Ao longo da última década a civilização humana tornou-se tão consciente que foi criado até mesmo um novo termo em inglês para ela, "woke" (desperta). E embora esse despertar recém-descoberto derive da busca por destacar o inerente anteriormente ignorado por muitas injustiças e comportamentos raciais, sociais e políticos em nossas vidas, durante o movimento inicial #blacklivesmatter e em tempos mais recentes passou a representar a convocação de todas as formas de injustiça.
O propósito da arquitetura, como afirma o livro The ArchDaily Guide to Good Architecture [O Guia ArchDaily para uma Boa Arquitetura] é 'dar forma aos lugares onde vivemos'. O primeiro capítulo do livro, 'Boa arquitetura é atenciosa' sugere que, para melhorar a qualidade de vida proporcionada por espaços projetados pelo homem, precisamos empregar uma abordagem humana e empática.
Como repositórios de conhecimento e catalisadores de inovação, os museus representam uma tipologia arquitetônica repleta de oportunidades. Eles atuam como intermediários entre o público geral e os/as artistas, historiadores/as e pesquisadores/as, criando o meio para a exibição de culturas e da criatividade, ao mesmo tempo em que buscam tornar o conhecimento acessível a todas as pessoas. Por meio de uma curadoria atenta e do design de exposições, oferecem uma plataforma para a educação e a pesquisa, promovendo a compreensão e a valorização de diversas culturas, histórias e ideias. Para os/as arquitetos/as, representam também a oportunidade de conceber espaços alinhados às obras expostas, criando uma experiência imersiva para os/as visitantes.
A seleção desta semana do Melhor da Arquitetura Não Construída destaca projetos enviados pela comunidade do ArchDaily que evidenciam arte, tecnologia e inovação por meio de programas de museus e centros culturais. Apresentando propostas de escritórios de arquitetura emergentes e consagrados, como Hariri Pontarini Architects, Beyer Blinder Belle, Studio Saheb, RAMSA e Ho Khue Architects, a seleção abrange uma variedade de escalas e programas — desde um museu dedicado à memória do Holocausto até um museu privado de carros esportivos na Áustria ou uma galeria de arte de formas complexas no Vietnã.
Embora menos conhecida, a cidade húngara de Veszprém é uma das mais antigas e importantes do país. Nomeada Capital Europeia da Cultura em 2023, Veszprém ostenta uma longa história, visível em seus monumentos arquitetônicos em constante evolução, mas bem preservados. De fato, ao caminhar por suas ruas, uma das primeiras observações notáveis é o ecletismo e as camadas de edifícios historicamente diversos que surgem de forma esporádica. Apesar da diferença de estilos e linguagens arquitetônicas, essas estruturas contam, coletivamente, a história da região e sua relevância espiritual e política. Suas ruas propícias para pedestres, além de numerosos parques e espaços públicos, conectam os monumentos de Veszprém, convidando a um passeio histórico.
A madeira maciça, utilizada desde a pré-história e ainda muito valorizada hoje em dia, é extraída diretamente das árvores sem passar por processos de laminação, prensagem ou colagem. Embora continue sendo um material de uso universal na arquitetura, sua ampla utilização gerou um aumento na demanda e uma gestão de recursos menos eficiente. Diante disso, busca-se otimizar seu uso nos processos produtivos e reduzir seu consumo sem perder suas propriedades e beleza característica. Para enfrentar problemas como empenamento, envelhecimento e os altos custos ambientais associados à madeira maciça, foram desenvolvidos materiais como o Technowood. Ao combinar tecnologia e compostos de alta resistência com lâminas de madeira natural, o Technowood mantém a beleza e as características da madeira maciça, porém com maior durabilidade e uma abordagem sustentável, apresentando-se como uma alternativa viável.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138307/criando-fachadas-decorativas-e-duradouras-com-madeira-natural-e-tecnologiaEnrique Tovar
Fundadora e diretora do African Futures Institute (AFI) com sede em Accra, Gana, Lesley Lokko é uma arquiteta, educadora e romancista ganesa-escocesa. Com uma carreira que abrange Joanesburgo, Londres, Accra e Edimburgo, ela ocupou vários cargos como professora e é amplamente reconhecida em seu campo. A professora Lokko foi nomeada curadora da 18ª Exposição Internacional de Arquitetura, La Biennale di Venezia, em dezembro de 2021, depois de ter atuado como membro do júri do Golden Lions Awards da edição anterior da Bienal de Veneza. Em sua primeira entrevista ao ArchDaily, após ser nomeada curadora da Bienal de Arquitetura de 2023, Lesley Lokko compartilha ideias sobre os preparativos, o tema e esta 18ª edição.
Vista geral do conceito de banheiro AXOR por Barber Osgerby. Imagem cortesia de AXOR
Ao projetar banheiros, maximizar o espaço é fundamental para criar layouts funcionais que atendam às necessidades de quem os utiliza e melhorem seu bem-estar, sem deixar de lado a estética. Além de oferecer orientação sobre a melhor disposição de cada elemento, a coleção para banheiros da AXOR eleva esses espaços por meio de uma variedade de produtos, incluindo misturadores, chuveiros, cubas, banheiras e acessórios. Esses elementos integram-se perfeitamente a paletas de cores, materiais e acabamentos cuidadosamente selecionados para compor o ambiente.
Por ser um dos espaços mais íntimos de nossas casas, a criação de banheiros personalizados tem impacto direto em nosso cotidiano. Com a campanha Make it yours!, a AXOR mergulha no luxo sob medida e em como aplicá-lo ao design de banheiros. Ao explorar estilos diversos, cores marcantes e detalhes personalizados, suas coleções conseguem refletir múltiplas personalidades, concebendo espaços singulares inspirados em conceitos inovadores de grandes nomes do design. Em colaboração com o escritório londrino Barber Osgerby, a AXOR desenvolveu o conceito 'Skyline', um projeto personalizável desenhado com distinção individual.
Coluna de chuveiro AXOR Citterio E e AXOR Starck. Imagem cortesia de AXOR
Hadi Teherani costuma abordar seus projetos de arquitetura e design de forma holística. Nascido em Teerã e criado em Hamburgo, o profissional é um designer prolífico e versátil, com obras espalhadas pela Alemanha e por todo o mundo. Seus projetos receberam prêmios de renome internacional por sua sustentabilidade ecológica e abordagem integrada. Talvez resida aí a origem de seu fluxo contínuo de ideias: ele encara o processo criativo como uma resposta àquilo que vê, sente e vivencia.
O conceito de banheiro AXOR DISTINCTIVE de Teherani nasce de percepções pessoais e de um design inspirado. Quando a marca o questionou sobre como definiria o seu "banheiro personalizado", o arquiteto respondeu que o projeto reflete uma visão íntima desse espaço, originada de sua própria autoimagem — tanto no uso diário quanto no design e no mobiliário.
No âmbito do 2° Model: Festival de Arquiteturas de Barcelona, o escritório de arquitetura H3o Architects, com sede na mesma cidade e liderado por Adrià Orriols, Joan Gener e Miquel Ruiz, apresentou a instalação efêmera “Nomad Assembly” (Assembleia Nômade). Como uma das cinco instalações que integram este festival com curadoria de Eva Franch i Gilabert e coorganizado pela Prefeitura de Barcelona e pela Fundação Mies van der Rohe, a equipe pôde desenvolver o projeto até sua materialização no espaço público sob a cobertura do Mercat dels Encants, tornando-se o palco principal do evento.
O conceito de sustentabilidade surgiu na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (UNCHE), realizada em Estocolmo em 1972, e foi cunhado pela norueguesa Gro Brundtland no Relatório “Nosso Futuro Comum” (1987). De acordo com essa definição, o uso sustentável dos recursos naturais deveria “suprir as necessidades da geração presente sem afetar a possibilidade das gerações futuras de suprir as suas”. Entretanto, apesar da urgência do conceito e da constante evolução que ele tem sofrido ao longo do tempo, sua aplicação ainda se limita muitas vezes ao uso controlado dos recursos naturais e à preservação da vida selvagem. Ou seja, está baseada em relações e ações que abordam a situação sob a perspectiva do “homem versus natureza”, como um entendimento dicotômico em detrimento de uma visão holística.
A colaboração é um dos pilares da Modelagem de Informação da Construção (BIM). Ao unir clientes e equipes de projeto em uma plataforma unificada, é possível promover uma comunicação mais eficiente, melhorando os resultados do projeto e garantindo uma conclusão mais rápida do trabalho. Dessa forma, a colaboração multiusuário em tempo real (semelhante ao Figma) representa um avanço crucial para o setor de Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC).
Snaptrude facilita essa colaboração fluida entre equipes de projeto e clientes em uma ampla variedade de formatos, incluindo desenhos de AutoCAD, modelos do SketchUp, PDFs e imagens. Além disso, é possível trocar modelos de projeto facilmente entre o Revit e o Snaptrude por meio de um recurso de vinculação bidirecional, otimizando todo o processo de desenvolvimento.
O principal objetivo de bares, pubs e restaurantes é proporcionar aos clientes – tanto individuais quanto em grupo – um ambiente e uma atmosfera onde possam aliviar as tensões do dia ou da semana, seja com uma bebida tranquila em um canto reservado, seja em grupos maiores e mais sociáveis.
Mesmo antes de a pandemia trazer horários de fechamento mais rígidos, o avanço da TV sob demanda e dos serviços de entrega de comida já fazia com que ficar em casa – com o abraço acolhedor do travesseiro a poucos passos de distância – se tornasse uma escolha cada vez mais popular. Diante disso, não surpreende o surgimento crescente de estabelecimentos que oferecem um entretenimento mais ativo do que apenas uma noite de trívia ou salas de karaokê.
Apresentamos a seguir cinco exemplos de bares e restaurantes projetados para quem gosta de jogar.
Estive na China pela primeira vez em 2002, um ano após o Comitê Olímpico Internacional conceder os Jogos de Verão de 2008 a Pequim. Aquela viagem inicial teve como foco explorar a natureza, a culinária, templos antigos, sítios arqueológicos e, de modo geral, vivenciar o estilo de vida no país, principalmente fora das grandes metrópoles. Minha motivação era a pura curiosidade de quem, como turista ocidental, viajava a um país oriental em busca do velho mundo, do exótico, na esperança de vislumbrar uma rica cultura tradicional às vésperas de sua inevitável e radical transformação. Naquela época, não se podia falar em uma arquitetura moderna — ou melhor, contemporânea — na China. Havia apenas os primeiros indícios promissores do desenvolvimento de uma linguagem arquitetônica potencialmente nova, elaborada por um punhado de arquitetos/as independentes que atuavam quase inteiramente fora do radar.
“Parece que os meninos importam mais”, diz Molly (10 anos), durante uma entrevista para o podcast Mulheres Visíveis (Visible Women), no qual Caroline Criado Perez expões como a falta de dados e de design em torno das formas como mulheres e meninas utilizam o espaço público resulta em espaços urbanos projetados apenas para o gênero padrão: o masculino.
A arquitetura é capaz de reconciliar o sentido de pertencimento e dignidade espacial. Além de projetar equipamentos habitacionais ou de cultura, abordar o espaço público em comunidades que habitam espaços vulneráveis também é urgente e necessário para brindar uma infraestrutura digna que traga qualidade de vida à população. Por isso, reunimos sete intervenções em territórios marginalizados que demonstram o potencial de transformação que pode surgir a partir do espaço.
Bisman Ediciones é um escritório fundado em 1997 que se dedica à edição e ao desenvolvimento integral de diversos formatos para comunicar a arquitetura.
"Somos editores (ou talvez cartógrafos) de um tempo líquido e sem certezas, no qual a informação tende a desmaterializar-se; tradutores de uma realidade construída ou por construir; somos intérpretes de arquitetos e arquitetas que opinam sobre essa realidade e, por sua vez, a traduzem em cidades. Queremos comunicar o potencial cultural da arquitetura para um grande número de pessoas".
Sua sede fica no bairro de San Telmo, em Buenos Aires, e Hernán Bisman (fundador e diretor), junto a Pablo Engelman (Editor Geral Associado), nos recebem de braços abertos. Em suas prateleiras, exibe-se sua grande trajetória: publicaram material especializado para importantes instituições, empresas, arquitetos e arquitetas e coletivos profissionais na Argentina, além de terem organizado exposições temáticas em eventos culturais de várias cidades, como Veneza, Tóquio, Londres, Montevidéu, São Paulo e Havana.
A ICFF e a WantedDesign Manhattan retornam este mês ao Jacob K. Javits Convention Centre, com ambas as feiras agora sob a direção das fundadoras da WantedDesign, Odile Hainaut e Claire Pijoulat. Imagem cortesia de ICFF / WantedDesignManhattan
No próximo mês, ICFF e WantedDesign Manhattan, feiras de design simultâneas que formam a espinha dorsal do NYCxDESIGN Festival em Nova York, reúnem-se sob a mesma liderança pela primeira vez. Compartilhando o mesmo teto — o do Jacob K. Javits Convention Center — desde 2021, a ICFF, consagrada plataforma para o design estadunidense estabelecido e seus pares internacionais, e a WantedDesign Manhattan, dedicada a talentos independentes e emergentes locais e globais, passam a ser coordenadas pelas fundadoras da WantedDesign, Odile Hainaut e Claire Pijoulat. Ao integrar as programações e direcionar as feiras rumo a um formato mais interativo, as fundadoras buscam unificar a visão dos eventos, preservando a essência e o propósito de cada um.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138691/o-que-ha-de-novo-no-design-icff-e-wanteddesign-manhattan-2023-adotam-uma-visao-compartilhadaEmma Moore
“Qual é o melhor lugar para se viver em São Paulo? ”, perguntou um amigo que vai se mudar para a capital paulista e que, apesar de economista (como eu), não aceitou “depende” como resposta.
É claro que não existe uma resposta objetiva para a questão, já que a avaliação depende (sim, depende…) não só de inúmeras variáveis, muitas não disponíveis para análise, como também das próprias preferências do morador.
https://www.archdaily.com.br/pt/1000025/qual-e-o-melhor-lugar-para-se-viver-em-sao-pauloVitor Meira França
Seja para estabelecer uma maior fluidez entre os ambientes, para integrar elementos distintos de um projeto arquitetônico ou para criar uma atmosfera mais lúdica, o uso de estruturas suspensas em habitações é capaz de produzir e proporcionar uma série de experiências variadas nos espaços.
Os espaços desocupados dentro da cidade normalmente são encarados como situações entre o problema e o potencial. Cabe em parte à arquitetura e ao urbanismo mobilizar esses espaços de maneira qualificada no contexto citadino. Com essas questões em mente, o escritório Vazio S/A propõe a ativação de espaços tidos como residuais na paisagem urbana ou em contextos particulares, apoiando-se na potência que espaços vagos oferecem.
Espera-se que as cidades africanas tenham um aumento significativo da população nos próximos 30 anos. De acordo com as projeções das Nações Unidas, essas cidades receberão mais 900 milhões de habitantes até 2050. Essa mudança demográfica criará oportunidades e desafios que remodelarão a natureza e a estrutura dessas cidades. Esses desafios incluem a necessidade de crescimento econômico, aumento da demanda por habitação e infraestrutura e o desenvolvimento de sistemas de transporte complementares. Até agora, a maioria das cidades africanas respondeu a esse rápido crescimento populacional com padrões de crescimento horizontal que expandem as periferias da cidade, aumentam a fragmentação social e, por fim, levam a uma maior dependência do carro.
Como as casas contemporâneas têm empurrado os limites da inovação para o futuro? Atualmente, estes espaços tendem a ter linhas limpas, cores neutras e espaços flexíveis, com a integração de recursos tecnológicos e automatização. Mas mesmo havendo certas características atemporais que definem os interiores contemporâneos neutros, podemos começar a identificar tendências futuras analisando projetos arquitetônicos que diferem do tradicional, reconhecendo materiais e acabamentos disruptivos para interiores guiados pelos avanços tecnológicos que estão a moldar casas complexas e em constante mudança do futuro. A seleção destes materiais inovadores transmite um processo de decisão meticuloso na construção da estrutura e identidade de um espaço. Dependendo do contexto e tipologia, há uma crescente consciência de como os materiais afetam um ambiente, e como novas tecnologias estão a criar soluções inteligentes que podem mitigar os seus efeitos nos interiores.
A inteligência artificial (IA) vem desempenhando um papel fundamental na visualização dos interiores das casas do futuro, e juntamente com a exploração de materiais biofílicos, inteligentes e impressos em 3D, tem estimulado novas formas de abordar como vamos viver no interior no futuro.
Uma olhada dentro do Plethora Project's Common'hood, um jogo multiplayer imersivo focado na construção de uma nova comunidade dentro de uma fábrica abandonada após um colapso econômico. Imagem via Projeto Pletora
Este artigo é o terceiro de uma série que se concentra na Arquitetura do Metaverso. O ArchDaily, em colaboração com John Marx, designer, fundador e diretor da Form4 Architecture, traz mensalmente artigos que buscam definir o Metaverso, transmitir o potencial desse novo domínio e entender suas limitações.
“Almocei na lua, nadei em um lago sombrio em Marte, joguei croquet com as nuvens e persegui o arco-íris debaixo do mar, tudo em uma tarde gloriosa.” Como e onde você interage com um metaverso próximo de você influenciará o quão real e significativa essas experiências podem parecer. Ao passo que, fundalmentalmente, o metaverso pode ser visto como uma série de intenções econômicas sobrepostas, há uma oportunidade única e importante para arquitetos e designers de espaços e lugares influenciarem o resultado desses esforços e criarem um futuro mais humanista e vibrante.
Fazer arquitetura envolve mobilizar aspectos diversos em relação ao meio onde se insere o edifício: contexto sócio-cultural, político, econômico; estética, legislação, funcionalidade, e, dentro desta última, eficiência de uso, ocupação e conforto. As obras de Laurent Troost têm mostrado a articulação entre esses diversos fatores, com particular atenção ao último: o conforto, especialmente o térmico. Em geral, seus projetos priorizam a ventilação natural em detrimento do uso de climatização artificial, quase que obrigatória nas construções dentro do modelo de cidade atual.
A mudança de um país de quatro estações demarcadas para um com clima tropical em 1973 representou uma nova experiência de vida e, na prática da arquitetura, implicou uma adaptação à nova realidade. O contato com os costumes e hábitos da nova vida que se impunha, assim como a arquitetura tradicional que encontramos, indicou que nossa metodologia de projeto e construção deveria mudar para incorporar este novo mundo com seu clima e suas experiências.