O Cinema espelha a arquitetura. Enquanto a pandemia de Covid-19 fecha os cinemas em todo o mundo por meses, a indústria olha para o futuro com o objetivo de repensar a experiência de ir ao cinema. Décadas atrás, em 1920, à medida que as multidões se aglomeravam no cinema após a pandemia de 1918, a indústria se transformava ao responder a novos modos de assistir a filmes juntos.
A 8ª edição do festival Arquiteturas Film Festival, que acontecerá entre os dias 1 e 6 de junho em Lisboa, explora o tema “Bodies Out of Space” através de uma excursão sobre a construção social do espaço conectado a um fio que circula dentro das suas próprias narrativas de dominação. Narrativas também sobre identidade que, muitas vezes, é retirada ou forçada a representar o nosso corpo.
O festival se dedica a representar, a cada edição, documentários, ficções, animações e filmes experimentais com relevância para a divulgação da arquitetura portuguesa contemporânea, ao nível nacional e internacional. A edição de 2021 não é diferente, tendo sido dividida em três pilares distintos: na seleção oficial, na programação de competição e na programação do país convidado.
Representar o mundo real está, sem nenhuma dúvida, na gênese do cinema, uma arte que nasce da fotografia, posta em sequência para oferecer ao espectador a impressão de movimento. Tão verdade, que o primeiro registro fílmico de que se tem notícia, de 1895, mostrava a chegada de um trem à estação de Ciolat, na França – um acontecimento banal no cotidiano das cidades europeias do século XIX.
Entretanto, por mais que a realidade concreta faça parte do cinema, não se pode negar que o fascínio exercido por esta arte venha, em grande medida, de sua capacidade de criar mundos imaginários, ativar espaços mentais e desencadear emoções. Nesse sentido, o mundo real pode muitas vezes não bastar como combustível, inspiração ou pano de fundo das histórias elaboradas por diretoras e roteiristas, exigindo das equipes de direção de arte e cenografia a criação de realidades outras, imateriais, que sirvam de base para a narrativa.
O episódio mais recente do Arquicast trata do premiado e surpreendente filme sul-coreano Parasita (2019). O diretor Bong Joon-Ho nos convida a refletir sobre fatos e estigmas de uma realidade social que, apesar de focada numa determinada cultura, é representativa de contextos urbanos diversos, como o sul-americano. A luta de classes, afinal, é característica das sociedades modernas e se vê refletida nos espaços que abrigam essas sociedades. Neste sentido, Parasita é uma aula sobre como as desigualdades estruturais desenham a qualidade do ambiente onde vivemos.
São Paulo, Sociedade Anônima é um filme que possuí abordagem complexa e profunda de São Paulo, feito sob um olhar sensível e específico da década de 60 por aqueles que vivenciaram um momento de renovação urbana e socioeconômica da metrópole. Filme que captou essa renovação social distinta e se tornou um marco cinematográfico da época, em que traça uma relação intensa entre personagem e espaço urbano, possuindo diferentes camadas de interpretação que vem a esmiuçar o significado de moderno, urbano, cenográfico e arquitetônico. Utiliza todas essas questões como instrumentos de manifestação de um período, realizadas e vivenciadas por sua população, captando as transformações não só da cidade como também da sociedade.
Promovido pelo Centro Acadêmico do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFJF (CACAU UFJF), o programa de audiovisual doCACAU visa a democratização do ensino da Arquitetura para a comunidade, em conjunto com o saber cultural e social, como forma de transmitir o conhecimento obtido para fora dos muros da Universidade. Ele conta com vertentes internas voltadas para a produção audiovisual e atualmente de podcasts, também para serem publicados nas mídias do Centro Acadêmico.
Dirigido por Gerardo Panero, o documentário Amancio Williams narra a vida e obra do arquiteto argentino, uma figura representativa do movimento moderno em seu país. Amancio teve um papel inquestionável na renovação dos ideais arquitetônicos do país, sendo reconhecido mundialmente por suas ideias e projetos, dos quais se destaca a famosa Casa sobre el Arroyo, projetada em parceria com sua esposa, Delfina Gálvez, entre os anos de 1943 e 1946 na cidade de Mar del Plata. Embora muitas de suas propostas não tenham se concretizado, seus projetos e experimentações geraram mudanças notáveis na arquitetura argentina, deixando um legado valioso para as gerações seguintes.
Um dos mais prestigiados festivais de cinema como foco em arquitetura de todo o mundo, o Arquiteturas Film Festival promove uma série retrospectiva de suas sete edições anteriores, realizadas entre 2013 e 2019, com transmissões online de alguns dos principais filmes de cada ano. Inaugurando a série, a película canadense Misleading Innocence (2014), de Francesco Garutti e Shahab Mihandoust, ficará disponível entre 12 e 19 de junho no website do festival.
Playtime (Jasques Tati, 1967). Via screenshot do filme
Se existe dentre as artes alguma capaz de se aproximar da arquitetura, é o cinema. A habilidade de representar espaços em movimento ao longo do tempo aproxima o cinema da arquitetura de um modo que foge aos limites da pintura, da escultura, da música - considerada por muito tempo a arte mais próxima da nossa - e até mesmo da dança. A questão do espaço é central tanto no cinema quanto na arquitetura e embora lidem com ele de maneiras diferentes, aproximam-se ao proporcionar uma experiência corporal - e não só visual - do ambiente construído.
O atual contexto de pandemia global tornou necessária a adoção de medidas radicais de reclusão e distanciamento social numa escala nunca antes vivenciada. Diante dessa calamidade transnacional e do surgimento gradual de novas formas sociais e políticas, o CineCubo IAB – cineclube promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento de São Paulo – lança a chamada para sua 2a Mostra de Curtas Cinecubo IAB, que selecionará filmes que contribuam para uma reflexão sobre a conjuntura que começa a se desenhar a partir desta nova situação epidêmica.
A cidade vem sendo explorada como tema desde os primórdios do cinema, aparecendo como cenário ou protagonista em produções de grandes diretores, como, por exemplo, Fritz Lang, Jean-Luc Godard, François Truffaut, Roberto Rossellini e Quentin Tarantino, para citar apenas alguns. O primeiro filme produzido, Chegada do Trem à Estação de La Ciotat (1925), dos irmãos Lumière, já mostrava o ambiente urbano moderno como importante elemento fílmico e de contextualização.
O recente sucesso de Parasita, premiado filme do cineasta coreano Bong Joon Ho, trouxe para o foco da crítica de cinema a relevância da arquitetura e dos espaços interiores. Como poucos filmes conseguem fazer, a obra-prima de Ho borrou os limites entre os dois campos disciplinares a ponto de podermos afirmar, sem exageros, que a arquitetura não está lá apenas como cenário, mas assume papel de protagonista em muitas cenas.
A Partir do Centro é um projeto cultural composto por um ciclo de debates, workshops, entrevistas e exposição que acontecerá em espaços culturais do Centro de Vitória com o objetivo de promover a valorização da memória e do futuro. O evento de abertura ao público ocorrerá no dia 12 de março, às 19 horas, no Palácio Sônia Cabral e terá como palestrante o arquiteto e urbanista capixaba Paulo Archias Mendes da Rocha. O projeto vai abordar temas urbanos contemporâneos, de forma transversal, tendo como ponto de partida o Centro Histórico da cidade de Vitória/ES. Dentre os eventos a serem realizados, ocorrerão três debates nos dias 25, 26 e 27 de março, às 19 horas no Centro Cultural Sesc Glória, além de Workshops e Exposição previstos para maio.
O MOVE CINE ARTE é um festival internacional de cinema de origem brasileira, dedicado a produções de filmes focados em arquitetura, paisagem, representação do espaço, urbanismo, planejamento, cidades e meio ambiente. Este ano, o festival ocorrerá em Veneza, São Paulo e Paris.
A arquitetura chilena tem uma forte relação com a geografia e o clima do país. Germán del Sol é reconhecido como um dos arquitetos mais prolíficos a trabalhar com essas rigorosas condições, com projetos em todo o país que aprimoram e redescobrem a paisagem natural por meio de uma arquitetura que faz uso de materiais naturais, aplica técnicas locais e apresenta um profundo sentido de lugar.
Nossa imaginação pode ir muito longe com o cinema, e talvez seja por isso que a arquitetura há muito tempo vem estreitando laços com a arte da imagem em movimento. Nossa mente pode ser levada a mundos utópicos onde passamos a viver realidades outras com os olhos e com a pele; filmes podem nos carregar para lugares novos, distantes, onde somos confrontados com realidades que nos são estranhas.
Mas além de nos transportar para localidades longínquas, filmes podem assumir o papel de veículos de crítica social - em suas mais amplas implicações. Não é novidade, vem sendo feito há quase tanto tempo quanto o próprio cinema existe, mas segue relevente. O que muda é o tipo de crítica, que evoliu com o tempo e com os modos de vida da sociedade. Nesse sentido, uma das problemáticas mais emergentes da atualidade é a mudança climática - ou, mais correto seria dizer crise climática -, que pela abrangência e peso é tópico de interesse em qualquer linguagem, da arquitetura às artes e, evidentemente, o cinema.
Desde 2017, a Escola de Arquitetura do Chipre (CYSOA) organiza uma série de concursos de arquitetura para instalações e projetos temporários para a praia de Geroskipou na Grécia.
No ano passado, a proposta vencedora foi apresentada pelo escritório russo de arquitetura KATARSIS Architects, um projeto temporário de cinema à céu aberto, com uma estrutura translúcida que serve tanto como cobertura quanto como tela de projeção.