Talvez uma das decisões mais importantes inerentes a um processo de projeto seja a forma de implantação dos volumes construídos dentro dos limites do terreno. Essa escolha pode render diversas virtudes à obra, desde uma boa orientação para receber luz natural, até funcionalidade em relação a acessos e distribuição de funções do programa. Um dos fatores centrais na hora de entender qual é a melhor forma de pousar um projeto sobre o chão é a inclinação do terreno.
"Projetando uma casa para as árvores", como ele diz, Stefano Boeri está trabalhando em todo o planeta, exportando sua abordagem com as árvores do México para Shenzhen. Construindo todo um ecossistema, ao invés de apenas uma fachada verde, o arquiteto compreende a necessidade de redefinir nossa relação com a natureza, especialmente nas cidades.
Christele Harrouk, do ArchDaily, teve a oportunidade de entrevistar o arquiteto em Eindhoven, durante a inauguração da Trudo Tower, o primeiro projeto de habitação social de Stefano Boeri, em colaboração com Francesca Cesa Bianchi, sua sócia no Stefano Boeri Architetti, Laura Gatti, botânica e consultora, e Paolo Russo, responsável pelo projeto. Discutindo principalmente sua abordagem com a natureza, a qualidade ambiental e sua perspectiva aplicada ao redor do mundo, a conversa também abordou às quatro florestas verticais em andamento na Europa Ocidental: a primeira que acaba de iniciar em Utrecht, uma segunda em Bruxelas, um edifício em Eindhoven, e uma última em Antuérpia.
Casa CML / Ricardo Torrejón + Arturo Chadwick. Image
É um equívoco comum que os beliches sejam usados exclusivamente para quartos de crianças e adolescentes. Embora os beliches sejam uma ótima solução para crianças, o aspecto prático dos beliches, que oferece amplo espaço para dormir e economiza espaço no chão, os torna excelentes para uma variedade de finalidades e aplicações. Com o aumento da densidade e a parcela da população vivendo em grandes centros urbanos fazendo uso de espaços cada vez menores, observou-se um impulso para a modularidade na arquitetura de interiores. Por esse motivo, beliches e áreas de dormir suspensas têm se tornado uma ótima solução para maximizar a metragem quadrada.
O escritório Foster+Partners divulgou seu projeto para Marina Tower, uma torre residencial destinada a se tornar o edifício mais alto da Grécia. Localizado em Ellinikon, nos arredores de Atenas, o projeto faz parte de um plano de desenvolvimento maior que visa transformar os arredores do antigo aeroporto em novos bairros em torno de um grande parque costeiro. A torre de 200 metros de altura no centro do masterplan mostra uma relação permeável entre os espaços internos e externos em sintonia com o clima mediterrâneo, ao mesmo tempo que apresenta vários elementos de água e extensa vegetação.
Uma das constantes ao projetar residências é a reflexão a respeito de como estabelecer divisões entre ambientes, ou delimitar setores a partir de usos e dinâmicas do dia a dia sem comprometer a qualidade espacial da construção. Esse tipo de exercício faz parte da prática arquitetônica em geral, mas quando se considera projetos residenciais, sobretudo casas, a busca por recursos de conforto, como luz e ventilação naturais, controle de ruídos e privacidade, ganha camadas de complexidade ligadas à multiplicidade de situações que uma residência deve comportar.
O escritório Marc Thorpe Design desenvolveu o projeto de uma casa composta por arcos de concreto ao longo de um afluente do rio Savannah, nos Estados Unidos. A Casa dos Quatro Jardins foi projetada entre árvores e arbustos perenes e tem o contato com a natureza como ponto de partida.
Adensamento e a demanda pelo solo urbano resultaram, entre outras coisas, na redução das dimensões dos lotes nas cidades. Grandes porções de terra, outrora destinadas a residências unifamiliares, passaram a receber edifícios onde vivem muitas famílias e, dependendo da localização, que contam em seus térreos com serviços e estabelecimentos comerciais. Construir uma casa em grandes centros urbanos não é fácil, e um dos motivos é a ausência de lotes para isso ou, quando existem, suas reduzidas dimensões.
No universo da arquitetura é recorrente que soluções técnicas ligadas ao conforto dos ambientes sejam transformadas em recursos expressivos ou detalhes únicos nos projetos. Esse é o caso dos espelhos d'água, dispositivos que contribuem amplamente com os parâmetros de conforto térmico nos edifícios e, ao mesmo tempo, funcionam como elementos de interesse estético que criam situações surpreendentes onde empregados.
Quase um ano após o início da pandemia de COVID-19, parece que estamos começando a recuperar minimamente o sentido de normalidade—ou de uma nova normalidade. Com a esperança injetada pela chegada das primeiras vacinas, voltamos a pensar sobre o futuro e os impactos da pandemia em nossos modos de vida. Durante o primeiro lockdown, testemunhamos um esvaziamento da maioria dos grandes centros urbanos, passando a habitar cidades fantasmas à medida que aqueles que podiam, buscavam refúgio em áreas menos densas e próximas à natureza. Passamos a nos questionar se estávamos de fato vivendo um fenômeno de êxodo urbano, contrário ao alarmante incremento da população urbana testemunhado ao longo das últimas décadas. Esta tendência, entretanto, foi apenas temporária e as pessoas estão finalmente voltando para a cidade.
UNStudio e Bauwerk criaram um novo conceito de habitação urbana para o Residencial Van B explorando a ideia de "analógico inteligente". Localizado em Munique, na Alemanha, este projeto prospecta sobre o futuro das cidades, se preocupando em transformar a demografia e a variedade de formas familiares existem atualmente. A partir de repartições adaptáveis e um sistema de móveis conectáveis, o projeto permite uma fácil e prática troca de configurações e layout. "Qualidade importa mais do que a área", dizem os arquitetos.
O Pavilhão Nórdico na 17ª Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza será transformado em um projeto experimental de co-habitação pelos arquitetos Helen & Hard, apoiados por uma equipe curatorial do Museu Nacional da Noruega. Respondendo ao tema How will we live together? a intervenção “apresentará um estrutura para conceber e construir comunidades com base na participação e partilha”.
O escritório David Chipperfield Architects divulgou uma proposta de restauração para o Grand Hotel em Nieuwpoort, na Bélgica. Iniciado em 2019, o projeto transforma a estrutura em um edifício residencial, ao mesmo tempo em que busca recuperar sua importância enquanto marco arquitetônico.
No debate da arquitetura, muito se discute sobre a influência do meio onde se insere o edifício, seja pela incorporação de elementos do entorno durante o processo de desenho, seja pela negação ou superação de características indesejadas desses locais. Algumas situações evidenciam mais essa negociação do que outras, sobretudo quando o entorno natural é dominante. Nesses casos, observa-se a todo momento o confronto entre a preexistência natural e as intervenções humanas, e as formas possíveis de atingir a harmonia entre ambas.
O concreto talvez seja o material mais facilmente associado à arquitetura moderna brasileira; de alta resistência à compressão e, quando armado, capaz de assumir variadas formas, sua plasticidade fez com que se tornasse o material favorito de alguns dos mais expressivos arquitetos brasileiros do século passado.
Hoje, ainda é bastante explorado na arquitetura produzida no Brasil, seja por sua robustez estrutural, facilidade de manutenção ou valor estético.