A Sala Roxy é um espaço repleto de história localizado na rua Mezquitán, 80, na cidade de Guadalajara, Jalisco, no México. Este fórum foi, durante anos, um marco urbano de liberdade onde se concentraram expressões artísticas e culturais alternativas. Abriu suas portas pela primeira vez em 1937 e funcionou por várias décadas como Cine Roxy. Construído em estilo Art Déco, o local tornou-se uma das primeiras salas dedicadas à projeção cinematográfica em Guadalajara.
Curioso, inquieto e tenaz, Miguel Fisac [1913-2006] aprendeu fazendo. Fascinado pela tecnologia e pela construção, sua experiência direta em obra supriu tudo o que nem a universidade nem os livros foram capazes de lhe ensinar ou transmitir. Com um início que poderia ser rotulado como "academicista", em poucos anos o arquiteto de Ciudad Real consegue se desprender dessa atitude para recorrer sucessivamente a alvenarias de traçados orgânicos ou vigas de lógica óssea. Tudo isso fundamentado em um empenho intrínseco e pessoal de fazer uma arquitetura humanizada e sintonizada com a técnica.
André Gorz já escreveu em 1974: «A ecologia é como o sufrágio universal e o descanso dominical: em um primeiro momento, todos os burgueses e todos os partidários da ordem dizem que vocês querem a sua ruína, e o triunfo da anarquia e do obscurantismo. Depois, quando as circunstâncias e a pressão popular se tornam irresistíveis, concedem-lhes o que ontem lhes negavam e, fundamentalmente, nada muda».
A voz de arquitetas, acadêmicas, designers, urbanistas e ativistas ganhou força diante da oportuna recepção de temas como a inclusão e a perspectiva de gênero. A cada 8 de março — dia em que as mulheres ocupam as ruas como ato de resistência e de exercício da cidadania —, cabem algumas breves reflexões que evidenciam o vínculo existente entre cidade, acontecimentos políticos e sociais, bem como com as disciplinas afins à arquitetura e ao urbanismo.
https://www.archdaily.com.br/pt/1120977/o-feminismo-e-compativel-com-a-arquitetura-e-o-urbanismoParvin Alexandra Camal Segundo
Teatro del Libertador General San Martin. Image Cortesía de Natacha Escarguel
A construção de salas de teatro na Província de Córdoba, Argentina, está diretamente associada à segunda onda imigratória que chegou entre 1880 e 1930, juntamente com a implantação das redes ferroviárias no país. Hoje, a cidade conta com uma grande quantidade de teatros que, em sua maioria, datam desse período e constituem parte do patrimônio cultural cordobês, embora tenham sofrido por muitos anos com o descaso de diferentes governos.
O ArchDaily está trabalhando em parceria com a CityMakers para publicar uma série de artigos, conversas e entrevistas com os diferentes atores da coprodução da cidade que estão por trás do Barcelona CityMakers Lab 2019, evento que acontecerá de 14 a 20 de outubro de 2019.
A CityMakers promove a transformação de cidades e territórios, conectando profissionais de todo o mundo a cidades de referência para que conheçam suas práticas em projeção global, mobilidade, ambiente construído, economia e governança, inspirando a mudança em suas próprias comunidades.
Para esta primeira publicação, reunimos trechos de uma conversa com o arquiteto e urbanista Camilo Osorio, Diretor Executivo da CityMakers, que fala sobre uma mudança de paradigma no planejamento urbano e sobre o surgimento da CityMakers como uma comunidade que busca inspirar a mudança por meio do conhecimento in situ de cidades exemplares ao redor do mundo.
Junto a um grupo de pesquisadores e pesquisadoras, temos estudado nos últimos cinco anos os conjuntos habitacionais operários do sul do Chile: a bacia do carvão em Lota, Schwager e Pilpilco; os povoados têxteis de Bellavista e Carlos Mahns em Tomé e os povoados operários em Valdivia e Magalhães.
Os escritórios colombianos Urbanittá e Lumaa conquistaram o primeiro lugar no concurso para o projeto do parque recreativo Comfamiliar em Huila, Colômbia.
A iniciativa faz parte da missão da organização de ampliar a cobertura de seus serviços de lazer na região sul do departamento. Para isso, planeja-se a construção de um centro de recreação em Pitalito, caracterizado por sua localização estratégica em relação a atrações turísticas e culturais como o deserto da Tatacoa e os parques arqueológicos de San Agustín, Alto de los Ídolos e Alto de las Piedras.
Em 2005, como um estímulo à competitividade do Estado do México, foi lançado o programa “Ciudades Bicentenario”, que projetava o ordenamento territorial e a definição de uma estrutura estadual apoiada em centros populacionais selecionados por sua localização, por sua capacidade de absorver crescimentos populacionais significativos, por estarem aptos a abrigar infraestrutura e equipamentos estratégicos e pela viabilidade de contar com vias de transporte suficientes para permitir sua articulação regional, estadual e até mesmo nacional.
Às vezes, a arquitetura se apresenta como objeto de responsabilidade, como um exercício de reconhecimento de sua autoria, com o objetivo de defini-la e delimitá-la. Sentimos a necessidade urgente de saber quem foi seu/sua autor/a, de reconhecer quem foi capaz de realizar tais invenções. Em tantas outras ocasiões, a arquitetura não reivindica a presença de nenhum responsável; daí o fato de se falar em arquitetura anônima ou “arquitetura sem arquitetos”, ou seja, uma arquitetura meramente popular. No caso de Carme Pinós, inevitavelmente, o construído fala de quem o construiu. Sua arquitetura deixa entrever a energia que emana de sua pessoa. Uma arquitetura vibrante, direta, tensa; percorrida por uma contínua agitação que a domina. Nela, os elementos estão em constante movimento de forma totalmente infundada, e não por sua própria virtude.
O ArchDaily está colaborando com a CityMakers para publicar uma série de artigos, conversas e entrevistas com os diferentes agentes da coprodução da cidade que estão por trás do Barcelona CityMakers Lab 2019, evento que acontecerá de 14 a 20 de outubro de 2019.
Nesta oportunidade, conversamos com Jokin Santiago Elorriaga, diretor do Leku Studio, que ministrará uma MasterClass no Barcelona CityMakers Lab 2019. Jokin é o arquiteto fundador do Leku Studio e o responsável pelo desenho e pela transformação da superquadra (Superilla) de Sant Antoni.
Seja para nos distrairmos, nos evadirmos ou refletirmos, os/as passageiros/as do metrô encurtam seus trajetos checando seus celulares, lendo um livro ou ouvindo música. Para o fotógrafo e construtor civil chileno Felipe Lavín, há uma contradição nisso. "Fazer trajetos em massa é um ato muito social, mas, ao mesmo tempo, é muito solitário. Como diz Marc Augé, no metrô não deixamos de esbarrar na história dos outros sem nunca encontrá-la", diz Lavín em conversa com o ArchDaily.
Como chegou à Argentina uma casa projetada pelo engenheiro mais reconhecido do mundo, o francês Gustave Eiffel, autor da torre que leva seu nome em Paris?
Como ela se estabeleceu em um dos bairros com maior efervescência cultural da cidade de Córdoba, para que, um século depois, abrisse suas portas como espaço cultural graças à intervenção dos moradores?
O Prêmio de Arquitetura Espanhola é concedido pelo Conselho Superior dos Colégios de Arquitetos da Espanha (CSCAE) desde 1993, bienalmente, com o objetivo de divulgar a qualidade das obras de arquitetura realizadas na Espanha.
O prêmio já reconheceu obras construídas de arquitetos e arquitetas como Enric Miralles, Mansilla y Tuñón, Sara de Giles, Francisco Mangado Beloqui, entre outros, tais como o Museu das Coleções Reais e o Palácio de Congressos e Hotel de Palma. Conheça todos os projetos premiados a seguir.
Vista desde parque. Image Cortesía de Guillermo Canutti
No dia 15 de novembro do ano passado, teve início o Concurso nacional de ideias e anteprojetos para o Hospital Norpatagônico em Neuquén, organizado pelo governo provincial por meio do Ministério da Saúde e do Ministério da Economia e Infraestrutura, com o apoio da Federação Argentina de Arquitetos (FADEA) e o patrocínio do Colégio de Arquitetos da província de Neuquén.
O lote de implantação, onde se propôs o objetivo de construir um edifício que tanto ofereça serviços de alta complexidade quanto se vincule ao entorno natural, está localizado no planalto de Neuquén e conta com uma área de 32.700 m2. O primeiro prêmio foi concedido à equipe de arquitetura de La Plata, composta por Guillermo Ariel Canutti, Bernardo Luna, Clara Gallardo, Agustín Ichuribehere e Fernando Sebastián Fariña. Conheça o projeto em detalhes a seguir.
A obra Corolla, da artista Inés Esnal, inspira-se na rica e vasta paisagem natural do Colorado, onde está justamente exposta no Edifício Coloradan, em Denver. A instalação interpreta a flor símbolo do estado do Colorado, “the blue columbine”, como uma rede de cordas de cores vibrantes, na qual as cores quentes centrais e as frias das extremidades remetem ao pólen e às pétalas da flor. O público é convidado a explorar a obra a partir de seu próprio movimento, que gera e desencadeia múltiplas perspectivas e efeitos ópticos.
Alberto Cruz, um dos nomes da arquitetura chilena que refundaram a Escola de Arquitetura da Pontifícia Universidade Católica de Valparaíso e fundador de Amereida e da posterior Cidade Aberta, deixou mais de 2.200 cadernos e pastas, 200 desenhos em diversas técnicas, formatos e suportes, e cerca de mil documentos quando faleceu em 2013.
Cinco anos antes, sua neta, a historiadora Sara Browne, começou a trabalhar com Cruz catalogando sua produção íntima. Hoje, todo esse arquivo faz parte da Fundação Alberto Cruz Covarrubias, um espaço destinado a honrar a memória do Prêmio Nacional de Arquitetura de 1975.
Nesta conversa por e-mail com Browne, a historiadora repassa os desafios de conservação e digitalização do arquivo histórico, ao mesmo tempo em que reflete sobre o legado de Cruz Covarrubias.
Apresentado na recente edição da Feria del Diseño 2019 em Medellín, o Iku Hábitat é um sistema arquitetônico de construção modular desenvolvido na Colômbia que busca agilizar os processos construtivos por meio de componentes projetados e pré-fabricados montados com parafusos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1120751/iku-habitat-uma-casa-modular-na-colombia-montada-com-parafusosArchDaily Team
Com o objetivo de visibilizar a valiosa produção das universidades argentinas, lançamos, pelo terceiro ano consecutivo, uma chamada aberta convidando nossos leitores e leitoras na Argentina a enviarem seus trabalhos de conclusão de curso, divulgando o fruto do trabalho que lhes permitiu se tornarem, recentemente, arquitetos e arquitetas.
Após recebermos mais de 60 propostas de diferentes faculdades e cidades argentinas, nossa equipe editorial selecionou nove delas, levando em consideração os projetos que evidenciaram um pensamento crítico em relação às problemáticas, à forma adotada e à sua representação. A seleção valoriza não apenas os projetos que entregaram a melhor arquitetura possível por meio de um desenho simples, adequado ao seu contexto, programa e usuários/as, mas também aqueles com uma atenção especial à escala humana, à mediação e transição, e a novas formas de abordar a arquitetura nas cidades. O júri desta edição foi composto por Fabian Dejtiar, Editor-geral do ArchDaily em Espanhol; Mônica Arellano, Editora do ArchDaily México; e Delia Bayona, Editora do ArchDaily Peru.
Confira os projetos destacados detalhadamente a seguir.
No último dia 8 de agosto, no âmbito da Expo Arte-Objeto, exposição comemorativa dos 60 anos da Llano de la Torre, Firenze convidou o arquiteto Ricardo Casas a reinterpretar o uso de peças de porcelanato com designs lúdicos e totalmente exclusivos.
Implantar um edifício na cidade não é uma tarefa simples. A busca por isolamento e privacidade diante de um espaço urbano complexo, heterogêneo e em constante mudança gera uma condição dual no momento de projetar. Como proporcionar, em uma obra inserida no contexto urbano, privacidade e abertura ao mesmo tempo? Surge, assim, a necessidade de diversos meios de controle que funcionen como mediação entre os espaços externo e interno, permitiendo atenuar os sons, filtrar as visuais, controlar a intimidade e garantir o anonimato, sem que essas soluções impliquem a perda do vínculo com a cidade.
O modelo convencional de cidade estabelece limites muito claros e concretos entre o público e o privado. Nele, o que se define como “urbano” sempre correspondeu ao ambiente público, ao passo que o “doméstico” definia as fronteiras do privado. No entanto, as sociedades não são imunes à mudança e à evolução, e o mesmo se aplica ao urbanismo. Esses conceitos tradicionais do urbano e do doméstico estão se tornando obsoletos, transformando-se em concepções ampliadas e mais atualizadas. É precisamente em torno desse limite difuso, entre o que parece urbano e o que parece doméstico, que se constrói a nova esfera do público.
Este é o leitmotiv da intervenção ‘Dom Project’: estabelecer um gradiente de espaços onde o urbano e o doméstico não sejam delimitados de forma tão clara, mas sim colonizem-se mutuamente, fazendo emergir certos usos e programas públicos dentro do ‘Bloco de Habitações’. O projeto foi apresentado no Concurso Internacional de Arquitetura ‘Open International Competition for Alternative Layout Designs in Standard Housing’, organizado pelo Ministério da Construção, Indústria, Habitação e Infraestrutura da Rússia juntamente com a Unified Development Institution in the Housing Sector e o escritório Strelka KB, obtendo o segundo lugar.
O desenho urbano é um campo do design intimamente relacionado ao planejamento urbano e à arquitetura paisagística; centra-se, em linhas gerais, na interpretação da forma e do espaço público sob critérios físico-estético-funcionais. Diferentes especialistas na área, como Jane Jacobs, Denise Scott Brown, Robert Venturi, Jaime Lerner, Jan Gehl, Kevin Lynch, dedicaram-se a estudar as necessidades das sociedades urbanas nos espaços comuns a fim de oferecer respostas adequadas às questões específicas de cada cidade. Essas questões se renovam de geração em geração, e o espaço público se transforma de acordo com os avanços tecnológicos e as novas formas de nos relacionarmos trazidas por eles; no entanto, o que sempre permanece é o sentimento de pertencimento a esses locais, que só alcançam o sucesso quando as pessoas usuárias os adotam como seus.