Em uma época em que o impacto negativo da humanidade sobre o meio ambiente tem se tornado cada vez mais evidente, o conceito de rewilding (renaturalização) está surgindo como uma abordagem poderosa para a conservação e a restauração ecológica. Em consonância com a crescente atenção dada à arquitetura paisagística nos últimos anos, a ideia de remover a intervenção humana de nossos ambientes naturais para restaurar um equilíbrio estável parece oferecer uma maneira relativamente simples de corrigir erros climáticos fundamentais. Mas será que a ausência de interferência na natureza é realmente tudo o que prega o rewilding? Como ele se relaciona com a arquitetura e o design? Neste artigo, analisamos seus principais conceitos, aplicações e exemplos.
Se hoje já compreendemos que construir com concreto é prejudicial ao meio ambiente, uma das possibilidades de adotá-lo sem danos está na reforma de edifícios que podem expor sua estrutura e trazer o material à tona. Se sua aparência pode ser lida como austera ou extremamente fria para abrigar um lar, a madeira surge como alternativa para amenizar essa sensação e transformar uma possível estética industrial num ambiente residencial aconchegante. Desta forma, concreto e madeira conseguem brindar diferentes qualidades para um mesmo espaço a partir do contraste de suas texturas e cores que geram distintas sensações ao corpo. São várias as formas de pensar em como esses materiais podem dialogar e, aqui, apresentamos algumas delas a partir de seis apartamentos brasileiros.
A história da arquitetura está repleta de manifestações e linguagens diversas, que respondem diretamente ao contexto em que se inserem. Dentro da História existem muitas histórias, o que significa dizer que existem muitas tradições. A ideia de uma tradição universal é desmontada numa olhadela rápida em qualquer livro de história da arquitetura.
É claro que os movimentos vigentes apresentam preceitos comuns, mas isso está longe de significar uniformidade formal. Contudo, ao se encarar a multiplicidade histórica e, por conseguinte, de tradições, é possível afirmar que determinadas regiões possuem determinadas arquiteturas. Portugal é definitivamente um país com uma tradição arquitetônica, e Carlos Castanheira é um de seus representantes.
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Gent Waste Brick. Image Cortesia de Carmody Groarke
Há certos símbolos que transcendem barreiras linguísticas e são prontamente reconhecidos e compreendidos por pessoas de diversas culturas. Exemplos incluem os ícones de banheiro masculino e feminino, a cruz que simboliza saúde e, mais recentemente, o símbolo universal do Wi-Fi. Entre esses ícones universais está o da reciclagem, concebido em 1971 por Gary Anderson, arquiteto e designer que, na época, era um estudante na Universidade do Sul da Califórnia. Como um ciclo contínuo, trata-se de um triângulo com três setas dispostas no sentido horário, cada qual representando a indústria, o consumidor e a reciclagem, respectivamente.
Reintegrar o que normalmente é considerado resíduo no ciclo produtivo é um princípio central da economia circular. Esse conceito é particularmente marcante na indústria da construção, que historicamente dependeu da destruição e extração de recursos para existir. E nada mais simbólico do que os tijolos, que também representam a construção de novas coisas, para aplicar os conceitos da circularidade. Mentes criativas têm abraçado este desafio, concebendo soluções que transformar materiais descartados em recursos de elevado valor, gerando uma ampla gama de produtos, abrangendo matérias-primas residuais que vão desde algas marinhas e plásticos até cabelos humanos. Tais inovações não apenas abordam questões ambientais prementes, mas redefinem essencialmente a maneira pela qual construímos e habitamos nossos espaços. Neste artigo, destacamos 7 iniciativas que têm transformado resíduos em tijolos.
Uma das coisas que mais me chamam a atenção quando visito grandes cidades em outros países, sejam elas capitais europeias ou vizinhas aqui da América do Sul, é a ocupação dos espaços públicos pelas pessoas.
E não me refiro apenas a parques ou praças. Seja em Buenos Aires, Santiago, Paris ou Amsterdã, por exemplo, ao menos nos dias de sol, quase qualquer gramado é ocupado pelas pessoas, por crianças correndo e brincando, amigos fazendo piquenique, jovens lendo estirados ao sol.
https://www.archdaily.com.br/pt/1005804/em-sao-paulo-a-praca-e-nossaVitor Meira França
Ao contrário do que muitos acreditam, as ilhas artificiais têm uma longa história em muitas regiões do mundo, como as ilhas recuperadas no Antigo Egito, as centenas de crannogs de palafitas encontradas em lagos e cursos de água escoceses e irlandeses e as ilhas cerimoniais construídas durante o Império Asteca. Por definição, uma ilha artificial é uma ilha que foi construída por seres humanos, em vez de ser formada por processos naturais. Ilhas artificiais podem ser construídas por muitas razões diferentes, e essas razões estão aumentando à medida que o mundo enfrenta o iminente problema da escassez de espaço.
No passado, essas ilhas tinham fins cerimoniais ou agrícolas, e às vezes eram usadas como espaço urbano. Mais recentemente, as ilhas foram construídas para mitigar a superlotação, recuperar terras, proporcionar expansões urbanas e atender às necessidades de infraestrutura da indústria. Ilhas artificiais também possuem certas vantagens estratégicas e benefícios econômicos, e podem trazer benefícios geopolíticos. No entanto, esses tipos de projetos têm um custo significativo para nosso ecossistema, causando danos graves e extensos ao meio ambiente.
Nos últimos anos, a busca por abordagens mais sustentáveis e ecologicamente responsáveis tem se tornado uma tendência crescente em diversas áreas, o que inclui os projetos de arquitetura de interiores. Dentre muitos elementos, o bambu tem ganhado destaque por sua versatilidade, sobretudo quando comparado a outros materiais, ao oferecer inúmeras possibilidades criativas de uso e manipulação para a elaboração de espaços elegantes e ecologicamente mais conscientes.
Hoje, quando imaginamos um espaço coberto, provavelmente um teto estruturado por uma laje de concreto é a imagem que nos vem na cabeça. Também hoje, quando pensamos em concreto, surge um leve desconforto na possibilidade de utilizá-lo em construções, visto os levantamentos que apontam como ele contribui para a crise climática e danos ao meio ambiente. Ampliar nosso repertório para técnicas vernaculares e tradicionais pode ser uma boa alternativa neste cenário. E, neste sentido, as coberturas naturais surgem como uma ótima solução. Utilizadas por muito mais tempo que o concreto para abrigar os humanos, elas ainda são pouco atribuídas a edificações contemporâneas, apesar de estarem alinhadas com muitas das qualidades que buscamos num projeto: materiais biodegradáveis, portanto, mais sustentáveis, apelo estético e conforto térmico.
https://www.archdaily.com.br/pt/1006191/palha-piacava-santa-fe-e-algas-saiba-o-que-sao-e-quais-as-diferencas-entre-estas-coberturas-naturaisArchDaily Team
A medida que o mundo reconhece cada vez mais a importância de adotar práticas de construção sustentáveis, a versatilidade, resistência e qualidades renováveis do bambu têm gerado um impulso significativo na transição para uma economia circular em relação aos materiais. Desde a ideia inicial até a conclusão, este artigo fornecerá informações valiosas para começar seu projeto de construção com bambu, a partir da perspectiva de Bamboo U.
Como projetar espaços habitáveis aproveitando ao máximo os metros quadrados disponíveis? Atualmente, o projeto de habitações nos grandes centros urbanos costuma estar associado à busca por formas de otimizar os espaços internos, integrar os ambientes para uma melhor iluminação e ventilação, e alcançar uma conexão com o exterior. Alinhados às necessidades de seus/suas habitantes, às exigências do projeto e, frequentemente, aos custos de construção, profissionais da arquitetura buscam trazer flexibilidade, amplitude e adaptabilidade aos espaços por meio de reformas, renovações, transformações, entre outras intervenções que ofereçam boas condições de habitabilidade e considerem as possíveis mudanças a serem enfrentadas pelas novas e futuras gerações.
Nas últimas três décadas, os YIMBYs e NIMBYs têm travado batalhas campais em todos os EUA pelo coração e pela alma do desenvolvimento urbano futuro. Contudo, a crise habitacional só piorou, especialmente desde o colapso de 2008, que transformou radicalmente o lado da oferta.
Doze anos depois, veio 2020, o ano mais estranho de nossas vidas, que tornou os desafios do lado da oferta ainda mais pronunciados. As raízes do problema, contudo, são muito mais profundas, com erros cometidos há mais de 75 anos sendo repetidos por gerações completamente novas. A incapacidade de compreender esses erros — e até mesmo por que são erros e não boas práticas — perpetuará e agravará a crise atual para as futuras gerações.
Como parte de um projeto liderado pelo artista holandês Thomas Kole, foi lançado o site intitulado "Retrato de Tenochtitlán: reconstrução 3D da capital mexica", que apresenta uma variedade de imagens do que foi Tenochtitlán. Essa reconstrução baseia-se em fontes históricas e arqueológicas, bem como no conhecimento coletivo que hoje gera essas imagens para continuarmos estudando nossa história. O site oferece a opção de navegação em três idiomas: Nahuatlahtolli, Espanhol e Inglês, revelando uma sobreposição de imagens atuais que permite comparar o antes e o depois apenas deslizando o cursor pela tela. O projeto foi realizado com softwares de código aberto, Blender, Gimp e Darktable.
Paola Jirón é a presidente nomeada do novo Conselho Nacional de Desenvolvimento Territorial do Chile (CNDT), uma nova entidade que funde o Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano (CNDU) e o Rural (CNDR), assumindo o desafio de promover um planejamento que leve em consideração as características específicas de cada região, além de facilitar diálogos para elaborar soluções que abordem problemas territoriais, como o aumento da população em acampamentos, o desenvolvimento urbano em áreas de risco de desastres e a crescente subdivisão de terras rurais.
A cidade de Federación, situada no nordeste da província de Entre Ríos, era estruturada, como a maioria das cidades argentinas, sobre o “clássico traçado em quadras herdado das Leis das Índias” e foi se caracterizando de acordo com o desenvolvimento das diferentes funções econômicas. A evolução das funções econômicas e a atuação das diferentes forças sociais foram determinando uma organização particular do espaço urbano, no qual se distinguiam diferentes “bairros” ou distritos urbanos que materializavam claramente as desigualdades da estrutura socioeconômica local.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138684/a-origem-das-cidades-federacion-na-argentinaMaría Rosa Catullo
Embora seja inegável que o meio ambiente ao nosso redor esteja mudando devido à atividade humana, seus efeitos podem ser difíceis de perceber diretamente, já que frequentemente são ilustrados por imagens distantes e pouco identificáveis ou por gráficos e estatísticas exaustivamente repetidos. O escritório dinamarquês Tideland Studio busca mudar esse cenário. Por meio de seu trabalho, o estúdio propõe uma nova forma de compreensão sensível sobre as transformações em curso ao nosso redor. Sua atuação é interdisciplinar, fundindo pesquisa, arte e arquitetura, ao mesmo tempo em que emprega as mais recentes tecnologias de levantamento e fabricação para dar materialidade aos fenômenos abstratos que moldam o planeta. Devido à sua abordagem prática de pesquisa e às novas perspectivas que abrem em relação a ambientes extremos afetados pelas mudanças climáticas, o ArchDaily selecionou o Tideland Studio como uma das Novas Práticas de 2023. A seleção anual destaca escritórios emergentes que utilizam a inovação e processos voltados para o futuro para repensar as maneiras como praticamos a arquitetura.
DFW International Airport Dallas, Texas. Image Cortesía de Soprema
Os centros urbanos desempenham um papel fundamental nos avanços da arquitetura contemporânea e no impulso econômico da sociedade. Por sua vez, as cidades concentram grande parte da população mundial e de atividades que contribuem para as emissões de carbono no planeta. Existe uma relação simbiótica negativa que nos levou a um ponto em que, de acordo com dados da OMS, 99% da população global respira ar poluído, composto em sua maioria por partículas finas e gases de óxidos de nitrogênio. Estes costumam causar impactos prejudiciais ao nosso organismo, estando associados a doenças cardiovasculares e pulmonares.
Como os poluentes provêm de atividades humanas, torna-se crucial buscar abordagens que reduzam as emissões e que, a partir de diversas perspectivas, contribuam para a melhoria da qualidade do ar. Essas abordagens abrangem desde a adoção de métodos construtivos alternativos para a edificação de estruturas e o planejamento de ambientes urbanos livres de automóveis até a inovação de materiais, o que inclui membranas com gravilhas fotocatalíticas, como as desenvolvidas pela Soprema. Graças a uma reação fotoquímica, essas gravilhas reduzem a quantidade de poluentes ao nível do solo, melhorando a qualidade do ar e criando comunidades mais saudáveis.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138345/gravilhas-fotocataliticas-inovacao-material-para-combater-o-smog-nas-cidadesEnrique Tovar
No universo do design de interiores e da arquitetura, a iluminação evoluiu de uma mera necessidade funcional para uma ferramenta poderosa na criação de ambientes agradáveis, no destaque de elementos de projeto e na definição da atmosfera para as pessoas que utilizam os espaços. Nesse sentido, os sistemas de iluminação embutida têm sido divisores de águas, especialmente quando combinados com a tecnologia LED, oferecendo inúmeras possibilidades de transformação dos espaços. As fitas de LED, em trabalho de destaque, revolucionaram a iluminação ao proporcionar eficiência energética, longevidade, versatilidade e uma personalização antes difícil de se alcançar com as lâmpadas tradicionais. Elas alteraram profundamente a forma como iluminamos residências, escritórios e estabelecimentos comerciais, inaugurando uma nova era na tecnologia luminotécnica.
The Helios School / Schilling Architects. Imagem cortesia de Eastman
O vidro tornou-se um elemento central na arquitetura moderna com a introdução de novas estratégias para projetar e vivenciar os edifícios. Sua transparência e composição material permitem a entrada de luz natural, ao mesmo tempo que criam conexões contínuas entre os espaços internos e externos. No entanto, a onipresença deste material faz com que, a cada ano, bilhões de aves colidam contra estruturas de vidro.
Essas colisões tendem a ocorrer durante as rotas migratórias das aves, quando estas sobrevoam as cidades e são atraídas pelas luzes internas dos edifícios ou interpretam mal os reflexos externos de árvores e vegetações, resultando em um grande número de mortes e ferimentos desses animais. Em resposta a esse desafio, um número crescente de cidades está implementando legislações que exigem que novas construções utilizem vidros amigáveis para aves (bird-friendly). Sem comprometer o apelo estético do vidro, a Eastman desenvolveu as Saflex™ interlayers de PVB FlySafe™ 3D. Essa camada adicional apresenta um padrão tridimensional refletor que é altamente visível para os olhos das aves pelo lado de fora, enquanto permanece sutil para o olho humano a partir do interior. Investigando a aplicação dessa solução no projeto arquitetônico, mostramos como a Helios School adotou essa estratégia.
Bate Borisov Arena / OFIS Architects. Imagem cortesia de Euramax
As envoltórias dos edifícios criam um limite físico ou uma casca integrada à pele externa de uma estrutura, separando os ambientes interno e externo. Ao reunir componentes arquitetônicos como paredes, coberturas, janelas e portas, o edifício é fechado para fornecer proteção e isolamento, desempenhando um papel determinante na eficiência energética, no conforto, na estrutura e na durabilidade do projeto. Com múltiplos estilos e formas, elas são fundamentais para conferir caráter ao edifício, definindo sua aparência visual e sua integração com o entorno.
Mantendo as funções fundamentais de uma envoltória e, ao mesmo tempo, explorando possibilidades estéticas, as soluções personalizadas de revestimento metálico da Euramax criam envoltórias coloridas e não convencionais que permitem projetar com geometrias, padrões e configurações inovadoras.
Arranha-céus são símbolos icônicos de modernização urbana e avanços tecnológicos em toda a América do Norte. Com efeito, essas estruturas são consideradas um sinal de prosperidade econômica, densidade urbana e da ambição humana. Em grandes cidades em todo o sub-continente, eles dão forma para o horizonte e identidade a essas metrópoles. Cidades como Nova York, Toronto e Miami mostram poder por meio desses projetos de ponta, que vão além de sua estatura física.
De maneira geral, arranha-céus são caracterizados por sua altura notável e pioneirismo na engenharia. Eles utilizam materiais como aço, vidro e concreto, e servem como espaços multifuncionais, que vão desde moradia até hotéis e escritórios. Arquitetos de todo o mundo ampliam os limites da criatividade arquitetônica, do design, da sustentabilidade e da funcionalidade ao construir esses edifícios. As estruturas permitem que os arquitetos maximizem o uso da terra de novas maneiras em áreas urbanas densamente povoadas.
A partir da pandemia, os temas urbanos se tornaram mais latentes do que nunca na vida de muitas pessoas na América Latina. A Covid-19 gerou uma mudança bastante turbulenta no mercado imobiliário, tanto pela especulação gerada em muitos lugares pelo comércio de segundas casas, quanto pelo fenômeno dos "nômades digitais" em lugares como Medellín, Buenos Aires ou Cidade do México.
Hoje, o trabalho fora do escritório tornou-se a norma em diversos setores, transformando nossa dinâmica de trabalho e a interação com membros da equipe e clientes. Diante dos possíveis desafios do trabalho remoto (como conexão e estabilidade de internet), as organizações precisam desenvolver sistemas adequados para manter a produtividade e promover o mesmo senso de equipe e cultura encontrado nos escritórios tradicionais. Como sabem as equipes de arquitetura, engenharia e construção (AEC), a colaboração é a chave para impulsionar a criatividade e é essencial para a conclusão bem-sucedida de qualquer projeto de design.