
Esta entrevista foi totalmente realizada e traduzida por Marco Masetti, como parte de sua tese de bacharelado na Itália.
A ideia de multiplicidade é inata aos projetos de Peter Zumthor desde os seus primórdios: as obras de arte que nos cercam assumem vários significados que nem sempre permanecem em planos paralelos, combinando-se em relações dialéticas. O vago é planejado com rigor, contido pelas regras da linguagem arquitetônica. A beleza está no indeterminado, no múltiplo, mas só é alcançada por meio da precisão. A multiplicidade dos objetos só se revela quando quem neles habita consegue distinguir suas partes individuais e, ao mesmo tempo, enxergar a obra em sua totalidade. Isso nos remete ao caráter "unitário" da arquitetura, no qual cada parte se relaciona com as demais e, juntas, dão sentido ao projeto. O processo projetual de Zumthor é puro: nada é gratuito. Nesta sociedade, como afirma o/a arquiteto/a, «a arquitetura tem que opor resistência» e reagir ao vazio das formas e dos significados, voltando a falar sua própria língua. A invenção de formas originais ou composições singulares não conduz à verdade. Entre a multiplicidade e o silêncio existe uma relação tensa e vibrante, e a ideia concreta reside no equilíbrio entre ambos.
As coisas determinam a dimensão espacial do mundo e, portanto, o nosso conhecimento e a nossa apropriação dele. O projeto aciona um mecanismo de articulação entre as coisas, para que elas passem a ter um significado para o usuário, tornando-se um instrumento eficaz de conhecimento do mundo. As coisas, os objetos, o universo de referências, transformam nossas sensações em lembranças. As imagens que vêm à mente encerram o cerne da pesquisa de Zumthor. A forma é o resultado, não o ponto de partida. A beleza não emana apenas da forma em si, mas da multiplicidade de impressões, sensações e emoções que a forma nos faz descobrir.





























