O Programa de Espaços Públicos do ONU-Habitat abriu uma chamada para financiar propostas de projetos de espaços públicos com até US$ 100.000,00 no Brasil. Segundo a Nova Agenda Urbana, o planejamento e gestão de espaços públicos de qualidade são entendidos como pré-condições fundamentais para a redução da pobreza e o cumprimento dos direitos humanos nas áreas urbanas.
Boxing Boxes [Caixas de Boxe, em português] é um projeto realizado após dois anos de pesquisa arquitetônica feita por Carlos Ortega Arámburo e Daniel de León Languré que agrega o boxe, como uma ferramenta de autodisciplina e controle de violência, a uma estrutura que ativa o espaço cívico em áreas marginalizadas. Na edição deste ano da Trienal de Arquitectura de Lisboa, o arquiteto mexicano junto de uma equipe interdisciplinar local instalou o equipamento no bairro Portugal Novo, em Olaias, Lisboa.
Dentre os diversos programas nos quais a prática de arquitetura e urbanismo atua, talvez os projetos para espaços públicos sejam aqueles que mais estimulam os profissionais a concentrarem uma carga discursiva que convoca a toda a multidisciplinaridade característica do ofício. Propor o desenho de espaços que serão utilizados e apropriados pela vida cotidiana pública reflete os ideais e reflexões sobre como os arquitetos imaginam que deve ser a vida nas cidades, e abre espaço para a discussão coletiva a respeito desse tema.
A ideia de qualificar um espaço público ao melhorar ambientes que unam pessoas não deveria gerar desconfianças ou temores. Porém, experiências específicas de locais que viram o custo de vida aumentar muito após a sua requalificação vêm gerando contradições. Afinal, a nova vilã chamada gentrificação tem alguma relação com placemaking?
Padre Alonso de Ovalle, Santiago de Chile. Image Cortesía de Urb-I
Proporcionar mais espaço aos pedestres é uma das principais metas dos projetos de renovação urbana em muitas cidades do mundo.
Recorrendo à distribuição do espaço público, que implica, muitas vezes, em restringir o espaços dos automóveis - seja nas ruas ou estacionamentos -, plantar mais árvores, construir mais calçadas e ciclovias e estabelecer novas zonas de lazer, é possível projetar lugares mais acolhedores, com menos congestionamento viário e que fomentam o uso de meios de transporte sustentáveis, como as caminhadas e o ciclismo.
Quem já frequentou a praia do Rio se Janeiro certamente viu vendedores oferecendo queijo coalho ou camarão grelhados, chá mate e biscoito Globo, lanches clássicos da orla carioca. Em São Paulo, feiras servem caldo de cana e pastel frito, adaptação local de um prato trazido originalmente pelos chineses e popularizado pelos japoneses. Em Minas, o pão de queijo e o pastel, também de queijo. Em Salvador, impossível não mencionar o acarajé (com ou sem pimenta), inclusive declarado como bem cultural imaterial pelo IPHAN. A capital baiana também já conta com um Guia de Comida de Rua próprio, tamanha a diversidade encontrada na cidade.
De modo geral, os esforços na indústria da construção se voltam a projetos de espaços permanentes e duráveis. No entanto, em algumas ocasiões, a criação de espaços temporários pode ser de grande ajuda não apenas ao oferece uma opção de infraestrutura rápida em casos emergenciais, mas também ao ativar espaços residuais ou abandonados de nossas cidades. Para exemplificar o potencial dessas intervenções, apresentamos 13 espaços públicos temporários bem sucedios.
Tamboré. Image Cortesia de Leonardo Loyolla Coelho
A constituição formal dos sistemas de espaços livres das cidades brasileiras, qualificados ou não, tem contribuição significativa dos empreendimentos privados, uma vez que o planejamento e desenho urbano por parte do poder público têm sido exceções.
A recente crise política e social do Brasil - exemplificada nos resultados da última eleição - é preocupante e vem minando a confiança dos cidadãos nos processos de tomada de decisão que afetam nossas vidas e cidades. Um de seus motivos é a ausência de espaços públicos onde pessoas de diferentes camadas sociais, raças, etnias, perspectivas e visões de mundo possam se encontrar, trocar, representar quem são.
Espaços públicos são fundamentais para a democracia e a cidadania. O planejamento moderno e o desenvolvimento urbano desigual levaram Brasília a ser uma cidade segregada, fragmentada e profundamente desigual. A esfera pública deteriorada e a individualização dos estilos de vida provenientes agravam a situação, e estamos cada vez mais desconectados, intolerantes e civicamente desengajados.
Vista marquise a partir da via pública. Image Cortesia de Coletivo de Arquitetos
O projeto para uma praça no povoado do Crasto propõe a criação de um espaço de lazer cultural e esportivo inédito nesse vilarejo pesqueiro localizado no litoral sul de Sergipe. O projeto cuida ainda da resolução de questões referentes à acessibilidade, interconectando o empraçamento desenhado ao entorno construído pré-existente.
Praça de Serviços da UFMG – vista de um dos acessos às varandas (Loggias). Fonte: Centro de Informação Técnica da UFMG, 2018 / Foto: Junia Mortimer, 2012
Ao tomarmos a arquitetura como a atividade que modifica o sítio natural e o transforma em um ambiente apropriado para o convívio humano – seja com um prédio ou a urbanização de um território – podemos compreender a ação do arquiteto como algo que deve servir às pessoas. Invoca-se, nesse sentido, o conceito histórico do humanismo e do republicanismo – a coisa pública, no latim.
A cidade na construção do meio ambiente: “Um lugar para estranhos" ou um lugar que só deixa de ser neutro e abstrato quando pintado por cada um de nós? Imagem de Paulo Pacheco
Porventura não haverá conceito tão mais genérico e abrangente quanto impessoal e difícil de consensualizar como o meio ambiente (fixando a atenção na própria definição de meio ambiente da Conferência das Nações Unidas – o meio ambiente é o conjunto de componentes físicas, químicas, biológicas e sociais capazes de causar efeitos diretos e indiretos, em prazo curto ou longo, sobre os seres vivos e as atividades humanas – e descobrimos, de imediato, que a pacificação de um suporte conceitual comum e assertivo é difícil de atingir e de generalizar o seu reconhecimento…)
A rotina da psicóloga e coordenadora do CAPS* (Centro de Atenção Psicossocial) Antoniella Santos Vieira é de escuta e caminhada: durante o dia, ela ouve histórias de moradores de rua, pessoas com problemas com álcool e drogas, entre outras questões. É esse território desafiador – metade urbano, metade rural – que ela percorre, mostrando que o centro oferece diversos serviços – como ioga e pilates – além de acompanhamento psicológico.
Na última semana convidamos nossos leitores pelas redes sociais a darem suas opiniões a respeito da pergunta: "O que significa arquitetura pública para você?". Essa é uma reflexão que faz parte do debate arquitetônico de forma permanente e entra em jogo em diversos tipos de projeto, sobretudo nos que se referem ao planejamento dos espaços de uso comum nas cidades.
A crowd of locals watch a movie at Discovery Green, Houston, TX, USA. Image Courtesy of PPS
Este artigo foi originalmente publicado no Project for Public Spaces com o título "What makes a successful place?" e aponta algumas diretrizes a se considerar quando se projeta um espaço público: sociabilidade, usos e atividades, acessos e conexões, e conforto e imagem.
Espaços públicos são a alma de uma cidade, lugares onde as pessoas se encontam e convivem, são espaços onde celebramos a vida e as nossas diferenças. Praças, parques, ruas e largos. Avenidas, bulevares e calçadões. Espaços democráticos e sociais, pontos de conexão entre as pessoas e os edifícios que constroem uma cidade. Espaços públicos se esparramam para dentro de nossas escolas, bibliotecas e museus, atravessam edifícios e pontes conectando as pessoas e a paisagem. Mas quais são as principais características de um bom espaço público?
https://www.archdaily.com.br/pt/915132/como-avaliar-a-qualidade-de-um-espaco-publicoProject for Public Spaces
Oito meses após o acordo ser firmado, a Prefeitura de São Paulo finalmente receberá a transferência do terreno do Parque Augusta, até agora em posse das construtoras Setin e Cyrela. A assinatura da escritura acontecerá no próximo sábado, dia 6 de abril, em uma cerimônia que será realizada no próprio terreno em questão.
Videos
Intervenções temporárias podem transformar a paisagem e o uso do espaço público (Foto: Victor Moriyama/WRI Brasil)
Ninguém conhece tão bem uma rua ou um bairro quanto as pessoas que vivem neles. Cada local tem suas peculiaridades, suas vocações e também seus problemas. Sendo assim, soluções em escala local podem ser criadas pelos próprios cidadãos, aumentando assim a eficiência e a aderência do projeto. Cidades ao redor do mundo vêm abrindo possibilidades em suas legislações para políticas públicas que facilitem e fomentem a participação cidadã em iniciativas transformadoras.