Lehrer Architects projeta complexo de "tiny houses" para moradores de rua em Los Angeles. Imagem : Cortesia de Lehrer Architects
A moradia adequada, e tudo que a envolve de maneira mais ampla, é um dos princípios essenciais da humanidade, estabelecido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. No entanto, segundo estatísticas da Organização das Nações Unidas (ONU), 150 milhões de pessoas vivem em situação de rua no mundo, e 1,6 bilhão vive sob condições inadequadas de habitação. A crise habitacional é uma problemática multifacetada e enfrentada de diferentes formas e escalas por muitas cidades, em diversos países e continentes, e um de seus aspectos mais difíceis e complexos é justamente a privação desse direito básico a certas pessoas, de diversas maneiras e por diferentes razões.
Hoje em dia, é fundamental incorporar aos conceitos de projeto e funcionalidade estratégias que ajudem a limitar as emissões geradas pelos edifícios durante sua vida útil para combater as mudanças climáticas. Isso torna a redução do carbono incorporado na construção uma questão urgente, fazendo com que profissionais da área a levem cada vez mais em consideração para construir com uma menor pegada de carbono, em consonância com os princípios de circularidade, desenvolvimento sustentável e eficiência energética.
Minimalismo contemporâneo e relaxamento confortável: a banheira de imersão BetteStarlet Oval Silhouette em acabamento fosco reflete a tranquilidade que também caracteriza os projetos de Nathalie Deboel. Imagem cortesia de Bette
O contraste entre as caminhadas na praia e na floresta, tão importantes para ela, e a cidade vibrante com suas influências multiculturais é o que molda o estilo de Nathalie Deboel. A designer de interiores mora em Ukkel, nos arredores de Bruxelas, mas comanda seu escritório na cidade litorânea belga de Knokke – onde encontra a tranquilidade que se reflete em seus projetos. "Comforting Homes" é o título de sua monografia, publicada pela editora Stockmans Art Books, que apresenta alguns de seus projetos mais equilibrados. Para entender seu processo, Markus Hieke e a Bette entrevistaram a designer sobre como perpetuar as histórias dos edifícios e transformá-los – com foco na sustentabilidade dos espaços de banho – no lugar favorito de seus/suas habitantes.
Transformações sociais dramáticas, como pandemias e avanços tecnológicos, exigem mudanças dramáticas nos estilos de vida. Os arquitetos continuam explorando e propondo novos modelos de habitação, sempre atendendo às necessidades mais recentes da sociedade. O modelo de co-living é um exemplo que se tornou um sucesso estrondoso nas últimas décadas. Redefinindo a maneira como as pessoas vivem, o co-living busca fornecer uma forma de habitação social econômica. Embora amplamente voltada para as gerações mais jovens, a indústria de co-living está evoluindo para atender a vários grupos e nichos.
No universo da arquitetura contemporânea e das tendências de design, o tema da biofilia está se espalhando de forma implacável por plantas baixas, mood boards e interiores finalizados, como manteiga em um pão quente. Assim, falar de espaços ao ar livre com materiais naturais, ar puro, luz natural e vistas amplas pode parecer um disco riscado, mas às vezes tudo o que se quer é continuar apertando o "repetir". Afinal, assim como a manteiga no pão quente, o que é bom nunca é demais.
Estes espaços de banho se abrem, tanto figurada quanto literalmente, para o ambiente externo em uma variedade de climas ao redor do mundo, sem esquecer seu propósito principal: proporcionar um santuário de calmaria e conforto em um mundo estressante.
Visualização e tecnologia andam juntas há muito tempo. Trata-se, afinal, de um meio de representação da arquitetura que sempre dependeu do avanço tecnológico para acompanhar as demandas de um público crescente em diversos setores. Contudo, o fato de serem inseparáveis não significa que a tecnologia deva ditar o modo como a visualização é empregada. À medida que a tecnologia avança, ela se torna menos intrusiva, permitindo que o conhecimento técnico fique em segundo plano para dar protagonismo ao processo criativo e à exploração projetual.
A nova versão do Lumion chega a um cenário de visualização que se transformou drasticamente na última década. A busca pelo fotorrealismo, que dominou grande parte do desenvolvimento tecnológico da visualização, foi amplamente alcançada pela grande maioria de quem a utiliza. Hoje, uma visualização eficaz já não é uma exceção à regra, mas sim uma expectativa crescente. Como explica Remko Jacobs, fundador e Diretor de Tecnologia do Lumion: “o fotorrealismo está consolidado, especialmente na representação externa de edifícios. É muito mais fácil criar algo que tenha uma boa aparência”.
Waldspirale, Alemanha. Foto de Alexandre Prevot, via Flickr. Licença CC BY-SA 2.0
“Eu sou tolerante. Mas revolto-me. Acuso. É a minha obrigação. Estou sozinho. Por trás de mim não há qualquer ditadura, qualquer partido, qualquer grupo, nem qualquer máfia. Nem um esquema intelectual coletivo, nem uma ideologia. A revolução verde não é uma revolução política. É sustentada pela base e não é nem minoritária nem elitista. É uma evolução criadora em harmonia com o curso orgânico da natureza e do universo.”
O parágrafo acima foi proferido em meados do século XX por Friedensreich Hundertwasser, artista e arquiteto austríaco nascido em 1928 que marcou a história da arquitetura com seu estilo único de incorporar formas irregulares e vibrantes nas obras. Seus projetos eram um verdadeiro manifesto contra a arquitetura racional e repetitiva nos quais há direito de intervenções nas janelas para os inquilinos, pisos irregulares, telhados verdes e vegetação espontânea. Como arquiteto, ele sempre colocou a diversidade antes da monotonia, acreditando no direito de cada indivíduo de modificar a sua casa e expressar sua criatividade. Porém, acima de tudo, Hundertwasser acreditava na importância da identificação do homem com a natureza e o mundo ao seu redor, abordando conceitos relacionados à vida em comunidade e ao respeito pelo meio ambiente.
O aumento do custo de vida representa um obstáculo significativo para os jovens que buscam um lugar para morar, ao mesmo tempo em que as gerações mais velhas enfrentam dificuldades para se estabelecer em ambientes confortáveis após a aposentadoria. Diante desses desafios comuns, uma solução recorrente vem ganhando força: o retorno à moradia familiar multigeracional.
Embora conceitos e empreendimentos de moradia compartilhada tenham sido adotados nos últimos anos, o envolvimento familiar vem se mostrando uma alternativa financeira, jurídica e emocionalmente viável.
Kagi Maldives Spa Island / Yuji Yamazaki Architecture. Image Cortesía de Kagi Maldives Spa Island
As Maldivas são um país insular soberano localizado no Oceano Índico, organizado em 26 atóis. Sua capital e cidade mais populosa é Malé, com 103.693 habitantes. É formado por 1.190 ilhas, das quais 203 são habitadas, e está localizado a 450 km da Índia. Tem um clima tropical e úmido e é o país menos povoado da Ásia. O arquipélago tem 298 km quadrados distribuídos por uma área de cerca de 90.000 km, o que o torna um dos países mais dispersos do mundo.
O horizonte de Cluj-Napoca, cidade localizada na região da Transilvânia na Romênia, é definido por um mosaico de prédios históricos e modernos, dando à cidade uma aparência única e diversa. Entre os principais marcos visíveis, destaca-se a Torre dos Bombeiros, ou "Turnul Pompierilor" em romeno, por sua mistura de estilos, desde trabalhos medievais feitos em pedra até detalhes barrocos e intervenções contemporâneas. Mesmo sendo um monumento relativamente pequeno, com uma área no térreo de pouco menos de 50 metros quadrados, a torre contém camadas de história que narram a evolução de seu bairro e da cidade, desde seus primórdios durante a Idade Média até os dias atuais. Abandonada nos últimos anos, uma nova intervenção de Vlad Sebastian Rusu e Octav Silviu Olănescu tem como objetivo restaurar a posição da torre como um marco da história local e um espaço atraente para moradores e visitantes. Este artigo explora a história por trás da Torre dos Bombeiros, tanto narrativa quanto visualmente, através da lente de Cosmin Dragomir.
O campo da arquitetura, em teoria, se separa da arte. Ou se discute uma espécie de hierarquia entre os dois. Por sorte, o escritório Vão é um exemplo de que a separação não precisa existir, e que a hierarquia é infrutífera para qualquer um dos lados. Fundado em 2013 por Anna Juni, Enk te Winkel e Gustavo Delonero em São Paulo, o escritório desenvolve projetos arquitetônicos alimentados pelo pensamento artístico, e trabalhos artísticos em escala arquitetônica.
A luz é um elemento arquitetônico integral e emotivo. O acesso à luz é tanto aproveitado como limitado na arquitetura. Enquanto habitações tropicais caras celebram vistas ensolaradas com vidraças expansivas, uma ampla gama de galerias de arte rejeita a luz em sua forma natural, eliminando-a em conformidade com os requisitos sensíveis de suas exposições. A luz em um sentido arquitetônico e urbano também é altamente simbólica, evidente nas muitas metrópoles do nosso mundo, mas onde esse simbolismo assume uma dimensão interessante é no arquipélago de Zanzibar.
A arquitetura tem o poder de transformar as cidades. Seja através do uso inovador de materiais, da colaboração com outros escritórios para a concepção de planos diretores de bairros, ou da requalificação do transporte público para toda uma população, o design pode influenciar e impactar significativamente a forma como interagimos com os lugares onde vivemos. Em uma entrevista exclusiva ao ArchDaily, Alan Pullman, do Studio One Eleven, fala sobre a visão de seu escritório para o futuro de Los Angeles e sua abordagem voltada à arquitetura e ao planejamento urbano.
Imagem de Martin Pretorius e Raphael Trischler. Desafio Habitação Acessível da Buildner San Francisco. Imagem Cortesia de Buildner
Viver em um mundo cercado pelo constante surgimento de novos desafios exige adaptabilidade, resiliência e aprendizado contínuo. Em resposta, os concursos de projeto encorajam arquitetos a pensarem fora da caixa para criar soluções inovadoras. Seja para projetos experimentais ou práticos, esses concursos oferecem uma plataforma colaborativa para promover inovação e criatividade na solução de desafios contemporâneos. Esse é o caso da Buildner, que desenvolve um espaço para concursos de arquitetura abertos para descobrir novas possibilidades arquitetônicas.
Os concursos de arquitetura da Buildner são uma ferramenta para impulsionar o progresso ao fomentar ideias revolucionárias que promovam a discussão de tópicos críticos como habitação acessível, sustentabilidade e arquitetura em pequena escala. São fundamentais para enfrentar desafios globais. Esses concursos visam inspirar a próxima geração de designers a desafiar o status quo.
O transporte nos conecta. É como chegamos à escola e ao trabalho, como visitamos nossas famílias e como acessamos locais para comprar alimentos e receber tratamentos de saúde. Também é como enviamos e recebemos mercadorias e serviços. À medida que as economias e populações crescem, aumenta também a necessidade de meios de transporte eficientes, acessíveis e sustentáveis.
https://www.archdaily.com.br/pt/999059/5-mudancas-para-transformar-o-transporte-e-cumprir-as-metas-climaticasWRI Brasil
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Panorâmica do Corredor Vera Arruda. Imagem via Tribuna Hoje
Esse não é o primeiro texto a falar sobre isso, muito menos será o último. Diversos artigos apontam a inconsistência de vender políticas urbanas que favoreçam o automóvel como soluções de mobilidade. Eu mesmo escrevi em 2021 sobre a necessidade de pararmos de construir viadutos e dizer que eles vão resolver os problemas de mobilidade. Porém, recentemente, a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) de Maceió, autarquia vinculada à prefeitura, abriu uma consulta pública para questionar a população sobre a abertura de ruas no maior parque linear da cidade, o Corredor Vera Arruda. O objetivo da proposta é melhorar a “mobilidade” e “fluidez” da região, que “sofre” com congestionamentos nos horários de pico.
https://www.archdaily.com.br/pt/999312/maceio-abrir-ruas-em-um-parque-pode-melhorar-o-transitoRuan Victor Amaral
Guadalupe Marín con sus hijas, Ruth, a la izquierda, y Guadalupe,1939. Foto vía Un día, una arquitecta. Image Cortesía de coolhuntermx
Escrever sobre a participação de mulheres arquitetas ou no campo da construção civil é complexo. Hoje, conhecemos mulheres arquitetas contemporâneas que são multi-premiadas e reconhecidas, no entanto, olhar para o passado faz dessa perspectiva um espaço escuro e solitário.
Os vencedores do German Design Awards 2023 abordam o design de forma inteligente e sustentável, com foco em soluções de produtos inovadoras e ideias visionárias. O princípio cradle-to-cradle, os métodos de construção modular, o uso sustentável de materiais e a eficiência energética há muito tempo são pilares na fabricação e no processo de construção. Paralelamente, o branding imobiliário também vem ganhando cada vez mais destaque, tornando-se um instrumento importante na comunicação e no marketing arquitetônico.
Das 4.200 candidaturas recebidas pelo German Design Awards 2023, um total de 98 projetos foram premiados com a distinção máxima “Gold”. O German Design Awards é um dos prêmios internacionais de design mais reconhecidos do mundo, destacando-se pela diversidade e qualidade dos projetos apresentados. Os prêmios são concedidos a empresas cujos produtos se destacam nas categorias de “Excellent Product Design”, “Excellent Communications Design” e “Excellent Architecture”. Nas três disciplinas de design, os vencedores deste ano incluem marcas como Duravit, Mono e WMF, bem como o escritório de arquitetura MVRDV e startups como nevi e X Shore AB.
Atualmente, a indústria da arquitetura não pode ignorar quão significativo se tornou o desafio da sustentabilidade. Uma das estratégias para alcançar o desenvolvimento sustentável é a economia circular, fundamentada em um ciclo de vida sustentável. Sob a perspectiva do projeto, essa abordagem minimiza o uso de recursos e prolonga a vida útil das edificações. Além disso, outro desafio consiste em aumentar a usabilidade do próprio edifício, somando-se à forma como incorporamos a desmontagem da estrutura ao ciclo. Isso exige que os/as projetistas levem o futuro em consideração ao tomar decisões de projeto, integrando as demandas do presente com os desdobramentos potenciais daquilo que ainda não aconteceu.
A quadra é um elemento tipicamente urbano que, historicamente, apresentou-se sob diferentes formas e desenhos, fazendo parte, de maneira estrutural, das diretrizes de planejamento das cidades. A partir da observação de alguns tecidos urbanos de cidades como Barcelona, na Espanha, Paris, na França, e Copenhagen, na Dinamarca, é possível perceber a grande variação entre os modelos de quadras, em inúmeros aspectos, definindo suas próprias paisagens e dinâmicas. Alterações de estilo e formato, mudanças volumétricas na relação entre cheios e vazios, e modificações entre as conexões de acesso com o entorno, são alguns exemplos de particularidades tipológicas que as diferenciam. Assim, muitas vezes, em suas especificidades, as quadras constituem-se enquanto características emblemáticas e representativas não somente de determinados modelos de planejamento urbano, desenvolvidos ao longo da história, mas também das próprias cidades.
Essencialmente, as janelas são um elemento arquitetônico localizado em um vão ou abertura. Esses vãos são criados nas paredes em diferentes dimensões com o objetivo de iluminar e ventilar os espaços de forma natural. Com o passar do tempo, os materiais de fabricação evoluíram da madeira para o metal. Nesse processo evolutivo, a Revolução Industrial e o metal assumiram o protagonismo, redefinindo a forma de construir em todas as escalas — de cidades inteiras a elementos arquitetônicos essenciais, como as janelas.
A principal característica das janelas de metal está associada à simplicidade de sua construção e aos grandes vãos que podem alcançar. O caráter simples dessas estruturas destaca-se pela leveza visual que proporcionam, tornando-as elementos que enaltecem a relação do edifício com o seu contexto. Essa relação é potencializada por sistemas minimalistas desenvolvidos por marcas como a OTIIMA, que integram novas tecnologias e tipologias de abertura, como sistemas de correr e pivotantes que redefinem os limites espaciais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138313/janelas-minimalistas-que-diluem-os-limites-do-espaco-casa-na-praia-verdeEnrique Tovar
Erguendo-se sobre as cidades globais, o arranha-céu moderno há muito tempo é um símbolo de crescimento econômico e declínio ambiental. Durante anos, eles foram criticados pelos ambientalistas por serem consumidores descontrolados de energia. O arquiteto malaio Kenneth Yeang reconheceu o arranha-céu como uma necessidade nas cidades modernas e adotou uma abordagem pragmática para tornar mais verde a tipologia de construção que, de outra forma, seria insustentável. Os arranha-céus bioclimáticos de Yeang buscam combinar a economia de espaço com a sustentabilidade e a melhoria dos padrões de vida.
Como resultado do projeto de pesquisa MuWo - Mulheres na cultura arquitetônica (pós)moderna espanhola (1965-2000), foi apresentado o mapa interativo digital de arquiteturas idealizadas por mulheres na Espanha, que busca estudar e dar visibilidade ao trabalho das mulheres na arquitetura. Sendo uma delas a arquiteta Myriam Goluboff Scheps, propusemo-nos a investigar sua história, seus ideais e pensamentos a partir de uma de suas obras mais reconhecidas: as piscinas descobertas para a Deputação de A Coruña.
Um grupo interdisciplinar de docentes, em sua maioria da UNAM, fundou o seminário permanente de arquitetura efêmera em janeiro de 2019 com a intenção de formalizar os trabalhos que vêm sendo realizados em torno do tema desde 2010. Atualmente, como resultado de uma série de reflexões surgidas a partir das apresentações feitas no colóquio "Arquitetura Efêmera: reflexões sobre a mutabilidade do espaço construído" — realizado na Faculdade de Arquitetura da UNAM —, foi publicado o documento homônimo, que pode ser baixado gratuitamente neste link.