MVRDV concluiu recentemente a "Idea Factory", transformando uma fábrica desativada em um centro criativo com um importante foco voltado para a comunidade. Localizado na vila urbana de Nantou, em Shenzhen, China, o projeto de reutilização adaptativa reforma a estrutura existente para acomodar escritórios enquanto adiciona uma nova camada de espaço público. Este último assume a forma de uma paisagem composta por bambus, implementada na cobertura, abrigando atividades que fornecem um novo espaço de lazer para o bairro historicamente desfavorecido.
“As novas ideias devem usar edifícios antigos”, disse Jane Jacobs em seu livro seminal Morte e vida de grandes cidades, defendendo a reutilização de edifícios existentes como um meio de catalisar mudanças positivas e promover diversos ambientes urbanos.
A inserção de novas atividades em uma estrutura existente está se tornando cada vez mais um aspecto definidor da arquitetura contemporânea, à medida que a necessidade de alternativas sustentáveis para construir se torna mais urgente. De uma perspectiva urbana, a reutilização adaptativa é uma estratégia valiosa para revitalizar cidades pós-industriais, criando densidade e mitigando a expansão urbana, ou ajudando cidades em encolhimento a redefinir seu tecido urbano.
Em razão dos diversos acontecimentos que testemunhamos ao longo dos últimos anos, nossos espaços habitados passam por uma completa transformação, não apenas em termos de como nos relacionamos com o ambiente doméstico mas, sobretudo, na maneira como passamos a observar mais atentamente as características de nossos espaços interiores. Se bem que este sempre tenha sido um elemento fundamental em nossas vidas, a pandemia nos vez ver com muita mais clareza a importância de um bom projeto de interiores, de uma boa organização espacial, da qualidade da iluminação e ventilação natural e especialmente, do nosso conforto.
Recentemente apresentada pelo MVRDV, a proposta de reuso adaptativo para o edifício do Berliner Union Film Ateliers (BUFA) acaba de receber a completa aprovação do Departamento de Planejamento Urbano da capital alemã. Procurando ampliar e remodelar a estrutura da antiga seda do BUFA, o projeto desenvolvido pelos arquitetos holandeses expande o programa existente e o redefine a partir de uma abordagem centrada no usuário, incluindo novos usos que buscam incentivar a industria criativa e iniciativas ativistas e de justiça social na cidade de Berlim. Considerando as principais características do edifício existente e a diversidade social da região onde se encontra, o MVRDV propõe a adaptação das estruturas existentes a partir de uma base sustentável, reafirmando o caráter do projeto como uma proposta de reuso adaptativo.
Renovation of a Village House / unparelld’arquitectes. Image
Quando falamos em reformar, e talvez isso já não seja mais nenhuma surpresa pra ninguém, a primeira coisa que nos dizem é que a obra “vai custar o dobro do que a gente quer e demorar o dobro do que a gente gostaria”. Uma reforma, independentemente de sua escala ou natureza, costuma doer tanto na cabeça quanto no bolso, especialmente depois que a poeira começa a subir. Ainda assim, mesmo cientes de todos os desafios, muitas vezes não há como evitar aquela tão terrível e aguardada reforma.
Mas nem toda reforma deve nos levar à falência ou à loucura, e buscar soluções mais econômicas nem sempre significa abrir mão da qualidade. Desde gerir a própria obra, a meter a mão na massa ou restaurar os móveis que você já tem em casa, aqui vão algumas dicas para não estourar o orçamento com o seu projeto de reforma.
A COP26, Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, está programada para ser realizada na Escócia na última semana de outubro de 2021. No pano de fundo desta conferência está uma maior consciência global das mudanças climáticas, à medida que discussões ocorrem sobre como um futuro mais igualitário pode ser alcançado. O estado atual e futuro da arquitetura é um componente-chave desta conversa, já que, as críticas são dirigidas aos escritórios de arquitetura que fazem uso do "greenwash" (ou maquiagem verde) levantando questões sobre se o termo "sustentabilidade" está cada vez mais sendo usado apenas como a palavra da moda de hoje.
O Pirelli Tire Building, projetado por Marcel Breuer em 1969, está sendo transformado em um hotel segundo projeto desenvolvido pela Becker and Becker. Desocupado desde 1999, o antigo edifício de escritórios da Armstrong Rubber Co. nos Estados Unidos foi recentemente vendido à empresa de construção do também arquiteto Bruce Redman Becker, que em 2020 deu início ao projeto que pretende transformar este ícone brutalista em um hotel boutique de energia zero com capacidade para 165 quartos. Apropriando-se da estrutra existente de um dos edifícios brutalistas mais significativos construídos nos Estado Unidos, o novo hotel sustentável da Becker and Becker pretende ser um modelo para futuros projetos de hotéis de energia zero, combinando suas características arquitetônicas únicas com novas e inovadoras soluções de reutilização adaptativa.
Palácio de Versailles. Foto de Jeremy Bezanger, via Unsplash
Localizado próximo a Paris e símbolo do poder dos monarcas franceses absolutistas, o Palácio de Versalhes começou a ser construído entre 1610 e 1643 como residência rural para os períodos de caça do Rei Luís XIII da França. Com o tempo, a residência foi sendo reformada e aperfeiçoada, até que em 1634 tornou-se em um palacete. Sua transformação em um grande palácio de luxo e ostentação da realeza se dá a partir da regência de Luís XIV, conhecido como o Rei Sol.
O primeiro edifício super alto do Brooklyn, concebido em parceria entre os arquitetos da SHoP e o JDS Development Group, acaba de entrar em fase final de construção, alcançando sua altura máxima de 1.066 pés. Implantada na Avenida DeKalb número 9, a estrutra do arranha-céu está composta por elementos hexagonais, os quais se refletem em uma fachada dinâmica e dramática revestida em painéis reflexivos de bronze, a partir da qual os residentes poderão desfrutar de vistas panorâmicas para o skyline da cidade, do rio e do porto. Os incorporadores planejam começar as vendas das unidades já no início de 2022, com a expectativa que o habite-se esteja liberado até o final do ano que vem.
O escritório de David Chipperfield acaba de ser escolhido como o grande vencedor do concurso para o projeto de renovação do histórico casarão da Quinta Avenida número 1014 na cidade de Nova Iorque, um edifício de 1907 e de propriedade do governo alemão, o qual deverá ser utilizado como espaço cultural e lugar de encontro. Intitulada “An Open House”, a proposta apresentada pela David Chipperfield Architects, e desenvolvida em conjunto com os escritórios de Nova Iorque KARO Architects e Patarus Group, procura reorganizar todo o programa o edifício, redesenhando seus espaços interiores de forma promover uma maior acessibilidade e integração dos mesmos, ao mesmo tempo em que procura resgatar algumas das mais importantes características do histórico edifício. Buscando inspiração no diálogo entre as esferas públicas e privadas da antiga residência do embaixador alemão, a gênese deste projeto encontra-se na busca por redefinir o equilíbrio entre os programas públicos e privados da mais nova instituição cultural de Manhattan.
Cotidianamente nos deparamos com imagens de edifícios históricos que foram recentemente modernizados, ressignificados e trazidos de volta à vida. O contraste entre passado e presente, entre memória e a história viva de um determinado lugar ou edifício e a tensão entre estas duas coisas é algo que muito contribui para com a experiência da arquitetura e do espaço construído. E mais do que isso, a reabilitação de estruturas históricas pode ter um significado ainda mais profundo, principalmente quando tratamos da vida das pessoas que habitam estes lugares. Neste sentido, a arquitetura pode ser vista como um contentor de memórias coletivas compartilhadas, e o seu desenvolvimento, um livro que narra a própria história da humanidade, seus desafios, conquistas e traumas.
A escassez de moradias é o catalisador para a especulação arquitetônica sobre cenários de resgate adaptativos ou a valorização de locais subutilizados nas cidades. Ao mesmo tempo, a crise da saúde e seus imperativos de trabalho em casa, trouxeram para o foco o potencial de reutilização adaptativa dos espaços de escritórios em habitações. A probabilidade de que alguns edifícios comerciais permaneçam vazios após a pandemia abre a possibilidade de trazer de volta moradias para os centros das cidades, possibilitando a implementação de uma visão de cidade de 15 minutos. A seguir, discutiremos os desafios e oportunidades de transformar espaços de escritórios em moradias, destacando a viabilidade e o impacto desse fenômeno limitado a longo prazo.
No mundo inteiro, os países estão enfrentando uma crise habitacional. As estatísticas das Nações Unidas estimam que o número de pessoas que vivem em moradias abaixo do padrão é de 1,6 bilhão, e 100 milhões de pessoas não tem acesso a uma casa. À medida que os conflitos e as mudanças climáticas forçam os refugiados a se deslocarem para novos países, e os preços das casas continuam a subir, as cidades estão tendo que buscar opções para fornecer moradia segura e acessível para seus habitantes.
A Polônia é um país geograficamente muito diverso, com distintas paisagens e territórios além de uma vasta história e cultura milenar. Suas mais importantes cidades são como um inventário de distintas arquiteturas, do românico ao gótico, passando pelo barroco ao pós-moderno. Além de suas históricas e exuberantes capitais e topografia única, a Polônia conta hoje com dezessete sítios históricos de interesse mundial reconhecidos pela UNESCO. De cidades medievais a reservas naturais, passando por pequenas igrejas de madeira até o impressionante Castelo de Malbork, esta seleta lista de lugares e edifícios históricos e naturais esconde um verdadeiro tesouro desconhecido. Escondida em um pequeno vale ao sul de Cracóvia, encontra-se uma das maiores e mais antigas minas subterrâneas cavadas à mão—a qual foi transformada ao longo dos séculos em um amplo complexo multiuso com tudo aquilo que você é capaz de imaginar (e do que não é capaz também). De um centro de tratamento de saúde, beleza e bem-estar a uma pequena e reclusa igreja enterrada dezenas de metros abaixo do nível do solo, a famosa Mina de Sal de Wieliczka conta ainda com a primeira plataforma subterrânea de bungee jumping do mundo.
Conversão Edifício Comercial - Espanha. Imagem via Foster + Partners
Cidades ao redor do mundo adotaram amplamente o conceito de reuso adaptativo e a importância de investir em locais históricos e trazê-los para os dias atuais. Em vez de se concentrar em uma construção totalmente nova, muitos estão vendo o valor em reaproveitar a antiga estrutura para novos programas. igrejas estão se tornando restaurantes, fábricas são transformadas em museus e apartamentos e armazéns são projetados para se tornarem espaços para escritórios icônicos. Mas, além de edifícios individuais, alguns urbanistas e preservacionistas estão reimaginando o que significa revitalizar de maneira semelhante, mas em escala de cidade, e como podemos determinar os edifícios que beneficiariam nossos bairros se eles fossem reaproveitados.
Reciclar materiais na arquitetura não se trata apenas de buscar soluções mais sustentáveis, mas também em se desdobrar no passado, no uso de materiais descartados, se opondo à lógica de construção que há tempo se ensina na nossa disciplina. Através do reuso de elementos é possível ressoar o contexto histórico e cultural através da materialidade e símbolos que cada um deles carrega, enaltecendo ainda mais o conceito do próprio projeto.
Jacob K. Javits Convention Center em New York City, Abril, 2020. New York National Guard. (U.S. Air National Guard foto por Major Patrick Cordova)
A cidade sempre foi um palco de transformações. Mudam-se os direcionamentos, os fluxos, as formas como as pessoas se apropriam dos espaços, alteram-se os desejos, surgem novas demandas, novos lugares. Tal abundância, ao mesmo tempo em que permite um caráter inovador e mutável à cidade, tende também a exigir da arquitetura uma flexibilidade programática e estrutural. No último ano, especialmente, pudemos acompanhar – em vertiginosa velocidade – grandes mudanças nas cidades e nos seus espaços. A pandemia trouxe consigo novos paradigmas, desestruturando repentinamente ordens há muito estabelecidas. As casas viraram escritórios, os escritórios viraram desertos, hotéis deram lugares a leitos médicos e estádios se transformaram em hospitais. A arquitetura, em meio a tudo isso, teve de mostrar sua flexibilidade abrigando usos que antes eram inimagináveis. Uma adaptabilidade que parece ser cada vez mais a chave para a criação de espaços coerentes com o modo (e a velocidade) como vivemos.
A responsabilidade perante o uso e consumo de recursos naturais e os impactos da construção civil tem sido uma pauta constante nas discussões do campo da arquitetura e do urbanismo. Se no passado as ideias de “tábulas rasas”, demolições em massa e novas construções eram aceitas e incentivadas, hoje em dia parece haver uma transformação no cenário, no qual se faz necessária a discussão sobre reutilização, reuso adaptativo e reformas, partindo e utilizando daquilo que é existente. Neste texto propomos um olhar atento à como grandes arquitetos interagem com construções pré-existentes em seus projetos, a partir da análise de alguns casos.