Marcel Gautherot

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Como a escassez de mão de obra está remodelando a arquitetura

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Construir uma cidade do zero não é tarefa fácil. Nunca foi e nunca será. A própria ideia de criar de forma planejada o que de outro modo se desenvolveria e cresceria gradualmente exige recursos, organização e, acima de tudo, mão de obra. Foi o que aconteceu em 1958, quando o Planalto Central do Brasil se transformou em um dos maiores canteiros de obras do século XX para a construção de Brasília. Dezenas de milhares de candangos (migrantes vindos predominantemente do Nordeste, muitos sem formação técnica prévia) chegaram para erguer uma capital inteira em pouco mais de três anos, sob o lema do então presidente Juscelino Kubitschek de realizar "cinquenta anos de progresso em cinco". A arquitetura de Oscar Niemeyer e o plano de Lúcio Costa não teriam sido possíveis sem a premissa de que haveria mão de obra suficiente e disposta a suportar baixos salários e condições extremamente severas para transformar concreto e curvas em um símbolo nacional.

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Experimentação formal e material: lições fundamentais dos pioneiros da arquitetura modernista

Guerras, descolonização, crises econômicas, movimentos civis e revoluções industrial-tecnológicas: o século XX foi um período de transformações radicais e de grande alcance. Essas rupturas remodelaram sociedades e redefiniram a forma como as pessoas expressavam suas aspirações em constante evolução, com a arquitetura liderando esse caminho. As máquinas e a industrialização prometiam progresso tecnológico e modernização, defendendo uma ruptura definitiva com os estilos ornamentados e historicistas do passado, ao mesmo tempo que abraçavam uma visão focada na funcionalidade, eficiência e inovação. Essa transição, personificada pelo modernismo, introduziu novos conceitos, métodos e usos de materiais — tudo moldado pela experimentação.

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Lições aprendidas com a realocação e construção de novas capitais no sul global

A mudança de uma capital é uma decisão complexa com várias dimensões e consequências tanto para a antiga quanto para a nova capital. Pode ser impulsionada por fatores políticos, econômicos, sociais, e tem implicações urbanas e arquitetônicas para os moradores, como localização, planejamento, projeto de construção, finalidade da antiga capital, condições climáticas e separação dos centros políticos/administrativos das cidades culturais e econômicas.

Diante deste debate, o Egito está construindo uma nova capital para aliviar a pressão populacional e urbana sobre o Cairo. Da mesma forma, a Indonésia está planejando uma nova capital em resposta aos desafios enfrentados por Jacarta, como poluição, congestionamento de tráfego e aumento do nível do mar. É valioso examinar outros países no sul global que realocaram suas capitais, observando as lições arquitetônicas e urbanas aprendidas com suas experiências.

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Clássicos da Arquitetura: Congresso Nacional / Oscar Niemeyer

Localizado no topo do plano piloto de Lúcio Costa, e como o único edifício sobre o canteiro central da asa leste do Eixo Monumental, o palácio do Congresso Nacional conta com uma localização privilegiada entre os edifícios públicos de Oscar Niemeyer em Brasília. O mais sóbrio dos palácios da Praça dos Três Poderes, o Congresso Nacional reflete a forte influência de Le Corbusier, ao mesmo tempo que insinua as formas mais românticas e caprichosas que caracterizam o modernismo brasileiro de Niemeyer.

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O que é e como funciona o concreto armado?

Durante a revolução industrial e seus consequentes avanços tecnológicos, como o uso do aço em construções e a evolução de massas com agregados, Joseph Monier executou cubas e tubos com armações de aço e preenchidas com concreto em 1849. Essa foi entendida como a primeira experiência em concreto armado da construção civil. Dali em diante essa tecnologia evoluiria para o que conhecemos hoje: um dos sistemas estruturais mais utilizados do mundo, considerado por muito tempo sinônimo de progresso e grande responsável pela transformação das paisagens urbanas. Mas afinal, o que é e como funciona o concreto armado? 

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Andaimes: de equipamento auxiliar a protagonista na arquitetura

Fala-se pouco sobre a contribuição dos andaimes na história da construção. Estas estruturas geralmente foram tratadas como meros equipamentos e, por isso, seus registros são bastante escassos. Sem elas, no entanto, seria quase inviável construir a maioria dos edifícios que conhecemos. Os andaimes permitem atingir e deslocar materiais a pontos difíceis em uma construção, proporcionando segurança e algum conforto aos trabalhadores. Mas além do seu papel de estrutura de apoio para as construções, temos visto que os andaimes também podem servir para estruturas móveis, temporárias e mesmo permanentes. Conheça um pouco da história e das suas possibilidades a seguir.

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Fotos da Semana: 10 imagens de arquiteturas na neve

Fotografar na neve pode ser uma experiência tanto caótica quanto animadora. Embora trabalhar nessas condições seja arriscado, já que a neve modifica a luz e a sensação do ambiente em uma cena, a verdade é que se for bem aproveitada, o resultado pode ser fantástico. Veja, a seguir, uma seleção de dez fotografias feitas na neve. 

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Documentos históricos de Brasília são restaurados para exposição inédita

Arquivos e documentos históricos sobre a capital federal foram restaurados para a exposição inédita Brasílis à Brasília: Uma história contada pelos documentos de arquivo, inaugurada no dia 11 deste mês no Palácio do Planalto.

Realizada em celebração aos 30 anos do ano em que Brasília foi reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, a mostra reúne documentos e fotografias que marcaram eventos históricos da formação do país, desde o Brasil Colônia, no século XVI, até sua independência e transferência da capital para o planalto central em 1950.

Quatro anos sem Oscar Niemeyer

Há exatamente quatro anos o Brasil e o mundo da arquitetura entravam de luto. O país perdia um dos seus protagonistas do século XX, o arquiteto carioca Oscar Niemeyer.

Entretanto, em seus 104 anos de vida o renomado arquiteto deixou grandes marcas e heranças para o Brasil. Seu estilo foi e será reconhecido em todo o mundo. As curvas, a iluminação e a profunda relação e entre suas obras e o ambiente foram suas mais marcantes características.

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Fotografando a obra de Oscar Niemeyer [Parte 2]

Ontem publicamos a primeira parte desse artigo especial para o Dia da Fotografia: Fotógrafos perpetuando visões da arquitetura. Hoje, a segunda parte do artigo, centrada no olhar sobre a obra de Oscar Niemeyer.

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Fotógrafos perpetuando visões da arquitetura [Parte 1]

Por Andrey Rosenthal, Ana Cláudia Breier e Maíra Teixeira

Gustavo Capanema foi Ministro da Educação e Saúde de 1934 a 1945. Entre as inúmeras tarefas a ele solicitadas, uma em particular não foi concluída, a organização e publicação da “Obra Getuliana”. O livro deveria ser lançado em 1945, durante as comemorações dos quinze anos da Revolução e do governo de Getúlio Vargas. Carlos Drummond de Andrade e Antônio Leal Costa foram encarregados de escrever o capítulo que trataria das questões culturais. Burle Marx, Portinari, Santa Rosa e Guignard seriam os ilustradores e Mario Baldi, Erwin Von Dessaue, Paulo Alves e Erich Hess, os fotógrafos oficiais. Tratava-se de construir uma visão do Brasil e de sua Administração. A tarefa não foi finalizada, mas cerca de 600 fotografias foram especialmente produzidas e, desde então, pouco a pouco, reproduzidas. Tais documentos somaram-se às imagens do Brasil e de seu povo registradas e publicadas por outros profissionais especialmente contratados, como Jean Manzon (pelo DIP) e Marcel Gautherot (pelo SPHAN). Particular atenção recebeu a arquitetura, com os fotógrafos voltando suas lentes para os monumentos “modernos e antigos”. Inaugurava-se assim uma maneira oficial de apresentar a arquitetura nacional. Prática que se manteve ao longo de muitos anos.

EUA buscam arquiteto para projetar sua nova Embaixada em Brasília

O Departamento de Estado dos EUA (DOS) divulgou um documento em busca de arquitetos interessados em projetar sua nova Embaixada em Brasília. O projeto tem um orçamento de US$ 350 milhões e será localizado em um terreno de 4,86 hectares próximo à sede do governo federal brasileiro, no "Setor Diplomático". Todas as propostas devem considerar as condições do terreno, o contexto urbano e a importância arquitetônica de Brasília como cidade planejada e, atualmente, Patrimônio Mundial da UNESCO. Mais detalhes a seguir.

Clássicos da Arquitetura: DISBRAVE / João Filgueiras Lima (Lelé)

Clássicos da Arquitetura: DISBRAVE / João Filgueiras Lima (Lelé) - Mais Imagens+ 16

O conjunto edificado está dividido em três volumes principais distintos. O primeiro é predominantemente horizontal e acompanha o traçado irregular do terreno: a oficina. O segundo volume é vertical: uma torre de escritórios com cinco pavimentos. Os dois volumes estão conectados por meio de corredor externo protegido por uma cobertura plana em concreto. O terceiro volume abriga o posto de gasolina.

Exposição “Latin America in Construction: Architecture 1955–1980” no MoMA

Em 1955 o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA) promoveu a exposição "Latin American Architecture since 1945", um levantamento sem precedentes da arquitetura moderna da América Latina. No 60° aniversário desse importante marco, o MoMA revisita a região para oferecer um complexo panorama das posições, debates e criatividade arquitetônica do México e Cuba ao Cone Sul entre 1955 e o início da década de 1980.

Esse período de auto-questionamento, exploração e complexas mudanças políticas também viu o surgimento da imagem da América Latina como uma paisagem em desenvolvimento em que todos os aspectos da vida cultural eram coloridos, de uma forma ou de outra, por essa nova atitude que emergiu como o “Terceiro Mundo”. E exposição de 1955 apresentava o resultado de uma única série fotográfica; por outro lado, "Latin America in Construction: Architecture 1955–1980" reúne uma grande variedade de materiais originais que nunca antes haviam sido compilados e, em sua maioria, são raramente expostos mesmo em seus países de origem.

Dia do Arquiteto: Entrevistas com arquitetos brasileiros

Em comemoração ao dia do arquiteto e urbanista, compilamos a seguir todas as entrevistas com arquitetos brasileiros já realizadas pela equipe do ArchDaily Brasil. Dentre todos os modos de comunicar arquitetura divulgados em nossa página, as entrevistas, em especial, conseguem aproximar de forma muito particular os profissionais cujas obras ocupam nossas páginas de nossos leitores e leitoras.

É através das entrevistas que nos envolvemos realmente com o discurso dos arquitetos, que nos deixamos seduzir por suas palavras. É a entrevista que nos dá pistas de como realmente são aquelas figuras que até então conhecíamos apenas por nome e pelas obras. 

Reveja a seguir alguns dos profissionais brasileiros mais proeminentes do cenário atual falando daquilo que celebramos todos os dias, mas em especial hoje: arquitetura e urbanismo.

Brasília em Construção por Marcel Gautherot

Brasília, a capital federal do Brasil, foi projetada pelo arquiteto-urbanista Lúcio Costa – inicialmente – para 500 mil habitantes (atualmente possui mais de dois milhões). Sua construção iniciou-se em 1956 e contou com inúmeros edifícios desenhados pelo nosso arquiteto Oscar Niemeyer. Brasília é a única cidade do século XX declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

A seguir, apresentamos algumas fotografias do fotógrafo franco-brasileiro Marcel Gautherot durante sua construção. Nelas aparecem emblemáticos edifícios como o Palácio do Planalto, a Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida e o Congresso Nacional, todos obras de Niemeyer.

Curso “Oscar Niemeyer e o projeto do espaço moderno” no Centro Universitário Maria Antonia

O Centro Universitário Maria Antonia oferece o curso Oscar Niemeyer e o projeto do espaço moderno, que terá início dia 27 de agosto e acontecerá nas três terças-feiras seguintes, terminando no dia 17 de setembro.

O curso, ministrado pelo arquiteto Rodrigo Queiroz, pretende fazer um exame da obra de Niemeyer a partir da constatação de que seus espaços, organizados por formas gestuais e ortogonais sobre uma esplanada, resultam de uma clássica composição de figura-fundo, que, ao afastar-se da superfície homogênea resultante da síntese entre forma abstrata, industrialização e planificação urbana que identificou as experiências da vertente construtiva do projeto moderno, revela o ambíguo sentido local e universal de sua arquitetura.