
A maioria dos/as arquitetos/as projeta no conforto de seus escritórios, sentados/as atrás de suas mesas, tomando decisões ao olhar para suas telas planas, sem nunca visitar um canteiro de obras e gerenciando tudo remotamente. Essa atitude pode resultar no projeto de um edifício elegante e até mesmo objetivamente bonito. No entanto, uma solução como essa passa longe de ser uma resposta genuína às demandas reais de um determinado local. Como é possível descobrir isso? Seria possível construir algo novo como se fosse uma extensão do que já está lá, em sua forma mais inata, consequente e, ainda assim, original? A única maneira de descobrir é começar pelo próprio local, afirma Vinu Daniel, fundador do Wallmakers, um premiado escritório de arquitetura em Trivandrum, capital do estado de Kerala, no sul da Índia.
Ele me disse: "A prática da arquitetura não deve se resumir a transferir um monte de papéis do escritório para o canteiro de obras." O trabalho do/a arquiteto/a surge diretamente do local, de seu envolvimento direto com ele de forma tátil. Tudo começa com o exame do lugar e o trabalho com materiais disponíveis a uma curta distância a pé do canteiro de obras — terra, tijolo e todo tipo de resíduo, incluindo pneus, garrafas de cerveja e até brinquedos de plástico descartados. Essa abordagem disciplinada resultou em obras altamente originais — em sua maioria residências unifamiliares —, proporcionando sempre uma resposta física única.





























