A arquitetura contemporânea aprendeu a celebrar a matéria viva. Painéis de micélio, sistemas de algas, paredes vivas: a vida agora é acolhida nos edifícios e apresentada como inovação. No entanto, a mesma disciplina que celebra esses organismos trata o mofo como contaminação. Ambos são biológicos. Ambos respondem à umidade, à temperatura e às condições materiais. A diferença não é científica. Ela está relacionada às formas de vida que a arquitetura está disposta a aceitar e àquelas que prefere eliminar.
O mofo não está restrito a edifícios abandonados ou interiores mal conservados. Ele aparece em residências, escolas, escritórios, construções históricas e edifícios novos, em diferentes climas e contextos. Isso torna mais difícil tratá-lo como um problema menor ou isolado. Se o mofo continua reaparecendo, o que ele está nos dizendo sobre os ambientes que os edifícios produzem?
Durante os últimos anos, temos explorado diferentes maneiras de aproveitar os pequenos espaços na arquitetura residencial. De móveis eficientes e cozinhas com sistemas transformáveis a ideias para adaptar eletrodomésticos, os arquitetos têm buscado soluções eficazes para melhorar a qualidade de vida das pessoas em escassos metros quadrados, ou para flexibilizar as opções de espaço flexível em tipologias multifuncionais e de uso misto.
A cama, como elemento indispensável, pode ser utilizada à favor desses conceitos. Suas funções podem ser cumpridas sem perder espaço valioso e a experiência do dormitório pode ser enriquecida com uma reflexão cuidadosa. Como reinventar e aproveitar as oportunidades da cama tradicional?