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Cuidado além da biopolítica

O que significaria projetar edifícios que transcendam a contabilidade econômica da biopolítica liberal, oferecendo, em vez disso, uma lógica inteiramente diferente para a promoção da saúde? Nos anos em que Michel Foucault conceituou o termo biopolítica, ele fazia parte de uma constelação de pesquisadores/as e arquitetos/as que desenvolveram práxis de cuidado que definiam o valor da vida e de sua manutenção por meio de um cálculo baseado no desejo. As instituições do Estado de bem-estar social da arquiteta Nicole Sonolet, em particular — hospitais psiquiátricos, conjuntos de habitação social e novas tipologias de aldeias construídas principalmente na França do pós-guerra e na Argélia pós-colonial, entre as décadas de 1950 e 1980 —, foram projetadas não apenas para apoiar, mas para centralizar as necessidades de pessoas frequentemente excluídas dos processos de projeto. Os centros de saúde mental de Sonolet para residentes do 13º arrondissement de Paris, em especial, foram projetos fundamentais para a descoberta de uma prática projetual vinculada à prestação do cuidado em si.

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Embora sua obra seja formalmente sofisticada e teoricamente rica, o trabalho de Sonolet não é amplamente conhecido. Ela ingressou no curso de arquitetura da École des Beaux-Arts de Paris em 1944, mas seus estudos foram interrompidos pela Segunda Guerra Mundial; ela concluiu seu projeto de tese para um hospital psiquiátrico em 1954. Durante os anos do pós-guerra e ao longo da década de 1960, projetou conjuntos habitacionais subsidiados de médio porte nos subúrbios parisienses, bem como residências unifamiliares, o que ajudou a financiar seu escritório. Nesses anos, ela também retornou ao tema de sua tese e começou a projetar instalações de saúde mental. Seu primeiro grande hospital psiquiátrico foi o l’Eau Vive, localizado no subúrbio parisiense de Soisy-sur-Seine, no qual começou a trabalhar em diálogo com o psiquiatra Phillippe Paumelle a partir de 1958. No final dos anos 1960 e início dos anos 1970, ela e Paumelle colaboraram novamente na construção do Centro de Saúde Mental da *Association de Santé Mentale 13* (ou ASM 13) em Paris, um complemento ao l’Eau Vive voltado para o atendimento ambulatorial. Nesses anos, Sonolet também publicou artigos sobre habitação social e arquitetura da saúde mental, realizou pesquisas em psicologia ambiental e lecionou na *École Spéciale d’Architecture* e na *École des Beaux-Arts*, chegando a servir refeições de sua própria cozinha para estudantes em greve durante o ano de 1968.

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Sobre este autor
Cita: TenHoor, Meredith . "Cuidado além da biopolítica" [Care Beyond Biopolitics] 16 Ago 2022. ArchDaily em Português. (Trad. Harrouk, Christele) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/pt/1134235/cuidado-alem-da-biopolitica> ISSN 0719-8906

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