Vista marquise a partir da via pública. Image Cortesia de Coletivo de Arquitetos
O projeto para uma praça no povoado do Crasto propõe a criação de um espaço de lazer cultural e esportivo inédito nesse vilarejo pesqueiro localizado no litoral sul de Sergipe. O projeto cuida ainda da resolução de questões referentes à acessibilidade, interconectando o empraçamento desenhado ao entorno construído pré-existente.
Com o objetivo de jogar luz sobre as possibilidades dos vazios urbanos, foi recentemente realizada a Chamada Internacional de Projetos para Intervenção Urbana “Outros Territórios”, que reuniu propostas de intervenções efêmeras para as “palafitas” dos prédios do bairro Buritis, em Belo Horizonte.
Enquanto as grandes cidades se esforçam para recuperar e revitalizar áreas urbanas centrais, zonas periféricas geralmente são ignoradas ou esquecidas. Geralmente, e com pouquíssimas exceções, o centro de uma cidade é onde se encontra a maioria das infra-esturturas urbanas, serviços públicos e principalmente, uma maior acessibilidade aos sistemas de transporte público. Em si só, isso é um motivo bom o suficiente para que uma cidade se esforce em manter a qualidade e a vitalidade de suas áreas centrais. Entretanto, isso também significa que políticas públicas voltadas tão somente para áreas centrais e que, por outro lado, negligenciam áreas periféricas - historicamente pobres e carentes em infra-estrutra urbana -, penalizam duplamente as zonas mais afastadas e principalmente, a população que ali vive. Com isso em mente, o escritório russo de arquitetura Meganom desenvolveu um projeto chamado de "Dvorulitsa", o que significa literalmente "rua -jardim". Dvorulitsa é um projeto de desenvolvimento urbano que pretende contribuir com a recuperação de áreas periféricas de Moscou. A ideia é um desdobramento de um antigo projeto do estúdio fundado por Yury Grigoryan e Iliya Kouleshov. Desenvolvido em 2013, "Archaeology of the Periphery," foi um projeto de recuperação de um antigo estaleiro que apresentava o conceito de "super parque", uma alternativa para a transformação da periferia das cidades pós-soviéticas.
Entre várias estratégias de desenho urbano e ocupação dos lugares públicos da cidade, as ruas completas talvez sejam, atualmente, as mais em vista. Partem de uma ideia bastante simples: tornar o espaço da rua verdadeiramente público, no sentido mais amplo da palavra. Em outras palavras, seu objetivo é proporcionar opções de transporte e acesso ao maior número possível de modais de transporte - a pé, bicicleta, cadeira de rodas, transporte público coletivo e carros particulares.
A expressão artística é muitas vezes indisciplinada. Às vezes, o tumulto de cores e a explosão de linhas e formas ajudam a criar uma ilustração 2D, que é precisamente o que o Drawing Architecture Studio (DAS) fez na nova filial da Ucommune em Dajiang Hutong, Pequim.
No final de 2018, Li Han, co-fundador do Drawing Architecture Studio, ganhou o Drawing Prize por seu desenho digital de The Samsara of Building No.42 on Dirty Street, que também ilustra uma narrativa visual da cidade de Pequim e sua cronologia residencial ao longo do século XXI. Este ano, o DAS assumiu a área de Qianmen, co-trabalhando com a marca Ucommune, transformando sua rede rodoviária, arquitetura e composição urbana em um panorama dinâmico e meticulosamente detalhado intitulado Under the Zhengyangmen.
O resultado oficial para o Concurso Nacional para Requalificação do Espaço Público do Eixo Monumental de Maringá foi divulgado. Trata-se de uma área central na cidade, compreendida entre a Praça da Catedral e o complexo esportivo da Vila Olímpica. O Eixo Monumental totaliza, aproximadamente, 169 mil m², e inclui jardins, áreas públicas, estacionamento de veículos e calçamento perimetral às fachadas. Por se tratar de uma área bastante grande, o projeto deveria ser apresentado em 7 trechos, para garantir a licitação e execução das obras por fases. O projeto vencedor foi elaborado pela equipe formada por Pedro Paes Lira, Manoela Muniz Machado, Julia Marini, Laura Figueiredo e Juliette Tellier, do escritório Natureza Urbana; com consultoria de paisagismo de Bianca Vasone, Gabriella Ornaghi e Lilian Dazzi; e de engenharia de Alexandre Horiye Ferreira e Felipe Macedo Barbosa.
A comissão julgadora, formada pelos arquitetos e urbanistas Haroldo Pinheiro, José Gilberto Purpur, Mario Figueroa, Orlando Busarello e Renato Leão Rego deliberou pelos seguintes vencedores:
Intervenções na Rua Joel Carlos Borges garantem maior segurança aos pedestres. Foto: Pedro Mascaro/WRI Brasil
Ainda que todos sejamos pedestres, muitas vezes quem está atrás do volante não respeita o espaço, o tempo ou a prioridade de quem anda a pé. Esse é um dos motivos que faz de qualquer caminhada nas cidades um desafio. Além das questões de segurança pública, a hierarquia e o consequente desenho urbano que configuram as vias urbanas brasileiras dificultam o atendimento dos direitos básicos dos pedestres.
https://www.archdaily.com.br/pt/902194/tres-direitos-dos-pedestres-que-podem-ser-assegurados-por-meio-do-desenho-urbanoWRI Brasil
Centro histórico da cidade de Antonina. O local foi tombado pelo Iphan em 2012. Foto: Arquivo/Gazeta do Povo
Cidades são o testemunho vivo das transformações culturais, sociais, econômicas e políticas pelas quais passam a sociedade. Em constante transformação, marcas superficiais do passado vão desaparecendo ao passo que as cicatrizes mais profundas se sobrepõem às múltiplas camadas de presentes que se desenrolam nas cidades ao longo das décadas e séculos.
No curso da história, algumas cidades, por uma combinação de fatores, conseguem se manter mais preservadas, mostrando com mais intensidade vestígios do passado, do Brasil colonial, enquanto que em outras as marcas dos primeiros tempos da urbanização no país foram apagadas ou tragadas pelas eras que se seguiram.
O escritório Henning Larsen divulgou imagens do seu novo projeto urbano para o histórico Porto Imperial de Gdansk, na Polônia. O megaempreendimento de 400 mil metros quadrados procura transformar a antiga zona portuária, construída em 1844, em um “poderoso mecanismo de desenvolvimento econômico e social, um novo bairro de uso misto muito próximo ao centro histórico da cidade.
A antiga zona industrial portuária desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento econômico e cultural da cidade de Gdansk e da Polônia em um cenário mais abrangente, atuando como um importante centro mercante na costa do mar Báltico. Como uma espécie de acupuntura urbana, o projeto da Henning Larsen procura reativar a histórica área portuária e reconecta-la ao contexto urbano através da inserção de novos percursos caminháveis e ciclovias, preservando o caráter desta área à beira-mar como uma importante zona comercial e de lazer para a população local.
https://www.archdaily.com.br/pt/897729/henning-larsen-divulga-proposta-de-recuperacao-da-historica-zona-portuaria-de-gdansk-na-poloniaNiall Patrick Walsh
A tragédia do incêndio e desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, no centro de São Paulo, motiva esta manifestação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil sobre os problemas sociais e urbanos não apenas da capital paulista, mas da maior parte das grandes cidades do país.
O relevante na tragédia é o drama social das famílias das vítimas e dos milhares de pessoas que vivem em outras ocupações de prédios com condições precárias em importantes centros urbanos brasileiros. A perda de um edifício modernista de valor cultural agrega mais um componente a lamentar.
Quando existe uma combinação equilibrada de atividades complementares em um determinado bairro (ou seja, uma mistura de residências, locais de trabalho, comércio e serviços), parte significativa das viagens cotidianas de seus moradores podem permanecer curtas e caminháveis. Usos diversos, com horários de pico diferentes ao longo do dia, contribuem para manutenção de ruas movimentadas e seguras por mais tempo, estimulando a atividade de pedestres e ciclistas e promovendo um ambiente humano animado onde as pessoas desejam viver. Isto também contribui para o equilíbrio da demanda do transporte coletivo, resultando em uma operação mais eficiente e sustentável por períodos mais longos do dia. Pessoas de todas as faixas etárias, gêneros e renda podem interagir com segurança em locais públicos.
Um crescente número de novas tecnológicas nesse início de século abriu caminho à teorização e a implementação das chamadasSmart Cities, ambientes urbanos projetados com base em dados técnicos e concebidos para serem eficientes. Embora a maioria das inovações tecnologias estejam relacionadas à infraestrutura, uma nova startup chamada de UNSense acaba de ser lançada com uma abordagem voltada ao ser humano, com foco na saúde e no bem-estar das pessoas.
Fundada por Ben van Berkel, diretor do escritório holandêsUNStudio, e com sede em um centro de inovação de Amsterdã, a UNSense pretende usar dados técnicos para projetar intervenções em espaços urbanos de modo a qualificar a saúde física, mental e social das pessoas. Como empresa irmã independente do UNStudio, a UNSense se especializará em tecnologia orientada ao usuário para desenvolver uma arquitetura focada nas pessoas - uma abordagem de "software" que oferece um contraponto ao "hardware" do UNStudio.
https://www.archdaily.com.br/pt/892108/unstudio-lanca-startup-focada-no-bem-estar-das-pessoas-nas-cidades-do-futuroNiall Patrick Walsh
Cidades ativas são aquelas em que a população pode fazer escolhas mais saudáveis e sustentáveis. Para que isso seja possível, as cidades devem proporcionar acesso a espaços públicos e serviços de qualidade a todas as pessoas, garantindo que possam passear, descansar, brincar e se exercitar em praças, parques e equipamentos. Cidades ativas são também compactas, nas quais a proximidade entre a moradia e o trabalho, escola, serviços, lazer faz com que as redes de mobilidade a pé, cicloviária e de transporte público sejam mais eficientes e melhores distribuídas no território. Assim, a escolha pelo modal a pé ou bicicleta nos deslocamentos diários se torna viável. Por isso, cidades ativas são, necessariamente, mais caminháveis.
Há uma extensa bibliografia acadêmica evidenciando os malefícios que enormes conjuntos habitacionais, monofuncionais e afastados dos centros trazem às cidades. Geralmente eles se tornam espaços altamente segregados, estigmatizados e, muitas vezes, com condições degradantes de vida. Após a ocupação, é frequente que os próprios moradores comecem a criar modificações, abrindo pequenos comércios e se apropriando dos espaços de formas muito distintas do que foi imaginado na etapa projetual. Mas há a possibilidade do desenho urbano melhorar a qualidade de vida desses conjuntos? Veja essa proposta realizada em João Pessoa:
Em breve, os moradores de Stavanger, Noruega, poderão o processo de fabricação da cerveja LERVIG em seu novo centro de visitantes e produção projetado pelo escritório dinamarquês COBE. Localizado em um antigo pier industrial, o edifício oferecerá uma série de novos serviços e espaços no centro de Stavanger, como jardins e um mercado de rua. Destes pontos, os visitantes poderão observar os tanques e o processo e fermentação acontecendo no interior do edifício.
Sabemos perfeitamente que na arquitetura e no urbanismo, o aprendizado pode se dar de muitas formas: pense em suas maquetes, desenhos de observação, desenhos técnicos, aulas teóricas, ateliês, modelos virtuais 3D e até exercícios em realidade virtual. Nessa mesma linha, a editora a+t architecture publishers publicou 50 Urban Blocks, um baralho de cartas que busca facilitar o projeto de quadras urbanas através de 50 tipologias.
Cada carta tem 13x8 centímetros e tem impressões em ambos os lados, com versão em inglês e espanhol. Além disso, cada carta inclui uma axonométrica, uma planta geral, projeção de sombras, coeficiente de ocupação e área total construída.
https://www.archdaily.com.br/pt/875113/aprenda-a-projetar-uma-quadra-urbana-com-este-baralho-de-50-cartasArchDaily Team
Destacando sua capacidade de ampliar o campo de ação do arquiteto para alcançar soluções que permitam melhorar os contextos urbanos e fazer frente à crise mundial de habitação, o júri selecionou o arquiteto chileno Alejandro Aravenacomo vencedor da edição de 2016 do Prêmio Pritzker. Aravena é o 41° primeiro laureado do prêmio e primeiro arquiteto chileno a receber a honraria.
Com 48 anos de idade, Aravena não apenas apresenta uma grande produção de obras privadas, públicas e educacionais no Chile, EUA, México, China e Suíça, mas também conseguiu construir através do escritório ELEMENTAL mais de 2.500 unidades de habitação social, envolvendo-se em políticas públicas habitacionais e tomando as regras do mercado como uma oportunidade de gerar um impacto real de grande alcance.
“Alejandro Aravena sintetiza o renascimento de um arquiteto mais socialmente engajado[...]. Ele tem um profundo conhecimento tanto da arquitetura como da sociedade civil, algo que se reflete em seus escritos, seu ativismo e seus projetos. O papel do arquiteto está agora sendo desafiado a servir a necessidades sociais e humanitárias maiores, e Alejandro Aravena tem respondido a este desafio de modo claro, generoso e pleno”, diz a citação do júri.