
Em 2023, o edifício da Escola de Design da Universidade Shanghai Jiao Tong abriu suas portas após uma remodelação completa e adaptação de uma estrutura existente. Projetado por Xing Ruan, arquiteto/a e acadêmico/a que também atua como diretor/a da escola, o edifício recebeu dois reconhecimentos no Prix Versailles: o Título Mundial de Campus Mais Bonito e o Prêmio Especial para Interiores, uma das três principais honrarias da premiação. Prêmios desse tipo tendem a gerar uma dinâmica própria. Uma vez que uma obra é reconhecida, ela é rapidamente enquadrada em uma narrativa conveniente — atribuindo-se significados aos seus materiais, técnicas, forma e decisões espaciais que tornam o projeto legível, categorizável e fácil de referenciar.
No entanto, o que uma premiação confirma é, talvez, apenas o fato de que um edifício foi visto. O que ainda cabe perguntar é por que ele existe da maneira como existe — quais problemas foi projetado para enfrentar, quais crenças ele rejeita e o que propõe para a disciplina para além das circunstâncias de sua construção. Foi no próprio edifício da Escola de Design que a entrevista a seguir aconteceu, transitando entre arquitetura, pensamento acadêmico, frugalidade e os limites do que se pode — e deve — exigir de uma edificação.
