Aninhada no meio do Mar Egeu, a antiga ilha de Delos surge como um testemunho atemporal da engenhosidade humana e da harmoniosa interação entre arquitetura e natureza nesta série de fotografias de Erieta Attali comentada pelo arquiteto Angelo Bucci. Inspirado pelo trabalho de Attali, Bucci cria uma narrativa que explora a profunda conexão entre arquitetura e o ambiente, ecoando o ethos de Delos.
Desde as cidades gregas antigas até as idealizadas pela Renascença, a história do planejamento urbano é um reflexo das estruturas de poder em evolução e das prioridades da sociedade. A estrutura organizacional de uma cidade está profundamente enraizada nas necessidades culturais e nas relações sociais. O desenvolvimento urbano contemporâneo, por sua vez, é marcado por uma dicotomia — o contraste entre estratégias de planejamento de cima para baixo (top-down), lideradas por entidades influentes e órgãos governamentais, e as iniciativas de baixo para cima (bottom-up), impulsionadas pelas comunidades locais. Essa interação molda as cidades, influenciando desde aspectos da infraestrutura e espaços públicos até os modelos habitacionais e a atmosfera urbana. Investigar as diferenças entre essas estratégias é essencial para a construção de uma paisagem urbana harmônica que atenda às necessidades de seus moradores.
O tecido de nossas cidades é moldado por milhões de pequenas decisões e adaptações, muitas das quais se tornaram essenciais para nossa experiência. Atualmente, considerados como óbvios, alguns desses elementos foram revolucionários na época de sua implementação. Um desses elementos é o rebaixamento do meio-fio (curb cut), uma pequena rampa que desce a calçada para conectá-la à rua adjacente, permitindo que usuários de cadeiras de rodas e pessoas com deficiências motoras se movam facilmente para dentro e para fora da calçada. Essa adaptação aparentemente pequena provou ser inesperadamente útil para uma gama maior de pessoas, incluindo pais com carrinhos de bebê, ciclistas, trabalhadores de entrega etc. Consequentemente, ela empresta seu nome a um fenômeno mais amplo, o "efeito curb cut", no qual melhorias feitas para uma minoria acabam beneficiando uma população muito maior de maneiras esperadas e inesperadas.
Nos últimos anos, a densidade populacional em Santiago do Chile tem ganhado grande relevância como tema urbano e arquitetônico, mas também econômico, político, social e ambiental. Sua grande repercussão, tanto positiva quanto negativa, tem gerado opiniões divergentes entre especialistas, o que nos faz refletir: devemos adensar Santiago?
Se você não entende o que são defletores, não se preocupe. É para isso que eles estão lá. O objetivo dos defletores é confundir a matéria. Em outras indústrias, são usados para direcionar o fluxo de água, controlar o fluxo de ar e a troca de calor, ou impedir que o tráfego atinja altas velocidades.
Quando utilizados no mundo científico da acústica, os defletores são posicionados para interromper as ondas sonoras em nossos ambientes mais movimentados. Eles captam, absorvem e suavizam o som, seja em áreas naturalmente ruidosas ou especialmente silenciosas. Filtram seletivamente os sons para evitar que retornem. Isso não significa, no entanto, que os defletores não possam dar uma vantagem estética aos interiores, proporcionando um visual muitas vezes interessante.
O design de interiores é a arte de transformar a experiência do espaço interno por meio da manipulação do volume espacial e do tratamento de superfícies, melhorando o interior de casas, apartamentos, edifícios, restaurantes, etc. De forma complementar, a arquitetura de paisagem consiste na conformação de espaços abertos e externos.
O desenho à mão livre sempre foi uma parte essencial do processo criativo na arquitetura. Um exemplo clássico disso é o arquiteto I.M. Pei, que esboçou seu projeto preliminar para a Ala Leste da National Gallery of Art em um guardanapo de papel.
Os esboços arquitetônicos modernos combinam a intenção do projeto com dados e restrições. O croqui ganha definição à medida que camadas de informação são adicionadas por diferentes colaboradores. Os profissionais de arquitetura hoje utilizam tanto ferramentas táteis quanto digitais para desenhar. O grande dilema tem sido escolher entre a flexibilidade oferecida pelos modeladores livres e a riqueza de dados proporcionada pelas ferramentas BIM.
Willow Technologies é uma empresa voltada para pesquisa de materiais e tecnologias de construção que foi selecionada como parte das Melhores Novas Práticas de 2023 do ArchDaily. Fundada pela arquiteta e cientista ganense-filipina Mae-Ling Lokko, opera na lacuna entre pesquisa, desenvolvimento e difusão de materiais construtivos feitos a partir de biomassa. Trabalhar com resíduos agrícolas e materiais de base biológica levanta questões técnicas relacionadas à escalabilidade, produção industrial, padronização, resistência ao fogo e resistência mecânica. Explorar esses dados é um dos focos da Willow Technologies, que o faz de forma peculiar através da perspectiva de regiões em desenvolvimento na África Ocidental. Por meio de trabalhos abrangentes com coqueiros, moringas, arroz e outras espécies, a prática de Lokko tem sido capaz de investigar e catalogar as características materiais de várias culturas, seus possíveis subprodutos, técnicas locais de transformação e as perspectivas e desafios da escalabilidade como materiais de construção.
A Casa Batlló, localizada na icônica Passeig de Gràcia em Barcelona, Espanha, é uma obra-prima arquitetônica que materializa uma síntese entre criatividade, inovação e a profunda conexão do arquiteto Antoni Gaudí com a natureza. Construída entre 1904 e 1906, essa residência é uma atração turística da cidade e uma contribuição importante para a história da arquitetura. Aqui, analisaremos a Casa Batlló a partir de conceitos envolvidos no campo da neuroarquitetura.
A tonalidade das cores desempenha um papel importante no conforto térmico dos edifícios, influenciando a absorção, reflexão e emissão de energia térmica. Junto da análise do clima local, da orientação solar e das qualidades dos materiais de construção, é possível conceber uma abordagem integrada consoante as pinturas das superfícies que ajuda a economizar até mesmo na conta de luz. Saiba como essas variáveis podem ser combinadas para trabalhar as cores com o desempenho térmico do seu projeto.
Pantone 219C, ou rosa Barbie, é um tom rosa vibrante e brilhante, sinônimo da marca Barbie. Desde a criação da boneca em 1959, pela empresa Mattel, a boneca se associou a esse tom específico de rosa. À medida que a popularidade da Barbie crescia, a associação com a cor rosa também crescia. Com acessórios cor-de-rosa, casas cor-de-rosa, cortes de cabelo cor-de-rosa e embalagens cor-de-rosa, não há Barbie sem o rosa. Além disso, à medida que a boneca se tornava um ícone cultural popular, seu tom icônico de rosa começava a influenciar várias indústrias que não são de brinquedos, como moda, beleza e design de interiores.
As calhas, como o próprio nome diz, são elementos de canalização instalados ao longo dos beirais de telhados e varandas e possuem a função de coletar a água da chuva que escorre na superfície da cobertura e direcioná-la aos devidos condutores. Independentemente do seu material, que pode ser alumínio, PVC, concreto, aço galvanizado, entre outros, seu dimensionamento é fundamental pois, dependendo do clima onde o projeto está inserido, os prejuízos causados por sua aplicação incorreta podem ser consideráveis.
A arquitetura, em geral, é entendida como construção positiva, isto é: tectônica, volume, objeto no mundo. E ela é. Contudo, se alteramos a perspectiva do observador – da vista aérea e longínqua para a interna, de quem ocupa aquele volume –, a noção de objeto no mundo se converte em "mundo" para o ocupante. Além disso, também pode se converter em moldura: o que recorta ou direciona o olhar. De fato, a vista é um quesito de valorização arquitetônica, pois destaca um determinado ângulo do que está fora, e convida o ocupante à contemplação. Os projetos da TETRO Arquitetura evidenciam essa alternância entre forma e recorte.
A neuroarquitetura e a psicologia ambiental são duas disciplinas que se baseiam na relação entre o ambiente físico e o comportamento humano, porém possuem abordagens e aplicações práticas distintas. Conheça as diferenças entre esses campos e suas aplicações práticas nos projetos de arquitetura e design.
Olá! Boas-vindas à primeira Newsletter para Apoiadores/as, criada exclusivamente para você. Para dar a partida nesta primeira edição, dedicamos este número ao conceito de INÍCIO. Exploraremos percepções sobre como dar os primeiros passos com a Inteligência Artificial e de que forma ela influencia a mudança na criatividade arquitetônica. Além disso, oferecemos à nossa comunidade de apoiadores/as um curso gratuito deDesign Computacional Evolutivo, informações sobre uma vaga de trabalho no OMA e uma nova ferramenta de visualização de ambientes.
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Desenvolvimento de uso misto em Nanjing / UNStudio. Cortesia de K.Wahv
Nas últimas décadas, a paisagem residencial da China passou por uma transformação, priorizando as necessidades da rápida urbanização e dos estilos de vida modernos, dados principalmente pelos laços sociais da comunidade. As tradicionais casas com pátio costumavam ativar o ambiente urbano, misturando harmoniosamente zonas residenciais privadas com áreas públicas do bairro. Hoje, o país está cheio de empreendimentos privados e comunidades fechadas que romperam a conexão entre áreas residenciais e o ambiente urbano. Em meio a essa transformação, a Habitação Social de Baiziwan, do MAD Architects, em Pequim, aparece como uma tentativa visionária de criar uma alternativa à vida urbana. Ao abraçar um programa de uso misto, este complexo residencial se integra ao bairro do entorno, promovendo um senso de unidade com a metrópole movimentada. Não limitado apenas à China, numerosos empreendimentos habitacionais em todo o mundo adotaram essa abordagem, restabelecendo seus laços com o ambiente urbano.
No mundo do varejo, a concorrência é acirrada. As marcas buscam distinguir sua presença e criar conexões íntimas com os clientes. Em meio à variedade de produtos que oferecem, as marcas reconhecem o valor de ambientes imersivos que criam identificação e provocam os desejos dos consumidores. Nesse sentido, quando se trata de projetos comerciais, a cor é um poderoso instrumento que permite às marcas articular seus valores, evocar emoções e criar experiências de compra memoráveis na mente de seus clientes. A cor transforma as lojas em algo mais do que espaços para transações — ela faz do design de interiores uma ferramenta de marketing estratégica para atrair e manter os clientes.
Jardim Filtrante no Parque Orla de Piratininga, Niterói (RJ) | Foto: Arquivo Phytorestore
Um estudo recente da Nature alerta que a poluição das águas poderá causar uma crise de abastecimento hídrico até o final do século XXI. A qualidade da água será, especialmente, pior em parte da América do Sul, da África subsaariana e do sudeste da Ásia – regiões já vulneráveis. Reverter esse cenário exigirá que autoridades governamentais priorizem o desenvolvimento sustentável. Neste sentido, soluções baseadas na natureza, como é o caso dos jardins filtrantes, podem tornar-se cada vez mais comuns.
Ambiente interativo de jogo virtual - Workshop de Design BS de verão da SCI-Arc. Imagem cortesia de SCI-Arc
O programa de Bacharelado em Ciências do Design* (BS Design) da SCI-Arc é um curso de graduação com duração de quatro anos que prepara estudantes para carreiras criativas interdisciplinares em design cinematográfico, games e planejamento e design urbano baseados em dados, utilizando a arquitetura como plataforma de exploração.
Junho de 2023 foi o mês mais quente já registrado no planeta. No Irã, o índice de calor atingiu 66,7 graus Celsius, perto dos limites da sobrevivência humana. Este não é o novo normal – à medida que as mudanças climáticas avançam, o mundo ficará ainda mais quente.
O aumento está sendo relacionado por cientistas às mudanças climáticas provocadas pelo homem e ao fenômeno El Niño o aquecimento natural das águas do Oceano Pacífico, que também vem sendo agravado pelo aquecimento global.
No limiar de uma nova era tecnológica, profissionais de arquitetura e design testemunham uma mudança de paradigma no setor. O advento da Inteligência Artificial (IA) e de soluções colaborativas de projeto está transformando o cenário profissional, redefinindo os limites entre criatividade e tecnologia. Este artigo analisa essas tendências emergentes e apresenta ferramentas de ponta desenvolvidas para enfrentar os desafios inerentes a essa grande onda de inovação, aliviando a ansiedade de desbravar o desconhecido.
Nos últimos anos, experimentamos o crescimento acelerado dos dados da Era Digital, os quais estão afetando profundamente o ambiente físico e cuja proliferação descontrolada continuará reconfigurando e alterando a paisagem. No entanto, esses impactos podem não ser imediatamente aparentes. À medida que a dependência das tecnologias digitais aumenta, torna-se importante considerar as consequências associadas à geração de dados.
Matt Woods se orgulha de praticar o "design para a desconstrução", que consiste em criar espaços e edifícios que podem ser facilmente desmontados ao final de um projeto. Essa filosofia é influenciada pela alta rotatividade no setor de hospitalidade, onde Woods atua com frequência. Ele considera fatores como materiais e elementos funcionais fáceis de desmontar, como o uso de parafusos em vez de pregos ou colas. Woods também foca na reutilização de materiais de projetos anteriores e na colaboração com empresas de reciclagem para minimizar o desperdício.
Longe de ser uma tipologia arquitetônica tão complexa quanto o termo sugere, o "clerestório" é uma aglutinação simples — embora lexicalmente vaga — das palavras "clear" (claro) e "story" (pavimento/andar). O termo designa uma seção da parede que contém janelas ou aberturas acima da altura dos olhos. Muitas vezes, assume-se que a palavra tenha um contexto religioso. Afinal, historicamente os clerestórios surgiram nos níveis superiores de igrejas romanas, templos hebreus e na arquitetura paleocristã. Além disso, as referências mais antigas que temos a esse recurso provêm de textos religiosos.
Hoje em dia, as estruturas religiosas são frequentemente caracterizadas pela luz que suas janelas altas deixam entrar, tanto figurada quanto literalmente, vinda de uma fonte superior. Na Capela CES em Taiwan, por exemplo, "a luz se difunde pelo clerestório de vidro e ilumina a abside ao longo do dia", explica o escritório JJP Architects & Planners, sobre um conceito de design de interiores focado na iluminação natural: "a capela é preenchida por uma aura espiritual, com uma cruz brilhante projetada profundamente no espaço".