
Atualmente, a maior parte dos cidadãos do mundo foi direcionada ao confinamento devido à COVID-19. Após mais de dois meses nessas circunstâncias, surgem duas reflexões gerais — independentemente dos problemas pessoais de cada lar. A primeira é que nos adaptemos e vivamos em relativa harmonia dentro do espaço em que habitamos, e a segunda é que o espaço habitável não seja suficiente para o nosso conforto. Aprofundaremos a análise a partir da segunda reflexão, a fim de empatizar com a população que se encontra em situação de risco e decide abandonar sua vida em um determinado lugar para migrar em busca de melhores oportunidades, analisando como a arquitetura responde ou se omite diante da emergência migratória.
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Menciono a conjuntura do isolamento preventivo porque é o mais próximo que podemos chegar da realidade daqueles que precisam abandonar seus lares por motivos de força maior. Para nós, surge a dúvida se haverá um lugar melhor para habitar, onde nossa segurança pessoal e coletiva não seja ameaçada; no entanto, por enquanto, isso continua sendo uma escolha, pois o cuidado com a nossa saúde depende de nós mesmos. Para quem não tem opção e decide se aventurar em travessias nas quais, além de pagar os valores monetários exigidos pelos coiotes — em sua maioria ilegais — para levá-los de um ponto a outro, há um preço incalculavelmente maior e sem qualquer garantia: a própria vida e a de seus acompanhantes. Isso sem contar os sonhos e aspirações de cada uma dessas pessoas.












