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Uma casa unifamiliar costuma ser considerada um pixel minúsculo no contexto urbano; no entanto, a verdade é que, em média, mais de cinquenta por cento do tecido urbano é moldado por esses pequenos fragmentos. Como bem disse Tadao Ando: “A casa é a tipologia de edifício capaz de mudar a sociedade”. Dessa forma, é assim que clientes, incorporadores/as, construtores/as, arquitetos/as ou designers podem e devem assumir a responsabilidade e participar voluntariamente de um esforço coletivo para moldar um contexto urbano melhor.
No contexto habitacional norte-americano, a repetição de uma fórmula econômica tornou-se a norma por diversos motivos, sendo o principal deles o fato de que o público não tem a oportunidade de explorar e experimentar. Do ponto de vista arquitetônico, o domínio multicultural da Região Metropolitana de Toronto não é tão diverso quanto deveria ser, e suas áreas residenciais caracterizam-se por uma monotonia homogênea. A visão da população em relação à arquitetura é atraída ou pela produção em massa de loteamentos habitacionais promovidos por incorporadores/as, ou por variações cosméticas de projetos genéricos copiados e colados, ou ainda por residências monumentais sem qualquer conexão real com um estilo de vida singular.
Não apenas o público em geral, mas também os/as arquitetos/as que consentem com essa monotonia, são responsáveis por isso. Há uma responsabilidade ética; no entanto, muitos/as profissionais se tornaram meros prestadores de serviços em vez de colaboradores de um discurso público. Incorporadores/as voltados/as ao mercado, cujas decisões concentram-se exclusivamente no ganho financeiro, colocaram os/as arquitetos/as em uma posição ingrata. No que diz respeito a residências unifamiliares, suas contribuições são quase invisíveis. Raramente as casas colaboram de forma significativa com o tecido urbano ou despertam curiosidade na mente de quem as observa sobre o estado da habitação, do morar, do urbanismo, do alojamento ou da cultura. Independentemente do gosto pessoal, cada projeto deve ser capaz de provocar um questionamento mental que exija uma resposta.
