
A menos que você viva em uma bolha de notícias ou de redes sociais, é pouco provável que não tenha visto os efeitos devastadores que as secas e os incêndios florestais na Austrália, agravados pelas mudanças climáticas, causaram ao continente. Uma das imagens que continua gravada na minha memória é a daquele garoto que, de máscara no rosto, pilota o barco da família enquanto fogem de um grande incêndio florestal — com chamas e fumaça envolvendo toda a cena em um brilho apocalíptico de tom vermelho-alaranjado.
A perda de vidas (humanas e de animais silvestres), a destruição de propriedades, infraestrutura e habitats, os impactos negativos na qualidade do ar, na biodiversidade e no acesso à água, além dos refugiados decorrentes desse cenário, trarão consequências de longo prazo para a economia e o bem-estar geral da Austrália. Pior ainda, esses impactos negativos têm sido, e continuarão sendo, distribuídos de forma desigual entre as populações do continente. Sem surpresa, a tensão resultante disso, que já afeta indivíduos e instituições sociais, enfraqueceu a coesão comunitária por meio de ações antissociais, como o roubo de água.
Alguns veem a Austrália como o canário na mina de carvão das mudanças climáticas, embora desastres semelhantes, agravados pelas alterações no clima, já estejam se manifestando no restante do mundo. Os exemplos variam desde os danos e mortes causados por inundações no Meio-Oeste e nas Grandes Planícies dos EUA até o agravamento da violência contra as mulheres em países com níveis já elevados de desigualdade de gênero, passando pelo aumento de conflitos internacionais.




