Ancestral, vernáculo, minimalista e harmonioso. Para muitos, essas palavras definem a arquitetura do Japão, um país que há muito tempo serve como fonte de inspiração cultural e tecnológica para inúmeras sociedades em todo o mundo. As técnicas populares japonesas atingiram até os cantos mais remotos do mundo, ganhando força em vários campos que variam de artesanato técnico à inovação digital. Dentro do campo da arquitetura, a apropriação e a reinvenção de vários materiais e sistemas de construção - como o uso de madeira carbonizada nas fachadas - tem sido um tema duradouro.
A arquitetura como resultado da ação humana sobre a paisagem, confronta-se sempre com o desafio de construir relações entre o espaço construído e o contexto natural específico. Quando tratamos de edifícios enterrados, este vínculo se torna ainda mais evidente além de um fator fundamental para o sucesso do projeto. Neste contexto, a decisão de intervir na paisagem natural, seja enterrando ou aterrando, geralmente trás uma série de benefícios para um projeto de arquitetura, entre os quais podemos destacar a integração com o contexto e outros benefícios técnicos, como por exemplo, uma melhor eficiência termodinâmica.
‘Fronteiras_Japão: Sociedade e seus espaços - ‘間 ma, arte e espaços japoneses’ / Acervo do autor.
‘Fronteiras_Japão: Sociedade e seus espaços' visa navegar pelo espaço Nipônico, de maneira introdutória, traçando perspectivas e horizontes novos, enquanto discute sociedade e cultura, arquitetura e cidade, bem como a visão de mundo tão particulares a essa nação.
A forma de organizar um espaço reflete os princípios de uma cultura. Para entender a arquitetura japonesa, é necessário olhar para sua cultura, compreender seus princípios e explorar seus significados considerando as noções do visível e invisível.
Montagem feita a partir dos desenhos cedidos pelos autores. . Image Cortesia de a+t architecture publishers
Viajar pelo Japão pode ser uma experiência impressionante para um turista ocidental - especialmente se este tiver alguma relação com a arquitetura. Além das enormes diferenças culturais, o país é conhecido por uma produção arquitetônica riquíssima - oito dos 42 laureados do Prêmio Pritkzer são japoneses - que mantém sua consistência desde os anos 1960.
Shorin-zu Byobu – left side of a diptych by Hasegawa Tohaku. Image via Wikipédia
Arata Isozaki é o sétimo arquiteto japonês a ser laureado pelo Prêmio Pritzker. Para além da importância de sua produção arquitetônica, Isozaki teve papel fundamental na divulgação da cultura nipônica para o Ocidente. Em 1978, por exemplo, concebeu a exposição “Ma: Espaço-Tempo do Japão” para o Museu de Artes Decorativas de Paris, a qual tinha o propósito de apresentar a noção japonesa de espaço e tempo para o resto do mundo por meio do conceito “ma”.
https://www.archdaily.com.br/pt/912901/o-conceito-ma-para-arata-isozaki-um-modo-de-ver-o-mundoMarina Pedreira de Lacerda
A Serpentine Gallery de Londres anunciou o arquiteto japonês Junya Ishigami como responsável pelo projeto do Serpentine Pavilion 2019. Ishigami, que aos 44 é o segundo arquiteto mais jovem a participar do programa (depois de Frida Escobedo), é conhecido por seus projetos que exploram aspectos como leveza e efemeridade.
O projeto de Ishigami consiste em uma grande superfície de ardósia suspensa no parque, erguida por esbeltos pilotis que criam uma paisagem interna que lembra uma floresta. A penumbra proporcionada pela cobertura criará um espaço sereno para contemplação e reflexão. Ishigami explica que seu projeto para o pavilhão exemplifica a ideia de "espaço livre", com a qual ele "busca a harmonia entre estruturas feitas pelo homem e aquelas que já existem".
Veja o estúdio do arquiteto e teórico japonês Arata Isozaki no primeiro vídeo da série Time-Space-Existence, produzida pela PLANE-SITE. Neste vídeo inaugural, Isozaki discute o conceito japonês do espaço e do tempo que existe entre as coisas, chamado "ma". Especialmente inspiradora é a recusa de Isozaki em permanecer em um estilo arquitetônico único; o arquiteto descreve como cada um de seus projetos apresenta uma solução específica nascida a partir do contexto do projeto.
Descrição enviada pela equipe de projeto. Construído para os Jogos Olímpicos de 1964 em Tóquio, o Ginásio Nacional Yoyogi tornou-se um ícone arquitetônico por seu projeto característico. Projetado por Kenzo Tange, um dos arquitetos modernistas mais famosos do Japão, o ginásio é uma mescla da estética modernista ocidental e da arquitetura tradicional japonesa.
“Architectures Japonaises à Paris, 1867-2017”, inaugurada no Pavillon de l’Arsenalcom a presença do arquiteto Tadao Ando, com posterior conferência na série Paroles Contemporaines no Centre Georges-Pompidou, explora a importância do longo intercâmbio estabelecido entre Oriente e Ocidente, através de setenta projetos selecionados pelo arquiteto e urbanista Andreas Kofler, que se atrelam o aos acontecimentos atuais da capital francesa e do percurso histórico de consolidação do Le Grand Paris.
https://www.archdaily.com.br/pt/875962/afinidades-eletivas-a-mostra-de-arquitetura-japonesa-em-paris-1868-2017-adalberto-da-silva-retto-juniorAdalberto da Silva Retto Júnior
Três encontros-conversas sobre arquitetura e estética no Japão em minicurso organizado pelo Superbacana+ em São Paulo. As aulas abordarão princípios tradicionais da estética japonesa como o Wabi-Sabi e explorarão em detalhes as obras de arquitetos contemporâneos como Toyo Ito, Kazuyo Sejima, Ryūe Nishizawa, Kengo Kuma e Sou Fujimoto. Além disso, a produção atual será contextualizada a luz de movimentos arquitetônicos do pós-guerra, como o Metabolismo – que teve como membros atuantes, entre outros, Kenzo Tange, Kiyonori Kikutake e Kisho Kurokawa. O curso pretende discutir a produção da arquitetura no Japão em relação à tradição histórica local e princípios modernizadores emergentes no último século.
O escritório Kengo Kuma & Associates divulgou o projeto para um pequeno complexo cultural que compreende dois halls e um centro comunitário em Iiyama, Japão. Segundo os arquitetos, "centros culturais com financiamento público tendem a se alienar do restante da cidade, devido aos seus típicos grandes volumes." Assim, projetamos "o complexo para ser o mais aberto possível para a cidade e para a paisagem de Iiyama, para que ambos possam existir em harmonia."