Algumas obras consagradas da arquitetura são reconhecidas por seus detalhes ou por elementos específicos pensados com tamanho cuidado e inventividade que passam a ser a referência imediata que vem à cabeça quando pensamos nestes projetos.
Um desses elementos que frequentemente se torna protagonista nas propostas é a escada, que presente em alguns clássicos, como o Solar do Unhão de Lina Bo Bardi, com sua escada de madeira singular que organiza todo o espaço livre e faz da estrutura sua medida, ou, ainda, a icônica escada helicoidal do Palácio do Itamaraty desenhada por Oscar Niemeyer com as curvas precisas que caracterizam sua obra.
Um dos elementos arquitetônicos que mais fortemente promove a relação do interior com o exterior é a varanda. Difícil é precisar sua origem, sendo vista em exemplos de arquitetura vernacular no oriente, no mundo árabe, na Europa e, com grande expressividade, no Brasil.
Já passamos da metade de 2020 e, como não poderia ser diferente, foram publicados centenas de projetos residenciais no ArchDaily que abrangem os mais distintos meios de viver o cotidiano. Num ano marcado pela pior crise sanitária que a humanidade passou no último século, a pandemia de Covid-19, a casa ganhou novos significados e valores, reiterando que por mais diverso que seja seu programa, seu fator principal sempre será abrigar os moradores.
Componentes estruturais podem ser grandes protagonistas em projetos de arquitetura, e contribuem para estabelecer a compreensão de como se organizam e distribuem os esforços intrínsecos às construções. Os tirantes são um exemplo recorrente dessa possibilidade de tomada de cena: eles subvertem a lógica da sustentação por apoios e conformam conjuntos estáveis a partir da tração, criando um sentido, ao mesmo tempo, de força e leveza nas obras.
Este tipo de elemento está presente em diversos tipos de escala de edificação, desde os cabos de aço das grandes e imponentes pontes pênseis, até os tensores de coberturas residenciais. Selecionamos um conjunto de casas brasileiras que se valem desse delicado e potente componente estrutural de formas diversas, que servem enquanto demonstração da versatilidade de seus possíveis usos.
Na arquitetura, o aço corten, ou aço patinável, é um dos materiais no qual a passagem do tempo é mais facilmente visível e identificável. A pátina, como é chamada a camada que se forma no aço a partir da sua oxidação, funciona como uma proteção que reduz a velocidade do ataque dos agentes corrosivos e preserva as propriedades mecânicas deste material. Ao mesmo tempo, esta camada protetora proporciona um efeito estético que faz do aço corten um material muito valorizado em projetos arquitetônicos, da pequena à grande escala.
De cabanas isoladas no meio da mata a projetos inteiramente construídos em bambu, a arquitetura residencial no Equador é um prato cheio para quem gosta de casas construídas em madeira. Abundante em todo território nacional, este material construtivo é utilizado de forma versátil, capaz de atender a todos os requisitos estruturais e necessidades arquitetônica com louvor. Como estrutura portante, revestimento ou mobiliário, a madeira esta sendo utilizada tanto quanto o concreto, a pedra, o tijolo ou o metal, oferecendo uma infinidade de aplicações que têm provocado o desenvolvimento de uma nova linguagem e uma expressão única, intimamente integrada à paisagem característica dos trópicos.
O desafio de projetar uma casa com um orçamento apertado e metros quadrados escassos, juntamente com o dever essencial de responder corretamente aos requisitos específicos do usuário, pode ser uma das atribuições mais motivadoras e provocativas para um arquiteto. Como aproveitar o espaço da melhor maneira? Como evitar o desperdício de material? Como antecipar a possível expansão futura da habitação? Como desenvolver uma arquitetura simples e ao mesmo tempo entregar um alto valor a seus habitantes?
Mergulhamos em nossa biblioteca de obras para ajudá-lo neste processo, selecionando 30 casas que oferecem soluções arquitetônicas interessantes em 70, 80 e 90 metros quadrados.
Jardins verticais, paredes verdes ou paredes vivas são algumas das diferentes denominações usadas para uma mesma solução: a disposição vertical de diferentes espécies vegetais como forma de adquirir os benefícios proporcionados pela vegetação, mas em uma menor área projetada. Ou seja, a aplicação vertical das espécies permite um ganho de área útil horizontal, uma vantagem sobretudo para locais onde existe pouco espaço disponível para plantio diretamente no solo.
Angelo Bucci, fundador e diretor do SPBR Arquitetos, é o décimo e último convidado do Studio Casa, série de entrevistas realizada pela Casa da Arquitectura - Centro Português de Arquitectura. Bucci divide o seu tempo, há mais de 25 anos, entre as atividades profissional e acadêmica. Esta atuação paralela acabou por definir a abordagem que imprime aos projetos, em que as demandas profissionais são tomadas como oportunidades para a investigação de novas possibilidades.
É difícil encontrar alguém que nunca tenha sonhado em construir ou ter uma casa na árvore para chamar de sua. A ideia de um refúgio, um espaço totalmente integrado à natureza e com uma vista privilegiada agrada a quase todas as idades. Há exemplos de casas na árvore de todas as escalas e complexidades, desde pequenas plataformas elevadas até algumas altamente complexas, inclusive com instalações elétricas e hidráulicas. Alguns sites especializados no tema (sim, isso existe!), apresentam valiosas dicas para a construção desses sonhos. Em geral, eles concordam com o lema: “Escolha sua árvore, faça o seu projeto, mas esteja pronto para adaptá-lo!”
Por mais que algumas obras a ocultem, a estrutura é sempre uma preocupação em projetos de arquitetura. A definição do sistema estrutural está entre as primeiras decisões importantes a serem tomadas e, possivelmente, definirá uma série de outros aspectos da edificação. Há, no entanto, casos extremos em que a arquitetura se faz ver e ler, simplesmente, como a estrutura; projetos que têm seu caráter e imagem definidos em grande medida pela solução estrutural adotada.
Celso Sim, colaborador artístico do Teatro Oficina, é o sétimo convidado do Studio Casa, série de entrevistas realizada pela Casa da Arquitectura - Centro Português de Arquitectura. Como cineasta, assina a direção/roteiro/montagem do longa-metragem Penetrável Genet de 2018, que deriva da obra realizada para a 10ª Bienal de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo intitulada Penetrável Genet/Experiência Araçá, que ocupou um cemitério na cidade de São Paulo por 40 dias.
Os blocos de concreto são peças utilizadas sobretudo na execução de paredes e muros, podendo assumir função estrutural ou de vedação. Por ser um material pré-fabricado de baixo custo, comumente utilizado de forma aparente, é adotado em muitos projetos com o intuito de executar uma obra econômica, rápida e prática, sem necessidade de mão de obra especializada.
A terra é um elemento que vem sendo utilizado para construir desde tempos imemoráveis. Seu baixo impacto ambiental e a variedade de técnicas existentes para trabalhá-la permitiram a transcendência de seu uso em projetos de arquitetura em todo o mundo. Seja na taipa, em paredes de terra batida, paredes erguidas com sistemas de barro ou estruturas em adobe, diversos projetos contemporâneos reelaboram e reinterpretam estes métodos tradicionais para dar forma a seus espaços.
Marcelo Morettin, sócio do escritório Andrade Morettin Associados, é o sexto convidado do Studio Casa, série de entrevistas realizada pela Casa da Arquitectura - Centro Português de Arquitectura. Formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, Morettin trabalhou nos escritórios de Joaquim Guedes Arquitetos Associados e de Marcelo Fragelli, até formar seu próprio escritório em 1997.
O arquiteto Carlos Alberto Maciel é o quinto entrevistado do Studio Casa, série de entrevistas realizada pela Casa da Arquitectura - Centro Português de Arquitectura. Mestre e doutor em Teoria e Prática de Projeto na Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais, onde leciona projeto, Maciel é sócio-fundador do Arquitetos Associados, estúdio colaborativo com sede em Belo Horizonte.
Marta Moreira, sócia fundadora do MMBB Arquitetos desde 1990 e colaboradora do arquiteto Paulo Mendes da Rocha desde 1995, é a quarta entrevistada do Studio Casa, série de entrevistas realizada pela Casa da Arquitectura - Centro Português de Arquitectura.