
Texto de Raúl Medina e Paola Monreal.
La eterna tarea de la arquitectura es crear metáforas existenciales encarnadas y vividas que concretan y estructuran nuestro ser-en-el-mundo. La arquitectura refleja, materializa y hace eternas ideas e imágenes de la vida real. Los edificios y las ciudades nos permiten estructurar, entender y recordar quiénes somos. 1 -J. Pallasmaa
Entendemos a arquitetura como uma série de processos vinculados diretamente a duas fases: a primeira diz respeito ao nascimento das ideias, ao surgimento e à criação constante de perguntas, afirmações e negações. É um ir e vir entre a afirmação e o autoquestionamento, entre a narrativa e a utopia, resultado de nossas propostas arquitetônicas. No entanto, decidimos dedicar este documentário à segunda fase, que é o próprio processo de materialização daquele devir de ideias.
Nesta fase, as ideias abandonam o espaço da imaginação e se incorporam à memória; à memória espacial, à memória de uma cidade, à memória das pessoas.
Além disso, ela implica a inserção de memória entre a equipe de trabalho e la materialização de ideias, entre a mão e a ferramenta — sendo esta, por sua vez, uma extensão da mão 2 —, entre o corporal e sua íntima relação com o espacial.
Segundo M. Heidegger, toda ação da mão está enraizada no pensamento. Pallasmaa afirma que a mão não é apenas um executor fiel e passivo das intenções do cérebro, mas possui intencionalidade e habilidades próprias. Dedicamos este fragmento de imagens documentadas àquelas mãos que tornam possível a materialização de nossas ideias, onde acreditamos haver uma simbiose entre nosso pensamento como arquitetos/as, nossa imaginação, nossas utopias e a linguagem dos mestres artesãos; uma linguagem baseada na práxis e na tekné 3, às vezes, um legado de conhecimento transmitido de geração em geração. Falamos, especificamente, daqueles mestres de obras; mestres carpinteiros, mestres ferreiros, mestres encanadores, mestres eletricistas.
Aludimos a uma grande equipe de trabalho que faz parte do processo arquitetônico, encarregada de plasmar e assentar nossas ideias no mundo do tangível, do palpável e do perceptível.
Concebemos a arquitetura no mundo do tangível, onde podemos apreciar e vivenciar as ideias materializadas (o espaço) através de nossos sentidos, o que, por sua vez, se transforma em uma série de experiências multissensoriais. Fazemos alusão à arquitetura como responsável por estimular constantemente nossas sensações.
A arquitetura é o ponto de encontro entre essas duas faces. Há arquiteturas que não precisam ser interpretadas e que aludem diretamente à Natureza, convivendo com a informação circunstancial, enquanto há outras que manifestam o rastro da intervenção humana, seja através do processo instrumental com um fim funcional, seja como meio para registrar e transmitir um significado.
Quer conhecer os processos da Casa Palmas? Não perca este vídeo que mostra fragmentos das horas de trabalho dedicadas a este projeto do DOSA Studio.
Conheça o projeto completo aqui.
- Pallasmaa, Juhani, Os olhos da pele, a arquitetura e os sentidos, Espanha, Gustavo Gili, 2014, pp.82.
- Pallasmaa, Juhani, A mão que pensa, Espanha, Gustavo Gili, 2012, pp.52.
- Palavra grega que se traduz como “Arte ou ciência” e que – graças a muitas adequações e mudanças fonéticas ao longo do tempo – conhecemos hoje como técnica.
Este artigo foi escrito por Mónica Arellano. A tradução é gerada por IA.