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Surpreendentemente, naquela aula Josep Maria Sostres esteve magistral. Josep Maria Sostres, que a partir de agora chamaremos Sostres (ainda que na universidade o chamássemos El Sostres), era um arquiteto e um homem muito, muito peculiar. Como arquiteto, mereceu o típico reconhecimento post mortem, da mesma maneira que José Antonio Coderch, outro arquiteto que poucos de nós admiraram em vida, embora, hoje, pareça que todos o idolatrassem.
Realmente, Coderch e Sostres podiam ser comparados, e essa comparação foi muito impactante naquele momento. Ambos contaram com um reduzidíssimo grupo de lãs incondicionais que louvavam, nos dois artistas, virtudes totalmente antiéticas. Em Coderch admirávamos –e eu pertencia ao seu grupo– o caráter intransigente e individualista, sua aparente independência em relação às escolas internacionais, sua aversão a integrar-se a grupos de opinião, seu ar de artista isolado, como o protagonista de El Manantial, reforçado por uma aparência física adequada ao papel: um tipo elegante, enxuto, hispano, velazquiano, com um olhar penetrante e inquisidor. Em Sostres, valorizam-se sua tremenda erudição, seu conhecimento das tendências internacionais mais vanguardistas, seu sofisticado ecletismo, seu compromisso e integração em tarefas culturais coletivas, tudo isso acompanhado, também, de uma aparência igualmente coerente: era tão feio quanto Jean Paul Sartre, desalinhado, mal vestido, tinha caspas e usava uns óculos redondos e grossos como fundos de garrafas.
Mesmo que a herança de Sostres ainda me pareça muito inferior à de Coderch, é verdade que ele nos deixou algum edifício refinado e interessante que, por si só, justificaria seu mérito póstumo. Contudo, no que diz respeito à sua atividade pedagógica, essa valorização só pode ser explicada ou pela amnésia voluntária de alguns de seus antigos alunos ou pelo desconhecimento dos mais jovens.
