Acione um comando no seu celular e vá para o chuveiro; desça a escada 15 minutos depois e terá uma caneca de café esperando por você. Este é um ritual que não é mais uma fantasia para muitas pessoas. O crescimento da Internet das Coisas permitiu-nos controlar ações com o simples tocar em uma tela. Até agora, a escala destes processos é limitada a dispositivos pessoais: qualquer coisa entre passar café pela manhã a ligar o carro. Mas e se pudéssemos cultivar alimento para milhares de pessoas com um simples botão? Este é o objetivo do projeto Smart Floating Farms [Fazendas Flutuantes Inteligentes], desenvolvido pelo Forward Thinking Architecture.
"O morador urbano de hoje não sabe de onde vem ou como são produzidos os alimentos que consome ou como eles são distribuídos. Nós nos tornamos dependentes de grandes e poderosas corporações que trazem grandes quantidades de alimentos de fazendas industrializadas aos nossos supermercados. Mas todo o processo permanece oculto, é massivamente complexo e, em última análise, insustentável." Carolyn Steel, autora de Hungry City, em sua palestra TED."How Food Shapes Our Cities" (Como o alimento molda nossas cidades).
Em algumas partes do mundo, as pessoas estão lentamente começando a "revolução dos alimentos." A necessidade causada pela crise econômica ou a mudança de mentalidade das pessoas que procuram comer melhor para prevenir doenças quase epidêmicas, como a obesidade, têm impulsionado a ação das pessoas, tomando a situação em suas próprias mãos e se tornando apicultores urbanos ou "agricultores de telhado."
Na América Latina, apesar de seus muitos benefícios aparentes, esta questão ainda não é foco de debates cotidianos, mas timidamente vêm alcançando algumas famílias. Apesar da participação de grupos comunitários e da pressão política serem vitais para promover esses movimentos, também o poderia ser o projeto arquitetônico.
Veja, a seguir, alguns programas de agricultura urbana de sucesso na América Latina e uma série de propostas internacionais que podem nos dar idéias como a arquitetura pode apoiar essa revolução, se colocarmos o alimento no centro do projeto.