
A fotografia é frequentemente considerada uma linguagem visual. A "mais literária das artes gráficas" é, no fim das contas, um sistema formal com uma estrutura comumente aceita e motivos reconhecíveis.
Ezra Stoller ao utilizar a analogia da "fotografia como linguagem" posiciona o fotógrafo de arquitetura entre o arquiteto e o público, no papel de intérprete e comunicador da ideia arquitetônica. Tal abordagem traz várias perguntas: quão idiossincrática pode ser essa interpretação, quanto ela depende da linguagem visual do fotógrafo, e finalmente, se as particularidades de um espaço arquitetônico convidam ou proíbem o uso de um vocabulário fotográfico específico. Embora nos cinquenta anos desde que Stoller escreveu esse artigo as plataformas de mídia para a arquitetura tenham explodido em número e variedade, continua sendo verdadeiro que comunicamos arquitetura principalmente pela imagem. Ainda assim, ao invés de testemunhar um crescimento dos "dialetos" fotográficos, é o oposto: uma homogeneização cada vez maior das imagens, muitas vezes impulsionadas pela necessidade de apresentar a arquitetura como um produto visual facilmente consumível, que pode sobreviver a ciclos curtos de atenção em um ambiente de informação saturada. Embora abordagens alternativas existam, elas tendem a operar nas franjas da fotografia arquitetônica comercial, empregando as construções como um elemento pictórico em um fazer fotográfico que não se preocupa, em princípio, com a comunicação arquitetônica. Esse tipo de fotografia é raramente, se muito, comissionado por arquitetos, e pertence principalmente ao mundo das belas artes.







