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Arquitetos: Estudio PK
- Área: 420 m²
- Ano: 2026


Em toda a América do Sul, o conforto ambiental é compreendido não como uma condição interna estática, mas como algo moldado através do espaço. Em regiões marcadas pelo calor, umidade, luz solar intensa e variações sazonais, a arquitetura há muito tempo se apoia em decisões espaciais para amenizar o clima e acolher a vida cotidiana. O conforto surge da maneira como os interiores são abertos, sombreados, ventilados e habitados ao longo do tempo.
Em vez de isolar os espaços internos de seu entorno, muitos projetos contemporâneos na região cultivam o conforto por meio da profundidade, da porosidade e de zonas intermediárias. A luz é filtrada, e não maximizada; o ar é direcionado por aberturas alinhadas e vazios; e os limiares se transformam em espaços ativos de uso, em vez de bordas residuais. Tais estratégias não buscam um controle ambiental uniforme, mas produzem interiores que permanecem amenos, adaptáveis e intimamente sintonizados com as mudanças nas condições climáticas. Nesse contexto, o conforto ambiental torna-se indissociável da experiência espacial.



Nos últimos anos, o trabalho remoto tornou-se cada vez mais comum, criando a necessidade de espaços domésticos que acomodem tanto a vida profissional quanto a pessoal. Isso se aplica especialmente a artistas, para quem a integração entre moradia e espaços de trabalho é essencial. Muitas vezes, esses locais também precisam funcionar como áreas de exposição para a produção artística, como pinturas, esculturas, cerâmicas e outras criações.
Essa fusão entre ambientes de trabalho e de moradia tem influenciado as tendências de arquitetura e design de interiores, priorizando a flexibilidade, a multifuncionalidade e uma estética que estimule tanto a criatividade quanto o conforto. Plantas livres, móveis modulares e soluções de iluminação adaptáveis tornaram-se elementos fundamentais em projetos que buscam harmonizar o cotidiano pessoal e profissional de forma fluida.


A reforma é uma prática cada vez mais comum e fundamental na arquitetura contemporânea. Mais do que uma tendência, ela representa uma estratégia crucial para reduzir o consumo de recursos e minimizar a geração de resíduos, oferecendo vantagens claras em relação a novas construções. No contexto latino-americano, essa filosofia se destaca por suas características singulares. Ela articula de forma complexa a circularidade e a ação climática com materiais locais, respondendo a desafios econômicos ao mesmo tempo em que harmoniza influências indígenas, coloniais e contemporâneas.
A habitação desempenha um papel crucial nesse contexto, onde materiais e técnicas construtivas tradicionais definem a singularidade de cada projeto e o integram ao tecido social da comunidade. Em toda a América Latina, as identidades regionais estão profundamente incorporadas aos esforços de reforma, indo desde a restauração de fachadas e o reaproveitamento de madeira até a reinvenção do uso de resíduos de demolição. A adaptação dos espaços nesses projetos é influenciada por suas identidades singulares e condições geográficas, enraizadas em expressões sociais e culturais.