“Quando todas nossas crises convergem, como o que está acontecendo neste exato momento, é preciso por em prática soluções conciliatórias”, argumentou Christiana Figueres, ex-secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), na Conferência GreenBuild 2020. As soluções conciliatórias que Figueres menciona, são aquelas que, procurando minimizar as emissões de gases de efeito estufa, permitirão uma reaproximação entre a humanidade e a natureza. E embora a engrenagem para esta mudança de direção já esteja em andamento, é preciso movê-la mais rapidamente para que sejamos capazes de nos aproximar de um futuro de autossuficiência em energia.
https://www.archdaily.com.br/pt/952625/christiana-figueres-um-futuro-de-autossuficiencia-em-energia-esta-sendo-construidoJared Green
Surface Ex-Tension by Jonathan Craig, Luis Arjona, Marco Nieto & Philip Elmore. Image Courtesy of Arch Out Loud
Desde sua inauguração no final dos anos 1990, o famoso relógio digital instalado na Union Square de Nova Iorque informava ao mundo com precisão a hora exata, sem nunca ter falhado por nem mesmo um único segundo. Entretanto, recentemente o monumental painel digital da maior cidade dos Estados Unidos parou—mas não por acaso. Isso porque o imenso relógio foi transformado em uma espécie de “Relógio Climático” (ou seria “Cronômetro Climático”) exibindo não mais a hora exata do dia mas uma contagem regressiva do tempo que ainda nos resta—segundo alguns especialistas—para tomarmos decisões em larga escala que possam reverter o processo de aquecimento global. Os dados publicados no relatório especial do IPCC sobre o aquecimento global são de fato alarmantes. Segundo o estudo, nos resta pouco mais de sete anos para que as atuais mudanças climáticas alcancem um ponto de irreversibilidade.
A Mask Architects foi nomeada uma das dez equipes vencedoras do Cool Abu Dhabi, uma competição internacional de arquitetura. A proposta deles, "The Oasys", é um sistema onde os moradores de Abu Dhabi podem relaxar e desfrutar de espaços ao ar livre sem sentir o calor. Selecionado entre mais de 1.570 participantes em 67 países, o projeto visa combater os efeitos das mudanças climáticas por meio de uma solução localizada para o efeito da ilha de calor urbana.
As mudanças climáticas podem ser consideradas uma das maiores ameaças atuais à sobrevivência da humanidade, sendo resultado do aquecimento global que é causado pelo aumento das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), em que o dióxido de carbono (CO2) é o principal deles. No mundo, as edificações foram responsáveis por cerca de 40% emissão de CO2, considerando emissões diretas, indiretas e incorporadas (no ciclo de vida dos produtos de construção) para o ano de 2018 (UNEP, 2019). Ao mesmo tempo, como é um setor que consome e ainda consumirá grande quantidade de materiais para superar o grande déficit habitacional existente, em muitos países, pode ser visto como um setor chave, servindo como uma oportunidade para ajudar o enfrentamento às mudanças climáticas. Para isso, um dos principais caminhos é o incentivo para o uso de biomateriais.
Não há nada como uma crise para aproximar as pessoas. Depois da desastrosa passagem do furacão Katrina pelo sul dos Estados Unidos em agosto de 2005, os moradores de Nova Orleans—uma das cidades mais afetadas pelo desastre natural daquele ano—se uniram para colaborar no processo de tomada de decisões, participando ativamente no desenvolvimento do novo projeto de planejamento urbano unificado da cidade, o qual foi coordenado pela nossa empresa Concordia e contou com a participação de outras 12 equipes multidisciplinares.
O conceito de “descarbonização” esteve em voga recentemente em discursos políticos e eventos ambientais globais, mas ainda não ganhou atenção suficiente no campo da arquitetura para mudar profundamente a maneira como projetamos e construímos. Atualmente, os edifícios são responsáveis por 33% do consumo global de energia e 39% das emissões de gases de efeito estufa, o que indica que os arquitetos devem desempenhar um papel significativo se quisermos parar ou reverter as mudanças climáticas. Com o carbono agindo como uma métrica universalmente acordada em que as emissões de gases de efeito estufa de um edifício podem ser rastreadas [1], uma das maneiras mais importantes pelas quais esse objetivo pode ser alcançado é, portanto, a descarbonização dos edifícios.
https://www.archdaily.com.br/pt/943680/questao-urgente-10-estrategias-para-descarbonizar-a-arquiteturaLilly Cao
Como a maioria de vocês, passei os últimos dois meses em quarentena. Estou um pouco envergonhado de dizer isso, mas assim como a nobreza fugiu das cidades durante as pragas da Idade Média, tivemos a sorte de escapar da densidade de Boston e passar nossos dias na costa em Marshfield, uma pequena cidade ao sul, onde temos uma casa de veraneio. Devo me lembrar constantemente de que poderia ser muito pior.
Em um mundo majoritariamente urbano, que constantemente precisa lidar com questões complexas como geração de resíduos sólidos, desabastecimento de água, desastres naturais, poluição atmosférica, e mesmo com a disseminação de doenças, é impossível ignorar o impacto das atividades humanas no meio ambiente. A mudança climática é dos maiores desafios do nosso tempo e torna-se urgente buscar formas de, ao menos, desacelerar esse processo dramático. Para contribuir efetivamente nisso, nossos hábitos de produção, consumo e construção terão de ser modificados, ou a degradação do meio ambiente e mudanças climáticas continuarão diminuindo a qualidade e a duração de nossa vida e das gerações futuras.
Mesmo parecendo inatingíveis e distantes, as diversas questões de ineficiências e desperdícios estão muito mais próximos do que podemos imaginar e presentes nos edifícios que usamos no cotidiano. Como arquitetos, essa questão é ainda mais amplificada, pois lidamos com decisões projetuais e especificação de materiais diariamente. Em outras palavras, nossas decisões realmente têm um impacto em nível global. Como podemos usar o 'efeito borboleta' para um futuro saudável para o nosso mundo?
Até o recente surto da pandemia de COVID-19, a crise climática talvez fosse o problema fundamental que os projetos da nossa era do Antropoceno enfrentavam. A ameaça das mudanças climáticas nos forçou, como arquitetos, a reavaliar como realizamos projetos em todas as escalas. Acabamentos internos ecologicamente corretos, arranha-céus com energia zero e estratégias para impedir que o aumento do nível do mar empurre os residentes das cidades costeiras para o interior são apenas algumas das soluções inovadoras que surgiram da crescente urgência de mitigar os efeitos do clima sobre o nosso mundo.
Até 2050, a população mundial deverá ultrapassar os 10 bilhões de habitantes, fazendo a superlotação das cidades uma das questões mais prementes da atualidade. A análise de dados, os algoritmos de aprendizado de máquinas, o desenvolvimento de novos sistemas de transporte e a rápida evolução das novas tecnologias estão causando um impacto cada vez maior na maneira com que as pessoas se relacionam com o espaço urbano, algo que influenciará decisivamente o futuro das nossas cidades, e em maior medida, a vida de todos nós.
Campo de produção de energia eólica em Mölsheim, Alemanha. Foto de Karsten Würth, via Unsplash
Um estudo divulgado pelo Projeto Drawdown mostra que neste exato momento temos acesso imediato a pelo menos 76 soluções para frear as mudanças climáticas. As soluções apresentadas são relativamente simples e o custo de colocá-las em prática é menor do que o custo de não adotar nenhuma medida.
O delta do rio Mississippi, ao sul de Nova Orleans, visto dos aviões de pesquisa C-20A da NASA. Crédito de imagem: NASA. Image @ NASA
Cem anos de inundações. Calor antártico recorde. Incêndios florestais e seca. As histórias se repetem com regularidade entorpecente. E, embora as particularidades sejam diferentes, todas apontam para a mesma conclusão sombria, somos incapazes de lidar com as mudanças climáticas. Com as emissões de carbono aumentando, o que antes era descartado como pior cenário, agora parece o melhor que podemos esperar.
Se o Plano A deveria impedir, ou pelo menos mitigar, os impactos mais graves das mudanças climáticas, qual é o Plano B?
https://www.archdaily.com.br/pt/934813/se-o-plano-a-e-mitigar-as-mudancas-climaticas-qual-e-o-plano-bMartin C. Pedersen, Steven Bingler
Reunimos aqui uma lista de nossos melhores artigos, notícias e propostas sobre um tema absolutamente urgente na arquitetura e na sociedade em geral: a crise climática e ambiental.
As recentes enchentes em Belo Horizonte e em outras cidades mineiras assustaram a população. Vídeos mostrando a força das águas arrastando carros e derrubando estruturas impressionaram todo o país. O estado de alerta não se resumiu a Minas Gerais. Grande parte do Sudeste enfrentou fortes chuvas, provocando grandes transtornos. No Espírito Santo, por exemplo, mais de 5 mil pessoas tiveram que deixar suas casas, e São Paulo entrou em estado de atenção por alagamentos. Enquanto isso, no Rio, uma situação envolvendo algas nos mananciais provocou o contrário: crise de água causada pela qualidade da água que chegava à torneira das pessoas.
https://www.archdaily.com.br/pt/933675/infraestrutura-natural-pode-evitar-desastres-como-as-enchentes-de-minas-gerais-e-sao-pauloWRI Brasil
Há sentido em projetar parques verdes em cidades desérticas como Casablanca, Dubai ou Lima? A princípio sim, por que eles fornecem frescor e vegetação a seus cidadãos, no entanto, é necessário considerar o descarte dos ecossistemas característicos das regiões, além dos altos custos de manutenção e da constante luta pela disponibilidade hídrica.
Iñaki Alday é o atual diretor da Escola de Arquitetura de Tulane (Nova Orleans). Fundador do escritório de arquitetura Alday Jover Arquitectura y Paisaje, Iñaki Alday também é um dos arquitetos consultores das Nações Unidas, especialista em projetos urbanos de rios e deltas. Como tal, Alday se destaca por sua participação como co-fundador do ‘Projeto Yamuna River’, uma das primeiras iniciativas internacionais entre universidades de apoio à projetos de pesquisa dedicados à recuperação do Rio Yamuna na cidade de Nova Delhi - um dos rios mais contaminados do mundo.
Entrevistamos Iñaki Alday para saber mais à respeito de como as cidades estão se preparando para enfrentar a emergência climática. Fizemos perguntas que abordam a urgência por pesquisas e pesquisadores dedicados ao assunto e como as universidades deveriam estar preparando as novas gerações de arquitetos para enfrentar este urgente desafio.
Ainda que este novo ano esteja apenas começando, assim como uma nova década, a mudança climática, que ao longo dos últimos dez anos passou a ser chamada de "emergência climática", deverá persistir até que toda a humanidade incorpore uma maior consciência - individual e coletivamente - para combater os mais urgentes desafios que se desenham para o futuro do nosso planeta. Embora não exista uma "única solução" para todos os desafios climáticos que a terra vem enfrentando, existe um ônus para cada cidadão, tanto em suas vidas pessoais quanto profissionais, que requer uma ação imediata de todos nós, aplicando nossos conhecimentos e habilidades para enfrentar os principais desafios de nosso tempo.
Para todos nós - arquitetos, urbanistas e também cidadãos - que estamos envolvidos com a construção de edifícios e cidades, deve prevalecer um profundo sentimento de responsabilidade, de estar ciente dos impactos que nossos projetos possam causar em relação ao agravamento das mudanças climáticas, não apenas em sua construção mas principalmente na manutenção de tais edifícios. Considerando que 36% de toda a energia global é utilizada para a construção e manutenção de edifícios e que 8% do total de emissões de gases do efeito estufa resultem dos processos de produção do cimento, a comunidade global de arquitetos deve sentir-se profundamente responsável uma vez que seus atos podem contribuir ou minimizar tais mudanças.
https://www.archdaily.com.br/pt/931426/fatos-sobre-arquitetura-e-a-crise-climaticaNiall Patrick Walsh