Premiado no Festival de Tiradentes de 2012, "A Cidade É Uma Só?" combina documentário e ficção para recontar memórias de pessoas que foram obrigadas a deixar suas casas durante a CEI - Campanha de Erradicação de Invasões – ocorrida em Brasília nos anos 70 - e os reflexos disso nos dias atuais.
O nome da cidade-satélite Ceilândia deriva desta campanha – CEI - que tentava disfarçar a remoção violenta de cerca de 80 mil pessoas do lugar onde hoje é o Guará e parte do Park Way para um local a 40 quilômetros do Plano Piloto, em Brasília.
Este artigo é uma cortesia de nosso amigo cinéfilo Charlotte Neilson, o autor do fascinante blog Casting Architecture, que discute arquitetura e produção de design.
A vida de um edifício - algumas centenas de ano, com sorte - é apenas um ponto quando comparada aos bilhões de anos necessários para moldar uma paisagem natural. Ainda mais breve é o trabalho de um cineasta: a procura criada para o entretenimento momentâneo, que chega a conclusão em apenas um par de horas.Logo, é estranho perceber que o cinema entre em cena com frequência para imortalizar edifícios que encontraram um fim precoce.
Enquanto Arquitetura e Cinema sempre tiveram um relacionamento desconfortável (seja o retrato que a indústria de filmes passa dos edifícios modernos como frios e sem alma - e normalmente associados com ocupantes "estranhos" ou a estereotipização dos próprios arquitetos como delicados, tipos impraticáveis), a inclusão de um edifício em um filme pode muitas vezes tornar-se parte importante da história da edificação. E às vezes o seu último reduto.
Mais sobre Arquitetura imortalizada no Cinema, a seguir...
Este artigo vem como cortesia da amiga Charlotte Neilson, autora do fascinante blog de design Casting Architecture, que discute arquitetura e direção de arte. Charlotte não é só uma dedicada cinéfila, mas também uma graduada de honra da University of Newcastle, Australia.
Todos sabemos que psicopatas preferem o design contemporâneo. Hollywood nos diz isso por décadas. A clássica conexão entre interiores minimalistas e o desapego emocional (veja: qualquer adversário de James Bond), ou entre edifícios modernos e valores subversivos, é bem documentada no cinema - e lamentável. A filosofia moderna de chegar à essencia de um edifício foi concebida para liberar e enriquecer a vida de seus ocupantes. Então, é pouco justo que essas construções sejam rotineiramente retratados como associações à vilões.
O que a representação da Arquitetura Moderna nos filmes nos conta sobre nossa sociedade, abaixo...