adotadas nos últimos anos em outras tipologias, entre elas a residencial. Os eletrodutos, tubos hidráulicos e demais elementos utilizados nas instalações, que por muito tempo foram relegados ao segundo plano, escondidos por paredes e forros, podem ser elementos chave de partidos arquitetônicos.
Palacio de Puruchuco. Image Cortesía de Norma León Lescano
O Peru é um país que conta com um extenso, rico e transcendente patrimônio arqueológico. Lamentavelmente, o passar dos anos trouxe consigo uma acentuada deterioração. Os autores Norma León Lescano, Yann Barnet e Alvaro Racchumi expõem, por meio de seu artigo “Captura de datos 3D para virtualizar el patrimonio cultural”, o método que utilizaram para obter em três dimensões uma réplica do Palácio de Puruchuco. Desse modo, busca-se fornecer as informações necessárias que sirvam de guia para promover o processo de virtualização do maravilhoso patrimônio cultural, proporcionando maior alcance, valorização e conservação do mesmo.
Ao longo dos anos, os banheiros foram vistos como espaços puramente funcionais, estritamente programados para a higiene e a privacidade. Tornando-se cada vez menores e mais práticos, o box de chuveiro utilitário, que economiza espaço, passou a ser considerado a norma, empurrando a banheira para a obsolescência ou restringindo-a a um luxo adicional para quem dispõe de espaço (e orçamento) extra. Recentemente, contudo, à medida que as mudanças no estilo de vida impulsionadas pela pandemia colocaram o bem-estar como prioridade máxima, a noção do banheiro como um santuário consolidou-se definitivamente. Com isso, os banheiros contemporâneos foram reimaginados, voltando-se para espaços abertos de relaxamento, conforto e recuperação. E as banheiras – com sua inerente natureza meditativa – voltaram ao centro das atenções.
Em uma tarde de domingo quente e nebulosa, os cortiços de concreto de Nairóbi se elevam sobre os barracos (ou “favelas”) da cidade. Homens e mulheres penduram roupas em telhados e varandas — fazendo com que os edifícios pareçam uma colcha de retalhos, um mosaico de tecido.
É um elemento arquitetônico essencial, que costumamos notar imediatamente ao olhar para edifícios novos — o telhado. As coberturas que abrigam os edifícios de nossas cidades apresentam tipologias diversas. Telhados planos são comuns nos centros das grandes metrópoles, coberturas em quatro águas são escolhas populares para residências no mundo todo, e o telhado em duas águas é indiscutivelmente o mais comum de todos, sendo o tipo de cobertura mais frequente nas representações estilizadas de uma casa padrão.
Ainda estamos no alvorecer do Metaverso, a próxima onda da internet. As atuais plataformas de Metaverso mais populares servem como recipientes experimentais para abrigar os sonhos mais ousados de mundos virtuais onde deveríamos libertar a imaginação. No entanto, sob a perspectiva do design espacial, até agora elas têm sido sem graça e comuns. Sem as restrições do mundo físico, como elaborar os projetos urbanos no metaverso? Acredito que os/as planejadores/as do metaverso podem encontrar inspiração em As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino, obra na qual o autor revela uma abordagem poética e matemática do "planejamento urbano" em mundos imaginários.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134433/o-que-os-as-planejadores-as-do-metaverso-podem-aprender-com-star-as-cidades-invisiveis-star-de-italo-calvinoChloe Sun
A regra se aplica a todas as disciplinas criativas: obras de design verdadeiramente únicas e de alta qualidade são quase sempre o resultado de certas constelações favoráveis. Isso vale tanto para cineastas e profissionais da música quanto para arquitetos/as e designers. Afinal, grandes ideias criativas muitas vezes só podem ser realizadas em equipe, em cooperação com colaboradores/as.
Há dois anos, a jovem cantora, violinista e compositora suíça Chiara Dubey lançou um álbum intitulado 'Constellations'. Um céu estrelado adorna a capa – de modo que, aqui também, trata-se de uma interação especial sob uma boa estrela. Mas como, você deve estar se perguntando, passamos de capas de álbuns para uma empresa de mobiliário?
Já ouviu falar em neuroarquitetura? Como seriam os espaços se os arquitetos projetassem os edifícios baseados nas emoções, na cura e na felicidade do usuário? Hospitais que ajudam na recuperação do paciente, escolas que estimulam a criatividade, ambientes de trabalho que te deixam mais concentrado…
Isso é neuroarquitetura: projetar ambientes eficientes baseados não apenas em parâmetros técnicos de legislação, ergonomia e conforto ambiental, mas também em índices subjetivos como emoção, felicidade e bem-estar.
O estúdio David Pompa, fundado em 2013 e sediado na Cidade do México, é composto por profissionais de design, engenharia e fabricação estabelecidos no México e na Áustria. David Pompa cresceu em ambos os países e estudou design de produto em Londres. Ao longo do tempo, o estúdio tem demonstrado um forte interesse pelos materiais e pelas técnicas tradicionais e, desde a sua fundação, mantém um compromisso com a cultura mexicana, o que se reflete na criação de objetos de design estéticos e acessíveis. Desta vez, apresentam uma nova coleção para a Semana de Design de Milão 2022 na Via Simone Saint Bon, como parte do Fuorisalone de 5 a 12 de junho.
Mais do que uma tendência, a industrialização é uma necessidade no setor da construção. Nos últimos anos, temos sido testemunhas de sua importância no aumento da produtividade e da velocidade de execução – bem como na redução de desperdícios – em obras de arquitetura. Além de agilizar os processos construtivos, essa produção seriada, mecânica e padronizada aumenta a qualidade e reduz os prazos de entrega. Se as primeiras decisões de um projeto consideram a modulação das diferentes etapas que podem ser industrializadas em parâmetros verticais e horizontais, o resultado é mais eficiente do que se isso for avaliado apenas no momento da execução (quando já não é mais possível reduzir as perdas por meio da modulação). Além disso, ao minimizar resíduos e diminuir o consumo de recursos energéticos e hídricos, também se contribui para uma indústria mais sustentável.
De 5 a 15 de maio, a Praça Real de Barcelona transformou-se em um dos centros de debates sobre arquitetura e cidade do Festival MODEL. A instalação efêmera "Ocupar o Centro com a Palavra", realizada pela Faculdade de Design e Engenharia ELISAVA sob a direção de Roger Paez, em conjunto com Manuela Valtchanova, Albert Fuster e Toni Montes, buscava "gerar condições ideais para que possam ocorrer tanto encontros quanto desacordos - sempre por meio da palavra".
O novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas destaca o enorme potencial da natureza para reduzir os riscos das mudanças climáticas e aumentar a resiliência. O contexto político tem se tornado propício para essa abordagem. Em 2021, por exemplo, 137 países se comprometeram, de forma coletiva, a acabar com a perda de florestas e a degradação de paisagens até 2030 como parte da Declaração dos Líderes de Glasgow sobre Florestas e Uso da Terra. Os signatários reafirmaram a importância de todas as florestas para a adaptação aos impactos das mudanças climáticas e para manter saudáveis os serviços ecossistêmicos. Promessas de financiamento se seguiram à declaração, incluindo US$ 19,2 bilhões para proteger e restaurar florestas em todo o mundo.
Cidades com deficiências são aquelas que apresentam espaços e ambientes que impedem ou dificultam o acesso, a participação e a interação do cidadão, independentemente de qualquer perda ou anormalidade relacionada à sua estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatómica. Convido os leitores para que, comigo, mudem o foco da abordagem sobre as deficiências, transferindo para as cidades e os ambientes construídos a incapacidade em atender de maneira digna e eficaz a diversidade das habilidades e capacidades inerentes aos seres humanos.