
A Galeria Leme apresenta a 7ª edição do projeto SITU que integra a programação oficial da 11ª Bienal de Arquitetura de São Paulo e dá continuidade a uma pesquisa sobre o diálogo entre arte, arquitetura e cidade como ferramenta para a análise e problematização das dinâmicas urbanas. Para esta edição a artista brasileira Ana Dias Batista cria uma obra site-specific que sublinha as tensões e contradições da relação entre o edifício da galeria e a cidade, intervindo diretamente na fronteira entre o espaço público e o privado, nomeadamente nas fachadas principais do edifício e no pátio que se abre entre elas.
Sobre o conjunto de pichações, desenhos e escritos que foram sendo acumulados ao longo do tempo nas fachadas cegas da galeria, a artista acrescenta uma outra pintura comumente encontrada pela cidade. A linguagem é o grafite e o motivo é o de um muro de pedras, um tipo de desenho normalmente encomendado por indivíduos que desejam refrear pinturas indesejadas sobre as paredes de suas propriedades. Ao contrário da pichação, tais grafites são legalmente permitidos e socialmente aceitos. Assim, usam estrategicamente um tipo de linguagem para evitar uma outra congênere, jogando com um código de conduta que existe entre aqueles que pintam (legal ou ilegalmente) as paredes da cidade. Mas, apesar de suas semelhanças formais com os demais, o muro encomendado por Ana Dias Batista parece operar segundo uma outra lógica. Ele chega tarde para evitar qualquer tipo de desenho ilícito e parece conviver de igual para igual com estes. Ao ser interrompido pelo pátio da galeria o muro bidimensional transforma-se, fragmentando-se em inúmeros obstáculos viários de concreto distribuídos pelo chão desse espaço, que apesar de ser aberto à cidade, normalmente é usado como estacionamento privado. Mas tais obstáculos também não parecem cumprir a sua função original de ordenar e limitar o trânsito automotivo. A sua quantidade é excessiva, o seu posicionamento é ilógico e redundante e tampouco impede a circulação de veículos naquele lugar.
