Na medida em que adentramos 2023 e começamos o Ano do Coelho, compartilhamos com vocês algumas reflexões sobre o que o ano passado nos trouxe e como nos preparamos para mais um ano.
Ao passo que a arquitetura se torna uma questão mais ampla e mais pessoas começam não apenas a se interessar por ela, mas a querer se engajar de forma ativa, assumimos a responsabilidade de abrir a caixa preta dessa disciplina e construir pontes através do conhecimento. No esforço para reduzir distâncias, buscamos responder à pergunta "o que é boa arquitetura?" através de nosso primeiro livroThe ArchDaily Guide to Good Architecture publicado pela editora gestalten.
Vicuña Mackenna 20 (VM20), a poucos metros da estação Baquedano do Metrô e em pleno coração de Santiago, é um novo projeto da Universidade do Chile que busca tanto se tornar um polo de extensão artística e cultural quanto impactar o plano de recuperação de espaços públicos no entorno central da capital.
O ano de 2022 nos trouxe o que ficou conhecido como crise do triplo C — Covid, Clima e Conflitos. Novos desafios ambientais, disputas políticas e uma emergência sanitária ainda presente alimentaram desigualdades e contribuíram para aumentar os índices globais de pobreza. No entanto, 2022 não foi apenas de dificuldades; testemunhamos a reabertura um mundo que estava fechado, permitindo que as pessoas se reencontrassem presencialmente. Isso nos possibilitou refletir sobre como construir “sociedades mais resilientes, sustentáveis e saudáveis” que podem sobreviver às ameaças atuais e futuras.
Sempre fiel à nossa visão de "empoderar todos os que fazem a arquitetura acontecer para criar uma melhor qualidade de vida", a seleção dos melhores artigos do ArchDaily de 2022 destaca um amplo espectro de tópicos. Lidando com passado, presente e futuro, os temas explorados vão desde a arquitetura do metaverso e IA até a história e a teoria básica, refazendo histórias, ajustando erros comuns e projetando um futuro que já está aqui. Além disso, neste ano, os editoriais trouxeram mais dicas e ideias para os espaços de convivência, ao mesmo tempo em que investigaram os aspectos multidisciplinares, a fim de ampliar perspectivas e apresentar novas noções. A equipe muito diversificada do ArchDaily mergulhou em territórios, não comumente retratados na mídia, para contar a história arquitetônica de cada tipologia, comunidade e movimento. Acreditando na contextualidade e localidade, inclusão sem deixar ninguém para trás, nossos artigos refletem nossa visão de um mundo melhor.
A 14ª edição do prêmio ArchDaily Building of the Year chegou e novamente precisamos da sua ajuda para selecionar os melhores projetos de arquitetura do ano.
Este ano participam mais de 4.500 edifícios distribuídos em 15 categorias diferentes. De obras residenciais a projetos públicos, cada categoria apresenta o que há de melhor em inovação, sustentabilidade e funcionalidade no campo da arquitetura. Alguns desses edifícios tiveram um impacto significativo no ambiente construído e merecem reconhecimento por sua excelência.
Como membro da nossa comunidade, convidamos você a participar do processo de seleção votando no melhor projetos de cada categoria.
Não perca a oportunidade de dar sua opinião e nos ajude a celebrar os melhores projetos contemporâneos.
1 De Haro / Perkins&Will. Imagem cortesia de Quebec Wood Export Bureau
A madeira engenheirada vem ganhando força em toda a América do Norte. Além dos benefícios dos materiais naturais e das estruturas aparentes, o potencial da construção industrializada offsite começa a transformar o modelo de viabilização de uma gama cada vez maior de edifícios. Quando uma incorporadora e proprietária californiana propôs o primeiro edifício de madeira engenheirada do estado, selecionou criteriosamente a experiência, o escopo e as qualificações dos parceiros, e todo o kit de madeira engenheirada foi transportado por trem diretamente de Quebec, no Canadá.
Dispostos em espaço aberto, os designs sinuosos e fluidos da Desforma são o mobiliário como paisagem. Imagem cortesia de Desforma
A linha da Desforma é singular no mundo do design. A marca não trabalha com releituras requentadas do estilo modernista mid-century, tampouco com linhas retas rígidas ou com um funcionalismo pragmático em aço pintado. A proposta da Desforma baseia-se em linhas fluidas e arrojadas e curvas orgânicas: sofás compostos por ondas senoidais que parecem moldados por forças da natureza e evocam o balanço da vida marinha, além de cadeiras que parecem ter florescido espontaneamente.
Iris Barrel é uma designer que nasceu no Queens, filha única de uma russa com um americano, dono de uma empresa de espelhos.Estudou artes na Universidade de Wisconsin e começou a carreira no WWD, publicação que é uma referência na indústria de moda.
Em 1948, já ao lado do marido, Carl Apfel, fundou uma marca bem-sucedida de tecidos que, inclusive, fez parte da decoração da Casa Branca durante o mandato de nove presidentes dos Estados Unidos.Apesar de terem vendido a empresa em 1992, o casal continuou trabalhando pela marca por mais 13 anos, ou seja, até 2005. Iris Apfel estava bem aposentada da indústria de design de interiores, quando, aos 84 anos ela foi convidada por Harold Koda — curador do Met’s Costume Institute —, a exibir sua coleção de roupas e acessórios.
Em uma nova série intitulada "Opening Up", a fabricante holandesa de dobradiças para portas pivotantes FritsJurgens inicia uma jornada em formato de vídeo para explorar os projetos de portas pivotantes mais cativantes do mundo. Na última segunda-feira de cada mês, a FritsJurgens lança um novo episódio no qual arquitetos/as, fabricantes e proprietários/as de portas pivotantes conversam sobre seus projetos.
Os arquitetos Smiljan Radic e Nicolás Schmidt projetaram uma estrutura inflável para a XXII Bienal de Arquitetura e Urbanismo do Chile. Localizada no entorno urbano do Palacio de la Moneda, em Santiago, a instalação funcionou como um palco temporário para a programação de encontros, debates e palestras que promoveram as discussões públicas sobre a temática central do evento: "Habitats Vulneráveis".
A 9ª edição da Bienal de Urbanismo\Arquitetura de Duas Cidades (UABB) de Shenzhen e Hong Kong foi inaugurada em 10 de dezembro de 2022. Com curadoria de Lu Andong, Prince Gong e Aric Chen, a exposição reúne centenas de artistas, designers e arquitetos/as de quinze países. A mostra terá duração de três meses.
O tema da Bienal, "Cosmologias Urbanas", abrange tanto a simbiose espacial quanto os ritmos temporais da vida. Trata-se de uma fonte da antiga sabedoria chinesa, bem como de uma cosmologia voltada para o futuro. A "Cosmologia da Cidade" é um campo de simbiose, parte da "comunidade de vida entre o ser humano e a natureza".
Num mundo que cada vez exige mais da gente, para muitas pessoas o banho vai além de um momento de higiene. Ele pode trazer alguns minutos para relaxar após um dia longo de trabalho ou revigorar as energias. Por isso, cada vez tem se buscado mais por espaços que fogem do óbvio na hora de projetar um banheiro. A ducha pode se tornar uma experiência prazerosa e que permite uma fuga momentânea das tarefas cotidianas, como os projetos selecionados a seguir podem nos demonstrar.
Estamos acostumados a olhar para a arquitetura enquanto grandes objetos que se assentam no tecido urbano ou no meio natural, estabelecendo novas relações com seu entorno. Nosso cotidiano, porém, se passa também dentro desses edifícios, acessando-os, ocupando-os e manipulando-os. Estabelecemos assim relações com o meio construído imediatamente perto de nós, de modo que a arquitetura precisa, ao mesmo tempo, prestar atenção à macro escala, como o clima e a vizinhança, por exemplo, mas também à micro escala, os acabamentos, suas texturas e cores.
Há uma série de detalhes que transformam a experiência dos moradores e usuários de um edifício, que, ao serem explorados, elevam a qualidade do projeto e mexem com os sentidos e estímulos das pessoas. Esses detalhes podem ser construtivos, mas também podem ser estéticos ou funcionais.
Ao fazermos um balanço e analisarmos o ano de 2022 através dos artigos mais visitados em nossa seção de Materials, fica claro que questões relacionadas ao interior ressoaram fortemente entre nossos leitores. Enquanto a humanidade gasta mais tempo em ambientes internos, tanto nos físicos quanto agora nos virtuais, como o Metaverso, as formas e funções que definem esses espaços internos adquiriram maior importância e valor. Experimentar com espaços fluidos, flexíveis e versáteis é uma tendência que testemunhamos há alguns anos, impulsionada principalmente pelos impactos das quarentenas ainda presentes em nossa memória. O caos e a incerteza que experimentamos nos fizeram entender a importância dos edifícios com consciência espacial e sensibilidade - aqueles capazes de antecipar e assumir a responsabilidade pelos efeitos que têm em seus habitantes. Fatores como orientação, dimensões e distribuição das salas, o uso de luz e ventilação naturais e a estética geral do espaço são essenciais. Os avanços tecnológicos adotaram o centro do palco e interromperam o design de interiores tradicional, dando origem a abordagens novas e inovadoras à eficiência e circularidade doméstica.
Através de três abordagens diferentes - operações, estética e energia -, abaixo, fornecemos uma previsão de como achamos que os espaços internos evoluirão de 2023 em diante.
Las Vegas, às vezes conhecida como a Cidade do Pecado, é talvez a mais famosa metrópole no deserto onde as pessoas se dedicam aos jogos de azar, ao entretenimento e a outros vícios. A cada ano, a cidade é visitada por centenas de milhões de turistas que vêm para ver suas luzes brilhantes e sua vida noturna ininterrupta. Las Vegas atraiu tanta atenção que até mesmo Robert Venturi e Denise Scott Brown buscaram estudar seu urbanismo, o que resultou em suas teorias sobre o "pato" e o "galpão decorado" no início dos anos 1970. No entanto, 50 anos depois, Vegas continua sendo uma cidade que reinventa constantemente sua identidade arquitetônica.
BRT de Curitiba e estação tubo. Foto Mariana Gil/EMBARQ Brasil, via Flickr. Licença CC BY-NC 2.0
A cidade de Curitiba, localizada no Estado do Paraná, tem sido reconhecida no cenário internacional como uma das principais referências do planejamento urbano brasileiro, principalmente pelo sucesso de seu modelo de transporte coletivo. Nesse contexto, é interessante percorrer os caminhos que fizeram a capital paranaense conquistar tal reconhecimento. Abordando o processo de difusão de ideias, este ensaio traz à luz diferentes posições de Curitiba na história do urbanismo: ora importadora de ideias, ora exportadora.
https://www.archdaily.com.br/pt/995427/o-modelo-de-transporte-publico-de-curitiba-na-contramao-das-ideias-estrangeiras-adotadas-no-brasilValdinei de Souza Castro
O zoneamento é a principal técnica de regulação urbanística adotada no mundo. Ele consiste na divisão do território urbano em um conjunto de zonas, fixando-se para cada uma os usos permitidos e os índices que definem parâmetros para as edificações que poderão ser construídas em cada lote. Em tese, são dois os objetivos buscados pelo zoneamento: evitar incômodos gerados por determinadas utilizações e limitar as densidades de ocupação à capacidade de suporte da infraestrutura existente.
A COP27, realizada em Sharm el-Sheikh, no Egito, terminou com um avanço histórico para ajudar os países vulneráveis a lidar com as perdas e danos decorrentes das mudanças climáticas. Por outro lado, as negociações também decepcionaram muitos atores ao não incluir nenhuma nova medida significativa para reduzir as emissões, o que é essencial para manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5°C. Já em relação à adaptação, apesar de alguns aspectos positivos, os avanços também ficaram aquém do esperado.
https://www.archdaily.com.br/pt/994570/cop27-principais-resultados-e-perspectivas-para-2023Natalia Alayza, Preety Bhandari, David Burns, Nathan Cogswell, Kiyomi de Zoysa, Mario Finch, Taryn Fransen, Maria Lemos Gonzalez , Nisha Krishnan, Paige Langer, Gaia Larsen, Jamal Srouji, Nate Warszawski e David Waskow
A arquitetura tem sido criticada por ser uma indulgência elitista primária. A maioria dos projetos arquitetônicos é financiada pelos ricos e vista como um meio de trazer beleza ao ambiente circundante. A arquitetura, no entanto, é uma moeda de dois lados com a funcionalidade equilibrando a estética. Com a capacidade de criar estratégias para soluções radicais, os arquitetos encontram-se igualmente na vanguarda da resolução de questões complexas. O contexto do sudeste asiático oferece um grande desafio com vários problemas sociais, dando aos arquitetos a chance de "salvar o mundo" com design humanitário.
O cloreto de sódio, mais conhecido como sal, está em toda parte. Abundante na natureza, seu uso é feito há muito tempo, preservando ecossistemas locais, degelando estradas, sendo vital em uma variedade de processos industriais e temperando nossas comidas. Hoje, lhe é atribuído relativamente pouco valor - considerando que costumava ser tão caro quanto ouro - e, diferentemente de outras alternativas derivadas da natureza, como algas ou micélio, não parece haver pesquisas e interesse suficiente em torno de toda a sua física, propriedades mecânicas ou estéticas. No entanto, trata-se de um material com potencial infinito e extraordinário. Além de suas qualidades de apoio à vida, o sal é acessível, facilmente disponível, antibacteriano, resistente ao fogo, pode armazenar umidade e calor e é ótimo em refletir e difundir luz.
A Barco galeria, localizada no centro de Santiago, Chile, organizou uma homenagem à arquiteta Lina Bo Bardi. A exposição Sirena, da artista Jessica Briceño com curadoria de Matías Allende Contador e Anton zu Knyphausen, coloca o trabalho disciplinar de Bo Bardi como ponto central de reflexão através de uma instalação imersiva que reúne cinco peças que abstraem seus recursos mais recorrentes. A mostra conta com colaboração da Embaixada do Brasil no Chile.
A galeria ocupa uma sala dentro do Edifício Barco, de Sergio Larraín, uma obra pioneira da arquitetura moderna chilena. Propõe uma prática curatorial dedicada ao debate, pesquisa e desenvolvimento de ideias críticas e inovadoras relacionadas à arte e arquitetura por meio de ciclos expositivos. Suas exposições mais recentes incluem 1972: Ciudades para el centro de Santiago, Solo tendrás piedras e Anaquel de Manufactura Aditiva.
Instalación LAGUNA. Image Cortesía de Diego González Albarrán
O bairro Doctores (Cidade do México) é um território complexo cujo entendimento envolve observar as inter-relações entre os objetos no espaço, mais do que o espaço e os objetos em si. Anteriormente conhecida como colônia Hidalgo e posteriormente rebatizada devido ao nome de suas ruas, a região apresentou múltiplos processos de transformação e apropriação ao longo do tempo, desde a construção de suas primeiras moradias durante o período colonial até a mudança espacial e social provocada pelo terremoto de 1985.
Via construcaoemvidros.com.br/. Usado sob termos de fair use.
Antigamente, em um contexto urbano menos adensado e populoso, as casas e prédios eram construídas com uma relação direta com a rua, não havendo a necessidade de existir muros e cercas frontais. Com o tempo, o tecido urbano foi se transformando e a divisão entre espaços públicos e privados se fez cada vez mais evidente e — sob o argumento da segurança pública — necessária. Apesar dessa divisão acontecer de diferentes formas nas cidades brasileiras, de maneira geral, utiliza-se muros, cercas e grades nas fachadas, criando uma espécie de espaço de transição entre a rua e o edifício e transformando a relação entre o objeto arquitetônico e a rua.
Casa abandonada em "Touki Bouki". Imagem cortesia de Janus Films
Ao mesmo tempo cativante, desconcertante e caótico, Touki Bouki, de Djibril Diop Mambéty, é uma jornada cinematográfica eletrizante. O drama de 1973 — o primeiro longa-metragem do cineasta senegalês — é a narrativa fantástica de um jovem casal em Dakar, ansioso para escapar da capital senegalesa atraído pelo glamour de Paris. Trata-se de uma obra focada em suas personagens sob muitos aspectos, centrada principalmente nas aventuras do casal, mas é também um exame visual sutil do urbanismo de Dakar pós-independência, onde a cidade e sua arquitetura são elementos essenciais em um enredo surreal.
O Pavilhão de Exposições da Bienal de Arquitetura e Urbanismo do Chile 2023 foi instalado na Plaza de la Constitución, a poucos metros do Palácio de La Moneda. Trata-se de uma referência e de uma reinterpretação da estrutura projetada neste mesmo local pela arquiteta Montserrat Palmer em 1972 para o Ministério de Obras Públicas (MOP), por ocasião da inauguração da UNCTAD III — a sede da III Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento no Terceiro Mundo.