Conheça o projeto vencedor para a Cidade da Ciência em Buenos Aires

Em uma busca para promover e difundir as atividades científicas na Argentina, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação da Nação (MINCyT), juntamente com a Sociedade Central de Arquitetos (SCA), lançaram um Concurso Nacional de Anteprojetos para projetar os edifícios que farão parte da “Cidade da Ciência”, em conjunto com o MINCyT e o Centro Cultural da Ciência (C3), a Agência IDI, o CONICET e o Instituto Max Planck Argentina, que atualmente compõem o Polo Científico e Tecnológico. Propondo um “Ecossistema de Inovação”, o projeto será implantado no bairro de Palermo, na Cidade Autônoma de Buenos Aires, mais especificamente em duas quadras dos terrenos do antigo Pátio Ferroviário de Palermo.

Ao propiciar o encontro entre a sociedade, a comunidade científica e acadêmica e novas propostas inovadoras, o concurso visa obter a melhor e mais inovadora proposta arquitetônica para os novos edifícios, contemplando áreas de exposição científica, espaços de trabalho e inovação, auditório e áreas complementares. Além disso, propões-se gerar sinergias com instituições públicas e privadas por meio de um espaço público contíguo que possa oferecer atividades sociais, culturais e de lazer, fomentando o intercâmbio entre a comunidade científica, o setor público e o setor privado, gerando novos conhecimentos e oportunidades.

Diante das 37 propostas recebidas, o júri composto por Agustín Garona e Gustavo Mossayebeh pelo MINCyT, Rita Comando pela SCA, Silvana Parentella pela FADEA e Roberto Frangella pelos participantes, decidiu conceder três prêmios e uma série de menções honrosas. Conheça-os a seguir.

Primeiro Prêmio

  • Autores: Guillermo Lesch e Leticia Alfaro - Lesch Alfaro Arquitectos
  • Equipe: Facundo García Berro, Victoria Gargiulo, Martín Lesch e Carolina Pescio

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Primer Premio. Image Cortesía de Lesch Alfaro Arquitectos

Memorial enviado pela equipe de autoria. Ciência é conhecimento. A ciência busca observar, descobrir e entender como funciona o universo e todas as coisas. No centro do conhecimento humano está a natureza, e no centro desta intervenção urbanística está a natureza. Os edifícios abraçam e celebram a natureza, acolhendo-a entre eles e valorizando-a. O edifício não celebra a si mesmo, mas dramatiza o vazio, o interior da quadra, saturado de vegetação e ecossistemas que nascem da preservação do solo permeável. O solo vivo constitui a melhor estratégia para absorver CO2 e gerar oxigênio. Essas práticas, em tempos de mudanças climáticas, mostram-se não apenas interessantes, mas urgentes. O edifício coloca em primeiro plano essa estratégia, tornando-a explícita.

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Primer Premio. Image Cortesía de Lesch Alfaro Arquitectos

Essa relação ciência/natureza, e o conhecimento como ferramenta para equilibrar progresso e preservação no âmbito urbanístico, são análogos a cheio/vazio, privado/público, construído ou terreno verde. Nesse sentido, a intervenção é a celebração e a valorização do miolo de quadra, neste caso em sua expressão máxima, onde afloram ecossistemas nativos a partir do solo virgem. Esse colchão bioclimático interno acomoda-se no claustro que surge ao se construir sobre as laterais das quadras, mas deixando livre o lado onde ambas se unem, a fim de unificá-las por meio do paisagismo. Desse formato de claustro decorre o ecossistema protegido interno e a consequente construção perimetral que constrói a cidade e a dota da necessária continuidade urbana. Nesse sentido, há um cuidado especial em dotar de funções e atividades os pavimentos térreos voltados para a calçada, contribuindo para a vitalidade e o contínuo urbano. Nessa mesma linha, propões-se uma fachada permeável em direção ao parque linear junto aos trilhos, conformada por uma grande galeria que articula o ecossistema interno com o espaço verde exterior.

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O edifício é acessível e inclusivo, sem utilizar sua presença para se apropriar do local, mas sim para criar espaço público liberado. Dessa maneira, encadeando espaços públicos de qualidade para a comunidade e dotando a cidade de continuidade de percursos urbanos, a intervenção tem a vocação de conectar seres humanos, natureza e tecnologia.

A ciência é uma atividade humana específica orientada à obtenção de conhecimentos sobre o universo, que, moldada pelo atual modo de vida, adota uma forma particular vinculada ao desenvolvimento da tecnologia.

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A tecnologia ocupa o lugar central na atualidade, e seu desenvolvimento parece não ter limites. Em contrapartida, a natureza foi negligenciada por longos períodos. O cuidado com o planeta só voltou a ser pauta a partir dos desastres ambientais e climáticos. Hoje, estes são os dois grandes eixos da agenda global atual.

A construção da cidade das ciências surge como uma grande oportunidade de valorizar essa relação e transmitir que ambas podem conviver em harmonia. O caráter da intervenção é definido por esse contraste entre prismas racionais tecnológicos e ecossistemas orgânicos sobre o solo virgem, que se complementam e se potencializam. Neste momento histórico, o edifício deve expressar isso.

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Primer Premio. Image Cortesía de Lesch Alfaro Arquitectos

Propõe nos assombrar com os últimos avanços tecnológicos e, ao mesmo tempo, nos maravilhar com a magia da natureza, com o milagre da vida. Recuperar a capacidade de deslumbramento que os cientistas do passado tinham, obtendo conhecimento a partir da observação da natureza (Humboldt). A intervenção propõe chamar a atenção para este tema justamente propondo uma disrupção: de repente, o construído acaba, surge o solo original, a mãe terra, uma pausa para refletir. Mais do que um edifício, o conjunto propõe uma experiência: espaços híbridos onde se fundem o exterior com o interior, o vazio com o construído, o digital e o natural.

Segundo Prêmio

  • Autores: Maricarmen Comas e Fernando Ariel Vignoni
  • Colaboradores: Ramiro Solari, Natasha Rodriguez Mozetich e Mariana Martinez
  • Consultores: Anima Rendering – Perspectivas

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Segundo Premio. Image Cortesía de Anima Rendering

Memorial enviado pela equipe de autoria. Entendemos que o desenvolvimento da Cidade da Ciência foca na criação de espaços que vinculem a ciência às pessoas. Portanto, acreditamos ser prioritária uma intervenção expressiva no espaço público que permita gerar a estrutura ideal para conectar os edifícios com a sociedade e com a comunidade científica e acadêmica.

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Segundo Premio. Image Cortesía de Anima Rendering

O futuro Parque da Ciência contará com um espaço de conexão fundamental que unirá o fluxo de público canalizado pela rua Godoy Cruz ao fluxo da Av. Juan B. Justo (aproveitando a elevação da linha ferroviária). Com a nossa operação de esvaziamento, a Praça da Ciência funcionará como um átrio para o acesso do público ao parque, gerando uma vinculação com o edifício atual do Conicet através da calçada. A premissa de criar um vazio como eixo condutor da proposta urbanística do nosso Edifício é fundamental para entender nossa postura frente ao tecido urbano. Acreditamos que será uma peça-chave para atrair multidões, o que justifica uma intervenção dessa magnitude. Um espaço voltado para eventos de Ciência ao ar livre, palestras científicas, exposições, entre outros.

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Segundo Premio. Image Cortesía de Anima Rendering

Consideramos necessária a criação de um vazio entre edifícios que gere a escala pública adequada para o acesso e a expansão de atividades ao ar livre que conectem a Ciência às pessoas. Dessa forma, separamos os programas em dois edifícios:
- Edifício A. Exposições - Volume isolado que dialoga com todos os seus limites. Um marco urbano de destaque no entorno. Cumpre com os 20% de taxa de ocupação livre e com a área total edificável no lote.
- Edifício B. Auditório e Salas - Edifício que se conecta ao tecido existente com o objetivo de consolidar uma peça urbana que articule corretamente a configuração da Praça das Ciências. Abaixo da Praça localizaremos o Auditório, com possibilidade de funcionamento independente do Edifício de Exposições, caso seja necessário. A decisão de situá-lo no subsolo, sob a Praça, nos leva a pensar nesse possível duplo Auditório: um ao ar livre (praça) e outro no subsolo controlado com as características próprias exigidas por um Auditório (caixa). Uma caixa projetada com a maior flexibilidade de layout possível para responder a diferentes demandas. Uma estrutura em laje nervurada que vença grandes vãos sem qualquer interferência, permitindo abrigar eventos com diferentes dinâmicas.

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Segundo Premio. Image Cortesía de Anima Rendering
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Segundo Premio. Image Cortesía de Anima Rendering

A Ciência está constantemente avançando e inovando, e os espaços devem ser flexíveis o suficiente para viabilizar as manifestações e exposições que venham a se desenvolver nos edifícios ao longo do tempo.

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Segundo Premio. Planta Baja. Image Cortesía de Maricarmen Comas y Fernando Vignoni
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Segundo Premio. Image Cortesía de Maricarmen Comas y Fernando Vignoni

Consideramos importante que o edifício seja construído com uma lógica construtiva local argentina que torne seu desenvolvimento sustentável durante o período de obras e que também resolva positivamente sua identidade e caráter institucional a partir da expressão sincera de seus elementos estruturais e envoltórios. Por isso, adotamos um sistema construtivo de peças pré-moldadas de concreto armado que permite materializar o edifício em um curto prazo de execução.

É por meio da linguagem sintética que expressa a realidade estrutural dos elementos que intervêm no sistema que construímos a imagem do edifício percebida externamente, expondo o movimento do anel de circulação e dos acessos. Entendemos que o conceito de economia no tempo de execução e a seleção de materiais genuínos de fabricação local são fundamentais na hora de projetar edifícios públicos.

Terceiro Prêmio

  • Autor: Juan Martín Flores - SMF Arquitectos
  • Colaboradores: Mariano Caprarulo, Valentina Ferri, Evelyn Trobo, José Fazio, Francisco Otero e Matías Erguy Grill.
  • Consultores: Paula Maidana

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Tercer Premio. Image Cortesía de Juan Martín Flores

Memorial enviado pela equipe de autoria. A cidade de Buenos Aires, desde sua fundação, foi equipada e representada em seu espaço urbano por edifícios institucionais emblemáticos que atenderam às atividades demandadas pelos poderes públicos para seu funcionamento.

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Tercer Premio. Image Cortesía de Juan Martín Flores

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação da Nação é a instituição que representa o universo da Ciência em nosso país, fomenta as novas formas de tecnologia e é responsável por levar adiante o manifesto pela inovação argentina para todo o mundo. O Concurso de Anteprojetos para a Cidade da Ciência apresenta-se como uma grande oportunidade para desenvolver uma proposta predial que represente esses desafios diante de toda a sociedade. Desse modo, torna-se imprescindível a criação de um novo espaço que atenda ao conjunto de condições necessárias para o seu funcionamento futuro e que, ao mesmo tempo, por meio de sua iconicidade, possa deixar para as próximas gerações um legado na difusão das missões e valores enraizados na rica história da ciência nacional.

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Tercer Premio. Image Cortesía de Juan Martín Flores

O cenário do projeto se enquadra em uma situação singular, pois faz parte de uma proposta urbana para o bairro de Palermo, onde se propõe a consolidação de um parque com base em um novo perfil urbano: um grupo de edifícios contínuos dispõe-se de modo a consolidar uma nova frente voltada para uma nova área de parque. Nesse contexto, a Cidade da Ciência se constitui como um elemento volumétrico de continuidade que gera diretrizes urbanas e arquitetônicas para a futura transformação da região.

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Tercer Premio. Image Cortesía de Juan Martín Flores

A proposta planeja a concepção de uma forte relação com o futuro meio urbano, ao mesmo tempo em que busca uma relação equilibrada entre as diferentes áreas de trabalho, zonas de intercâmbio e reunião, e o ambiente citadino e o espaço público tão rico e característico da região.

O projeto busca se contextualizar em relação a toda uma série de elementos que constituem a escala e a identidade arquitetônica desta parte da cidade. As preexistências de grande valor patrimonial, como os edifícios, setores e galpões ferroviários, a área do parque linear, as novas edificações, a borda urbana sobre a rua Godoy Cruz e suas ruas perpendiculares, como Nicaragua e Costa Rica — que definem o caráter do setor tanto em sua escala quanto na marca espacial em relação à ocupação do espaço e ao tratamento das áreas verdes naturais —, serão valorizadas em relação ao novo projeto.

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Tercer Premio. Image Cortesía de Juan Martín Flores

Nesse sentido, a proposta da Cidade da Ciência define um novo espaço público urbano, uma nova área pública com uma nova proposta de edificação urbana e arquitetônica que estabelece uma borda urbana em relação direta com o bairro de Palermo e com sua nova proposta de Parque Linear, espaço livre e verde da área. Trata-se de um cenário urbano voltado para a Ciência, a Tecnologia e a Inovação, onde possam conviver o presente, o passado e o futuro da cidade.

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Tercer Premio. Image Cortesía de Juan Martín Flores

A ideia é gerar, desde a concepção arquitetônica, uma forma edilícia e uma imagem da ciência, tecnologia e inovação que se associem naturalmente à região, à cidade e aos seus habitantes. Como um esqueleto tridimensional para a Cidade da Ciência, a proposta busca promover a imagem, conceituação e identidade de uma “Peça Única”. Nesse sentido, a intenção desta intervenção é gerar uma imagem de conjunto, uma nova peça urbana onde as partes integram um todo. Esse esqueleto faz parte da estrutura do corpo da Cidade da Ciência, servindo de sustentação para todo o seu peso e volume.

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Tercer Premio. Primer Piso. Image Cortesía de Juan Martín Flores

Esta peça surge a partir do uso de pórticos de concreto, sob um mesmo módulo de espaçamento, os quais, de forma integral e simultânea, associam-se à imagem de um volume único, independentemente de a proposta projetual consistir em dois edifícios separados. Uma arquitetura que busca se expressar a partir de sua estrutura e, assim, representar a Ciência na Argentina.

Menções Honrosas

  • Autores: Mariano Gustavo Alonso, Ludmila Crippa e María Florencia Bellido
  • Colaboradores: Leonardo Liñan, Julieta Belén Rey, Patricio Tamboreneáia, Paula Ferreira
    e Henrique Menneses

  • Autores: Germán Hauser e Edgardo Minond
  • Colaboradores: Micaela Fanessi, Pablo Barakhian, Gian Luca Mercante, Leila Moyano,
    Agustina María Vilela, Tomás Schweizer, Flor Nuss, Frano Ocampo,  Juan Quiroga, Brenda Rossi, Miguel Minond

  • Autores: Francisco Espósito e Guido Quiró
    Colaboradores: Juliana Arviza Faccio, Gabriel Sedoff, María Laura Crespo, Nicolás Uberti, Agustina Ciccolini, Florencia Medina, Facundo Rolandi Juarez, Joaquín Guevara, Sebastián Sayar e Tomás Bruschini

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Sobre este autor
Cita: Iñiguez, Agustina. "Conheça o projeto vencedor para a Cidade da Ciência em Buenos Aires" [Conoce el proyecto ganador para la Ciudad de la Ciencia en Buenos Aires] 16 Nov 2023. ArchDaily em Português. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/pt/1138073/conheca-o-projeto-vencedor-para-a-cidade-da-ciencia-em-buenos-aires> ISSN 0719-8906

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