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Abismos arquitetônicos / Carlos M. Teixeira

A primeira impressão que me ocorreu quando vi as cisternas da Índia foi esta: parecem um delírio de degraus e patamares invertidos, uma imersão nas profundezas do deserto tão desconcertante quanto o impulso por um abismo. Realçados pelo jogo de luz e sombra, esses degraus formam uma espécie de mantra arquitetônico de estupendo efeito visual, provendo aquelas escadas de um ritmo vertiginoso e repetindo um padrão que arrebata pela escala e pela multiplicação, não muito diferente de um jogo de espelhos que reflete um espaço ad infinitum.

Como podem essas escadarias intermináveis desempenhar uma função tão prática e poética a um só tempo? Como podem estas obras sublimes serem tão desconhecidas, inclusive na Índia? Por que essa engenhosidade que aqui gerou espaços tão úteis quanto fantasiosos, dificilmente ocorre nas construções dos nossos dias? Que fabuloso seria se, assim como este exemplo distante no espaço e no tempo, as técnicas de uso da água fossem reinventadas para então reaproximarmo-nos da água e dos rios das nossas cidades.

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Sobre este autor
Cita: Carlos M. Teixeira. "Abismos arquitetônicos / Carlos M. Teixeira" 20 Out 2016. ArchDaily em Português. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/pt/797736/abismos-arquitetonicos-carlos-m-teixeira> ISSN 0719-8906

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