Nas últimas décadas, uma revolução silenciosa vem transformando a maneira como interagimos com os objetos e sistemas no nosso cotidiano. O que antes exigia manivelas ou mecanismos rotativos, e posteriormente o pressionar de um botão, agora dá lugar a experiências cada vez mais fluidas, intuitivas e livres de toque. Essa mudança é evidente em banheiros públicos, onde a minimização do contato físico promove uma melhor higiene e reduz a propagação de patógenos. Ela também reflete uma transformação mais ampla nos paradigmas de conforto, acessibilidade e eficiência. Dispositivos sem toque, antes restritos a aplicações isoladas em hospitais, aeroportos ou edifícios corporativos, tornaram-se padrão em projetos que priorizam a experiência de uso e a sustentabilidade.
O futuro das cidades tem sido definido há muito tempo pela inteligência: redes de sensores, dados e sistemas de engenharia. De algoritmos de fluxo de tráfego a painéis de controle climático, a cidade inteligente prometia tornar a vida urbana otimizada, mensurável e previsível. No entanto, em meio a essa abundância tecnológica, algo essencial parece ausente: a sensibilidade. As cidades estão se tornando cada vez mais equipadas para processar informações, mas menos capazes de perceber a atmosfera, a emoção ou o cuidado.
Como revelam os debates globais recentes sobre inovação urbana, o próximo desafio não é adicionar mais dispositivos, mas sim cultivar novas formas de consciência. Uma cidade sensível escuta seu clima, se adapta a seus habitantes e responde aos ritmos sutis do ambiente. Nessa transição da computação para a percepção, a arquitetura e o desenho urbano estão redescobrindo a inteligência como uma forma de empatia.
"Dance, dance… otherwise we are lost." Esta frase frequentemente citada de Pina Bausch encapsula não apenas a urgência do movimento, mas sua capacidade de revelar o próprio espaço. Em suas coreografias, o espaço nunca é um plano de fundo neutro; ele se torna um parceiro, um obstáculo, uma memória. Pisos se inclinam, cadeiras se acumulam, paredes oprimem ou libertam. Trata-se de condições arquitetônicas, encenadas e contestadas pelo corpo. O que Bausch expõe — e o que a arquitetura frequentemente esquece — é que o espaço não é simplesmente construído, ele é performado. Seu trabalho convida arquitetos e arquitetas a pensar não apenas em termos de materiais e formas, mas de gestos, relações e ritmos. Ela sugere que a arquitetura, assim como a dança, trata fundamentalmente de como habitamos, estruturamos e carregamos emocionalmente os espaços pelos quais nos movemos.
Historicamente, a arquitetura e a dança operaram em paralelo, moldando a experiência humana por meio da orientação do corpo no espaço e no tempo. Dos rituais coreografados dos templos clássicos às lógicas axiais dos palácios barrocos, o espaço construído sempre implicou movimento. A Bauhaus levou isso adiante, à medida que o Ballet Triádico de Oskar Schlemmer visualizava o espaço como uma extensão geométrica do corpo. Não se tratava de cenário, mas de pensamento espacial tornado cinético. No século XX, coreógrafos e coreógrafas como William Forsythe e Anne Teresa De Keersmaeker integraram restrições arquitetônicas em suas partituras, ao passo que arquitetos e arquitetas como Steven Holl, Diller Scofidio + Renfro e Toyo Ito projetaram edifícios que se revelam como sequências espaciais, convidando ao movimento, ao desvio e à pausa.
Montreal, a segunda maior cidade do Canadá, abriga um vasto acervo de arquitetura residencial histórica, em sua maioria datada do século XIX e início do século XX. Esses exemplares são particularmente abundantes em alguns de seus bairros centrais, como o Plateau Mont-Royal. Curiosamente, sua preservação não é por acaso; é o resultado de décadas de defesa ativa por parte de figuras influentes que reconheceram o valor do ambiente construído da cidade, como Phyllis Lambert e Blanche Lemco Van Ginkel. Esforços como os delas foram fundamentais em batalhas históricas de preservação que ajudaram a garantir o atual apoio municipal. Hoje, a cidade conta com um conjunto de leis abrangentes de proteção ao patrimônio histórico, concebidas para salvaguardar a integridade de seus bairros históricos.
Os tijolos de vidro têm sido amplamente utilizados na arquitetura, tornando-se, com o tempo, uma marca registrada dos estilos arquitetônicos da década de 1980. Entre os exemplos clássicos de construção com este material estão a célebre "Maison de Verre", de Pierre Chareau e Bernard Bijvoet em Paris, e a releitura mais moderna de Hiroshi Nakamura & NAP com a Optical Glasshouse no Japão. Nos últimos anos, os tijolos de vidro vêm ganhando cada vez mais popularidade, deixando de ser associados apenas a uma estética do passado. Em vez disso, eles evoluíram para elementos de design versáteis que trazem luz, textura e personalidade aos interiores contemporâneos. Sua capacidade de difundir a luz natural e artificial mantendo a privacidade reacendeu o interesse de profissionais de design que buscam maneiras inovadoras de valorizar os espaços internos, aproveitando ao máximo a iluminação natural.
As inscrições para o Built by Nature Prize 2025 já estão abertas. A premiação reconhece projetos concluídos — novas construções, reformas e ampliações — que demonstrem liderança no uso de madeira sustentável e construção com materiais de base biológica. Com o objetivo de destacar as melhores práticas globais, o Prêmio oferece a profissionais de arquitetura e equipes de projeto a oportunidade de obter visibilidade internacional e contribuir para o debate em constante evolução sobre a construção regenerativa. O prazo para envio de propostas vai até as 23h59 (CET) do dia 8 de junho de 2025. As inscrições podem ser feitas pelo site builtbn.org/prize.
Adoro reunir listas de declarações originais, quase como manifestos, de arquitetos/as em busca constante de novos caminhos. Elas nos instigam a imaginar possibilidades que antes não ousávamos considerar. Questionar convenções deveria ser o principal objetivo de um/a crítico/a ao dialogar com uma mente criativa. Caso contrário, o que haveria para discutir, afinal? É por isso que conversar com Elizabeth Diller sobre o trabalho e as intenções de seu escritório é como um sopro de ar fresco, especialmente hoje em dia, quando tantos/as arquitetos/as parecem satisfeitos/as em se alinhar ao que é esperado. Em uma de nossas conversas anteriores, Diller foi direta: "Não levamos os limites profissionais a sério. Cada vez que recebemos um programa de necessidades, nós o desconstruímos e fazemos novas perguntas continuamente. Nada é fixo." Desta vez, conversamos sobre a nova monografia do Diller Scofidio + Renfro, "Architecture, Not Architecture". O livro, um projeto em si, propõe repensar os próprios limites da arquitetura, reinventando, no processo, o que um livro pode ser. Durante nossa conversa de uma hora e meia pelo Zoom — plataforma que prefiro pelo registro de gravação frontal dupla —, ela disse entusiasmada: "Estávamos sempre criticando; sempre jogando granadas nas coisas."
Por Jeanette Fich Jespersen, MA, Diretora do KOMPAN Play Institute, Presidente do comitê diretivo do World Playground Research Institute, Universidade do Sul da Dinamarca, Vice-presidente da International Play Association, Dinamarca.
Em toda a América Latina, a reforma tem se concentrado menos na mera preservação e mais na resposta às mudanças nos modos de vida. Em vez de congelar os edifícios no tempo, muitos projetos contemporâneos trabalham com estruturas existentes para adaptá-las a novas rotinas domésticas, dinâmicas sociais e necessidades espaciais. Por meio de alterações estratégicas de materiais, composição, cor e luz, essas intervenções reinterpretam os espaços cotidianos, mantendo uma forte conexão com seu contexto original.
Nesse processo, casas e apartamentos tornam-se palcos de transformação onde o fluxo, a continuidade e os espaços compartilhados são cuidadosamente reconsiderados. A reforma funciona como uma ferramenta arquitetônica precisa, que prioriza a iluminação natural, a abertura e a flexibilidade para acolher a vida cotidiana em constante evolução. Em vez de impor novas formas, esses projetos reaproveitam o que já existe, alinhando as decisões espaciais aos hábitos e rituais de quem neles habita.
Phyllis Lambert tem sido uma figura fundamental na preservação do patrimônio cultural do Canadá. Como arquiteta e defensora da conservação patrimonial, Lambert deixou uma marca indelével em Montreal e em outras cidades ao redor do mundo. Suas contribuições para o cenário arquitetônico de Montreal não devem ser avaliadas apenas em termos de edifícios individuais, mas sim pela perspectiva da cidade como um todo. Ela não apenas cofundou o Centro Canadense de Arquitetura (CCA), mas também ajudou a remodelar a forma como cidades como Montreal pensam sobre o patrimônio e sobre a importância das vozes da comunidade no planejamento urbano.
Como defendia o falecido urbanista Jaime Lerner, o futuro da arquitetura não está em construir novas cidades, mas em atualizar as já existentes. Em um mundo no qual os recursos são finitos e o espaço urbano está cada vez mais saturado, sua afirmação parece mais urgente do que nunca. Ela convoca os/as arquitetos/as a olharem para dentro, a repensarem o que realmente precisa ser construído e a reconhecerem o potencial criativo do que já existe. Nas limitações das estruturas existentes reside a oportunidade de projetar de forma diferente: reparar, adaptar e reutilizar. Ou, como diria o poeta francês Louis Aragon, reinventar o passado para ver a beleza do futuro.
Este mês, o ArchDaily exploraConstruir Menos: Repensar, Reutilizar, Renovar, Readaptar, um tema que examina a crescente mudança na arquitetura em direção ao trabalho com o que já existe. À medida que os espaços urbanos se tornam mais densos e a terra se torna escassa, os/as arquitetos/as repensam o impulso de construir do zero. Em vez disso, prolongam a vida útil das estruturas existentes, adotando o retrofit e a reutilização adaptativa como estratégias de sustentabilidade e criatividade. A pergunta que orienta esta exploração é simples, porém urgente: como a arquitetura pode redefinir os futuros urbanos construindo menos?
Oferecendo um caminho rumo à resiliência e à segurança alimentar nas planícies aluviais do Lago Titicaca, os campos agrícolas Waru Waru distribuem-se por todo o altiplano peruano, constituindo um antigo sistema agrícola. Ao conectar um legado ancestral a preocupações modernas sobre segurança hídrica e alimentar, resiliência climática e gestão sustentável da terra, esses sistemas agrícolas abrem o debate acerca da gestão eficiente da água e da importância da biodiversidade agrícola. Ao mesmo tempo, integram o sentimento de identidade e orgulho da comunidade aimará local, consolidando um conhecimento cultural transmitido e preservado entre gerações.
A fragmentação social e as divisões econômicas fraturaram o tecido dos ambientes urbanos. Nesse contexto, as ecovilas surgem como soluções potentes para as crises sociais e ecológicas, microcosmos onde a vida sustentável, a coesão social e a resiliência econômica impulsionam o crescimento urbano. Baseadas na responsabilidade ambiental e em sistemas circulares, as ecovilas oferecem um modelo escalonável para inspirar o desenvolvimento de bairros urbanos regenerativos em todo o mundo. O desenvolvimento urbano e suburbano tradicional levou à dispersão e ao isolamento social, o que gerou efeitos prejudiciais para a coesão comunitária e para o meio ambiente. Paralelamente a esse fenômeno, as cidades tornaram-se desumanas, caracterizadas pelo anonimato, pela moradia inacessível, pelo congestionamento no trânsito e pela poluição. A falta de acesso à natureza consolida esses problemas, afastando a população urbana de elementos que promovem o bem-estar e o sentimento de pertencimento.
Toda arquitetura se fundamenta na terra. Essa matéria-prima maleável e resiliente é a origem das placas cerâmicas extrudadas — a argila transformada de seu estado natural em uma solução arquitetônica sem perder nada de sua autenticidade. O trabalho da Exagres está enraizado nesse material natural, transformando cuidadosamente a argila com precisão técnica e guiando-a nessa jornada em vez de forçá-la.
Não é de surpreender que conceitos arquitetônicos já viajassem pelo mundo muito antes da disseminação de informações pela internet. Se, por um lado, muitas regiões compartilham certos acontecimentos históricos e, consequentemente, referências (como a colonização e os movimentos de independência ou mudanças de regimes políticos em meados do século XX), por outro, algumas podem simplesmente ter desenvolvido soluções paralelas diante de condições climáticas e disponibilidade de materiais semelhantes. Além disso, com a disseminação de uma pedagogia arquitetônica mais uniforme adquirida em estudos no exterior, seguida pelo boom da internet, era natural que encontrássemos projetos quase gêmeos em todos os cantos do mundo. Embora eles possam parecer quase idênticos sob certos ângulos, podem carregar camadas e histórias distintas. Por outro lado, também podem revelar o mesmo raciocínio e premissas compartilhados por seus pares do outro lado do oceano.
A educação há muito tempo é uma força motriz no Oriente Médio, moldando o conhecimento, incentivando a inovação e fortalecendo a identidade cultural. Nos últimos anos, a arquitetura educacional na região expandiu-se para além de sua função acadêmica, evoluindo para espaços de encontro público e polos culturais. Essas instituições são projetadas não apenas para o aprendizado, mas também para o diálogo, a pesquisa e a colaboração, frequentemente integrando pátios abertos, áreas públicas multiuso e elementos arquitetônicos que refletem a herança local. Seja por meio de sua abertura física, adaptabilidade ou conexão com o ambiente urbano, esses espaços reforçam a ideia de que universidades e centros de pesquisa são essenciais para a vida cívica.
Nicolás Valencia conversa em Quito com a arquiteta Verónica Rosero e o arquiteto Néstor Llorca, coautores/as, ao lado de María José Freire, sobre o livro Pioneras de la arquitectura ecuatoriana, publicado pela Trama Ediciones em 2021 e vencedor da Bienal Panamericana de Arquitetura de Quito 2022 na categoria de publicações.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143148/as-mulheres-pioneiras-da-arquitetura-equatoriana-segundo-veronica-rosero-e-nestor-llorcaArchDaily Team
Apesar de sua aparência lúdica, as casas na árvore oferecem uma plataforma única para inovações estruturais e explorações de projeto. As casas na árvore tradicionais dependem dos troncos para sustentação estrutural, mas, a fim de aliviar a carga suportada pela árvore, os projetos contemporâneos frequentemente introduzem sistemas adicionais, como pilares para manter o aspecto lúdico ao mesmo tempo em que oferecem suporte extra. Uma das principais vantagens de elevá-las dessa maneira é a redução da pegada ambiental. As casas na árvore podem ser projetadas de modo a deixar o solo da floresta intocado, preservando ecossistemas de pequena escala. Ao liberar o solo abaixo, minimizam-se as interferências na flora e fauna nativas, permitindo que a natureza prospere sem perturbações. Da mesma forma, muitos arquitetos e arquitetas utilizam a topografia local para criar conexões fluidas, incorporando rampas, escadas ou pontes que se integram à paisagem. Essas soluções não apenas melhoram a acessibilidade, mas também enriquecem a experiência geral, criando um passeio arquitetônico que transita entre a casa na árvore e seu entorno.
"Essa sensibilidade ao meio ambiente se reflete não apenas no projeto estrutural, mas também na seleção cuidadosa dos materiais. O uso de materiais naturais, como a madeira, também ajuda a estrutura a se mesclar com o ambiente. Algumas equipes de projeto foram além ao empregar materiais alternativos, como painéis espelhados para refletir a floresta ao redor e camuflar completamente a presença da casa na árvore, demonstrando que a escolha dos materiais pode contribuir para criar um projeto que pareça uma extensão de seu entorno, e não uma imposição a ele. Esta seleção destaca exemplos notáveis na Suécia, Dinamarca, Indonésia e França, apresentando suas diversas abordagens.
A arquitetura vernácula é frequentemente apontada como detentora de lições valiosas para a criação de edifícios de baixo consumo energético e para o combate às mudanças climáticas. No entanto, à medida que os padrões meteorológicos se transformam, há casos em que as próprias técnicas tradicionais de construção começam a correr risco. Além das variações de temperatura, diferentes regiões têm se tornado mais úmidas ou mais secas, enfrentando um aumento no risco de secas, enchentes, tempestades e alterações na flora local. As casas pintadas de Tiébélé, em Burkina Faso, reconhecidas como Patrimônio Mundial da UNESCO, são um exemplo disso.
O Prêmio Pritzker de 2025 foi concedido este ano ao arquiteto chinês Liu Jiakun. Nascido em Chengdu em 1956, ele cresceu nessa cidade em crescente adensamento antes de ingressar e se formar no Chongqing Architecture and Engineering College (Chongqing University) em 1982, obtendo o título de Bacharel em Engenharia com especialização em Arquitetura. Com isso, tornou-se uma das primeiras pessoas graduadas a assumir a tarefa de reconstruir o país durante o período de transição chinês. No entanto, foi apenas muitos anos mais tarde que o arquiteto compreendeu que "o ambiente construído poderia ser usado como um meio de expressão pessoal". Foi a partir de então que seus projetos e sua carreira decolaram, com Liu Jiakun fundando seu escritório em 1999 e passando a se envolver em trabalhos mais colaborativos na China e na Europa. Fruto de suas vivências, suas obras ancoram-se na compreensão da realidade e no respeito à história de múltiplas tradições e à diversidade interna da China, ao mesmo tempo em que alcançam um equilíbrio fluido entre arquitetura e natureza, tradição e modernidade.
Esses conceitos não limitam sua percepção das necessidades humanas e da importância dos espaços comunitários. Por meio de seus projetos, Liu Jiakun demonstra que os espaços podem afetar o comportamento humano e evocar sentimentos positivos. Um espaço público como os que ele cria é capaz de propiciar uma atmosfera acolhedora que favorece o descanso e a colaboração, refletindo o que descreve como "minha busca por narrativa e poesia no projeto". A abrangência das obras de Liu Jiakun permite que elas não fiquem restritas a exigências ou limitações estilísticas e estéticas. O arquiteto simplesmente responde ao que o terreno, a paisagem natural, a malha urbana preexistente e as necessidades da população demandam. O resultado construído é uma síntese de todos esses elementos com as tradições vernáculas predominantes.
Coberturas impressas em 3D da NEOM. Imagem cortesia de MEAN*
Reconhecido como uma das Melhores Novas Práticas de 2024 do ArchDaily, o escritório MEAN* (Middle East Architecture Network) está redefinindo o panorama arquitetônico da região ao fundir design computacional, fabricação digital e pesquisa de materiais com o patrimônio local. Fundado em 2016, o estúdio adota uma abordagem inovadora, desenvolvendo soluções arquitetônicas site-specific que equilibram a inovação tecnológica com a continuidade cultural. Seu trabalho abrange projetos de diversas escalas, desde móveis experimentais, como a Cadeira Mawj, até intervenções de escala urbana, como o The Adaptive Majlis — uma reinterpretação fabricada digitalmente de espaços sociais e de resfriamento tradicionais. Ao integrar ferramentas avançadas como design paramétrico, IA e impressão 3D com materiais locais, o MEAN* está moldando uma nova linguagem arquitetônica que reflete tanto as aspirações do futuro quanto a profundidade do passado.
Nos deltas de baixa altitude de Bangladesh, a água define tanto a vida quanto a perda. Todos os anos, milhões de pessoas são forçadas a reconstruir suas vidas após as inundações levarem suas casas, plantações e meios de subsistência. Nesses territórios precários, o ato de construir tornou-se um ato de resiliência. É nesse contexto que o Khudi Bari surge como uma proposta modesta, porém radical. Projetado por Marina Tabassum Architects, o projeto oferece uma habitação leve, modular e acessível para comunidades deslocadas pelas mudanças climáticas. Reconhecido como um dos vencedores do Prêmio Aga Khan de Arquitetura de 2025, ele representa uma forma de arquitetura que capacita em vez de se impor.
O som, quando emitido por uma fonte — seja uma pessoa ou um equipamento —, propaga-se em todas as direções pelo espaço, sendo refletido, absorvido, transmitido ou difratado ao encontrar superfícies e objetos. Como resultado, cada ambiente possui sua própria qualidade acústica, muitas vezes difícil de perceber sem um ouvido ou olhar treinado. No entanto, o som molda a arquitetura de maneiras sutis, porém profundas, influenciando diretamente como nos concentramos em um escritório, como estudantes se engajam em uma sala de aula, como pacientes se recuperam em um hospital ou como o público se conecta em uma sala de espetáculos. Apesar de seu papel decisivo, a acústica costuma ficar em segundo plano nas discussões de projeto, ofuscada por considerações visuais e estruturais.